Pulpit

Meus Amados Irmãos, Irmãs...

Spencer W. Kimball

Conferência Geral de Abril de 1969·First Day Afternoon Meeting·1969-04-04

Meus amados irmãos, irmãs e amigos, espero que todos vós tenhais sido tão edificados quanto eu fui esta manhã pelas mensagens inspiradas de nosso Profeta e dos demais irmãos.

Esta é a época da Páscoa, quando a mente de muitas pessoas se volta para o Senhor Jesus Cristo, e que possamos falar novamente de sua gloriosa ressurreição. Junto meu testemunho ao desses excelentes cantores, no tema "Sei que vive meu Redentor."

Os Caminhos que Jesus Percorreu

Certa vez, no Natal, há alguns anos, caminhamos pelos caminhos que Jesus percorreu. Passamos algumas horas preciosas naquilo que se diz ser o Jardim do Getsêmani e tentamos imaginar os sofrimentos pelos quais ele passou, em antecipação de sua crucificação e ressurreição. Estivemos perto dos lugares onde ele orou, onde foi preso, onde foi julgado e condenado.

Fora das muralhas da cidade, subimos a colina de rocha calcária, marcada por pequenas cavernas, dando à extremidade arredondada a aparência de uma caveira, e disseram-nos que era ali o Gólgota, o lugar onde ele foi crucificado. Descemos em ziguezague pela parte de trás da colina, contornando seu íngreme paredão, e entramos por uma pequena abertura, do tamanho de uma janela, numa caverna rusticamente escavada, onde se diz que o corpo estivera.

Passamos algumas horas no pequeno jardim fora desse túmulo e absorvemos a narrativa evangélica de seu sepultamento e de sua ressurreição, ocorrida ali. Lemos, reflexiva e reverentemente, sobre a vinda das mulheres ao sepulcro, o anjo do Senhor removendo a pedra, e a confusão dos guardas covardes.

"Ele . . . Ressuscitou"

Quase podíamos imaginar que víamos os dois anjos em vestes resplandecentes, que falaram a Maria, dizendo: "Por que buscais o vivente entre os mortos?

"Não está aqui, mas ressuscitou. . . ."

O Senhor havia predito: ". . . Convém que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite." (Lucas 24:5-7.)

Lembramo-nos do diálogo entre Maria, os anjos e o Senhor:

". . . Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram."

Ela se voltou e "viu Jesus em pé, porém não sabia que era Jesus.

"Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.

"Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni! (que quer dizer Mestre).

"Disse-lhe Jesus: Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus." (João 20:13-17.)

O Monte das Oliveiras

Depois, subimos com dificuldade pelo bastante íngreme Monte das Oliveiras, possivelmente o caminho aproximado que ele percorreu, um prelúdio à sua ascensão, depois de ter passado 40 dias sobre a terra após a ressurreição e, por muitas provas infalíveis, dado certeza às centenas de pessoas que agora passaram a compreender que sua ressurreição era real.

E agora ele estava no topo do Monte das Oliveiras, dizendo a esses homens tão preocupados e amados: ". . . ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra." (Atos 1:8.)

Enquanto estávamos sentados junto ao tronco de uma antiga oliveira ali, e líamos essas escrituras, podíamos facilmente imaginar o Senhor de pé, perto daquele lugar, junto ao grupo de homens preocupados, amorosos e maravilhados; e então a névoa se instalou, a nuvem desceu sobre o topo da colina, e ele se foi. Então quase podíamos ouvir os anjos, em vestes brancas, dizendo:

". . . Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir." (Atos 1:11.)

E então consultamos os escritos de Paulo aos efésios:

"Pelo que diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro. . . .

"Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas." (Efésios 4:8, 10.)

O Significado da Páscoa

Às vezes, nossas celebrações de acontecimentos notáveis parecem adquirir tom terreno, e não percebemos plenamente o significado da razão da celebração. Isso é verdadeiro quanto à Páscoa, quando, com demasiada frequência, celebramos o feriado, e não o profundo significado da ressurreição do Senhor. Devem ser, de fato, infelizes aqueles que ignoram a divindade de Cristo, a filiação do Mestre. Sentimos verdadeira compaixão por aqueles que chamam o supremo milagre da ressurreição de "apenas uma experiência subjetiva dos discípulos, e não um acontecimento histórico real".

Sabemos, com toda a certeza, que tudo isso é real.

Cristo falou de si mesmo a Nicodemos:

". . . dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho." (João 3:11.)

E então nos lembramos de que Pedro testificou:

"Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo." (Atos 2:36.)

"Mas vós negastes o Santo e o Justo. . . .

"E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dos mortos, do que nós somos testemunhas." (Atos 3:14-15.)

Corajosamente, Pedro e João permaneceram diante do concílio e disseram novamente:

"Seja conhecido a vós todos, e a todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dos mortos, em nome desse é que este [o antigo coxo] está são diante de vós. . . .

"E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos." (Atos 4:10, 12.)

Quando o concílio repreendeu os dois apóstolos e lhes ordenou que não falassem nem ensinassem tais coisas em nome de Jesus, eles responderam e disseram:

"Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus.

"Porque não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos." (Atos 4:19-20.)

"E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça." (Atos 4:33.)

O Testemunho de Pedro

Também sabemos que a ressurreição é real. O vivente Pedro disse ao concílio de perseguidores:

"O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro. . . .

"E nós somos testemunhas acerca dessas palavras, e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem." (Atos 5:30, 32.)

Ficamos admirados diante do grande Pedro, que recebera tão plenamente sua total segurança, e que, com tanta graça, vestira o manto da liderança, o manto da autoridade e a coragem dos inspirados e seguros.

Que força ele passara a ter, ao liderar os santos e enfrentar o mundo com todos os seus perseguidores, incrédulos e dificuldades. E, à medida que repetia, vez após vez, seu conhecimento absoluto, exaltamos sua tenacidade ao enfrentar turbas e prelados, autoridades que poderiam tirar-lhe a vida, e à medida que proclamava com ousadia o Senhor ressuscitado, o Príncipe da Paz, o Santo e o Justo, o Príncipe da Vida, o Príncipe e Salvador. Pedro, agora, certamente estava seguro, inabalável, e nunca mais vacilaria. Deveríamos ganhar muita certeza de sua convicção.

É significativo ler as palavras e o testemunho de Estêvão, um santo mártir, que deu a vida por sua fé.

Estêvão "fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus,

"E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus." (Atos 7:55-56.)

Estêvão foi mártir e herdará a vida eterna. Seu testemunho revela que Cristo não estava morto, mas ainda vivia, e estava numa condição exaltada e glorificada, junto a seu Pai.

O Testemunho de Paulo

O testemunho de Paulo parece o mais conclusivo. Ele ouviu a voz do Cristo ressuscitado:

"Saulo, Saulo, por que me persegues?" E, para se certificar da identidade, Saulo disse: "Quem és, Senhor?", e recebeu a certeza: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões." (Atos 9:4-5.)

E agora aquele mesmo Paulo, que recuperara suas forças, que fora ministrado pelo sacerdócio, que recuperara a visão perdida, andava pelas sinagogas confundindo os judeus em Damasco, provando "que aquele era o Cristo." (Atos 9:22.)

E, mais tarde, Paulo veio até os apóstolos em Jerusalém, e Barnabé, falando em nome de Paulo, "lhes contou como no caminho ele vira o Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus." (Atos 9:27.)

Então Paulo prossegue:

"E havendo eles cumprido todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, o puseram na sepultura;

"Porém Deus o ressuscitou dos mortos;

"E ele por muitos dias foi visto pelos que subiram com ele da Galileia a Jerusalém, e são suas testemunhas para com o povo. . . .

"Deus a nós, filhos deles, cumpriu esta mesma promessa, ressuscitando a Jesus. . . .

"E que o ressuscitaria dos mortos, para nunca mais retornar à corrupção. . . ." (Atos 13:29-31, 33-34.)

O Testemunho na Colina de Marte

O testemunho de Paulo na colina de Marte, em Atenas, foi significativo. Os gregos aceitavam quaisquer e todos os deuses que lhes fossem propostos. Haviam inscrito um altar "Ao Deus Desconhecido", e Paulo usou esse texto para lhes dizer que, com todos os seus deuses de madeira e pedra, não conheciam o verdadeiro "Deus que fez o mundo e todas as coisas que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens;

". . . pois é ele mesmo quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas;

". . . determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação. . . .

". . . deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos." (Atos 17:24-26, 31.)

Paulo relatou novamente sua própria conversão e prestou seu testemunho, dizendo que ouvira a voz de Cristo dizendo: "Eu sou Jesus Nazareno", e recebeu de Ananias a promessa: "Porque lhe hás de ser testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido." (Atos 22:8, 15.) E então veio sua pergunta pertinente ao rei Agripa: "Por que se julga coisa incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?" (Atos 26:8.)

E novamente Paulo prestou testemunho:

"Não sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo, Senhor nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor?

". . . porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor." (1 Coríntios 9:1-2.)

O Senhor ressuscitado "foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos. . . .

"Depois foi visto por Tiago; depois, por todos os apóstolos.

"E por último de todos, foi visto também por mim, como por um abortivo."

(1 Coríntios 15:6-8.)

Então Paulo lança-se ao belo tratado sobre a ressurreição dos mortos, ao falar aos coríntios.

Tenho grande admiração e afeto por nosso irmão Paulo, nosso companheiro apóstolo. Ele era tão dedicado, tão humilde, tão franco. Era tão ávido, tão interessado, tão consagrado. Deve ter sido cativante, apesar de seus problemas, pois o povo se apegava a ele com grande afeto quando estava prestes a partir.

Amo a Paulo, pois falava a verdade. Era franco com as pessoas. Interessava-se por elas. Amo a Paulo por sua firmeza, até mesmo até a morte e o martírio. Sempre me fascino com seu relato dos perigos pelos quais passou para ensinar o evangelho a membros e não membros.

O Testemunho de Testemunhas Oculares

Talvez um dos últimos testemunhos de Pedro tenha sido prestado a todo o povo, tanto aos que já haviam se convertido ao evangelho quanto aos que, no futuro, seriam influenciados por sua declaração, um memorial a ser lembrado por todos os tempos.

Ao enfrentar sua morte, e sabendo que não demoraria a deixar este tabernáculo corpóreo e passar para o outro mundo, esse grande profeta decidiu escrever sua mensagem de testemunho, para que as gerações futuras pudessem ter todas o seu testemunho. Ela foi lida e ouvida por incontáveis milhões. Disse ele:

"Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas artificialmente compostas, mas nós mesmos vimos a sua majestade.

"Porque recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

"E ouvimos essa voz enviada do céu, estando nós com ele no monte santo." (2 Pedro 1:16-18.)

O Testemunho de Joseph Smith

Somos edificados pelo testemunho do profeta moderno, Joseph Smith, ao reafirmar ao povo a certeza da ressurreição. O Élder George A. Smith cita o último discurso público de Joseph Smith, em junho de 1844, apenas dias antes de seu cruel assassinato:

". . . estou pronto a ser oferecido em sacrifício por este povo; pois o que podem fazer nossos inimigos? Apenas matar o corpo, e então seu poder chega ao fim. Permanecei firmes, meus amigos. Nunca vacileis. Não busqueis salvar vossa vida, pois aquele que teme morrer pela verdade perderá a vida eterna. Perseverai até o fim; e ressuscitaremos e nos tornaremos semelhantes a Deuses, e reinaremos em reinos celestiais, principados e domínios eternos. . . ."

A Certeza da Ressurreição

A certeza da ressurreição divina é crida por numerosas pessoas no mundo cristão. Victor Hugo escreveu:

"Sinto em mim a vida futura. Quanto mais me aproximo do fim, mais claramente ouço ao meu redor as sinfonias imortais dos mundos que me convidam. Quando descer à sepultura, poderei dizer, como muitos outros: 'Terminei minha jornada de trabalho.' Mas não poderei dizer: 'Terminei minha vida.' Minha jornada de trabalho começará na manhã seguinte. O túmulo não é um beco sem saída; é uma passagem. Fecha-se ao crepúsculo. Abre-se à aurora."

E algum escritor desconhecido expressou em versos esse sentimento natural e esse anseio inexplicável pela imortalidade.

"De onde viria esta esperança agradável, este terno desejo,

Este anseio pela imortalidade,

Ou de onde este pavor secreto, e este horror interior

De cair no nada? Por que se retrai a alma

Sobre si mesma, e se assusta diante da destruição?

É a divindade que se agita dentro de nós;

É o próprio céu, que aponta um porvir

E indica ao homem a eternidade."

A Pergunta e a Resposta de Jó

A pergunta feita por Jó tem sido feita por milhões que se puseram diante do féretro aberto de um ente querido: "Morrendo o homem, porventura tornará a viver?" (Jó 14:14.)

E a pergunta tem sido respondida de modo satisfatório para muitos deles, à medida que uma grande e doce paz desce sobre eles como o orvalho do céu. E inúmeras vezes corações cansados de sofrimento angustiante sentiram o beijo daquela paz que excede todo entendimento.

E quando uma profunda tranquilidade da alma trouxe nova e calorosa certeza a mentes perturbadas e corações despedaçados, muitos desses puderam repetir, com o amado Jó:

"Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.

"E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus,

"A quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão. . . ." (Jó 19:25-27.)

Jó havia expressado o desejo de que seu testemunho pudesse ser impresso em livros e gravado em pedra, para que as gerações seguintes o lessem. Seu desejo foi concedido, pois a paz tem chegado a muitas almas que leram seu forte testemunho.

A Visão de João

E, para concluir, permiti-me ler a visão de João, o Revelador:

"E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus; e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.

"E o mar deu os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras." (Apocalipse 20:12-13.)

E, assim como a primavera viva e verdejante sucede o triste e mortal inverno, toda a natureza proclama a divindade do Senhor ressuscitado, que ele foi o Criador, que ele é o Salvador do mundo, que ele é o próprio Filho de Deus.

E isto também testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSpencer W. Kimball, “Meus Amados Irmãos, Irmãs...”, Conferência Geral de Abril de 1969, First Day Afternoon Meeting (1969-04-04). Pulpit Vault, 1969-04-kimball-my-beloved-brothers-and-sisters. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).