Pulpit

Vozes do Passado, do Presente, do Futuro

Spencer W. Kimball

Conferência Geral de Abril de 1971·Saturday Morning Session·1971-04-01

Amados irmãos, irmãs e amigos, subscrevo inteiramente tudo o que o Presidente Smith acabou de dizer, e testifico que ele é o profeta de Deus sobre a terra hoje.

A história se repete, e basta voltarmos ao passado para aprender as soluções para o presente e o futuro. Os coríntios parecem ter sido perturbados pelas mesmas mensagens conflitantes que ouvimos em nosso próprio tempo. Paulo lhes disse:

"Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?

"… estareis como que falando ao ar.

"Há … tantos gêneros de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação." (1 Coríntios 14:8–10.)

A de Paulo foi uma voz impressionante, poderosa e forte, jamais silenciada em todos os séculos que se seguiram.

Há vozes por toda parte ao nosso redor. Algumas são ásperas e estridentes; outras, doces e penetrantes.

As revelações de Paulo incluíam visões destes últimos dias. Sua voz está dizendo:

"… nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;

"Que falarão mentiras em hipocrisia, tendo cauterizada a sua própria consciência;

"Proibindo o casamento, e mandando que se abstenham dos alimentos. …" (1 Timóteo 4:1.)

Vozes outra vez! Vozes rascantes proclamando "doutrinas de demônios", dizendo que não há pecado; que não há diabo; que não há Deus. Dizendo que devemos "comer, beber e alegrar-nos" como os antediluvianos que jamais creram que o dilúvio realmente viria.

Muitas vozes de espíritos enganadores defendem os prazeres carnais e as satisfações físicas sem restrição. Nosso mundo é hoje muito semelhante ao que era nos dias do profeta nefita que disse: "… se não fosse pelas orações dos justos … vós seríeis agora mesmo visitados por completa destruição. …" (Alma 10:22.) É claro que há muitíssimos justos e fiéis que vivem todos os mandamentos e cujas vidas e orações preservam o mundo da destruição.

Vivemos nos últimos dias, e eles são precários e amedrontadores. As sombras se aprofundam, e a noite avança para nos envolver.

A voz clara de Paulo:

"… nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.

"Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos … blasfemos, desobedientes a pais e mães … profanos,

"Sem afeto natural … incontinentes, …

"… mais amantes dos deleites do que amantes de Deus." (2 Timóteo 3:1–4.)

Um colunista de destaque escreveu sobre nossos dias: "Uma coisa é certa. Não nos serão dados séculos para uma decadência tranquila e confortável. Temos hoje um inimigo — implacável, cru, brutal e arrogante … [que crê] que estamos em avançado estado de declínio moral … [e] amadurecendo para o abate." (Jenkin Lloyd Jones, Human Events, 24 de novembro de 1961.)

Recentemente, pessoas nas ruas responderam à pergunta "A castidade está ultrapassada?" As respostas: "Os costumes mudaram; a virgindade está desaparecendo. O amor está 'na moda'." "Virgens são realmente estranhas." "Há poucas pessoas hoje em dia que são virtuosas." Uma moça disse: "A castidade está ultrapassada porque, nestes dias iluminados, as pessoas são mais livres."

Sim: livres para cometer pecado; livres para infringir leis. Livres para contrair doenças venéreas. Livres para encurtar a vida; livres para negar a Deus; livres para se verem livres de todas as verdadeiras liberdades.

Vemos nosso mundo afundando em abismos de corrupção. Todo pecado mencionado por Paulo está hoje generalizado em nossa sociedade.

Homens e mulheres são "amantes de si mesmos". Vangloriam-se de suas realizações. Praguejam. Blasfemam. Outro pecado é a desobediência dos filhos aos pais e a desobediência dos pais à lei. Muitos carecem do afeto natural, o que parece corroer a vida familiar à medida que buscam satisfazer seus próprios desejos egoístas.

Diz-se que há milhões de pervertidos que renunciaram ao afeto natural e passaram por cima do namoro e dos relacionamentos matrimoniais normais. Essa prática se espalha como incêndio em campina e está mudando nosso mundo. Estão sem "afeto natural" por Deus, pelos cônjuges e até pelos filhos.

Paulo fala de continência — palavra quase esquecida em nosso mundo. Ainda presente no dicionário, significa autocontrole, especialmente nas atividades sexuais. Muitas pessoas boas, influenciadas pelo espírito ousado dos tempos, buscam agora a cirurgia para a esposa ou o marido, a fim de evitar gravidezes e atender à voz estridente que exige redução do número de filhos. Nunca foi fácil gerar e criar filhos, mas as coisas fáceis não promovem crescimento e desenvolvimento. No entanto, vozes altas e escandalosas hoje clamam por "menos filhos" e oferecem a pílula, drogas, cirurgia e até o feio aborto para consegui-lo. Estranho: os defensores da despopulação do mundo parecem jamais ter pensado na continência!

As bibliotecas estão repletas de livros com imagens chocantes, mostrando às pessoas como satisfazer totalmente suas naturezas animais, mas poucos livros tratam do autocontrole da continência. Com a teoria de que "a vida é para o sexo", toda imaginação da mente dos homens concebe formas de obter mais completamente aquilo que chamam de "realização sexual", a qual exigem à custa de tudo o mais — família, lar, vida eterna. Deveria haver, tanto da imprensa quanto da tribuna e do púlpito, vozes profundas e ressonantes exortando o homem a elevar-se acima do carnal e repousar a mente em coisas puras e sagradas.

Paulo pregou a continência e o autodomínio. Ele o praticou, passando anos no campo missionário. Não foi esse o seu significado quando disse:

"Porque quisera que todos os homens fossem como eu mesmo; …

"… Digo … que lhes é bom se ficarem como eu." (1 Coríntios 7:7–8.)

"Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão. …" (1 Coríntios 9:27.)

Paulo fala de "amantes dos deleites mais do que amantes de Deus". Não descreve isso o desenfreado permissivismo sexual de nossos dias?

Paulo fala daqueles que "entram pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas por várias concupiscências." (2 Timóteo 3:6.)

A imoralidade parece agora receber o aceno de aprovação de pessoas outrora honradas. A devassidão jamais deu à luz coisa boa alguma, e Paulo disse: "Mas a que vive em deleites, vivendo, está morta." (1 Timóteo 5:6.) Mas eis que agora vem uma voz celestial: "Não cometerás adultério; e o que cometer adultério e não se arrepender será expulso." (D&C 42:24.)

Muitas vozes, altas e ásperas, vêm de educadores, homens de negócios e profissionais liberais, sociólogos, psicólogos, autores, atores de cinema, legisladores, juízes e outros, até mesmo alguns do clero, que, por terem aprendido um pouco sobre algo, parecem pensar que sabem tudo sobre tudo.

Esse egotismo e orgulho são incitados pelo astuto pai das mentiras. Ouçamos a voz de um profeta nefita descrevendo a aceitação, por seu povo, do "astuto plano do maligno":

"… é bom ser instruído, quando se dá ouvidos aos conselhos de Deus." (2 Néfi 9:29.)

"… Quando são instruídos pensam que são sábios … supondo que sabem por si mesmos; portanto, a sua sabedoria é insensatez. … E eles perecerão." (2 Néfi 9:28.)

A voz de Pedro era firme quando chamou os maus de brutos animais que pereceriam em sua própria corrupção. Chamou-os de "nódoas e máculas, deleitando-se em seus engodos", tendo "os olhos cheios de adultério"; "engodando as almas inconstantes". Fala de suas "concupiscências da carne" e "dissoluções"; e daqueles que retornam ao pecado depois de terem sido purificados ele compara ao cão que volta ao seu vômito e à porca lavada que retorna a espojar-se na lama. (Ver 2 Pedro 2:13–22.)

Sustentando Pedro, vem a voz de Paulo a Tito:

"Para os puros, todas as coisas são puras, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes, o seu entendimento e consciência estão contaminados.

"Confessam que conhecem a Deus, porém com as obras o negam, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda boa obra." (Tito 1:15–16.)

Muito se tem dito sobre a frustração da juventude. Embora dificilmente possamos justificar suas excentricidades e desobediência e sua aparente perda de fé, talvez parte da culpa por suas frustrações possa ser atribuída àqueles pais que lhes deram o exemplo de desobedecer tanto ao governo quanto às leis de Deus.

Certamente, alguma culpa pode ser atribuída às vozes das tribunas, das salas de redação, das transmissões de rádio e televisão, e até mesmo do púlpito.

Tais vozes talvez tenham de responder por perpetuarem a falsidade e por não darem verdadeira liderança no combate ao mal. "… como o povo, assim o sacerdote. …" (Isaías 24:2.) O termo sacerdote é aqui usado para designar todos os líderes religiosos de qualquer fé. Isaías disse: "A terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto trespassam as leis, mudam os estatutos, e quebram o convênio eterno." (Isaías 24:5.) Entre as vozes discordantes, ficamos chocados com as de muitos sacerdotes que incentivam a contaminação dos homens e piscam os olhos às tendências corrosivas e que negam a onisciência de Deus. Certamente esses homens deveriam manter-se firmes, mas alguns cedem ao clamor popular.

Cito algumas passagens da imprensa:

"Muitos religiosos relutam em dar um sim ou não definitivo sobre a maconha." "Depende das circunstâncias." (Time, 16 de agosto de 1968.)

Desenvolveram a "ética situacional", que parece cobrir todos os pecados.

Outros líderes religiosos dizem: "… as regras precisas de conduta cristã não deveriam necessariamente aplicar-se a problemas de sexualidade." (Londres — Conselho Britânico de Igrejas.)

Em contraste, ouçamos a voz firme de um profeta. Pedro profetizou:

"Mas também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos mestres, que introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou. …

"E muitos seguirão as suas dissoluções. …" (2 Pedro 2:1–2.)

Apenas este mês, a imprensa citou o líder aposentado de uma populosa igreja propondo o "reavivamento dos antigos noivados que permitiriam a jovens casais não casados dormir juntos com a bênção da igreja", e "isso não seria considerado, no sentido moral, como fornicação".

E agora, a voz de um comentarista: "Recentemente, a indústria cinematográfica anunciou solenemente que, doravante, a perversão e a homossexualidade não seriam mais banidas da tela. … Estamos afogando nossos jovens em violência, cinismo e sadismo transmitidos até a sala de estar. …" (Jenkins Lloyd Jones.)

Citando publicações relativamente recentes: "A conferência da igreja __________ aprovou hoje recomendação de que a homossexualidade entre adultos consentidos não deveria mais ser considerada crime. …"

A voz de uma revista muito lida: "… um grupo de ministros __________ em São Francisco pensa que as igrejas deveriam abandonar suas restrições contra os homossexuais. …"

Foi relatado que grupos de ministros e suas esposas compareceram a uma festa dada por homossexuais e lésbicas para arrecadar fundos para o programa de perversão. A revista citou: "… que todas as escolas da região da Baía teriam de fechar imediatamente se todos os homossexuais atualmente empregados nos sistemas escolares fossem descobertos e, em conformidade com a lei estadual, demitidos." (Newsweek, 13 de fevereiro de 1967.)

O ministro citado teria dito: "… duas pessoas do mesmo sexo podem expressar amor e aprofundar esse amor por meio do intercurso sexual." (Ibid.)

Essas são vozes feias — são altas e ásperas.

Por que falamos dessa maneira? Por que chamamos ao arrependimento quando há assuntos tão agradáveis? É porque alguém precisa avisar o mundo de sua perdição se a vida não mudar de rumo.

Lembramo-nos do verso de Pope:

"O vício é um monstro de mien tão espantoso,

Que, para ser odiado, basta ser visto;

Mas, vendo-o com demasiada frequência, familiarizando-nos com seu rosto,

Primeiro o suportamos, depois o compadecemos, depois o abraçamos."

(Alexander Pope, "Essay on Man", Epístola II, linha 135.)

Algumas vozes precisam clamar contra elas. A nossa não pode permanecer silenciosa.

Para o grande Moisés, essas perversões eram uma abominação e uma contaminação, dignas de morte. Para Paulo, era algo antinatural, indigno de um homem, ímpio, e uma paixão desonrosa de natureza adúltera, que fecharia todas as portas do reino.

Quando os pais são indiscriminados em seu comportamento sexual e quando escritores, autores, líderes religiosos e outros condescendem com tal transgressão, como podemos salvar das trevas o jovem confuso e frustrado que busca um exemplo, um ponto de apoio, algo certo em que acreditar — um porto seguro?

"O grupo que tolera a anarquia sexual está pondo em risco a sua própria sobrevivência", diz o sociólogo Sorokin.

Uma voz proeminente afirma que há muitos edifícios com torres nos quais a palavra pecado não é mencionada há muito tempo, e não se consegue lembrar de uma pregação contra ela.

Em contraste direto com as vozes permissivas acima, vem uma voz de autoridade da igreja do Senhor:

"… O homem é uma unidade biológica", disse o Presidente J. Reuben Clark Jr., "um animal, mas é mais do que isso, é o templo de um espírito imortal; esse espírito pode ser contaminado pela carne, e a contaminação ocorre quando as leis de castidade são violadas.

"Nossa própria civilização baseia-se na castidade, na santidade do matrimônio e na santidade do lar. Destruam-se essas coisas e o homem cristão torna-se um bruto.

"… o relacionamento familiar continua através da eternidade. É o mais elevado e mais sagrado relacionamento humano que conhecemos." (Conference Report, outubro de 1938, p. 137.)

A voz da Primeira Presidência de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias adverte em termos inequívocos:

"… o pecado sexual — as relações sexuais ilícitas entre homens e mulheres — está, em sua enormidade, ao lado do assassinato. O Senhor não fez distinções essenciais entre fornicação, adultério e prostituição. Cada uma delas caiu sob sua solene e terrível condenação. … [Tais pessoas não podem] … escapar dos castigos e dos juízos que o Senhor declarou contra esse pecado. O dia da prestação de contas virá tão certamente quanto a noite se segue ao dia."

Falando então daqueles que condescendem e justificam o mal, seja pela imprensa, pelo microfone ou pelo púlpito, continuam:

"Aqueles que quisessem atenuar esse crime e dizer que tal indulgência é apenas uma gratificação inocente de um desejo normal, como saciar a fome e a sede, falam imundície com os lábios. Seu conselho conduz à destruição; sua sabedoria vem do Pai da Mentira." ("The Message of the First Presidency to the Church," Improvement Era, novembro de 1942, página 758.)

E vem então a voz vibrante de Paulo outra vez:

"Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?

"Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo." (1 Coríntios 3:16–17.)

E a voz da Divindade: "Eu sou Jesus Cristo; …

"E também te ordeno que não cobices a mulher de teu próximo; nem procures tirar a vida de teu próximo." (D&C 19:24–25.)

O envolvimento sexual fora do casamento fecha as portas dos templos e, assim, veda o caminho para a vida eterna.

Estendemos a cada ouvinte um convite cordial para vir ao jardim regado, à sombra de árvores agradáveis, à verdade imutável.

Venham conosco à segurança, à firmeza, à constância. Aqui as águas refrescantes fluem. A fonte não seca.

Venham ouvir a voz de um profeta e escutar a palavra de Deus.

O Senhor não muda. Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Sua igreja permanece firme e imutável. O pecado não será tolerado, mas o arrependimento sincero será recompensado com o perdão.

O Senhor que sofreu por nós diz:

"… ordeno-vos que vos arrependais … para que … vossos sofrimentos sejam dolorosos — quão dolorosos vós não sabeis, quão intensos vós não sabeis, sim, quão difíceis de suportar vós não sabeis.

"Pois eis que eu, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam;

"Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri;

"Sofrimento que fez com que eu mesmo, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor e sangrasse por todos os poros. …" (D&C 19:15–18.)

Que as vozes dos servos do Senhor prevaleçam, oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSpencer W. Kimball, “Vozes do Passado, do Presente, do Futuro”, Conferência Geral de Abril de 1971, Saturday Morning Session (1971-04-01). Pulpit Vault, 1971-04-kimball-voices-of-the-past-of-the-present-of-the-future. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).