A Vida É Eterna
Ezra Taft Benson
Meus irmãos e minhas irmãs — vistos e não vistos, em todo o mundo: dirijo-me a vocês desta maneira nesta ocasião solene, mas alegre, por causa de minha convicção, sustentada pelas sagradas escrituras, de que somos todos, em verdade, irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai Celestial em espírito. ¶
Somos seres eternos. Vivemos como espíritos inteligentes antes desta vida mortal. Estamos agora vivendo parte da eternidade. Nosso nascimento mortal não foi o princípio; a morte, que todos nós enfrentamos, não é o fim. ¶
“Nosso nascimento é apenas um sono e um esquecimento; ¶
A alma que se ergue conosco, a estrela de nossa vida, ¶
Teve alhures o seu poente. ¶
E vem de longe; ¶
Não em completo esquecimento, ¶
E não em total nudez, ¶
Mas envoltos em nuvens de glória é que viemos ¶
De Deus, que é o nosso lar.” ¶
—William Wordsworth ¶
“Intimations of Immortality” ¶
Como seres eternos, cada um de nós tem em si uma centelha de divindade. E, como alguém que já viajou por grande parte deste mundo, dos dois lados da cortina de ferro, estou convencido de que os filhos de nosso Pai são essencialmente bons. Eles querem viver em paz, querem ser bons vizinhos, amam seus lares e suas famílias, querem melhorar seu padrão de vida, querem fazer o que é certo — são essencialmente bons. E sei que Deus os ama. ¶
E, como seu humilde servo, tenho no coração amor pelos filhos de nosso Pai. Encontrei-os em lugares ditos elevados e em lugares humildes. Visitei-os em seus lares, em seus campos, em suas pequenas propriedades, em suas lojas, nas estradas da terra e nos ares. Tive o privilégio de reunir-me com eles em grandes e pequenas reuniões, adorando com eles em suas igrejas, inclusive numa pequena capela batista repleta até transbordar em Moscou, na Rússia. ¶
Repito, os filhos de nosso Pai, meus irmãos e minhas irmãs, são essencialmente bons. Sei que o Senhor os ama. E, como seu humilde servo, tenho amor em meu coração por eles. Que Deus os abençoe onde quer que estejam e esteja perto de vocês, como Ele pode e há de estar, por meio de seu espírito. ¶
Sim, ao viajarmos por este mundo confuso e pecaminoso, repleto de tentações e problemas, somos humilhados pela expectativa da morte, pela incerteza da vida e pelo poder e amor de Deus. A tristeza chega a todos nós na perda de entes queridos. Mas há também gratidão. Gratidão pela certeza que temos de que a vida é eterna. Gratidão pelo grande plano do evangelho, dado gratuitamente a todos nós. Gratidão pela vida, pelos ensinamentos e pelo sacrifício do Senhor Jesus Cristo, cuja ressurreição comemoraremos nos dias que se aproximam. ¶
Graças a Deus pela vida e pelo ministério do Mestre, Jesus, o Cristo, que rompeu os laços da morte, que é a luz e a vida do mundo, que estabeleceu o padrão, que fixou as diretrizes para todos nós, e que proclamou: ¶
“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; ¶
“E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. …” (João 11:25–26.) ¶
“Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” perguntou Jó, o profeta, antigamente. (Jó 14:14.) Meu bom amigo, o senador Everett Dirksen, pouco antes de sua morte, respondeu de forma impressionante à pergunta de Jó com estas palavras: “Que ser mortal, à beira do infinito, deixou de refletir sobre o que existe além do véu que separa o visível do invisível? ¶
“Que ser mortal, ao responder àquele instinto místico de que a dissolução terrena está próxima, deixou de contemplar o que existe além da sepultura? ¶
“Que ser mortal, sobre quem desceu aquela resignação estranha e serena de que a jornada da vida está prestes a terminar, deixou de pensar naquele destino eterno e no que poderia haver ali? ¶
“Séculos atrás, o homem Jó, tão longamente abençoado com toda bênção material, apenas para se ver amargamente aflito por tudo o que pode acontecer a um ser humano, sentou-se com seus companheiros e proferiu a intemporal e antiga pergunta: ‘Morrendo o homem, porventura tornará a viver?’ Na época pascal, quando toda a cristandade observa a Ressurreição e busca respostas para tantas perguntas, ali, em primeiro plano, está a pergunta levantada por Jó: ‘Morrendo o homem, porventura tornará a viver?’ ¶
“Se há um desígnio neste universo e neste mundo em que vivemos, deve haver um Designer. Quem pode contemplar os mistérios inexplicáveis do universo sem acreditar que há um desígnio para toda a humanidade e também um Designer? … ¶
“‘Morrendo o homem, porventura tornará a viver?’ Certamente sim, tão certo quanto o dia segue a noite, tão certo quanto as estrelas seguem seus cursos, tão certo quanto a crista de cada onda traz consigo o seu vale.” (U.S. News & World Report, 8 de novembro de 1965, p. 124.) ¶
Sim, a vida é eterna. Vivemos, continuamente, após esta vida terrena, ainda que muitas vezes percamos de vista essa grande verdade fundamental. ¶
Nossas afeições estão, com frequência, colocadas de forma excessiva em objetos terrenos triviais e perecíveis. Os tesouros materiais da terra servem apenas para nos proporcionar, por assim dizer, teto e sustento enquanto estamos aqui na escola. Cabe a nós colocar o ouro, a prata, as casas, as ações, as terras, o gado e outras posses terrenas em seu devido lugar. ¶
Sim, este é apenas um lugar de duração temporária. Estamos aqui para aprender a primeira lição rumo à exaltação — a obediência ao plano do evangelho do Senhor. ¶
Sim, existe sempre a expectativa da morte, mas, na realidade, não há morte alguma — nenhuma separação permanente. A ressurreição é uma realidade. As escrituras estão repletas de evidências. Quase imediatamente depois da gloriosa ressurreição do Senhor, Mateus registra: ¶
“E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados, ¶
“E saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.” (Mateus 27:52–53.) ¶
O apóstolo João, na ilha de Patmos, “viu os mortos, grandes e pequenos, [que] estavam diante de Deus” (Apocalipse 20:12.) E assim poderíamos citar sem fim as sagradas escrituras, antigas e modernas. ¶
O mundo espiritual não está longe. Às vezes, o véu entre esta vida e a vida além se torna muito tênue. Nossos entes queridos que já partiram não estão longe de nós. Um grande líder espiritual perguntou: “Mas onde está o mundo espiritual?” — e então respondeu à sua própria pergunta. “Está aqui.” “Vão [os espíritos] além dos limites desta terra organizada? Não, não vão. Eles são trazidos a esta terra com o propósito expresso de habitá-la por toda a eternidade.” “… quando os espíritos deixam seus corpos, eles estão na presença de nosso Pai e Deus; estão então preparados para ver, ouvir e compreender as coisas espirituais. … Se o Senhor permitisse, e fosse Sua vontade que assim se fizesse, vocês poderiam ver os espíritos que partiram deste mundo tão claramente quanto agora veem os corpos com seus olhos naturais. …” (Brigham Young, em Journal of Discourses, vol. 3, pp. 367–69.) ¶
Sim, a vida é eterna, portanto: ¶
“Ainda que os céus pareçam escuros hoje, ¶
Amanhã serão azuis; ¶
Quando cada nuvem se afastar, ¶
A providência de Deus brilhará através.” ¶
(Autor desconhecido) ¶
Como é a morte? Eis um simples episódio contado pelo Dr. Peter Marshall, capelão do Senado dos Estados Unidos: ¶
Em certo lar, um menino, filho único, estava doente com uma enfermidade incurável. Mês após mês, a mãe cuidara dele com ternura, mas, à medida que as semanas passavam e ele não melhorava, o pequeno começou gradualmente a compreender o significado da morte, e ele também percebeu que em breve morreria. Certo dia, sua mãe estivera lendo a história do rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, e, ao fechar o livro, o menino ficou em silêncio por um instante e então fez a pergunta que pesava em seu coração: “Mamãe, como é morrer? Mamãe, dói?” Lágrimas rápidas encheram os olhos dela. Ela se levantou de um salto e correu para a cozinha, supostamente para buscar algo. No caminho, orou em silêncio para que o Senhor lhe dissesse o que dizer, e o Senhor lhe disse. Imediatamente, ela soube como explicar-lhe. Disse, ao voltar da cozinha: “Kenneth, você se lembra de quando era pequeno, brincava tanto que ficava cansado demais para se despir, e caía na cama de sua mãe, adormecendo. Pela manhã, você acordava e, para sua surpresa, se encontrava em sua própria cama. Durante a noite, seu pai o pegava em seus braços fortes e o levava para seu próprio quarto. Kenneth, a morte é assim; simplesmente acordamos uma manhã e nos encontramos no quarto onde pertencemos, porque o Senhor Jesus nos ama.” O rosto radiante do menino olhou para cima e revelou que não haveria mais medo, apenas amor e confiança em seu coração ao ir ao encontro do Pai no céu. Ele nunca mais questionou, e algumas semanas depois adormeceu, exatamente como ela dissera. É assim que é a morte. (Ver Catherine Marshall, A Man Called Peter [Nova York: McGraw Hill, 1951], pp. 272–73.) ¶
Sim, a vida é eterna. A morte não é o fim. É muito apropriado, nesta época pascal, que nossos pensamentos se voltem para aquele evento mais glorioso, a ressurreição do Senhor Jesus Cristo. ¶
Como tenho testificado com gratidão tantas vezes — ¶
Sei que Jesus é o Cristo — o Salvador e Redentor do mundo — o próprio Filho de Deus. Nasceu como o Menino de Belém. Viveu e ministrou entre os homens. Foi crucificado no Calvário. No terceiro dia, ressuscitou. ¶
Às mulheres tristes e inquiridoras junto ao túmulo, os anjos proclamaram: “… Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. …” (Lucas 24:5–6.) Não há nada na história que se compare a esse anúncio dramático. “Não está aqui, mas ressuscitou.” ¶
Nenhuma outra influência isolada teve impacto tão grande sobre esta terra quanto a vida de Jesus, o Cristo. Não podemos conceber nossas vidas sem seus ensinamentos. Sem ele, estaríamos perdidos numa miragem de crenças e cultos, nascidos no medo e nas trevas, onde predominam o sensual e o materialista. Estamos bem longe do objetivo que ele estabeleceu para nós, mas jamais devemos perdê-lo de vista; tampouco devemos esquecer que nossa grande ascensão rumo à luz, rumo à perfeição, não seria possível não fossem seus ensinamentos, sua vida, sua morte e sua ressurreição. ¶
Que Deus apresse o dia em que as pessoas em toda parte aceitarão seus ensinamentos, seu exemplo e sua divindade; sim, quando aceitarão como realidade sua gloriosa ressurreição, que rompeu os laços da morte para todos nós. ¶
Sim, precisamos aprender, e aprender novamente, que somente ao aceitar e viver o evangelho de amor ensinado pelo Mestre, e somente ao fazer a sua vontade, podemos romper os laços da ignorância e da dúvida que nos prendem. Precisamos aprender essa verdade simples e gloriosa, para que possamos experimentar as doces alegrias do espírito agora e eternamente. Precisamos perder-nos ao fazer a sua vontade. Precisamos colocá-lo em primeiro lugar em nossas vidas. Sim, nossas bênçãos se multiplicam à medida que compartilhamos seu amor com o próximo. ¶
Na medida em que nos desviamos do caminho traçado para nós pelo Homem da Galileia, nessa medida fracassamos em nossas batalhas individuais para vencer nossos próprios mundos. Mas não estamos sem seu auxílio. Repetidas vezes ele disse a seus discípulos, e a todos nós: “Não se turbe o vosso coração. …” ¶
“Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.” ¶
“Não vos deixarei órfãos. …” ¶
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. …” (João 14:1, 14, 18, 27.) ¶
Sentimos o seu espírito consolador na doce oração de uma criança e na fé quieta e constante de todos os que permitiram que seu evangelho permeasse suas vidas. Que dádiva inestimável é podermos conhecê-lo por meio de nossas próprias orações e por meio dos testemunhos sagrados e solenes daqueles que o viram, o conheceram, sentiram sua presença. ¶
Meus irmãos e minhas irmãs, no limiar da manhã de Páscoa, mais de mil novecentos anos depois de sua ressurreição, dou-lhes meu solene testemunho de que sei que Jesus, o Cristo, vive. Ele foi, em verdade, ressuscitado dentre os mortos, como nós também seremos. Ele é a ressurreição e a vida. ¶
Ele apareceu a muitos no Velho Mundo depois de sua ressurreição. ¶
E, segundo as escrituras modernas, sagradas para mim, ele passou três dias gloriosos, antes de sua ascensão, com suas “outras ovelhas” aqui na América — o Novo Mundo — e vive hoje. ¶
Cito uma visão dada ao profeta Joseph Smith e a seu associado Sidney Rigdon, em 16 de fevereiro de 1832: ¶
“E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive! ¶
“Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai — ¶
“Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus.” (D&C 76:22–24.) ¶
Sim, meus amigos, Jesus é o Cristo. Ele vive. Ele rompeu os laços da morte. Ele é nosso Salvador e Redentor, o próprio Filho de Deus. ¶
E ele virá novamente, como proclama a Sagrada Bíblia: “… este mesmo Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.” (Atos 1:11.) ¶
Sim, este mesmo Jesus já veio à terra em nossos dias. O Cristo ressuscitado — glorificado, exaltado, o Deus deste mundo sob o Pai — apareceu ao menino Joseph Smith em 1820. Este mesmo Jesus, que foi o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus de Moisés, o Criador desta terra, veio em nossos dias. Foi apresentado pelo Pai a Joseph Smith com estas palavras: “Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!” (Joseph Smith—História 1:17.) ¶
A aparição de Deus, o Pai, e de seu Filho Jesus Cristo ao menino profeta é o maior acontecimento ocorrido neste mundo desde a ressurreição do Mestre. Como Igreja restaurada de Jesus Cristo, humilde e gratamente prestamos este testemunho a todos os homens. Esta mensagem é uma mensagem mundial. É a verdade, destinada a todos os filhos de nosso Pai. Cerca de três milhões de membros da Igreja em todo o mundo prestam este testemunho solene. ¶
Hoje, milhares de missionários fiéis em todas as nações levam livremente esta mensagem da mais alta importância ao mundo. Jesus é o Cristo, o Salvador da humanidade, o Redentor do mundo, o próprio Filho de Deus. Ele é o Deus deste mundo, nosso advogado junto ao Pai. ¶
Hoje, vinte mil mensageiros missionários da verdade e os três milhões de membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias — a Igreja Mórmon — testemunham que Deus voltou a falar dos céus, que Jesus Cristo voltou a aparecer ao homem, que a ressurreição é uma realidade. ¶
Hoje testifico da veracidade da mensagem que eles trazem e acrescento meu solene testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶