Pulpit

Meus Irmãos, Irmãs e Amigos: O Ponto Focal...

Theodore M. Burton

1970 October General Conference·Third Session, Second Day (Saturday, October 3, 1970)·1970-10-01

• Meus irmãos, irmãs e amigos: o ponto focal de toda a nossa atividade nesta Igreja se centraliza em Jesus Cristo.

A Igreja leva Seu nome. Toda a realização das ordenanças na Igreja é feita em nome de Jesus Cristo por aqueles que portam o sacerdócio, isto é, que possuem esse poder de Jesus Cristo.

Testemunha da Divindade de Cristo

Essa devota adoração a Jesus Cristo está de acordo com a instrução dada no Livro de Mórmon, onde o Rei Benjamim ensinou seu povo:

“E sob esse nome vós sois libertados e não há qualquer outro nome por meio do qual podeis ser libertados. Não há qualquer outro nome pelo qual seja concedida a salvação. (...)” (Mosias 5:8.) O Livro de Mórmon então explica por que essa escritura foi escrita: “Pois trabalhamos diligentemente para escrever, a fim de persuadir nossos filhos e também nossos irmãos a acreditarem em Cristo e a reconciliarem-se com Deus; pois sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer.” (2 Néfi 25:23.) É por essa razão que o Livro de Mórmon é conhecido como uma segunda testemunha da divindade de Jesus Cristo como o Filho de Deus.

“(...) falamos de Cristo, regozijamo-nos em Cristo, pregamos a Cristo, profetizamos de Cristo e escrevemos de acordo com nossas profecias, para que nossos filhos saibam em que fonte procurar a remissão de seus pecados.”

(2 Néfi 25:26.)

Doutrina de Isaías

Volto-me, então, a Jesus Cristo como assunto deste sermão. Jesus ensinou a seguinte doutrina num sábado, quando Se levantou na sinagoga para ensinar o povo que se chamava filhos de Deus.

“E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. [Hoje escrevemos seu nome como Isaías.] E quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para pregar o evangelho aos pobres, enviou-me para curar os quebrantados de coração; para apregoar liberdade aos cativos e dar vista aos cegos; para pôr em liberdade os oprimidos; e para anunciar o ano aceitável do Senhor.

“E, fechando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.

“Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.” (Lucas 4:17-21.)

Liberdade para os Cativos

Tal declaração encheu Seus ouvintes de muitas dúvidas e apreensões; contudo, a doutrina é tão importante que gostaria de citar novamente essa passagem como está agora escrita em Isaías:

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a apregoar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus.” (Isaías 61:1-2.) É surpreendente ver o que aconteceu na mente de Seus ouvintes quando Jesus Cristo proclamou essa maravilhosa doutrina e disse ao povo que essa obra de salvação era Sua tarefa designada.

“E todos na sinagoga, ouvindo essas coisas, se encheram de ira. E levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até o cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem. Ele, porém, passando pelo meio deles, retirou-se.” (Lucas 4:28-30.)

Rejeição da Obra de Salvação

Assim Jesus Cristo foi rejeitado pelo povo porque lhes disse que obra de salvação faria pelos cativos então confinados em uma prisão espiritual e por aqueles que tinham a alma ferida pela iniquidade. Em vez de se regozijarem nessa libertação, as pessoas odiaram Jesus por ser tão presunçoso a ponto de lhes dizer que fora ungido para abrir as portas da prisão.

Até Sua própria vida foi ameaçada.

Contudo, Ele continuou a pregar essa doutrina ainda mais claramente, esperando que as pessoas O compreendessem e compreendessem a importância da obra que fora chamado a realizar. Assim explicou:

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.

“Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.

“Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim concedeu também ao Filho ter a vida em si mesmo.” (João 5:24-26.)

O Evangelho Pregado aos Mortos

Foi por esse conceito de Sua graça salvadora que Jesus deu Sua vida. Pedro informa-nos que o evangelho foi de fato pregado aos que estavam mortos, exatamente como Jesus profetizou que faria.

Jesus de fato abriu os portões da prisão espiritual, para que os que nela estavam confinados pudessem viver e até ser exaltados se aceitassem Sua doutrina.

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado na verdade, na carne, porém vivificado pelo Espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é oito) almas se salvaram pela água.”

(1 Pedro 3:18-20.) Pedro também explicou por que Jesus fez essa obra pelos mortos:

“Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito.” (1 Pedro 4:6.)

Importância em Nossos Dias

Agora, como tudo isso nos afeta?

Talvez eu possa expressá-lo desta maneira. Se Jesus Cristo fez questão de enfatizar essa doutrina em Seus dias, ela deve ser igualmente importante para nós em nossos dias. Jesus ensinou que era importante que Seu evangelho fosse pregado aos que viveram antes de Seu nascimento, bem como aos que então viviam. Deve ser igualmente importante que esse evangelho seja pregado, desde Seus dias, àqueles que morreram sem ouvir essas boas-novas, bem como aos que agora vivem na Terra.

Onde, porém, nas chamadas igrejas cristãs de nossos dias, encontramos essa profunda preocupação com aqueles bons homens e mulheres que morreram sem o conhecimento do evangelho? Longe de serem considerados, são ignorados por alguns e até condenados por outros.

Por que tais pessoas são condenadas à danação eterna, como muitos líderes religiosos fizeram no passado e ainda fazem hoje, simplesmente porque nasceram em uma época e em um lugar onde jamais poderiam ouvir falar de Jesus Cristo, muito menos aprender a mensagem da ressurreição e da vida eterna?

Salvadores no Monte Sião

Como podem os fisicamente mortos, que, não obstante, ainda vivem no espírito, ser preparados para essa ressurreição que Paulo proclamou aplicar-se a toda pessoa nascida nesta Terra? Essa pregação da palavra de Deus só pode ser feita da maneira que Jesus ensinou que deve ser feita. Nós que vivemos hoje devemos auxiliar nessa obra, conforme profetizado por Obadias, quando disse a respeito dos últimos dias:

“E levantar-se-ão salvadores no monte Sião, para julgarem a montanha de Esaú; e o reino será do Senhor.” (Obadias 21.) Assim, os que vivem hoje devem realizar na Terra a obra física de ordenanças que qualificará as pessoas no mundo espiritual a receberem essa obra vicária feita por elas, assim como nós que vivemos hoje recebemos a obra vicária feita por nós por Jesus Cristo. Em outras palavras, trabalhamos em parceria aqui na Terra com aqueles missionários do mundo espiritual que pregam o evangelho de Jesus Cristo às pessoas que vivem no mundo espiritual, para que sejam julgadas segundo os homens na carne. Esse esforço conjunto pode libertá-las de sua prisão espiritual e curar-lhes a alma ferida por meio de Jesus Cristo.

É por isso que os membros da Igreja que podem qualificar-se por meio de uma vida reta devem ir ao templo em número cada vez maior e frequentá-lo mais do que jamais fizeram no passado.

Restauração das Chaves

A plena compreensão, em nossos dias, da importância da obra de Cristo pelos mortos, bem como pelos vivos, veio lentamente. Embora não se tenha entendido plenamente na época, quando o anjo Morôni veio ensinar Joseph Smith na abertura desta dispensação do evangelho, ele citou Malaquias da seguinte maneira:

“Eis que vos revelarei o Sacerdócio pela mão de Elias, o profeta, antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor.

“E ele plantará no coração dos filhos as promessas feitas aos pais, e o coração dos filhos voltar-se-á para seus pais.

“Se assim não fosse, toda a Terra seria completamente devastada na sua vinda.”

(Doutrina e Convênios 2:1-3.) Assim, era o poder do sacerdócio que tornaria possível essa união de todas as gerações, tanto os mortos como os vivos. O poder para realizar essa obra estava sujeito à restauração das chaves que controlam o poder selador, as quais Elias devia dar novamente à Terra quando solicitado por Jesus Cristo.

Universalidade da Missão de Jesus

Antes de a Igreja ser oficialmente organizada, quando a chamada “constituição” da Igreja foi estabelecida por revelação na seção 20 de Doutrina e Convênios, foi dada uma declaração da universalidade da missão de Jesus Cristo, que incluía os mortos, bem como os vivos:

"Não somente os que creram após sua vinda na carne, no meridiano dos tempos, mas todos, desde o princípio, sim, todos os que existiram antes de sua vinda, (...) tivessem vida eterna." (Doutrina e Convênios 20:26. Itálicos acrescentados.) Grande parte da obra que realizamos na Igreja é preparatória para que nos qualifiquemos a servir não somente nossos semelhantes que agora vivem na Terra, mas também aqueles que viveram antes de nós. Esses bons homens e mulheres são nossos antepassados, nossos pais e nossas mães, de cujo sangue recebemos nosso corpo e nossa vida.

Que dívida temos para com eles de assegurar que também recebam vida eterna em Jesus Cristo por meio da obra e dos sacrifícios que fazemos em favor deles.

Unindo a Família de Deus

Essa obra de salvação pelos mortos é tão importante que Paulo declarou que os mortos não podem ser aperfeiçoados sem nossa ajuda. (Hebreus 11:40.) Joseph Smith acrescentou que tampouco podemos ser aperfeiçoados sem realizar a obra de ordenanças vicárias por nossos antepassados falecidos. (Doutrina e Convênios 128:18.) O poder do sacerdócio foi restaurado para que essa perfeição, de unir toda a família de Deus que viveu em todas as épocas, pudesse ser alcançada. Esse poder do sacerdócio foi dado quando Elias restaurou o poder de selamento a Joseph Smith nestes últimos dias, para que a obra de perfeição pudesse continuar. Como disse Joseph Smith:

"Portanto, aquilo que selardes na Terra pelas chaves de Elias será selado no céu; e esse é o poder de Elias, e essa é a diferença entre o espírito de Elias e o poder de Elias, o profeta; pois, enquanto o espírito de Elias é um precursor, o poder de Elias, o profeta, é suficiente para tornar seguros nosso chamado e eleição; e a mesma doutrina, em que somos exortados a prosseguir para a perfeição, sem lançar de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas, da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos etc.

“Não podemos ser perfeitos sem nossos pais etc. Devemos receber revelação deles e podemos ver que a doutrina da revelação transcende em muito a doutrina de nenhuma revelação; pois uma verdade revelada do céu vale todas as noções sectárias existentes.” (Joseph Fielding Smith, Teachings of the Prophet Joseph Smith [12ª ed.; Salt Lake City: Deseret Book Company, 1961], p. 338. Itálicos acrescentados.)

Salvação para Vivos e Mortos

Testifico da necessidade de compreender a importância desta obra de Elias — esta obra de salvação para os mortos, bem como para os vivos. Testifico da divindade desta doutrina de Jesus Cristo, que se aplica tanto aos vivos como aos mortos. Testifico do poder do sacerdócio pelo qual se recebe revelação e digo que Elias já veio, e Elias também. As chaves que eles revelaram estão sendo usadas hoje em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para realizar a obra total de salvação que Jesus Cristo deu Sua vida para cumprir. Assim, por meio desta doutrina e deste poder do sacerdócio, podemos unir toda a família de Deus em vida eterna.

Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoTheodore M. Burton, “Meus Irmãos, Irmãs e Amigos: O Ponto Focal...”, 1970 October General Conference, Third Session, Second Day (Saturday, October 3, 1970) (1970-10-01). Pulpit Vault, 1970-10-burton-my-brethren-sisters-friends-the-focal-point. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).