Pulpit

É Uma Honra, Meus Irmãos...

David O. McKay

1968 October General Conference·General Priesthood Meeting·1968-10-05

É uma honra, meus irmãos do sacerdócio em toda a Igreja, estar associado convosco. Saúdo a todos os reunidos aqui esta noite neste grande Tabernáculo e todos os que estão ouvindo por circuito fechado em 700 locais designados por todos os Estados Unidos e Canadá. Esta é uma ocasião gloriosa!

Exemplos para o rebanho

Há dois mil anos, o apóstolo-chefe Pedro dirigiu-se aos anciãos da Igreja e disse: ". . . admoesto eu, que sou juntamente com eles ancião, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:

"Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós. . . .

"Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho

"Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;

"Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo." (1 Pedro 5:1-3, 8-9.)

Notai a declaração de Pedro de serdes exemplos para o rebanho!

Testifico-vos, como já o fiz antes, que vós, líderes, portadores do sacerdócio, podeis viver de tal maneira que possais receber impressões e mensagens diretas por meio do Espírito Santo. O véu é fino entre aqueles que possuem o sacerdócio e aqueles do outro lado do véu. Esse testemunho começou no lar em minha juventude, por causa do exemplo de meu pai, que honrava o sacerdócio, e de minha mãe, que o apoiava e o vivia no lar.

Não sei se Pedro tinha isso particularmente em mente quando mencionou ser exemplo para o rebanho, mas sei que tal lar é parte desse rebanho. A influência que espalhais em vosso lar se estenderá por toda a cidade, por todo o condado, pelas alas e pelas estacas. Nenhum bispo, nenhum conselheiro, nenhum presidente de estaca, nenhum homem que ocupe posição de responsabilidade nesta Igreja pode se dar ao luxo de se esquivar, nem no menor grau, de sua grande responsabilidade de viver o evangelho tal como o prega, e de ser exemplo para o rebanho. Qualquer homem que ocupe tal posição e que, por suas ações, leve um jovem a duvidar da Igreja, trará desonra à Igreja e grande tristeza à sua própria alma. A coisa mais preciosa do mundo é um testemunho da verdade. A verdade nunca envelhece, e a verdade é que Deus é a fonte de vosso sacerdócio e do meu. A verdade é que ele vive; que Jesus Cristo, o Grande Sumo Sacerdote, está à cabeça da Igreja; e que todo homem que possui o sacerdócio, se viver corretamente, com sobriedade, diligência, humildade e oração, tem direito à inspiração e orientação do Espírito Santo. Sei que isso é verdade.

Honrar o chamado do sacerdócio

Os homens que são vasos do Santo Sacerdócio, que são encarregados de palavras de vida eterna para o mundo, devem esforçar-se continuamente, em suas palavras, ações e comportamento diário, por honrar a grande dignidade de seu chamado e ofício como ministros e representantes do Altíssimo.

Sempre que o sacerdócio é delegado ao homem, é conferido a ele, não como uma honra pessoal — embora se torne tal à medida que ele o honra — mas como autoridade para representar a Divindade e como obrigação de auxiliar o Senhor a realizar a imortalidade e a vida eterna do homem.

Se o sacerdócio significasse apenas distinção pessoal ou elevação individual, não haveria necessidade de grupos ou quóruns. A própria existência de tais grupos, estabelecidos por autorização divina, proclama nossa dependência uns dos outros, a necessidade indispensável de ajuda e auxílio mútuos. Somos seres sociais. Edwin Markham disse:

Há um destino que nos faz irmãos; Ninguém segue seu caminho sozinho: Tudo o que enviamos à vida dos outros Retorna à nossa própria.

("Um Credo")

Serviço e ajuda mútua

Este elemento de serviço e ajuda mútua é enfatizado pelo Senhor da seguinte forma:

"Portanto, sê fiel; ocupa o cargo para o qual te designei; socorre os fracos, ergue as mãos que pendem e fortalece os joelhos enfraquecidos." Assim diz o Senhor na Doutrina e Convênios, Seção 81, versículo 5.

E outra vez:

"E se houver algum homem entre vós de Espírito forte, que tome consigo aquele que for fraco, para que seja edificado em toda mansidão a fim de também se tornar forte." (D&C 84:106.)

Uma das responsabilidades do sacerdócio aqui reunido, e do vasto número na Igreja do qual sois representantes, é realizar o trabalho do ensino familiar, "para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo." (Efésios 4:12.) E assim é correto que o mestre familiar carregue a responsabilidade de zelar pelo bem-estar de cada indivíduo. Designações podem ser feitas apropriadamente para que todo homem que possua autoridade, que vem por revelação direta, possa reconhecer seus deveres eclesiásticos exercendo a autoridade que possui.

Comportamento dos militares

Nosso sacerdócio deve ser honrado não importa em que situação ou circunstância nos encontremos. Nossos corações e pensamentos se dirigem aos nossos militares em todo o mundo, e especialmente àqueles que estão em zonas de combate ativo. Recentemente, recebi um relatório do Élder Marion D. Hanks, relatando o alto calibre e comportamento dos militares no Vietnã, o que dá certeza do evangelho em suas vidas e de que estão honrando seu sacerdócio. Desse relatório, cito o seguinte:

"Em toda parte, nossos homens eram muito elogiados. Cada um dos generais com quem falei se esforçou para elogiar os militares mórmons com quem havia servido.

"Eram muito afirmativos e firmes em seus elogios.

"Um excelente major da Marinha, em meio à batalha diariamente, expressou seu firme testemunho e pediu que eu levasse aos missionários a mensagem de que ele está feliz por estar no Vietnã, lutando para preservar o direito de nossos missionários realizarem sua obra, ainda mais importante."

Só podemos esperar e orar para que as hostilidades naquela área aflita, e em todo o mundo, terminem em breve.

Oração pelo conhecimento divino

Vou dizer a vós, rapazes do Sacerdócio Aarônico, que uma voz foi ouvida nesta dispensação, dando certeza de que o Senhor e Salvador Jesus Cristo é a cabeça desta Igreja e a está guiando, assim como a dirigiu nos dias antigos e a tem guiado desde que ele e seu Pai apareceram ao Profeta Joseph Smith.

Vou contar-lhes o que me aconteceu quando eu era menino, na colina perto de minha casa em Huntsville. Eu ansiava, assim como vós, rapazes, ansiais, por saber que a visão dada ao Profeta Joseph Smith era verdadeira, e que esta Igreja foi realmente fundada por revelação, como ele afirmava. Eu pensava que a única forma de uma pessoa chegar a conhecer a verdade era ter uma revelação ou experimentar algum evento milagroso, assim como aconteceu com o Profeta Joseph.

Certo dia, eu estava procurando gado. Ao subir uma colina íngreme, parei para deixar meu cavalo descansar, e ali, mais uma vez, um intenso desejo se apoderou de mim de receber uma manifestação da verdade do evangelho restaurado. Desmontei, joguei as rédeas sobre a cabeça do cavalo e ali, sob um arbusto de amelanquier, orei para que Deus me declarasse a verdade de sua revelação a Joseph Smith. Tenho certeza de que orei fervorosa e sinceramente, e com tanta fé quanto um jovem rapaz poderia reunir.

Ao concluir a oração, levantei-me dos meus joelhos, joguei as rédeas sobre a cabeça de meu fiel cavalo e montei na sela. Ao retomar o caminho, lembro-me de dizer a mim mesmo: "Nenhuma manifestação espiritual veio a mim. Se sou sincero comigo mesmo, devo dizer que sou exatamente o mesmo 'velho rapaz' que era antes de orar." Orei novamente quando atravessei o Riacho Spring, perto de Huntsville, à noite, para ordenhar nossas vacas.

Resposta dada na Escócia

O Senhor não achou por bem dar-me uma resposta naquela ocasião, mas em 1899, depois de eu ter sido designado presidente da Conferência Escocesa, a manifestação espiritual pela qual eu havia orado quando menino, em minha adolescência, veio como consequência natural do cumprimento do dever. Pois, como declarou o apóstolo João: "Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." (João 7:17.)

Seguindo-se a uma série de reuniões na conferência realizada em Glasgow, na Escócia, houve uma reunião de sacerdócio das mais notáveis. Lembro-me, como se fosse ontem, da intensidade da inspiração daquela ocasião. Todos sentiram o rico derramamento do Espírito do Senhor. Todos os presentes estavam verdadeiramente de um só coração e uma só mente. Jamais havia experimentado emoção semelhante. Foi uma manifestação pela qual, como jovem cheio de dúvidas, eu havia orado secretamente e com a maior fervor, na colina e no prado. Foi para mim a certeza de que a oração sincera é respondida, em algum momento, em algum lugar.

Durante o desenrolar da reunião, um élder, por iniciativa própria, levantou-se e disse: "Irmãos, há anjos neste recinto."

Por estranho que possa parecer, o anúncio não foi surpreendente; na verdade, parecia inteiramente apropriado, embora não me tivesse ocorrido que havia seres divinos presentes. Eu só sabia que transbordava de gratidão pela presença do Espírito Santo.

Profecia de James L. McMurrin

Fiquei, contudo, profundamente impressionado quando o Presidente James L. McMurrin, presidente da Missão Europeia, levantou-se e confirmou essa declaração, apontando para um irmão sentado bem à minha frente e dizendo: "Sim, irmãos, há anjos neste recinto, e um deles é o anjo guardião daquele jovem sentado ali," e designou aquele que mais tarde se tornaria patriarca na Estaca Woodruff da Igreja, John Young.

Apontando para outro élder, disse: "E um é o anjo guardião daquele jovem ali," e apontou para alguém que eu conhecia desde a infância, David Eccles. Lágrimas rolavam pelas faces de ambos os missionários — não de tristeza ou pesar, mas como expressão do Espírito transbordante. De fato, todos nós choramos.

Foi nesse cenário que James L. McMurrin proferiu o que desde então se provou ser uma profecia. Aprendi, pela íntima convivência com ele, que James McMurrin era puro ouro. Sua fé no evangelho era implícita. Nenhum homem mais verdadeiro, nenhum homem mais leal ao que julgava correto jamais existiu. Assim, quando ele se voltou para mim e proferiu o que eu então julguei ser mais uma advertência do que uma promessa, suas palavras deixaram em mim uma impressão indelével. Parafraseando as palavras do Salvador a Pedro, o Irmão McMurrin disse: "Permita-me dizer-lhe, Irmão David, Satanás o desejou para o joeirar como trigo, mas Deus se lembra de você." Então acrescentou: "Se você mantiver a fé, ainda se assentará nos conselhos dirigentes da Igreja."

Naquele momento, vieram-me à mente tentações que haviam cercado meu caminho, e percebi, melhor ainda do que o Presidente McMurrin, ou qualquer outro homem, quão verdadeiramente ele havia falado quando disse: "Satanás te desejou." Com a resolução, ali mesmo naquele instante, de manter a fé, nasceu em mim o desejo de servir a meus semelhantes; e com isso veio a percepção, ao menos um vislumbre, do que eu devia ao élder que primeiro levou a mensagem do evangelho restaurado a meus avós, que haviam aceitado a mensagem anos antes, no norte da Escócia e no sul de Gales.

Peço a Deus que continue a abençoar-vos para que permaneçais fiéis ao sacerdócio que possuís, pois ele vem diretamente de João Batista, que o recebeu de seu Senhor e Salvador. Em vossa juventude, não deixeis que a tentação vos desvie. Sede fiéis aos ideais de vossos pais.

História do cavalo "Dandy"

Agora, para concluir, vou contar-lhes, rapazes, uma história sobre um cavalo que outrora possuí e que tive grande prazer em treinar. Ele tinha bom temperamento, olhos limpos e bem arredondados, era bem proporcionado e, em suma, era uma excelente posse equina. Sob a sela, era tão dócil, receptivo e cooperativo quanto um cavalo poderia ser. Ele e meu cão Scotty eram verdadeiros companheiros. Eu gostava da maneira como ele se aproximava de algo de que tinha medo. Ele tinha confiança de que, se fizesse o que eu lhe pedia, não se machucaria.

Mas Dandy se ressentia da restrição. Ficava descontente quando amarrado e roía a corda até se libertar. Ele não fugia — apenas queria estar livre. Pensando que os outros cavalos sentiam o mesmo, ele passava a desamarrar suas cordas também. Detestava ficar confinado no pasto e, se encontrasse um ponto na cerca onde houvesse apenas arame liso, escarvava o arame cuidadosamente com as patas até conseguir passar por cima, rumo à liberdade. Mais de uma vez, meus vizinhos foram gentis o suficiente para colocá-lo de volta no campo. Ele até aprendeu a abrir o portão empurrando-o. Embora suas depredações fossem irritantes e às vezes custosas, eu admirava sua inteligência e engenhosidade.

Mas sua curiosidade e desejo de explorar a vizinhança nos levaram, a ele e a mim, a problemas. Uma vez, na estrada, ele foi atropelado por um automóvel, resultando em uma máquina destruída, ferimentos ao cavalo e leves, embora não graves, ferimentos ao motorista.

Recuperando-se disso, e ainda impelido por um sentimento de vontade de vagar, ele inspecionou a cerca por toda a extensão do terreno. Chegou até a encontrar os portões amarrados com arame. Assim, por algum tempo, pensamos ter Dandy seguro no pasto.

Um dia, porém, alguém deixou o portão sem o arame. Percebendo isso, Dandy o destrancou, levou consigo seu companheiro, e juntos visitaram o campo do vizinho. Foram a uma casa velha usada como depósito. A curiosidade de Dandy o levou a empurrar a porta e abri-la. Assim como ele havia suposto, havia ali um saco de grãos. Que achado!

Sim, e que tragédia! O grão era isca envenenada para roedores! Em poucos minutos, Dandy e seu companheiro estavam em dores espasmódicas, e logo ambos estavam mortos.

Manter a fé em Deus

Quão semelhantes a Dandy são muitos de nossos jovens! Não são maus; nem sequer têm a intenção de fazer o mal; mas são impulsivos, cheios de vida, cheios de curiosidade, e anseiam por fazer algo. Também eles se inquietam sob a restrição, mas, se forem mantidos ocupados, orientados com cuidado e retidão, mostram-se receptivos e capazes; se deixados a vagar sem orientação, com demasiada frequência violam princípios do que é correto, o que muitas vezes os conduz a armadilhas do mal, ao desastre e até à morte.

E assim, digo, com Edgar A. Guest:

Guarda, pois, tua fé em Deus acima, E fé na verdade justa, Ela te trará de volta o amor ausente, E as alegrias de uma juventude desvanecida.

Voltarás a sorrir quando tuas lágrimas secarem, Encontrarás a tribulação e rapidamente a vencerás, Pois a fé é a força da alma interior, E perdido está o homem que dela carece.

Que Deus vos abençoe para que possais perceber as bênçãos que são vossas por meio da revelação e da restauração, nesta era e neste tempo do mundo, do sacerdócio de Deus. Este sacerdócio vos dá autoridade para representá-lo, proclamando a realidade da existência do Pai e de seu Filho Amado, Jesus Cristo, e a restauração do evangelho tal como dado por meio de Cristo, cuja obediência estabelecerá a paz na terra e levará avante a vontade de Deus para a salvação e exaltação de seus filhos.

Com todo o poder que o Senhor deu a seus servos, eu vos abençoo e oro para que sigais em frente com o espírito de serviço, honrando o sacerdócio que possuís e o seu nome, agora e para sempre, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “É Uma Honra, Meus Irmãos...”, 1968 October General Conference, General Priesthood Meeting (1968-10-05). Pulpit Vault, 1968-10-mckay-it-is-an-honor-my-brethren. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).