A Lei da Abundância
Franklin D. Richards
Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, sinto que é tanto um privilégio quanto uma bênção estar presente nesta inspiradora conferência, e sei que as respostas para muitos dos problemas de hoje se encontram nas mensagens que estão sendo dadas por nossos líderes. ¶
Independentemente das dificuldades existentes no mundo hoje, nós, como povo, devemos reconhecer que fomos abundantemente abençoados com os recursos deste mundo; contudo, sabemos que tudo o que temos pertence ao Senhor e que ele nos abençoou com essas coisas para ver como as usaremos. ¶
Creio que se poderia dizer que a vida é o maior presente de Deus ao homem, e o que fazemos com nossa vida é nosso presente a Deus. ¶
O Presidente Brigham Young, ao referir-se a fazer de nossa vida um presente a Deus, disse o seguinte: “Nossa religião vale tudo para nós, e por ela devemos estar dispostos a empregar nosso tempo, nosso talento, nossos meios, nossas energias, nossa vida.” (Journal of Discourses, vol. 11, p. 119.) ¶
E: “Se agirmos corretamente, haverá um aumento eterno entre este povo em talento, força e intelecto, e riqueza terrena, deste momento em diante e para sempre.” (JD, vol. 1, p. 110.) ¶
“Nenhuma bênção que seja selada sobre nós nos fará algum bem, a menos que vivamos por ela.” (JD, vol. 11, p. 117.) ¶
É interessante notar que aqui, como em outras passagens das escrituras, promessas de riqueza terrena e de talentos aumentados são feitas àqueles que vivem os princípios do evangelho, e é dado o conselho de usar nossos talentos e nossa riqueza para a edificação do reino. Muitas escrituras, contudo, contêm palavras de advertência a respeito das tentações trazidas pela aquisição de riqueza e por seu uso para fins iníquos. ¶
O grande apóstolo Paulo, ao escrever a seu amado colaborador Timóteo, disse-lhe que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”, e o instruiu a “mandar aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas no Deus vivo, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas desfrutarmos; que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de bom grado. …” (1 Timóteo 6:10, 17–18.) ¶
Ao longo da história da Igreja, seus líderes têm ensinado o valor dos princípios do trabalho, da diligência e da economia; e, à medida que foram praticados, os membros da Igreja têm prosperado de diversas maneiras. Da mesma forma, os membros têm sido aconselhados a estabelecer e manter sua independência econômica, e indústrias geradoras de empregos têm sido incentivadas. ¶
Em prol desses ensinamentos, todo homem que possui propriedades e meios deve viver de modo a obter sabedoria para saber como usá-los da melhor forma possível, a fim de produzir o maior bem para si mesmo, para sua família, para o próximo e para o reino de Deus. ¶
Novamente citando o Presidente Young: “Quando este povo estiver preparado para usar corretamente as riquezas deste mundo na edificação do Reino de Deus, ele está pronto e disposto a concedê-las a nós. Gosto de ver os homens enriquecerem por sua diligência, prudência, administração e economia, e depois consagrarem essa riqueza à edificação do Reino de Deus sobre a terra.” (JD, vol. 2, pp. 114–15.) ¶
Andrew Carnegie, um dos grandes filantropos deste país, expressou sua atitude em relação à riqueza da seguinte forma: “Este, então, é considerado o dever do homem rico: primeiro, dar o exemplo de modéstia, de vida discreta, evitando a ostentação ou a extravagância; prover moderadamente as necessidades legítimas daqueles que dele dependem; e, feito isso, considerar toda a renda excedente que lhe chega simplesmente como fundos fiduciários, que ele é chamado a administrar e estritamente obrigado, como questão de dever, a administrar da maneira que, a seu juízo, seja a mais adequada para produzir os resultados mais benéficos para a comunidade — tornando-se assim o homem rico um mero fiduciário e agente para seus irmãos mais pobres, trazendo ao serviço deles sua sabedoria superior, sua experiência e sua capacidade administrativa, fazendo por eles melhor do que eles fariam ou poderiam fazer por si mesmos.” (The Gospel of Wealth.) ¶
Tendo em mente essa filosofia sobre a riqueza, poder-se-ia dizer com razão: “Meu valor está naquilo que faço pelas outras pessoas.” ¶
Em muitos aspectos, o verdadeiro teste de um homem é sua atitude em relação a seus bens terrenos. ¶
Em conformidade com esse pensamento, nosso propósito, então, deveria ser edificar o reino de Deus. Muitos de nós já dissemos, em nossos momentos mais generosos e altruístas: “Se eu tivesse a riqueza, construiria uma bela igreja, ofereceria uma escola para crianças carentes, forneceria um hospital onde fosse necessário” etc. ¶
Provavelmente poucos de nós terão a grande riqueza necessária para fazer qualquer dessas coisas por si sós; contudo, cada um de nós, tendo o desejo, pode ter parte nesses maravilhosos projetos por meio de nossas contribuições, inclusive o pagamento de nossos dízimos e ofertas. ¶
Ao longo dos tempos, o Senhor tem ordenado a seu povo que se lembre dos necessitados e pague dízimos e ofertas com o propósito de edificar o reino. ¶
Nesta dispensação, o Senhor nos revelou que “é um dia de sacrifício e um dia para o dízimo de meu povo.” (D&C 64:23.) Creio que se deve observar que um número muito substancial de pessoas hoje cumpre honestamente essa exigência. Por outro lado, no entanto, muitos são negligentes no pagamento de seus dízimos e ofertas. ¶
O Senhor disse: “Roubará o homem a Deus? Porque vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. … ¶
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro … e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, até que não haja mais lugar para a recolherdes.” (Malaquias 3:8, 10.) ¶
Os dízimos são fundos sagrados, e o Senhor, nesta dispensação, revelou que o dízimo “será disposto por um conselho, composto da Primeira Presidência de minha Igreja e do bispo e seu conselho, … e por minha própria voz a eles, diz o Senhor.” (D&C 120:1.) ¶
Com o crescimento acelerado da Igreja em todo o mundo, cada vez mais edifícios e instalações são necessários — capelas, escolas, seminários, templos, hospitais, casas de missão, centros de visitantes e muitos outros edifícios. ¶
A construção dessas novas instalações da Igreja não apenas exige o dispêndio de grandes somas de capital, mas a operação e a manutenção desses edifícios se tornam pesadas responsabilidades financeiras. ¶
A Igreja é planejada para cuidar das necessidades espirituais e temporais de seus membros, tanto vivos quanto mortos; e o padrão abrange programas como o educacional, o missionário, o de bem-estar, o auxiliar, o de serviços sociais, o genealógico e muitos outros. Esses programas, funcionando em escala mundial, também exigem grande auxílio financeiro. ¶
Temos aguardado este dia há mais de cem anos, e tenho certeza de que, à medida que guardarmos os mandamentos do Senhor, ele abrirá o caminho pelo qual poderemos cumprir as obrigações financeiras relativas ao crescimento e ao desenvolvimento da Igreja, bem como nossas próprias responsabilidades. ¶
O apóstolo Paulo, ao escrever aos santos de Corinto, disse-lhes que “o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância também ceifará. … ¶
“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.” (2 Coríntios 9:6–7.) ¶
Nesta dispensação, o Senhor disse: “Não te apegues a tua propriedade, mas oferece-a liberalmente.” (D&C 19:26.) ¶
Ao nos considerarmos fiduciários da riqueza em benefício dos filhos de Deus, não devemos adorar bens materiais, sejam eles de grande ou de pequeno valor. Se somos culpados de adorar bens materiais, então precisamos nos arrepender e endireitar nossos valores. ¶
Uma pessoa que coloca a riqueza deste mundo na balança contra as coisas de Deus evidencia pouca compreensão dos valores eternos. ¶
Falamos sobre fazer sacrifícios para edificar o reino de Deus, mas, para mim, essa palavra é um equívoco — poder participar da edificação do reino é um grande privilégio e uma grande bênção. ¶
Recentemente, dediquei uma bela e pequena capela, e naquela ocasião fui informado de que, para pagar o saldo da parte da ala no custo da construção (US$ 5.000), o bispo havia pedido a todos os membros que limitassem os presentes de Natal às crianças pequenas e doassem o valor assim economizado ao fundo de construção. Os membros responderam maravilhosamente, considerando isso uma oportunidade de receber uma bênção, e não um sacrifício, e, na cerimônia de dedicação, muitos deram testemunho nesse sentido. ¶
Contanto que a pessoa seja honesta com o Senhor, o valor pago não é o que importa. A moedinha da viúva ou da criança é tão importante e aceitável quanto as ofertas do homem rico. Quando homens, mulheres e crianças são honestos com Deus e pagam seus dízimos e ofertas, o Senhor lhes dá sabedoria para que possam fazer tanto ou mais com o restante do que poderiam fazer se não tivessem sido honestos com o Senhor. Muitas vezes, eles são abençoados e prosperados de diversas maneiras — espiritual, física e mentalmente, além de materialmente. Testifico a vocês que isso é verdade, e tenho certeza de que muitos de vocês podem prestar tal testemunho. ¶
Lembrem-se das palavras do Senhor Jesus, de como ele disse: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” (Atos 20:35.) ¶
Para que servem, então, as riquezas? Para serem usadas na prática do bem. Portanto, dediquemos nossos meios à edificação do reino de Deus. Resolvamos, neste dia, ser honestos com o Senhor no pagamento de nossos dízimos e ofertas. ¶
Sei que Deus vive e que Jesus é o Cristo, nosso Salvador e Redentor, e isso é muito mais importante do que as riquezas terrenas. ¶
E sei que o evangelho, em sua plenitude, foi restaurado nesta dispensação por intermédio do Profeta Joseph Smith, e que há um profeta vivo à frente da Igreja hoje, o Presidente Joseph Fielding Smith. Isso também tem mais valor do que qualquer quantidade de riqueza terrena. ¶
Contudo, o testemunho, por si só, não nos salvará. É a guarda dos mandamentos de Deus — viver a vida de um verdadeiro Santo dos Últimos Dias. É importante, então, compreender que o evangelho precisa ser vivido para ser plenamente realizado e para que seu poder seja recebido. ¶
Portanto, distribuamos os meios que o Senhor nos deu para enriquecer a vida de outros que são menos afortunados do que nós, e para edificar o reino de Deus, a fim de que façamos de nossa vida um bom presente a Deus, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶