Pulpit

Sou Grato Nesta Manhã, Meus Irmãos...

Paul H. Dunn

Conferência Geral de Outubro de 1970·Terceira Sessão, Segundo Dia (sábado, 3 de outubro de 1970)·1970-10-01

• Sou grato nesta manhã, meus irmãos e irmãs, tanto os que se veem quanto os que não se veem, pela mensagem de nosso grande Presidente, por seu desafio de voltarmos aos fundamentos. Pensei: se ao menos o mundo desse ouvidos a suas palavras e se dedicasse às coisas que mais importam.

Experiências em Vermont

Isso me fez lembrar de uma pequena experiência que tive recentemente em Vermont. Eu tentava encontrar um atalho para a pequena cidade de Rutland, tomei uma daquelas emocionantes rotas por estradas secundárias e logo me perdi completamente. Cheguei a uma bifurcação na estrada. Notei um fazendeiro em pé no campo, então baixei a janela e perguntei: “Diga, amigo, importa qual estrada eu tomo para Rutland?” Ele disse: “Para mim, não importa nada.” Acho que às vezes o mundo tem esse problema.

Na parte norte da Nova Inglaterra, às vezes ficamos isolados pela neve, e certa vez, depois de uma tempestade bastante forte, segui um limpa-neve até Saint Johnsbury. A cidade estivera isolada por cerca de oito dias. Mais uma vez, eu estava perdido. Procurando ajuda, entrei numa pequena loja rural e, sentado no típico barril de bolachas, estava outro habitante de Vermont.

Perguntei: “Diga-me, senhor, o que vocês fazem durante todo o inverno quando ficam isolados pela neve?”

Ele disse: “Nós apenas nos sentamos e pensamos, na maior parte do tempo nos sentamos.”

Acho que esse pode ser um grande problema no mundo: estamos sentados em vez de pensar e agir.

Sou grato pela oportunidade de saudá-los mais uma vez e de trazer saudações especiais do berço dos Estados Unidos, a Nova Inglaterra. É maravilhoso ver as montanhas do Oeste e a beleza do outono à medida que se desdobra diante de nós. Amo este grande país.

Vince Lombardi

O outono também traz os dias frescos e as noites frias que assinalam o início da temporada de futebol americano. Aqueles de vocês que têm interesse ativo nos esportes e conhecem a importância do futebol americano para transformar meninos em homens ficaram recentemente entristecidos, como eu, ao saberem da morte daquele grande treinador de futebol americano e formador de homens, Vince Lombardi. Eis um homem que chegou a uma equipe que ficava em último lugar, composta de homens que haviam esquecido o que era vencer — uma equipe sem espírito, sem confiança e sem respeito — e, em apenas três curtos anos, transformou-a numa equipe de campeões mundiais.

Mas ser campeão uma vez não satisfazia Vince Lombardi. Ele e sua equipe continuaram a vencer repetidas vezes, jogo após jogo, título após título. O Green Bay Packers logo se tornou a equipe mais vitoriosa do futebol americano profissional. Eis um homem que podia ser feroz como um leão, mas manso como um cordeiro.

Um homem que dizia que Deus e a família devem vir em primeiro lugar. Um homem que ensinava que não somente a resistência física é importante, mas que a resistência espiritual e mental também é essencial para o sucesso, e um homem que dizia a todos os que têm problemas e às vezes desanimam que “vencer não é tudo, mas querer vencer é”.

Sustento perante vocês que nós, como povo, membros e não membros igualmente, podemos aprender algumas lições significativas e oportunas com a vida daquele grande homem.

Missionários da Nova Inglaterra

Um dos grandes atributos da Igreja é que também estamos formando homens. Tenho sob minha direção na Nova Inglaterra cerca de 175 dos melhores rapazes e moças que há em qualquer lugar do mundo. Tenho grande fé e confiança neles e nas coisas que fazem. Apreciamos vocês, excelentes pais, que se sacrificam para que seus filhos e filhas possam cumprir missões. Estão prestando-lhes grande serviço e, por sua vez, estão sendo abençoados. Em entrevistas particulares e reuniões de testemunho, eles frequentemente expressam amor por vocês e por suas famílias. Podem estar certos de que estão muito felizes.

Talvez eu deva dizer aqui, entre parênteses, que um dos desafios de um presidente de missão é manter o equilíbrio físico dos missionários, bem como o espiritual e mental. Vi dois de meus assistentes ao voltar para casa e notei que haviam perdido cerca de treze quilos, de que precisavam. Os santos são bons para eles no campo. Esses mesmos dois assistentes, tentando ajudar um franzino jovem de cerca de quarenta e quatro quilos a ganhar um pouco de peso, certa vez se aproximaram dele e disseram: “Élder, parece que você passou por uma fome.” E esse perspicaz jovem élder retrucou: “E vocês dois parecem que a causaram.”

Desde os dias de Joseph Smith, mais de setecentos milhões de dólares foram gastos pelos pais para enviar seus filhos em missões. Uma mãe disse-me recentemente: “Concordo com o senhor, irmão Dunn, que a ênfase está na juventude, mas o peso ainda está sobre os pais.”

Visita a um Professor de Harvard

A irmã Dunn e eu visitamos recentemente um professor de Harvard e sua esposa, que haviam tido algum contato com a Igreja e os missionários. Esse homem instruído, portador de muitos diplomas, e sua encantadora esposa haviam notado algo especial nesses dois jovens que haviam prestado testemunho da realidade de Deus, da divindade de Cristo e da restauração da Igreja nestes últimos dias. Enquanto conversávamos, esse professor disse: “Sr. Dunn, o que dá a esses jovens uma convicção tão forte? O que esse trabalho missionário realmente está fazendo pelas pessoas?

O que os motiva a dar dois anos de sua vida? Por que vão àqueles que já são cristãos?

Dois anos de faculdade não teriam mais valor?”

Para responder a essas perguntas, voltamo-nos, como todos os missionários, às escrituras, tanto antigas quanto modernas. Lemos, por exemplo, em Isaías e Efésios, sobre a restauração de todas as coisas. Voltamo-nos para Marcos e lemos as palavras de Jesus: “Vinde após mim, e eu farei que sejais pescadores de homens”

(Marcos 1:17) e “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

Propósito do Trabalho Missionário

À medida que a noite avançava, a irmã Dunn e eu pudemos explicar a esse casal o próprio propósito e os frutos do trabalho missionário. Dissemos-lhes que uma missão ajuda um rapaz a descobrir quem ele realmente é. Ajuda-o a estabelecer padrões, atitudes e hábitos que levará para sua vida adulta. Pessoalmente, creio que é mais fácil formar um menino do que consertar um homem. Dissemos-lhes que, para nossos jovens, uma missão é a vida em miniatura; é uma jornada, não um acampamento.

Respondemos à sua indagação quando lhes explicamos a visitação do Pai e do Filho ao Profeta Joseph em 1820. Embora reconheçamos o grande bem que outras igrejas estão fazendo no mundo, o Senhor disse, e eu lhes lembro: “. . . eles ensinam como doutrina os mandamentos de homens, tendo aparência de religiosidade, mas negam o seu poder.” (Joseph Smith 2:19.) Acima de tudo, uma missão proporciona às pessoas a oportunidade de aceitar o evangelho e tomar sobre si o nome de Cristo por meio da fé, do arrependimento, do batismo e do dom do Espírito Santo.

A razão pela qual vamos àqueles que já têm uma fé cristã é que acreditamos que o que havia no cristianismo ainda existe. Acreditamos que Paulo na estrada para Damasco não é diferente de Joseph Smith no bosque — agora chamado sagrado. Deus fala hoje!

Filosofia da Educação

Sobre o conhecimento: Lemos em Moisés que “a glória de Deus é inteligência”. Esse grande educador ficou muito impressionado com a filosofia mórmon de educação, que inclui o homem inteiro. A faculdade e o dinheiro são importantes, e não quero minimizá-los, mas, ao ganhar a vida, não se esqueçam de construir uma vida. As palavras do Salvador, cheias de verdade e sabedoria, soaram novamente quando lemos: “. . . Pois que aproveitaria ao homem, se ganhasse todo o mundo e perdesse a sua alma?” (Marcos 8:36.) Uma missão ensina que a espiritualidade é importante.

Contei a esse educador e a sua excelente esposa como a aceitação do modo de vida do evangelho pode proporcionar às pessoas a oportunidade de mudar atitudes e, assim, sua vida.

Mensagem de Salvação

Durante o último ano, observei um dos párias da sociedade, um ex-presidiário, erguer-se das profundezas de uma cela de prisão para tornar-se um cidadão responsável, um membro digno dos Santos dos Últimos Dias. A vida desse homem mudou porque dois de nossos missionários lhe levaram uma mensagem de esperança e salvação. Ele pensara que, por causa de seu passado, tudo estava perdido e sua oportunidade havia passado. Mas esses dois jovens élderes levaram-lhe o evangelho e um novo modo de vida.

Infelizmente, há alguns neste mundo que continuam a ignorar ou invalidar o princípio do verdadeiro arrependimento e dizem: “Uma vez ladrão, sempre ladrão”, ou “As onças não mudam suas pintas”. Preciso lembrar aos que dizem tais coisas que não trabalhamos com onças; trabalhamos com homens, e homens mudam todos os dias.

Nossos missionários batem a cada porta sabendo e acreditando que uma premissa básica desta igreja é que, quando homens e mulheres são motivados pelo espírito correto, podem e de fato mudam sua vida.

Propósito do Evangelho

Há apenas alguns poucos anos, o Presidente McKay esteve neste mesmo púlpito e disse que o propósito do evangelho era tornar os homens maus bons e os homens bons melhores. Esse mesmo jovem, cuja vida antes estava esfarrapada e marcada pelo pecado, sentou-se em nossa sala de estar há apenas alguns dias e disse: “Irmão Dunn, agradeço a Deus todos os dias pelos élderes que me levaram o evangelho e tiveram paciência para ensinar-me. Sei que o evangelho é verdadeiro porque o vivi; e, embora eu não seja o que deveria ser, nem seja o que vou ser, não sou o que era.”

Tais são os frutos do trabalho missionário. Mais uma vez as palavras do Salvador ressoam através dos séculos ao converso, aos missionários, ao professor universitário, a vocês e a mim. Foi Jesus quem disse que, quando nos perdemos no serviço ao próximo, então, e somente então, podemos encontrar-nos e possuir verdadeira alegria e felicidade. A gratidão é a memória do coração, e se um missionário nada mais fizesse do que ajudar um converso como esse a captar a visão do evangelho, seus dois anos teriam sido bem empregados.

Recompensas do Trabalho Missionário

O Senhor disse-nos que, se trabalharmos todos os nossos dias e trouxermos uma única alma a Ele, grande será nossa alegria com ela no reino de nosso Pai.

À medida que a noite passava, a irmã Dunn e eu demos a esse casal de Cambridge uma breve história do sistema missionário da Igreja. Contamos-lhes sobre o dia em que Parley P. Pratt permaneceu num rio por seis horas, batizando pessoas uma após outra. Contamos-lhes como Wilford Woodruff converteu 1800 pessoas em oito meses. Revisamos o programa de proselitismo da Igreja desde Samuel Smith, em 1831, até 1970, e observamos que perto de mil de seus vizinhos da Nova Inglaterra se uniriam à Igreja neste ano.

A visita terminou. Encerramos com nosso testemunho pessoal e estendemos a esse casal o convite de se unir a nós. Que emoção espiritual ver gigantes acadêmicos distintos e capazes humilharem-se diante do Mestre e aceitarem Seus simples ensinamentos do evangelho.

Sim, o trabalho missionário é um chamado no qual se podem encontrar muitas recompensas, pois a verdadeira alegria vem de dar e ensinar o evangelho de Jesus Cristo.

A Verdade Há de Seguir Avante

O primeiro profeta desta dispensação, Joseph Smith, que viveu e morreu como missionário, deu-nos seu resumo da importância desse trabalho quando escreveu o seguinte a John Wentworth: “Nossos missionários estão indo a diferentes nações, e na Alemanha, Palestina, Nova Holanda, Austrália, Índias Orientais e outros lugares, o Estandarte da Verdade foi erguido; mão alguma profana pode impedir o progresso da obra; perseguições podem enfurecer-se, turbas podem unir-se, exércitos podem reunir-se, a calúnia pode difamar, mas a verdade de Deus seguirá avante ousada, nobre e independente, até que tenha penetrado em todos os continentes, visitado todos os climas, varrido todos os países e soado em todos os ouvidos, até que os propósitos de Deus sejam cumpridos e o Grande Jeová diga que a obra está feita.” (Documentary History of the Church, vol. 4, p. 540.) A isso presto testemunho ao prestar meu solene testemunho da obra, em nome de Jesus Cristo.

Amém.

Como citar este discursoPaul H. Dunn, “Sou Grato Nesta Manhã, Meus Irmãos...”, Conferência Geral de Outubro de 1970, Terceira Sessão, Segundo Dia (sábado, 3 de outubro de 1970) (1970-10-01). Pulpit Vault, 1970-10-dunn-i-am-grateful-this-morning-my-brothers. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).