Meus Irmãos e Irmãs: Uma das Mais Belas Orações...
Theodore M. Burton
• Meus irmãos e irmãs: Uma das mais belas orações já proferidas encontra-se registrada no Evangelho de João. ¶
Ela foi feita quando Jesus abriu o coração em oração a Deus, o Pai Eterno, rogando por união não somente entre os apóstolos, mas pedindo também que os que seguissem suas palavras pudessem alcançar um estado de união como o que existe na Trindade. Eles deveriam pregar um evangelho de paz e amor, e por isso ele disse: ¶
O Apelo de Cristo pela União
“E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim. “Para que todos sejam um como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:20-21.) Nosso mundo atual é dilacerado por discussões, dissensões, violência, guerra e rumores de guerra, e, por causa da agitação de todos os lados, o coração dos homens começa a desfalecer. Se os homens quiserem conservar a sanidade e a esperança, terão de ter a certeza de uma solução pacífica para os males da humanidade. Essa certeza pode ser dada se nós, que afirmamos ser verdadeiros seguidores de Jesus Cristo, demonstrarmos a união de que fala aquela grande oração, da qual citei o apelo de Cristo pela união. ¶
Necessidade de União
Sinto-me impelido a salientar a necessidade de união como uma das maiores necessidades do mundo atual. Ela não se aplica somente ao mundo em geral, mas é particularmente importante dentro da Igreja, se quisermos ocupar nosso devido lugar em conduzir a humanidade rumo à paz. ¶
Em nossa geração, o Salvador deu-nos uma declaração tantas vezes usada pelo falecido Presidente J. Reuben Clark Jr.: “. . . Digo-vos: Sede um; e se não sois um, não sois meus.” (Doutrina e Convênios 38:27.) Essa doutrina é edificada sobre o verdadeiro amor, sim, o amor de Cristo, e é um princípio muito importante do evangelho. ¶
Sem o amor de um homem pelo outro, como poderão a justiça e a verdadeira liberdade ser alcançadas? A menos que todo homem estime seu irmão como a si mesmo e pratique virtude e santidade perante o Senhor, como poderá essa pessoa esperar viver na presença de Deus, onde abundam a união, o amor, a virtude e a verdade? ¶
Nenhuma iniquidade pode existir na presença de Deus e, a menos que aprendamos a vencer aqui na Terra a desunião e a iniquidade, não poderemos esperar ser restaurados para viver na presença de Deus, o Pai Eterno, na ressurreição futura. ¶
Causas da Desunião
O que causa desunião e atrito? ¶
Há muitas razões para a desunião, mas uma das principais é o próprio ego do homem. Defino esse ego como o desejo de ser reconhecido como pessoa diferente das outras. Esse desejo não é mau em si mesmo. De fato, quando adequadamente dirigido, pode ser uma grande virtude. ¶
Há certa medida de confiança ou orgulho próprio que toda pessoa bem-sucedida e feliz precisa ter. Somente quando o ego se desenvolve em egotismo é que devemos ter cuidado. O ego torna-se mau quando a pessoa se torna importuna e faz referência excessiva a si mesma e à própria importância. Cuidado quando um homem ou uma mulher monopoliza as conversas e demonstra desconsideração pelas opiniões dos outros. Quando um homem não é humilde e procura superar e sobrepujar os outros, encontra-se em posição muito perigosa. Sinto que tal espírito nasce do egoísmo e da falta do verdadeiro espírito de Jesus Cristo. ¶
Exemplo de William W. Phelps
Um exemplo desse espírito é evidente no caso de William W. Phelps. ¶
O irmão Phelps era homem bom e capaz, mas tornou-se ambicioso demais, permitindo que o orgulho o levasse a procurar honras às quais não tinha direito. O Profeta Joseph amava aquele bom homem, assim como o Senhor também o amava. ¶
Como resultado, foi-lhe dada uma advertência contra essa falha de caráter. O Senhor o advertiu: ¶
“E também que meu servo William W. Phelps ocupe o cargo para o qual o designei e receba sua herança na terra; “E também ele precisa arrepender-se porque eu, o Senhor, não estou satisfeito com ele, pois procura sobressair-se e não é suficientemente humilde perante mim.” (Doutrina e Convênios 58:40-41.) O élder Phelps deixou de atender à advertência, e uma coisa levou a outra até que ele de fato se rebelou contra o Profeta Joseph. Quando se viu recalcitrando contra os aguilhões da consciência, arrependeu-se, humilhou-se e pediu desculpas por sua conduta. Foi perdoado e readmitido em plena comunhão da Igreja. Em minha opinião, era um grande homem de coragem, que não se envergonhava de reconhecer uma falta e tinha força para vencê-la. Nem todos os homens possuem a grandeza de caráter que William W. Phelps possuía. Muitos dos que procuram sobressair-se carecem de humildade e, se não refrearem essa falha, perderão sua herança no reino do Senhor. ¶
O Evangelho como um Todo Unido
Suponho que a desunião na Igreja começa quando cada um de nós se envolve tanto com os próprios interesses e designações que perde a perspectiva completa do evangelho de Jesus Cristo como um todo unido. Ficamos tão envolvidos com nossos interesses particulares que esquecemos que o evangelho abrange toda a vida. Escola Dominical, trabalho missionário, sacerdócio, genealogia, trabalho do templo, bem-estar, ensino familiar, educação ou qualquer interesse que tenhamos ou cargo na Igreja que ocupemos atualmente são apenas parte do todo que é o evangelho. É verdade que se espera que impulsionemos nossa própria designação, mas não às custas dos outros. É muito insensato tentar promover o campo no qual estamos atualmente interessados diminuindo as atividades dos outros. Nunca devemos promover uma organização às custas de outra. A valorização da diversidade é a base da união. Embora eu me esforce para promover o sacerdócio, a genealogia e o trabalho do templo com todo o meu poder, nunca devo ressentir-me de qualquer outra organização ou princípio do evangelho dentro da estrutura da Igreja, nem semear discórdia entre meus irmãos. ¶
Apreço pelos Outros
A união pode vir quando aprendo a apreciar cada pessoa da Igreja e o valor de cada aspecto da organização da Igreja. Isso é verdadeiro em um quórum de diáconos e é verdadeiro no mais alto quórum da Igreja, o da Primeira Presidência. A lealdade entre os homens do Quórum dos Doze Apóstolos não lhes é mais necessária do que a lealdade dentro de um quórum de mestres ou de um quórum de élderes. Quando surgem palestras entre homens e mulheres de opiniões firmes, a ira jamais deve tornar-se evidente. Homens e mulheres devem ser livres para declarar suas opiniões sem medo, mas devem fazê-lo sem rancor, inveja ou menosprezo pelo caráter ou pelas capacidades de outras pessoas que tenham opiniões diferentes das suas. Somente quando nos compreendemos e apreciamos uns aos outros o Espírito de Deus pode entrar em nosso coração, aproximar-nos uns dos outros e produzir união. ¶
Consideração nas Palestras
Em nenhum lugar esse princípio de consideração e amor mútuo é mais necessário do que numa palestra sobre princípios do evangelho. O Senhor advertiu-nos a não pregar dogmas ou opiniões: ¶
“E de dogmas não falarás, mas declararás arrependimento e fé no Salvador e remissão de pecados por batismo e por fogo, sim, pelo Espírito Santo.” (Doutrina e Convênios 19:31.) Dogmas são os princípios ou crenças geralmente aceitos por uma maioria como verdadeiros, sejam ou não esses princípios factuais. Portanto, não devemos discutir com outros sobre tais assuntos nem travar entre nós discussões sobre tais assuntos que possam ferir sentimentos ou suscitar contendas. ¶
Devemos, antes, pregar os primeiros princípios do evangelho, tão necessários ao nosso pleno crescimento e desenvolvimento. Quando compreendemos os princípios básicos ou fundamentais verdadeiros do evangelho, não seremos açoitados pelas doutrinas e crenças dos homens que tantas vezes levam a brigas e mal-entendidos. Foi por isso que o Senhor prosseguiu aconselhando-nos: ¶
“Eis que este é um grande e o último mandamento que te darei quanto a este assunto; pois isto bastará para tua jornada diária, até o fim de tua vida. ¶
“E sofrimento terás se desprezares estes conselhos, sim, em verdade a destruição de ti mesmo e de tua propriedade.” (Doutrina e Convênios 19:32-33.) ¶
Papel dos Pacificadores
Vivemos num mundo cheio de discórdia e desunião. Não precisamos nem devemos tornar-nos parte desse modo mundano de viver. Nosso papel é o de pacificadores. Como Santos dos Últimos Dias de nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo, devemos “portanto, renunciai à guerra e proclamai a paz; e procurai diligentemente voltar o coração dos filhos para os seus pais e o coração dos pais para os filhos;” (Doutrina e Convênios 98:16.) A necessidade de um espírito de união, lealdade e amor dentro da Igreja é refletida nestas palavras do Salvador no Livro de Mórmon: ¶
“. . . E não haverá disputas entre vós, como até agora tem havido; nem haverá disputas entre vós sobre os pontos de minha doutrina, como até agora tem havido. ¶
“Pois em verdade, em verdade vos digo que aquele que tem o espírito de discórdia não é meu, mas é do diabo, que é o pai da discórdia e leva a cólera ao coração dos homens, para contenderem uns com os outros. ¶
“Eis que esta não é minha doutrina, levar a cólera ao coração dos homens, uns contra os outros; esta, porém, é minha doutrina: que estas coisas devem cessar.” (3 Néfi 11:28-30.) ¶
Apelo pela União
Quando ouvimos nossa voz elevar-se ao falar uns com os outros, quando sentimos o rosto ficar ruborizado, quando os músculos se retesam e sentimos o colarinho esquentar, esses são sinais de perigo. É tempo de arrepender-nos e mudar o que estivermos dizendo ou fazendo. Apelo pela união e consideração entre nós que afirmamos ser filhos e filhas de Deus. Oro por aquele amor e afeição que caracterizam os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo. Que Deus nos abençoe a todos para sabermos, com tal certeza no coração, que esta é a verdadeira igreja e o reino de Jesus Cristo, que tenhamos caráter suficiente para praticar os princípios que professamos. ¶
Oro por isso em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶