O Significado da Moralidade
Victor L. Brown
Meus queridos irmãos: estou profundamente grato por estar com vocês nesta grande reunião do sacerdócio da Igreja. Oro para que minhas palavras estejam em harmonia com o Espírito do Senhor. Com sua ajuda, tentarei explorar com vocês algumas das responsabilidades que nós, portadores do sacerdócio, temos em virtude do fato de termos sido ordenados pela devida autoridade para agir oficialmente em nome de Deus. Isso se aplica tanto aos diáconos de doze anos quanto aos sumos sacerdotes. ¶
Primeiro, devemos compreender quem somos. Antes de nascermos, nossos espíritos habitavam no céu com nosso Pai Celestial e seu Filho, Jesus Cristo, que é nosso irmão mais velho. Fomos fiéis a ele durante aquele período de nossa existência. Se não tivéssemos sido fiéis, teríamos seguido Satanás, como fez um terço das hostes do céu. Isso teria nos impedido de vir a esta terra como seres mortais, o que era necessário para que, por fim, pudéssemos alcançar a vida eterna e voltar à presença de nosso Pai Celestial. Fomos fiéis, e aqui estamos na mortalidade com todo o potencial da exaltação. ¶
Um dos princípios básicos sobre os quais o seu plano se fundamentou foi o arbítrio livre. Tivemos nosso arbítrio livre no céu e fizemos as escolhas certas. Como seres mortais, agora também temos nosso arbítrio livre. Podemos escolher a quem seguiremos, se a Satanás ou ao Salvador. "Animai-vos, portanto, e lembrai-vos de que sois livres para agir por vós mesmos — para escolher o caminho da morte eterna ou o caminho da vida eterna." (2 Néfi 10:23.) ¶
Nosso ambiente mortal e as influências que exerce sobre nós podem ser algo diferentes daqueles de nossa existência pré-mortal. Ainda assim, havia influências positivas e negativas no mundo espiritual. Se não fosse assim, por que um terço de nossos irmãos e irmãs espirituais teria seguido Satanás para o cativeiro? As alternativas disponíveis para nós nesta vida são as mesmas que eram antes. Ou é Jesus Cristo e a vida eterna, ou é Satanás e a escravidão. Eis o que encontramos nas escrituras a respeito deste assunto: ¶
"… os que guardarem seu primeiro estado [o que nos inclui a todos nós] receberão um acréscimo; e os que não guardarem seu primeiro estado [os que seguiram Satanás] não terão glória no mesmo reino que aqueles que guardarem seu primeiro estado; e os que guardarem seu segundo estado [esta vida] terão um acréscimo de glória sobre sua cabeça para todo o sempre." (Abraão 3:26.) ¶
Sendo filhos de Deus, fomos criados à sua imagem. Em outras palavras, nossa aparência física é semelhante à dele, assim como é à de nosso pai terreno. Reconhecendo, pois, que somos literalmente filhos espirituais de nosso Pai nos céus — "… E eu, o Senhor Deus, havia criado todos os filhos dos homens; … pois no céu os criei" (Moisés 3:5) — e reconhecendo que fomos criados à sua imagem, que esta forma humana de carne e ossos é o tabernáculo de nosso espírito nesta vida mortal, que tivemos a sabedoria de fazer escolhas corretas na vida anterior a esta e, além disso, que nós que estamos presentes nesta reunião do sacerdócio temos a autoridade de agir em seu nome e de oficiar em suas santas ordenanças aqui entre os homens — reconhecendo tudo isso, não deveria ser difícil vislumbrar as responsabilidades associadas a tais bênçãos, responsabilidades muito além daquelas que têm os que não possuem o sacerdócio. ¶
Consideremos apenas algumas destas responsabilidades. Nas escrituras lemos: "E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou." (Gênesis 1:27.) O Senhor definiu algumas diferenças bem básicas entre homens e mulheres. Ele deu ao homem o que chamamos de traços masculinos, e à mulher, traços femininos. Sua intenção não era que nenhum dos sexos adotasse os traços do outro, mas sim que os homens parecessem e agissem como homens, e que as mulheres parecessem e agissem como mulheres. Quando essas diferenças são ignoradas, desenvolve-se um relacionamento pouco saudável que, se não for contido, pode levar ao pecado repreensível e trágico da homossexualidade. Em outras palavras, temos a responsabilidade, como portadores do sacerdócio, de sermos exemplos de verdadeira masculinidade. ¶
O Senhor ordenou aos homens e às mulheres que se multiplicassem e enchessem a terra. "E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo animal que se move sobre a terra." (Gênesis 1:28.) Para garantir que isso acontecesse, ele deu a cada um uma poderosa emoção que faz com que o homem e a mulher se sintam atraídos um pelo outro. Ao homem, deu uma mente com a qual raciocinar, para que pudesse dominar "todo animal que se move sobre a terra". Com essa mente, ele também espera que o homem tenha domínio sobre si mesmo. Ele espera que o homem exerça controle sobre seus impulsos sexuais. ¶
A atividade sexual só deve ser exercida dentro dos laços do matrimônio. Quando assim é, trata-se de uma das experiências mais gratificantes e satisfatórias que o homem pode ter. Quando não é assim, essa mesma experiência se torna vil e má. Não obstante a atitude de grande parte do mundo em relação à permissividade sexual, o Senhor jamais mudou seu mandamento a esse respeito. Ele disse: "Não adulterarás." (Êxodo 20:14.) ¶
A infidelidade e a atividade sexual promíscua destroem a instituição básica e vital da família, o que, por sua vez, destrói tudo o que há de bom na vida. Se nós, como portadores do sacerdócio, quisermos trazer honra a esse sacerdócio, devemos abster-nos de toda atividade sexual fora dos laços do matrimônio. Do contrário, trazemos desonra a nós mesmos e ao sacerdócio que possuímos. ¶
Reconhecendo o fato de que este corpo mortal é o tabernáculo do espírito, e que o espírito foi gerado por nosso Pai nos céus, cabe-nos demonstrar respeito por nosso corpo, não o maltratando com o uso de substâncias nocivas e destrutivas. Também aqui, aquele que possui o sacerdócio tem uma responsabilidade muito maior do que aquele que não o possui, a responsabilidade de abster-se completamente do uso de coisas como álcool, tabaco e drogas. ¶
Temos discutido assuntos que podem ser classificados principalmente como morais. A moralidade, contudo, não se limita à questão do sexo ou das drogas. Seu alcance é muito mais amplo. Gostaria agora de abordar outra fase da moralidade. Três declarações do Presidente David O. McKay introduzem de maneira muito enfática este princípio moral de vital importância: ¶
"A honestidade e a sinceridade são as virtudes básicas de um caráter nobre." ("We Believe", Improvement Era, setembro de 1963, p. 803.) ¶
"A honestidade … é a primeira virtude mencionada na décima terceira Regra de Fé. Ela se funda nos primeiros princípios da sociedade humana e é o princípio básico da masculinidade moral." (Treasures of Life [Deseret Book Co., 1965], p. 455.) ¶
"É impossível associar a masculinidade à desonestidade. Para ser justo consigo mesmo, é preciso ser honesto consigo mesmo e com os outros. Isso significa honestidade na fala, assim como nas ações. Significa evitar dizer meias-verdades, tanto quanto inverdades. Significa que somos honestos em nossos negócios — tanto ao comprar quanto ao vender. Significa que uma dívida honesta jamais pode prescrever, e que a palavra de um homem vale mais do que sua garantia. Significa que seremos honestos em nossos tratos com o Senhor, pois 'a verdadeira honestidade leva em conta as reivindicações de Deus, assim como as do homem; ela dá a Deus o que é de Deus, assim como dá ao homem o que é do homem.'" (Conference Report, abril de 1968, pp. 7–8.) ¶
Há algum tempo, tive a oportunidade de conversar com um homem de Nova York. Ele atua há muitos anos no ramo financeiro. Seus associados estão espalhados por todo o país. Durante nossa conversa, ele fez um comentário que me deu muito o que pensar. Disse ele: "Ao longo dos anos, tenho tido negócios com muitos mórmons. Ainda não encontrei nenhum desonesto." ¶
Retruquei, dizendo: "Se um mórmon realmente vive sua religião, ele precisa ser honesto." No entanto, indiquei que temia haver alguns que não vivessem sua religião plenamente, ao que ele respondeu: "Espero nunca ter a experiência devastadora de conhecer um mórmon desonesto." ¶
Eu quase havia esquecido essa conversa até outro dia, quando visitei outro financista de Nova York. Estávamos discutindo um artigo bastante negativo publicado recentemente sobre Salt Lake City e os mórmons, e alguns dos sentimentos contrários à Igreja em anos anteriores. Ele disse: "Isso pode ter sido verdade no passado, mas agora é motivo de distinção ser conhecido como mórmon", dando a entender que ser membro da Igreja é agora considerado digno de grande respeito. ¶
Nos próximos três ou quatro meses, mais de quatrocentos jovens que possuem o ofício de sacerdote no Sacerdócio Aarônico irão ao Havaí para trabalhar nas plantações de abacaxi. Tenho certeza de que nenhum deles solicitou esse emprego. Como, então, o conseguiram? No ano passado, alguns de nossos jovens conseguiram emprego nessa mesma empresa. Sua conduta e desempenho foram tão excepcionais que a empresa deseja, este ano, quatrocentos jovens do mesmo tipo. Espero que estes quatrocentos jovens estejam presentes nesta reunião do sacerdócio. Cada um deles carrega a reputação do santo sacerdócio sobre os ombros. Se honrarem seu sacerdócio, serão honestos em todos os seus negócios. Serão homens de integridade, totalmente confiáveis. Se assim fizerem, trarão honra a si mesmos, às suas famílias, à sua igreja e ao seu Deus. Certamente seu Pai nos céus terá orgulho de reconhecê-los como seus filhos. ¶
Disseram-me que, atualmente, os recrutadores de grandes empresas nacionais classificam os formandos em Mestrado em Administração de Empresas pela Universidade Brigham Young entre os das quatro ou cinco melhores escolas de administração do país, não apenas por sua capacidade acadêmica, mas pelo tipo de homens que são, homens de honestidade e integridade. ¶
Vocês podem perguntar o que tudo isso tem a ver com a responsabilidade de um portador do sacerdócio. Minha resposta é: tudo. O Senhor disse: "O que usa de engano não ficará dentro da minha casa; o que fala mentiras não permanecerá ante os meus olhos." (Salmos 101:7.) ¶
Alma, falando do povo de Amon, disse: "E eles estavam com o povo de Néfi e foram também contados com o povo que era da igreja de Deus. E também se distinguiram por seu zelo para com Deus, assim como para com os homens, porque eram perfeitamente honestos e justos em todas as coisas; e conservaram-se firmes na sua fé em Cristo até o fim." (Alma 27:27.) ¶
O dicionário diz que integridade implica confiabilidade e incorruptibilidade a tal ponto que a pessoa é incapaz de ser infiel a uma confiança, a uma responsabilidade ou a um compromisso. Honestidade implica a recusa em mentir, roubar ou enganar de qualquer forma. ¶
O Presidente Joseph F. Smith, em escritos dirigidos aos membros da Igreja, resume a mensagem que tentei transmitir esta noite: ¶
"Temos, então, uma missão no mundo: cada homem, cada mulher, cada criança que já tenha atingido o entendimento ou a idade da responsabilidade deve ser um exemplo para o mundo. Não devem apenas estar qualificados para pregar a verdade, para prestar testemunho da verdade, mas devem viver de tal modo que a própria vida que vivem, as próprias palavras que falam, cada ação de sua vida sejam um sermão para os incautos e os ignorantes, ensinando-lhes bondade, pureza, retidão, fé em Deus e amor pela família humana." ¶
"Que a vida de cada homem seja tal que seu caráter suporte o mais rigoroso exame, e que possa ser vista como um livro aberto, de modo que ele nada tenha do que se encolher ou de que se envergonhar. Que todos os homens que são elevados a posições de confiança na Igreja vivam de tal modo que ninguém possa apontar suas falhas, porque não terão falhas; de modo que ninguém possa justamente acusá-los de fazer o mal, porque não fazem o mal; que ninguém possa apontar seus defeitos como próprios de 'seres humanos' e de 'mortais fracos', porque estão vivendo de acordo com os princípios do evangelho, e não são meramente 'fracas criaturas humanas', destituídas do Espírito de Deus e do poder de viver acima do pecado. Esse é o modo como todos os homens devem viver no reino de Deus." ¶
"O primeiro e mais elevado padrão de vida correta encontra-se naquela responsabilidade individual que mantém os homens bons por amor à verdade. Não é difícil para os homens que são verdadeiros consigo mesmos ser verdadeiros com os outros. Os homens que honram a Deus em sua vida privada não precisam da restrição da opinião pública, que pode não apenas ser indiferente, mas positivamente errada." ¶
"Nenhum membro em plena comunhão na Igreja será beberrão, ou desordeiro, ou profano, ou tirará proveito de seu irmão ou de seu próximo, ou violará os princípios da virtude, da honra e da retidão." (Gospel Doctrine [Deseret Book Co., 1968], pp. 251–53.) ¶
Irmãos, como filhos de Deus que possuem seu santo sacerdócio, temos a obrigação de trazer honra ao seu nome. Somos seus emissários no mundo. Ele tem demonstrado amor infinito por nós por meio da bênção do sacerdócio e por ter dado sua vida para que pudéssemos ter a vida eterna. Em troca de todas essas bênçãos, ele disse: "Se me amais, guardai os meus mandamentos." (João 14:15.) Para que possamos fazer isso mais perfeitamente a cada dia, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶