Pulpit

Presidente McKay, Outros Membros Das Autoridades...

Marion G. Romney

Conferência Geral de Outubro de 1969·Second Day Morning Meeting·1969-10-04

• Presidente McKay, outros membros das Autoridades Gerais, irmãos e irmãs, e ouvintes em todo o mundo:

Escolhi como assunto de minhas palavras hoje "O Crisol da Adversidade e da Aflição", algo com que todos nós estamos bem familiarizados. Meu propósito é dar conforto e coragem aos cansados e sobrecarregados, entre os quais todos nós, às vezes, nos encontramos.

Os Santos dos Últimos Dias sabem que grande parte da dor e do sofrimento seria evitada se as pessoas aceitassem e seguissem o Salvador. Nossa missão, como igreja, é levar as pessoas a um conhecimento de Cristo e assim evitar todo sofrimento desnecessário. Estamos cientes, porém, de que, mesmo que todos os homens aceitassem e vivessem seus ensinamentos, a adversidade e a aflição ainda abundariam, porque, nas palavras do Profeta Joseph Smith, "os homens precisam sofrer para que possam subir ao Monte Sião e serem exaltados acima dos céus". (Documentary History of the Church, Vol. 5, p. 556.)

Crisol da Adversidade

Isso não significa que anseiamos pelo sofrimento. Evitamos tudo o que podemos.

Contudo, agora sabemos, e todos sabíamos quando optamos por vir à mortalidade, que aqui seríamos provados no crisol da adversidade e da aflição.

Enquanto nosso Pai Celestial, naquele grande conselho pré-terreno mencionado aqui esta manhã pelo Presidente Tanner, "estava no meio de" nós, seus filhos espirituais, e anunciava seu plano para "levar a efeito" nossa "imortalidade e vida eterna" (Moisés 1:39), ele disse: ". . . Desceremos, . . . e . . .

faremos uma terra onde estes possam habitar; "E os provaremos . . . para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar." (Abraão 3:24-25.) O Profeta Joseph Smith disse que "a organização dos mundos espirituais e celestiais, e dos seres espirituais e celestiais . . . foram . . . voluntariamente subscritos em seu estado celestial por eles próprios". (DHC, Vol. 6, p. 51.)

O Salvador Não Foi Isento

O plano do Pai para provar seus filhos não isentou o próprio Salvador. O sofrimento que ele se dispôs a suportar, e que de fato suportou, igualou o sofrimento combinado de todos os homens. Mil e oitocentos anos depois de tê-lo suportado, ele falou dele como algo tão intenso que "fez com que eu, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito — e desejasse não ter de beber a amarga taça e recuar — "Todavia, [ele concluiu,] glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens." (D&C 19:18-19.)

Intensidade do Sofrimento

O Presidente Brigham Young assinalou que a intensidade do sofrimento de Cristo foi induzida pela retirada, por parte dele, do Espírito do Pai. E cito o Irmão Young:

". . . no exato momento . . . em que a crise chegou . . . o Pai retirou . . . seu Espírito, e lançou um véu sobre ele. Foi isso que o fez suar sangue. . . . então ele suplicou ao Pai que não o abandonasse. 'Não', disse o Pai, 'você deve ter suas provações, como os demais.' " (Journal of Discourses, Vol. 3, p. 206.) A severidade do sofrimento decorrente da retirada do Espírito do Pai está insinuada na declaração do Senhor, por intermédio do Profeta, a Martin Harris, na qual ele disse:

". . . que te arrependas . . . para que não sofras esses castigos dos quais falei, os quais experimentaste em pequeníssima, sim, em ínfima proporção, quando retirei meu Espírito." (D&C 19:20.) Felizmente, não precisamos suportar tal sofrimento, porque Jesus o suportou por nós, desde que, é claro, nos coloquemos, por meio de uma vida justa, ao alcance de seu sacrifício expiatório.

Os Homens Devem Provar-Se

Contudo, assim como Jesus teve de suportar a aflição para provar-se, também todos os homens devem suportar a aflição para provarem-se.

"Abel foi morto por sua retidão. . . . Abraão . . . foi colocado sobre a armação de ferro para ser abatido; e . . . lançado ao fogo. . . . Moisés . . .

foi expulso de sua terra e de sua parentela. Elias teve de fugir de sua terra. . . . Daniel foi lançado numa cova de leões: Miquéias foi alimentado com o pão da aflição; e Jeremias foi lançado no buraco imundo debaixo do Templo. . . .

". . . todos os Santos . . . profetas e apóstolos, tiveram de passar por grande tribulação. . . ." (Teachings of the Prophet Joseph Smith, ed. 1938, pp. 260-61.)

Aflições do Profeta Joseph

A partir de suas próprias experiências, o Profeta Joseph estava eminentemente qualificado para falar sobre a aflição, e isso ele fez de forma mais eloquente.

Escrevendo da Prisão de Liberty em março de 1839, ele revelou algo a respeito das tribulações que então eram suportadas por ele e seus associados.

". . . fomos feitos prisioneiros, falsamente acusados de todo tipo de mal, e lançados na prisão, cercados por muros fortes, rodeados por uma guarda forte, que continuamente vigia dia e noite, tão incansável quanto o diabo. . . .

". . . somos obrigados a ouvir nada além de juramentos blasfemos, e a testemunhar uma cena de blasfêmia, embriaguez e hipocrisia, e devassidões de toda espécie." (DHC, Vol. 3.

p. 290.)

Mas mesmo enquanto protestava contra essas atrocidades, sua alma se expandia à medida que as suportava. Aos Santos — que eles próprios (naquela época, cerca de 12 a 15 mil deles) estavam sendo espoliados e saqueados, roubados e expulsos de seus lares, em pleno inverno — ele disse: ". . . nossas circunstâncias são calculadas para despertar nosso espírito para uma sagrada recordação de tudo, e pensamos que as vossas também o são, e que nada . . . pode nos separar do amor de Deus e da comunhão uns com os outros; e que toda espécie de maldade e crueldade praticada contra nós apenas tenderá a unir nossos corações e selá-los juntos em amor" (DHC, Vol. 3, p. 290.)

Provados no Crisol

Um pouco mais adiante em sua carta, ele acrescentou isto:

"E agora, amados irmãos, dizemo-vos que, visto que Deus disse que teria um povo provado, que os purificaria como ouro, agora pensamos que desta vez ele escolheu seu próprio crisol, no qual fomos provados; e pensamos que, se passarmos por isso com algum grau de segurança, e tivermos guardado a fé, isso será um sinal para esta geração, inteiramente suficiente para deixá-los sem desculpa; e também pensamos que será uma prova de nossa fé igual à de Abraão, e que os antigos não terão do que se gabar sobre nós no dia do juízo, por terem sido chamados a passar por aflições mais pesadas. . . ." (DHC, Vol. 3, p. 294.) E então, falando por si e por seus companheiros de prisão, ele disse: ". . . em seu nome Todo-Poderoso, estamos determinados a suportar a tribulação como bons soldados até o fim." (DHC, Vol. 3, p. 297.) E aconselhando os Santos a fazerem o mesmo, ele disse: ". . . que vossas entranhas . . .

se encham de caridade para com todos os homens. . . ."

(DHC, Vol. 3, p. 300.) Essa admoestação, considerada à luz das circunstâncias em que foi dada, parece-me quase igualar a declaração do Mestre desde a cruz:

"Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem." (Lucas 23:34.)

Alma Elevada Pela Perseverança

A alma do Profeta jamais poderia ter alcançado essas alturas sem suportar bem as tribulações e aflições que lhe foram impostas.

O Presidente Brigham Young é citado observando que o Profeta era mais perfeito em 38 anos, com a severa tribulação pela qual passou, do que teria sido em mil anos sem ela. (Truman G.

Madsen, Eternal Man [Deseret Book Company, 1966], p. 61.) A gratidão e o apreço do Profeta pela bondade de um amigo, o "puro amor de Cristo" que enchia sua alma, e a garantia que lhe foi dada pelo Senhor, ele expressou na seguinte passagem. (Ao lê-la, observem como ela revela a pureza de seu coração, a ternura de seu espírito e a nobreza de sua alma.) ". . . aqueles que não estiveram encerrados entre os muros de uma prisão sem causa ou provocação, dificilmente têm ideia de quão doce é a voz de um amigo; um único sinal de amizade, de qualquer origem que seja, desperta e põe em ação todo sentimento de compaixão; traz à tona, num instante, tudo o que já passou; agarra o presente com a avidez de um relâmpago; alcança o futuro com a ferocidade de um tigre; move a mente para trás e para frente, de uma coisa a outra, até que, finalmente, toda inimizade, malícia e ódio, e diferenças passadas, desentendimentos e desmandos são vencidos e postos aos pés da esperança; e quando o coração está suficientemente contrito, então a voz da inspiração se insinua e sussurra: [Meu filho, a paz seja com tua alma; tua adversidade e tuas aflições serão apenas por um pequeno momento; e então, se as suportares bem, Deus te exaltará às alturas.

. . .]" (DHC, Vol. 3, p. 293.) Não é de admirar que o Senhor pudesse dizer-lhe, como disse: ". . . eu selo sobre ti tua exaltação, e preparo-te um trono no reino de meu Pai, com Abraão, teu pai.

"Eis que tenho visto teus sacrifícios, e perdoarei todos os teus pecados; vi teus sacrifícios em obediência ao que te ordenei." (D&C 132:49-50.)

Coragem Para Suportar Aflições

Agora, como observei no início, meu desejo é confortar, encorajar e inspirar todos vocês, pessoas fiéis e humildes, que estão suportando, com paciência e solidão, dor, tristeza e, às vezes, quase desespero; vocês que definham em hospitais e asilos, e todos os demais confinados em casa; vocês que lamentam a perda de entes queridos pela morte ou pela transgressão; vocês que estão experimentando a diminuição das forças de mente e corpo. Com simpatia e amor, digo a vocês e a todos os demais de nós que estamos sendo provados no crisol da adversidade e da aflição: tenham coragem; revigorem seus espíritos e fortaleçam sua fé. Nessas lições tão impressivamente ensinadas em preceito e exemplo por nosso grande exemplo, Jesus Cristo, e seu Profeta da restauração, Joseph Smith, temos ampla inspiração para conforto e para esperança.

Se pudermos suportar nossas aflições com a compreensão, a fé e a coragem, e no espírito com que eles suportaram as suas, seremos fortalecidos e confortados de muitas maneiras. Seremos poupados do tormento que acompanha a ideia equivocada de que todo sofrimento vem como castigo pela transgressão. Seremos confortados pelo conhecimento de que não estamos suportando, nem seremos obrigados a suportar, o sofrimento dos iníquos que serão "atirados nas trevas exteriores [onde] haverá pranto e lamentação e ranger de dentes". (Alma 40:13.)

Bênçãos Seguem-se à Tribulação

Podemos extrair segurança da promessa do Senhor de que "o que é fiel nas tribulações recebe maior recompensa no reino do céu.

"Por agora não podeis, com vossos olhos naturais, [disse ele,] ver o desígnio de vosso Deus com respeito às coisas que virão mais tarde nem a glória que se seguirá depois de muitas tribulações.

"Pois após muitas tribulações vêm as bênçãos. . . ." (D&C 58:2-4.)

Glória nas Tribulações

Podemos experimentar o que Paulo expressava em sua epístola aos Romanos, quando disse:

"Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo;

"Pelo qual também temos acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

"E não somente isso, mas também nos gloriamos nas tribulações: sabendo que a tribulação produz a paciência; "E a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança:

"E a esperança não desaponta; porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado." (Romanos 5:1-5.) Em conclusão, testifico da veracidade dessas coisas. Elas são parte integrante do evangelho restaurado de Jesus Cristo. Sei que são verdadeiras. Li e fui impressionado pelo testemunho de outros. Paulo, por exemplo, tendo por três vezes pedido ao Senhor que removesse "um espinho na carne", foi respondido: "A minha graça te basta:

porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." Então Paulo respondeu: "De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.

"Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por causa de Cristo: porque quando estou fraco, então sou forte." (2 Coríntios 12:9-10.)

Crescimento Por Meio da Adversidade

Não apenas fui impressionado pelos testemunhos de outros; fui testemunha ocular do funcionamento desses princípios na vida de meus próprios conhecidos. Vi o remorso e o desespero na vida de homens que, na hora da provação, amaldiçoaram a Deus e morreram espiritualmente. E vi pessoas se elevarem a grandes alturas a partir do que pareciam ser fardos insuportáveis.

Por fim, busquei o Senhor em minhas próprias extremidades e aprendi, por mim mesmo, que minha alma alcançou seu maior crescimento quando fui levado a me ajoelhar pela adversidade e pela aflição.

A essas coisas presto solene testemunho em nome de Jesus Cristo, nosso amado Salvador, e em seu nome invoco uma bênção reconfortante e sustentadora sobre cada um de vocês. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoMarion G. Romney, “Presidente McKay, Outros Membros Das Autoridades...”, Conferência Geral de Outubro de 1969, Second Day Morning Meeting (1969-10-04). Pulpit Vault, 1969-10-romney-president-mckay-other-members-of-the-general. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).