Pulpit

Todo o Mundo É um Palco...

William J. Critchlow Jr.

1967 October General Conference·Second Day Afternoon Meeting·1967-09-30

"Todo o mundo é um palco, E todos os homens e mulheres são meros atores: Têm suas saídas e suas entradas; E um homem, em sua vida, representa muitos papéis, Sendo seus atos sete idades." (William Shakespeare, Como Gostais, Ato I, cena 7.)

Sim, o mundo é verdadeiramente um imenso palco, e nele o maior drama já concebido e produzido continua se desenrolando seis mil anos depois de as cortinas se abrirem para revelar uma bela cena no Ato 1, chamada o Jardim do Éden.

Propósitos da Divina Providência

Numa única frase, o autor deste grande drama expôs concisamente um propósito, um motivo e um objetivo para sua obra maravilhosa. Disse ele:

"Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." (Moisés 1:39.)

Nessa simples frase, encontro um título apropriado: "A Vida Eterna do Homem." Os que preferem a brevidade podem abreviá-lo para "Vida Eterna." Gosto de ambos. Espero que o autor aprove.

Mais adiante em meu discurso comentarei o propósito do autor.

Os membros do elenco deste drama dirigem-se respeitosamente ao autor como Deus. Frequentemente dispensamos a formalidade e o chamamos afetuosamente de "Pai nosso, que estás nos céus." (Mateus 6:9.) Seu verdadeiro nome é Elohim. (James E. Talmage, Regras de Fé, pp. 465-473.) Que ele me perdoe por chamá-lo de autor. Faço isso reverentemente para evitar o uso demasiado frequente do sagrado título, Deus.

O arbítrio — o tema do drama

O tema do grande drama é o arbítrio, ou seja, a capacidade do homem de escolher livremente. O roteiro está dividido em sete atos, cada um com mil anos de duração. A peça já avançou bastante no sexto ato. Em breve a cortina se erguerá para o sétimo, o ato milenar.

Disputa pela liderança

Para encenar e dirigir o drama, o autor precisava de um diretor. Candidatando-se ao posto, uma personagem talentosa e ambiciosa conhecida como Lúcifer, frequentemente chamada Satanás, ofendeu e insultou o autor. Sua proposta ofendeu porque propunha alterar o roteiro do autor de modo a anular o próprio conceito do tema — o arbítrio; insultou porque, como preço, o candidato exigia a honra e o poder do autor: ". . . portanto, dá-me a tua honra," e dá-me o teu "próprio poder." (Moisés 4:1-4.) Rejeitada sua proposta, ele se rebelou e clamou com ira: ". . . eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono. . . . serei semelhante ao Altíssimo." (Isaías 14:13-14.)

O autor concedeu o cargo de diretor a seu filho Jeová, que concordou em "descer" para preparar o palco do mundo e dirigir a peça de acordo com o roteiro do autor.

Rebelião

A rebelião de Lúcifer transformou-se numa guerra no céu. Ela se espalhou para a terra, numa luta feroz entre Lúcifer e Jeová. Batalhas ainda se travam no palco aqui neste sexto ato. Aproximadamente um terço do elenco selecionado para o grande drama desertou e se colocou ao lado de Lúcifer. Por isso, foram excluídos do elenco e, assim, tiveram negada a aparição física no palco. Isso os enfureceu. Juraram fazer a peça fracassar e, para isso, têm usado a liberdade — o próprio arbítrio contra o qual a princípio protestaram — para destruir o "arbítrio livre."

A estratégia de Lúcifer é induzir o elenco a usar seu arbítrio individual de modo a produzir o caos no palco. Ao expor o elenco a tanto mal quanto possível, ele espera ganhar força numérica para que, quando a cortina descer ao final da peça, possa gritar: "Tenho a maioria da hoste celestial ao meu lado; a força numérica é o meu poder. Agora posso reivindicar 'tua honra'; agora 'subirei ao céu'; agora 'exaltarei meu trono acima das estrelas de Deus.'" (Ver Isaías 14:12-20.)

Uma coisa somos forçados a admitir: apesar de os seguidores espirituais de Lúcifer terem sido eliminados do elenco e, assim, privados de aparições físicas no palco, seu poder de tentar e influenciar negativamente o elenco tem sido tremendo.

Deus, em sua infinita sabedoria, sem dúvida designou seu filho Jeová para ser o diretor do drama devido à vasta experiência do Filho na construção de palcos, ou mundos. ". . . mundos incontáveis criei . . . e criei-os por meio do Filho," disse ele. (Moisés 1:33.)

Quando o palco estava pronto, o elenco também estava pronto, tendo os papéis principais sido preenchidos por um processo ou doutrina chamada pré-ordenação. (Teachings of the Prophet Joseph Smith, pp. 365 e 158. Ver também Abraão 3:23.)

O Primeiro Ato

". . . as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam" (Jó 38:7), e os céus ressoavam de louvor quando "um anjo forte, apregoando com grande voz," anunciou o início do primeiro ato. (Apocalipse 5:2.)

João, o Revelador, compara as cortinas ao longo da peça a selos. (Apocalipse 5:1-2.) "Devemos entender que o primeiro selo contém [revela] as coisas dos primeiros mil anos [Ato 1], assim como o segundo as coisas dos mil anos seguintes [Ato 2], e assim por diante, até o sétimo [Ato 7]." (D&C 77:7.)

O primeiro selo ou cortina revelou uma bela cena chamada o Jardim do Éden. O primeiro homem a aparecer no palco foi um tal Miguel, assistente de Jeová no projeto de construção do palco. (Journal of Discourses, Vol. 1, p. 51.) Seu nome de palco é Adão. Foi-lhe dada uma esposa num casamento que durará para sempre. O nome dela é Eva.

O arbítrio, com alguma ajuda de Lúcifer, meteu esse casal em dificuldades, exatamente como Lúcifer havia predito, e eles foram "expulsos do Jardim do Éden . . . por causa de sua transgressão." (D&C 29:41.)

Caim, filho do casal, exercendo seu arbítrio de modo injusto, matou seu irmão Abel. Por isso foi amaldiçoado com "um sinal [nele], para que não o matasse qualquer que o achasse." (Gênesis 4:15.) Milhares e milhares no imenso elenco do drama têm tido problemas por exercerem seu arbítrio de modo injusto; outros milhares têm alcançado grandes alturas por exercerem seu arbítrio de modo justo.

A iniquidade reinava no palco quando o Ato 1 se aproximava do fim, salvo na pequena cidade de Sião, onde, sob a liderança de um tal Enoque, o povo prosperava em retidão. Adão viveu 930 anos. Pouco antes de sua morte, reuniu sua posteridade justa num lugar hoje conhecido como Adão-ondi-Amã e lhes deu uma prévia dos seis atos restantes do drama, predizendo "tudo o que sucederia a sua posteridade até a última geração," o fim da peça. (Ver D&C 107:53-56.)

O Segundo Ato

No Ato 2 encenou-se a maior catástrofe do drama até então. Águas de um dilúvio varreram o palco, engolfando e destruindo "todo ser vivente," exceto oito pessoas e certos "animais" e "aves" e "répteis" que essas pessoas haviam guardado consigo numa arca. Noé foi a personagem heroica deste ato. Antes de as águas se derramarem sobre o palco, o diretor do drama recompensou o povo justo de Enoque, elevando-o "aos céus, a seu próprio seio," por um processo ou doutrina chamada translado, para salvá-lo do dilúvio. (Moisés 7:23, 69.)

Terceiro Ato

No Ato 3, Abraão, "Pai dos Fiéis," desempenhou um papel de destaque. Isaque, Jacó, José e Moisés fizeram aparições. Moisés libertou os filhos de Israel de seu cativeiro no Egito. Grandes mudanças físicas na aparência da terra ocorreram nos dias de Pelegue; e, quando o diretor confundiu as línguas do povo, um pequeno grupo, sob a liderança de um tal Jarede, empreendeu uma viagem histórica através de grandes águas para fundar uma colônia neste hemisfério ocidental. Neste ato, Israel possuiu sua terra prometida e a dividiu entre 11 tribos, deixando Levi sem parte. Numa das cenas finais, o grande profeta Samuel ungiu Saul como o primeiro rei de Israel; e, mais tarde, às escondidas de Saul, ungiu secretamente o jovem Davi para ser o sucessor de Saul.

Quarto Ato

O Ato 4 abriu com o rei Davi no trono. Salomão o sucedeu e construiu um grande templo. Inimigos que invadiram Israel o destruíram, e inimigos amigáveis mais tarde ajudaram a restaurá-lo. Dez das doze tribos foram para as terras do norte e se perderam. Um profeta chamado Leí construiu navios que, pelo poder de Deus, chegaram a este hemisfério ocidental, onde seu povo se tornou uma grande nação.

Quinto Ato

Quando a cortina ou véu se abriu para o quinto ato, revelou o próprio diretor do drama em pessoa no palco. Seu nome era Jesus. Por dizer que era o Filho de Deus, certos membros do elenco o pregaram numa cruz. Em breves aparições na Palestina e no hemisfério ocidental, ele restabeleceu seu evangelho, organizou um reino e ordenou 24 apóstolos para dirigi-lo — 12 na Palestina e 12 no hemisfério ocidental. Por se associarem a Jesus, os apóstolos na Palestina foram martirizados, exceto João, que foi exilado em Patmos, onde, em visão, viu o roteiro do grande drama do autor — "Vida Eterna."

Sexto Ato — A Cena da Ressurreição

Nenhuma cena em todo o drama pode igualar-se à cena da ressurreição no sexto ato, a não ser uma cena programada para o sétimo ato, quando Jesus virá em glória para governar e reinar pessoalmente por mil anos. Então "todo joelho se dobrará . . . e . . . toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor." (Filipenses 2:10-11.) Então Satanás será amarrado, "para que não mais engane as nações . . ." (Apocalipse 20:1-3); então "morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará; . . . e a vaca e a ursa pastarão" juntas (Isaías 11:6-7); então "converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; não alçará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerrear." (Isaías 2:4.) Templos então pontilharão a terra, para que os parentes possam realizar obra pelos mortos da família. (JD, Vol. 25, p. 185.) "As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam." (1 Coríntios 2:9.)

Sétimo — O Ato Milenar

Antes que essas cenas de bem-aventurança sejam encenadas no sétimo ou ato milenar, o Ato 6, ao percorrer todo o seu curso, encherá o espaço de tempo intermediário com acontecimentos espetaculares, alguns trágicos e angustiantes demais para trazer conforto às nossas almas. Já neste ato:

— o autor, acompanhado de seu filho diretor, fez uma breve aparição nos bastidores;

— o evangelho de Jesus Cristo foi restaurado;

— o reino de Deus foi estabelecido para subsistir para todo o sempre;

— o grande profeta dos últimos dias, Joseph Smith, veio e partiu, dando a vida pela causa da restauração.

O apóstolo João previu um grande terremoto neste sexto ato. Ele escreveu:

"E havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue;

"E as estrelas do céu caíram sobre a terra . . ." (Apocalipse 6:12-13.)

Empregando terremotos e fogo, guerra e relâmpagos, fome e peste, e um flagelo assolador e transbordante, o autor ainda purificará e preparará o palco para o pacífico ato milenar. "Eis que," disse ele, "chegado é o dia em que está cheio o cálice da ira de minha indignação." (D&C 43:26.)

O palco foi limpo e purificado nos dias de Noé (Ato 2) com um dilúvio de água. ". . . e como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem" (Lucas 17:26), mas a purificação que se aproxima envolverá um dilúvio dos outros agentes destrutivos que acabo de mencionar, não estando descartado o bombardeio atômico.

Neste exato momento, Lúcifer talvez esteja se regozijando com a confusão no palco. A seus confederados ele deve estar repetindo agora mesmo: "Eu bem que disse. O arbítrio condenou a peça antes mesmo de começar." Bem, ele pode pensar assim, mas não a sério. Certas falas no roteiro do autor devem preocupá-lo. Por outro lado, essas falas dão esperança e conforto a um elenco angustiado e confuso. Tenho prazer em citá-las:

"Escutai, ó povo da minha igreja, . . . escutai, ó povos distantes; . . . escutai juntamente.

". . . não faço acepção de pessoas e desejo que todos os homens saibam que o dia rapidamente se aproxima; ainda não é chegada a hora, mas está perto, em que a paz será tirada da Terra e o diabo terá poder sobre seu próprio domínio.

"E também o Senhor terá poder sobre seus santos e reinará em seu meio e descerá para julgar Idumeia, ou seja, o mundo." (D&C 1:1, 35-36.)

Se a contagem do tempo pelo homem for correta, a cortina ao final do Ato 6 poderá cair em menos de quarenta anos a partir de agora. Meus filhos — certamente alguns de meus netos — estarão envolvidos nas cenas finais deste ato. Conclamo a eles e a todos vós que "vos revistais de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo." (Efésios 6:11.)

Alguns de meus netos poderão testemunhar o retorno das dez tribos perdidas; alguns poderão estar presentes quando o antigo Enoque e seu povo retornarem; um deles poderá até mesmo ser chamado a Adão-ondi-Amã para sentar-se com Adão em outro grande conselho. Estarei esperando mais do que mereço, ao esperar que eu mesmo possa ser arrebatado com os justos mortos para encontrar o grande diretor quando ele vier em glória para governar e reinar sobre o palco? Uma outra esperança que gostaria de acrescentar — espero não ter ofendido a ninguém ao chamar este mundo de palco.

Deus jamais pretendeu que sua grande obra fosse aceita como uma peça de teatro. A vida não é simulada. É real; as cenas são reais; as personagens são reais; a atuação é "para valer." A analogia do drama é minha. Gosto dela. Gosto do título "Vida Eterna." Gosto do digno propósito a que serve.

É a maneira de nosso Pai de prover a seus bilhões de filhos espirituais corpos mortais de carne e osso.

É um curso planejado para dar a seus filhos plenitude de alegria, semelhante à de nosso Pai Celestial.

Ele provê a seus filhos, pela primeira vez, os poderes de procriação.

Ele proporciona um período de provação.

Foi planejado para condicionar seus filhos, para sempre, contra a rebelião e a sedição.

Ele prepara seus filhos para a cidadania num reino teocrático, o reino de Deus.

Gosto do objetivo do autor: ". . . esta é minha obra e minha glória: levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." (Moisés 1:39.)

Quando o drama completar seu curso de sete mil anos, o que acontecerá ao elenco em seu término? Ficarão os atores desempregados? Como foram empregados antes de a peça começar?

Este drama terreno

Minha resposta deve ser breve. Este drama terreno é apenas uma pequena parte, um ato muito breve, num drama grandioso que tem percorrido o tempo e continuará a percorrê-lo por milhões de anos, sem fim. É um drama dentro de outro drama, ambos do mesmo autor. Que ele me perdoe pela liberdade que tomo ao chamá-lo de Ato 2 — o ato mortal —, envolvendo o elenco em seu estado mortal, de carne e osso. O Ato 1 eu chamaria de ato pré-mortal, envolvendo o elenco em seu estado de espírito. O futuro, o Ato 3, envolverá mais tarde o elenco em seu estado imortal. Devo chamá-lo de ato pós-mortal, ou imortal.

Nesses diversos atos, o grandioso drama de Deus prossegue e prossegue e prossegue, incessantemente, eternamente.

A vida é eterna. Membros fiéis do elenco, após sua ressurreição, poderão alcançar um estado de exaltação no reino de Deus, numa glória chamada celestial.

Essa glória traz a promessa da vida eterna, o poder do incremento eterno, uma continuação da posteridade.

"A vida é real! A vida é séria! E o túmulo não é a sua meta; Pó tu és, ao pó retornarás, Não foi dito da alma." (Longfellow, "Um Salmo de Vida.")

Deus, o grande Autor, vive. Ele está em seu céu, enviando seus filhos espirituais a este palco mortal. Jesus Cristo é o diretor, o próprio Filho de Deus. Joseph Smith foi um profeta. Ele desempenhou um papel importante no grande drama, "Vida Eterna." David O. McKay é outro profeta, nosso profeta, em outro papel importante nesse grande drama. Disso presto meu humilde testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoWilliam J. Critchlow Jr., “Todo o Mundo É um Palco...”, 1967 October General Conference, Second Day Afternoon Meeting (1967-09-30). Pulpit Vault, 1967-10-critchlow-all-the-worlds-a-stage. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).