Porta De Sua Igreja Novamente, E Ele...
Hugh B. Brown
Meus irmãos e irmãs que são membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e meus irmãos e irmãs que são membros de outras igrejas, ou de nenhuma; todos os que possam estar ouvindo os trabalhos desta conferência, eu saúdo e recebo como meus irmãos e irmãs, pois creio na Paternidade universal de Deus e na consequente fraternidade universal do homem. ¶
O evangelho de Jesus Cristo é restaurado Gostaria de apoiar e testemunhar a afirmação de que o evangelho de Jesus Cristo, tal como foi ensinado por ele e por seus apóstolos no meridiano do tempo, foi restaurado no estado de Nova Iorque em 1830 por Jesus, o Cristo, e foi organizado sob sua direção por meio do Profeta Joseph Smith. Gostaria de dar algumas razões para essa fé e tentar justificar minha lealdade à Igreja. Talvez eu possa fazer isso melhor referindo-me novamente a uma entrevista que tive em Londres, na Inglaterra, em 1939, pouco antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial. ¶
Eu havia conhecido um cavalheiro inglês muito proeminente, membro da Câmara dos Comuns e anteriormente um dos juízes da suprema corte da Grã-Bretanha. ¶
Numa série de conversas sobre diversos assuntos, "vexações da alma," como ele os chamava, falávamos de negócios e leis; de política, relações internacionais e guerra; e frequentemente discutíamos religião. ¶
Ele me telefonou certo dia e perguntou se eu poderia encontrá-lo em seu escritório e explicar algumas fases de minha fé. Ele disse: "Vai haver uma guerra, e o senhor terá de voltar para a América, e talvez não nos encontremos novamente." ¶
Sua declaração quanto à iminência da guerra e à possibilidade de não nos encontrarmos novamente provou ser profética. ¶
Quando fui ao seu escritório, ele disse que havia se interessado por algumas coisas que eu lhe contara sobre minha igreja. Perguntou-me se eu prepararia um resumo sobre o mormonismo e o discutiria com ele como se discutisse um problema jurídico. Disse: "O senhor me disse que acredita que Joseph Smith foi um profeta e que acredita que Deus, o Pai, e Jesus de Nazaré lhe apareceram em visão. ¶
Um "resumo" para a restauração "Não consigo compreender," ele disse, "como um advogado do Canadá, homem treinado em lógica e em evidências, frio e sem emoção, pode aceitar afirmações tão absurdas. O que o senhor me conta sobre Joseph Smith parece fantástico, mas eu gostaria que o senhor levasse ao menos três dias para preparar um resumo e me permitisse examiná-lo e questioná-lo a respeito." ¶
Sugeri que, como eu vinha trabalhando nesse resumo havia mais de 50 anos, prosseguíssemos de imediato com um exame para descoberta, que é, resumidamente, um encontro das partes opostas numa ação judicial, em que o autor e o réu, com seus advogados, se reúnem para examinar as alegações um do outro e ver se conseguem encontrar alguma área de concordância, poupando assim o tempo do tribunal mais tarde. ¶
Eu disse que talvez pudéssemos encontrar algum terreno comum a partir do qual poderíamos discutir minhas "ideias fantásticas." Ele concordou, e prosseguimos com nosso "exame para descoberta." ¶
Por causa das limitações de tempo, só posso dar uma síntese condensada, ou abreviada, da conversa de três horas que se seguiu. Comecei perguntando: "Posso prosseguir, senhor, na suposição de que o senhor é cristão?" ¶
"Suponho que o senhor acredita na Bíblia — o Velho e o Novo Testamento?" ¶
"Sim, acredito!" ¶
"O senhor acredita na oração?" ¶
"Acredito!" ¶
"O senhor diz que minha crença de que Deus falou a um homem nesta era é fantástica e absurda?" "Para mim é." ¶
"O senhor acredita que Deus já falou a alguém?" ¶
"Certamente, ao longo de toda a Bíblia temos evidência disso." ¶
"Ele falou a Adão?" ¶
"Sim." ¶
"A Enoque, Noé, Abraão, Moisés, Jacó, e a outros dos profetas?" ¶
"Creio que falou a cada um deles." ¶
"O senhor acredita que o contato entre Deus e o homem cessou quando Jesus apareceu na terra?" ¶
"Certamente que não. Tal comunicação atingiu seu clímax, seu ápice naquela época." ¶
"O senhor acredita que Jesus de Nazaré era o Filho de Deus?" ¶
"Ele era." ¶
"O senhor acredita, senhor, que depois da ressurreição de Cristo, Deus voltou a falar a algum homem?" ¶
Ele pensou por um momento e então disse: "Recordo-me de um certo Saulo de Tarso, que descia a Damasco para perseguir os santos e que teve uma visão, ficou cego, na verdade, e ouviu uma voz." ¶
"De quem era a voz que ele ouviu?" ¶
"Bem," ele disse, "a voz disse: 'Eu sou Jesus, a quem tu persegues: dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.'" ¶
"O senhor acredita que isso realmente aconteceu?" ¶
"Acredito." ¶
"Então, meu Lorde" — é assim que nos dirigimos aos juízes na Comunidade Britânica — "meu Lorde, estou lhe submetendo com toda a seriedade que era procedimento padrão nos tempos bíblicos que Deus falasse aos homens." ¶
"Creio que admitirei isso, mas cessou pouco depois do primeiro século da era cristã." ¶
"Por que o senhor acha que cessou?" ¶
"Não sei dizer." ¶
"O senhor acha que Deus não fala desde então?" ¶
"Não, que eu saiba." ¶
"Permita-me sugerir algumas razões possíveis para ele não ter falado. Talvez seja porque ele não pode. Ele perdeu o poder." ¶
Ele disse: "Isso seria, é claro, blasfêmia." ¶
"Bem, então, se o senhor não aceita isso, talvez ele não fale aos homens porque não nos ama mais. Ele não está mais interessado nos assuntos dos homens." ¶
"Não," ele disse, "Deus ama a todos os homens, e não faz acepção de pessoas." ¶
"Bem, então, se o senhor não aceita que ele nos ama, então a única outra resposta possível, como vejo, é que não precisamos dele. Fizemos progressos tão rápidos na educação e na ciência que não precisamos mais de Deus." ¶
Grande necessidade da voz de Deus E então ele disse, e sua voz tremeu ao pensar na guerra iminente: "Sr. Brown, nunca houve um momento na história do mundo em que a voz de Deus fosse tão necessária quanto agora. Talvez o senhor possa me dizer por que ele não fala." ¶
Minha resposta foi: "Ele fala, ele falou; mas os homens precisam de fé para ouvi-lo." ¶
Então prosseguimos para examinar o que posso chamar de "perfil de um profeta." ¶
Características de um profeta Concordamos que qualquer homem que se declare profeta deveria ter, pelo menos, as seguintes características: ¶
Ele declarará ousada, mas humildemente: "Deus falou comigo." ¶
Sua mensagem será digna, inteligente, sincera e honesta, mas ele não será necessariamente uma pessoa culta. ¶
Não haverá alegações espiritualistas de comunhão com os mortos, nem clarividência ou prestidigitação. ¶
Geralmente será um homem jovem, como Samuel; homem de boa linhagem e boas amizades. ¶
Sua mensagem deve ser razoável e escriturística. ¶
Ele será destemido e positivo, indiferente à opinião corrente e aos credos da época. ¶
Ele não fará concessões à opinião pública ou ao efeito sobre si mesmo, sua reputação ou sua fortuna pessoal. ¶
Sua mensagem deve ser atual, incomum, mas historicamente consistente. ¶
Ele simplesmente, mas com sinceridade, contará ¶
o que viu e ouviu. ¶
Sua mensagem, não ele mesmo, será importante para ele. ¶
Ele declarará ousadamente: "Assim diz o Senhor!" ¶
Ele predirá eventos futuros em nome do Senhor, eventos que não poderia controlar, eventos que só Deus poderia realizar. ¶
Sua mensagem será importante não apenas para sua geração, mas para todos os tempos, como as mensagens de Daniel, Ezequiel e Jeremias. ¶
Ele terá coragem, firmeza e fé suficientes para suportar a perseição e, se necessário, dar a vida por seu testemunho, e estará disposto a selar seu testemunho com seu sangue, como fizeram Pedro e Paulo. ¶
Ele denunciará a maldade destemidamente e será rejeitado e ridicularizado por isso. ¶
Ele fará coisas sobre-humanas, coisas que só um homem inspirado por Deus poderia fazer. ¶
A consequência de seus ensinamentos será evidência convincente de seu chamado profético: "Pelos seus frutos os conhecereis." ¶
Sua palavra e mensagem viverão depois dele. ¶
Todos os seus ensinamentos serão escriturísticos. Na verdade, suas palavras, escritos e mensagem se tornarão escritura. ¶
"Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum: mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." (2 Ped. 1:21.) Evidência de que Joseph Smith é um profeta Creio que Joseph Smith foi um profeta de Deus porque deu a este mundo algumas das maiores revelações de todos os tempos. Creio que foi profeta de Deus porque predisse muitas coisas que se cumpriram, coisas que só Deus poderia realizar. ¶
João, o discípulo amado de Jesus, declarou: ". . . o testemunho de Jesus é o espírito de profecia." (Apoc. 19:10.) Se Joseph Smith tinha o testemunho de Jesus, tinha o espírito de profecia, e se tinha o espírito de profecia, era um profeta. Eu submeti a meu amigo que, tanto quanto qualquer homem que já viveu, o Profeta Joseph teve um testemunho de Jesus, pois, como os apóstolos de outrora, ele o viu e o ouviu falar, e como eles, deu a vida por esse testemunho. Não conheço ninguém que tenha dado evidência mais convincente do chamado divino de Jesus Cristo do que Joseph Smith. ¶
O Livro de Mórmon Creio que Joseph Smith foi um profeta porque fez muitas coisas sobre-humanas. Uma delas foi traduzir o Livro de Mórmon, que é uma história dos antigos habitantes da América. Algumas pessoas não concordarão, mas eu afirmo que Joseph Smith, ao traduzir o Livro de Mórmon, realizou uma obra sobre-humana. Peço a qualquer um que se disponha a escrever a história dos antigos habitantes da América, a escrevê-la como ele fez, sem qualquer material de fonte. Ele deve incluir na história 54 capítulos que tratam de guerras, 21 capítulos históricos, 55 capítulos sobre visões e profecias (e lembrem-se de que, quando o escritor começa a escrever sobre visões e profecias, o registro deve concordar meticulosamente com a Bíblia). Ele deve escrever 71 capítulos sobre doutrina e exortação, e aqui também deve conferir cada afirmação com as escrituras, ou será provado uma fraude. Deve escrever 21 capítulos sobre o ministério de Cristo, e tudo o que o escritor afirma que Jesus disse e fez, e todo testemunho que escreve no livro a respeito dele, deve concordar absolutamente com o Novo Testamento. ¶
Eu pergunto: alguém gostaria de empreender tal tarefa? Aponto também que ele deve empregar figuras de linguagem, símiles, metáforas, narração, exposição, descrição, oratória, epopeia, lírica, lógica e parábolas. Peço ao escritor que se lembre de que o homem que traduziu o Livro de Mórmon era um jovem com muito pouca escolaridade, e ainda assim ditou aquele livro em pouco mais de dois meses, e fez muito poucas correções, se é que fez alguma. Por mais de cem anos, alguns dos melhores estudiosos e eruditos do mundo têm tentado provar, a partir da Bíblia, que o Livro de Mórmon é fraudulento, mas nenhum deles conseguiu provar que qualquer coisa nele fosse contrária às escrituras, à Bíblia, à palavra de Deus. ¶
O propósito do Livro de Mórmon O Livro de Mórmon não apenas declara na página de rosto que seu propósito é convencer judeus e gentios de que Jesus é o Cristo, o Deus Eterno, mas essa verdade também é o cerne de sua mensagem. ¶
Em Terceiro Néfi está registrado que multidões de pessoas testificaram: "Nós o vimos, sentimos suas mãos e o seu lado, sabemos que ele é o Cristo. . . ." (Ver 3 Né. 11:14-15.) A organização da Igreja Joseph Smith empreendeu e realizou outras tarefas sobre-humanas. ¶
Entre elas, cito as seguintes: Ele organizou a Igreja. (Chamo a atenção para o fato de que nenhuma constituição efetuada pela engenhosidade humana sobreviveu cem anos sem modificação ou emenda, mesmo a Constituição dos Estados Unidos. A lei básica, ou constituição, da Igreja nunca foi alterada.) Ele empreendeu levar a mensagem do evangelho a todas as nações, o que é tarefa sobre-humana e ainda está em progresso com velocidade acelerada. Ele empreendeu, por mandamento divino, reunir milhares de pessoas em Sião. Instituiu a obra pelos mortos e construiu templos para esse propósito. Prometeu que certos sinais acompanhariam os crentes. Há dezenas de milhares de testemunhas que atestam que essa promessa se cumpriu. ¶
Joseph Smith, testemunha de Cristo Eu disse ao meu amigo: "Meu Lorde, não consigo compreender o senhor me dizer que minhas alegações são fantásticas. Nem consigo compreender por que cristãos que dizem crer em Cristo perseguiriam e matariam um homem cujo único propósito era provar a verdade das coisas que eles próprios ensinavam, a saber, que Jesus é o Cristo. Eu poderia compreender que o persiguissem se Joseph tivesse dito: 'Eu sou o Cristo,' ou se tivesse dito: 'Não há Cristo,' ou se tivesse dito que outra pessoa é o Cristo; então cristãos que creem em Cristo estariam justificados em se opor a ele. ¶
"Mas o que ele disse foi: 'Aquele em quem afirmais crer, eu vo-lo anuncio.' Parafraseando o que Paulo disse em Atenas: 'Aquele, pois, que vós honrais, não o conhecendo, vos anuncio.' (Atos 17:23.) Joseph disse aos cristãos de sua época: 'Vós afirmais crer em Jesus Cristo. Eu testifico que o vi e falei com ele. Ele é o Filho de Deus, o Redentor do mundo. ¶
Por que me perseguis por isso?' "Quando Joseph saiu do bosque onde teve essa visão, havia aprendido pelo menos quatro verdades fundamentais, e as anunciou ao mundo: primeira, que o Pai e o Filho são indivíduos separados e distintos; segunda, que o cânone das escrituras não está completo; terceira, que o homem foi realmente criado à imagem de Deus; e quarta, que o canal de comunicação entre a terra e o céu está aberto, e a revelação é contínua." ¶
"A maior mensagem desde a época de Cristo" ¶
O juiz sentou-se e escutou atentamente. ¶
Fez algumas perguntas bem pontuais e perscrutadoras, e ao final da entrevista disse: "Sr. Brown, pergunto-me se seu povo compreende a importância de sua mensagem. O senhor compreende?" ¶
Ele disse: "Se o que o senhor me contou é verdade, é a maior mensagem que veio à terra desde que os anjos anunciaram o nascimento de Cristo." ¶
Isso foi dito por um juiz culto, um grande estadista, um homem inteligente. ¶
Ele lançou o desafio: "O senhor compreende a importância do que diz?" E acrescentou: "Gostaria que fosse verdade. ¶
Espero que seja verdade. Deus sabe que deveria ser verdade. Eu gostaria a Deus," disse ele, com a voz trêmula, "que algum homem aparecesse na terra e dissesse com autoridade: 'Assim diz o Senhor.' " ¶
Como afirmei, não nos encontramos novamente. Mencionei muito brevemente algumas das razões pelas quais creio que Joseph Smith foi um profeta de Deus. ¶
Mas, alicerçando e transcendendo tudo isso, digo do fundo do meu coração que, pelas revelações do Espírito Santo, eu sei, e vós podeis saber, que Joseph Smith foi um profeta de Deus. Embora as evidências que mencionei, e muitas outras que poderiam ser citadas, possam ter o efeito de dar a alguém uma convicção intelectual, somente pelos sussurros do Espírito Santo é que alguém pode chegar a conhecer as coisas de Deus. ¶
Por meio desses sussurros, digo que sei que Joseph Smith é um profeta de Deus. Agradeço a Deus por esse conhecimento. Oro para que possais, em humildade, perguntar-lhe se é verdade, e prometo que ele responderá, e que sabereis, pelo calor em vosso coração, que o que disse esta manhã é a verdade eterna de Deus, à qual humildemente testifico em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶