A Ressurreição do Senhor Jesus Cristo
David O. McKay
". . . buscais Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram." (Marcos 16:6.) ¶
Meus queridos irmãos e irmãs, recomendo a todos o excelente sermão que acaba de ser proferido por um dos membros do Bispado Presidente da Igreja, o Bispo Simpson. Sinto-me grato e feliz por reunir-me convosco e adorar convosco nesta manhã, neste histórico edifício, numa conferência geral da Igreja. ¶
Estendo saudações e minhas bênçãos a vós e à nossa vasta audiência de membros e amigos que nos acompanham pelo rádio e pela televisão. É uma alegria e um privilégio estar associado convosco nesta grande obra dos últimos dias. ¶
A ressurreição do Senhor Jesus Cristo ¶
Ao ficar diante de vós para transmitir-vos uma mensagem sobre a ressurreição de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, oro pelas bênçãos do Senhor, para que ele me sustente e ilumine nossa mente para ver, e toque nosso coração para sentir mais profundamente do que meras palavras podem exprimir, o significado desta mensagem. ¶
Em toda a Cristandade estamos celebrando, nesta Páscoa, o maior acontecimento de toda a história — a ressurreição literal de Jesus Cristo. Por mais de quatro mil anos, o homem olhara para dentro da sepultura e vira apenas o fim da vida. De todos os milhões que ali haviam entrado, nenhuma pessoa jamais havia retornado como ser ressurreto e imortal. "Em toda a extensão da Terra, não havia uma única sepultura vazia. Nenhum coração humano acreditava; nenhuma voz humana declarava que existisse tal sepultura — uma sepultura roubada pelo poder de um Vencedor mais forte do que o grande inimigo do homem, a Morte." ¶
Foi, portanto, uma mensagem nova e gloriosa a que o anjo deu às mulheres que, com temor e amor, haviam se aproximado do sepulcro em que Jesus fora sepultado: ". . . buscais Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram." (Marcos 16:6.) ¶
O maior milagre ¶
Se um milagre é um acontecimento sobrenatural cujas forças antecedentes estão além da sabedoria finita do homem, então a ressurreição de Jesus Cristo é o milagre mais estupendo de todos os tempos. Nela se revelam a onipotência de Deus e a imortalidade do homem. ¶
A ressurreição é um milagre, porém, apenas no sentido de que está além da compreensão e do entendimento do homem. Para todos os que a aceitam como fato, ela é apenas a manifestação de uma lei uniforme da vida. Como o homem não compreende a lei, ele a chama de milagre. Há muitas pessoas que rejeitam a realidade da ressurreição de Jesus. Elas creem, ou professam crer, nos ensinamentos de Cristo, mas não creem no nascimento virginal, nem em sua ressurreição literal da sepultura; contudo, esse último fato foi o próprio alicerce da igreja cristã primitiva. Até mesmo alguns dos líderes religiosos da atualidade afirmam que Jesus está morto. ¶
Um dia, o esclarecimento do homem poderá trazer o momentoso acontecimento da ressurreição da penumbra do mistério para a plena luz do entendimento. ¶
Há pouco tempo, um cientista, ao falar diante de uma audiência universitária, disse: "O homem apenas começou a busca. Não consigo deixar de me maravilhar e reverenciar as obras do Universo ao meu redor. É difícil imaginar que isso simplesmente aconteceu sem a intervenção de um poder além da compreensão do homem. Quem quer que negue a existência de um poder além do conhecimento específico do homem carece da humildade e da objetividade necessárias, vitais para um bom trabalho científico." (Dr. Elie A. Shneour, citado em Church News, 12 de março de 1966.) ¶
Estabeleça-se como fato que Cristo de fato retomou seu corpo e apareceu como um ser glorificado e ressurreto, e ter-se-á respondido à pergunta dos séculos: "Morrendo o homem, porventura tornará a viver?" (Jó 14:14.) ¶
Os discípulos, testemunhas da ressurreição ¶
É uma certeza que a ressurreição literal de Cristo da sepultura era uma realidade para os discípulos que o conheciam intimamente. Em sua mente não havia absolutamente nenhuma dúvida. Eles eram testemunhas do fato; sabiam-no porque seus olhos viram, seus ouvidos ouviram, suas mãos sentiram a presença corpórea do Redentor ressuscitado. ¶
Pedro, o apóstolo principal, na ocasião em que os onze se reuniram para escolher alguém que ocupasse o lugar de Judas Iscariotes, disse: "É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, . . . um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição." (Atos 1:21-22.) ¶
Sempre me interessa estudar a respeito da classe de homens que cercavam os apóstolos naquela época, dentre os quais os apóstolos escolheram essa testemunha especial. ¶
Eram homens que tinham sido "testemunhas" da ressurreição. Somente alguém assim era considerado elegível e digno de ser escolhido como um dos Doze Apóstolos. ¶
Em outra ocasião, Pedro declarou perante seus inimigos, os próprios homens que haviam levado Jesus à morte na cruz: ¶
"Homens israelitas, escutai estas palavras. . . . ¶
Deus ressuscitou este Jesus, do que todos nós somos testemunhas." (Atos 2:22, 32.) Sobre o valor e o significado da proximidade e intimidade dos autores das epístolas, o escritor Beverly Nichols escreve: ¶
"[Eles] estavam, historicamente, ao alcance da voz de Cristo; ao menos quando suas ideias, que depois transmitiram ao papel, se formaram. Os ventos mal haviam tido tempo de apagar a marca sagrada de seus passos nas areias sobre as quais Ele caminhara. A chuva mal havia tido tempo de lavar, com suas lágrimas insensíveis, o sangue da madeira apodrecida da cruz abandonada. ¶
"Contudo, esses homens sabiam — não posso continuar usando a palavra 'crer', que é vaga e sem cor demais — que Deus descera à Terra na forma de certo homem, que esse homem enfrentara uma morte obscena e grotesca, e que o modo grotesco de sua morte redimira a humanidade do pecado. Sabiam, ademais, que Ele ressuscitara dos mortos ao terceiro dia e ascendera aos céus." ¶
(Beverly Nichols, The Fool Hath Said [Nova York: Doubleday, 1936], pp. 56-57.) A proximidade com o acontecimento confere maior valor ao testemunho dado pelos apóstolos. Um valor ainda mais profundo de seu testemunho reside no fato de que, com a morte de Jesus, os apóstolos foram tomados de desânimo e tristeza. Por dois anos e meio haviam sido sustentados e inspirados pela presença de Cristo. Mas agora ele se fora. Ficaram sozinhos, e pareciam confusos e desamparados. Não é com timidez, nem com sentimentos de dúvida, tristeza e desânimo que se leva um mundo cético a crer. Mentes vacilantes e desesperançadas, como as que os apóstolos tinham no dia da crucificação, jamais poderiam ter movido as pessoas a aceitar uma crença impopular e a morrer como mártires pela causa. ¶
Sustentados pela revelação. O que, então, mudou repentinamente esses discípulos, transformando-os em pregadores confiantes, destemidos e heroicos do evangelho de Jesus Cristo? Foi a revelação de que Cristo ressuscitara da sepultura. ¶
"Suas promessas haviam sido cumpridas, Sua missão messiânica realizada." ¶
Exorto todos os que me ouvem a considerar cuidadosamente os testemunhos dessas testemunhas oculares, conforme registrados no Novo Testamento, cuja honestidade não é posta em dúvida nem mesmo pela crítica cética. ¶
Que o espírito do homem passa triunfantemente pelos portais da morte para a vida eterna é uma das gloriosas mensagens dadas por Cristo, nosso Redentor. Para ele, esta carreira terrena não é mais que um dia, e seu encerramento não é mais que o pôr do sol da vida. A morte, apenas um sono, é seguida por um glorioso despertar na manhã de um reino eterno. Quando Maria e Marta viam o irmão apenas como um cadáver na tumba escura e silenciosa, Cristo o via ainda como um ser vivo. Expressou esse fato em duas palavras: ". . . Lázaro, o nosso amigo, dorme. . . ." (João 11:11.) Se todos os que participam dos cultos de Páscoa soubessem que o Cristo crucificado de fato ressuscitou ao terceiro dia — que, depois de saudar e conviver com outros no mundo espiritual, seu espírito voltou a reanimar seu corpo perfurado e, após permanecer entre os homens pelo espaço de quarenta dias, ascendeu como alma glorificada a seu Pai — que paz benigna viria às almas agora perturbadas pela dúvida e pela incerteza! ¶
A ressurreição, a consumação de sua missão terrena. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias permanece ao lado de Pedro, de Paulo, de Tiago e de todos os demais apóstolos primitivos que aceitaram a ressurreição não apenas como literalmente verdadeira, mas como a consumação da missão divina de Cristo na Terra. ¶
O Senhor ressurreto apareceu ao Profeta Joseph Smith. Mil e oitocentos anos depois de Jesus morrer na cruz, o Profeta Joseph Smith declarou que o Senhor ressurreto lhe apareceu, dizendo: "... vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" (Joseph Smith—História 1:17.) Mais tarde, falando da realidade dessa visão, ele testifica o seguinte: "... Tive realmente uma visão; eu sabia-o e sabia que Deus o sabia e não podia negá-la nem ousaria fazê-lo; pelo menos eu tinha consciência de que, se o fizesse, ofenderia a Deus e estaria sob condenação." (Joseph Smith—História 1:25.) Outras testemunhas modernas. Se o testemunho de Joseph Smith estivesse sozinho, ele seria, como o próprio Cristo disse de seu testemunho ao falar de si mesmo, de nenhum valor; mas Jesus tinha o testemunho de Deus e dos apóstolos. E Joseph Smith teve outras testemunhas cujos testemunhos não podem ser questionados. Três testemunhas corroboraram o testemunho de Joseph Smith, cuja veracidade lhes foi dada a conhecer pelo aparecimento do anjo Morôni. ¶
Confirmando o testemunho irrefutável dos primeiros apóstolos de Cristo, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias proclama a gloriosa visão do Profeta Joseph Smith: ¶
O testemunho: "Que ele vive!" ¶
"E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive! Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai — Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus." (D&C 76:22-24.) À luz de testemunhos tão inquestionáveis como os dados pelos antigos apóstolos — testemunhos que datam de poucos anos após o próprio acontecimento —, à luz dessa revelação maravilhosíssima nesta era do Cristo vivo, parece de fato difícil compreender como os homens ainda podem rejeitá-lo e duvidar da imortalidade do homem. ¶
A necessidade atual do mundo: fé inabalável em Cristo. Uma fé inabalável em Cristo é a necessidade mais importante do mundo hoje. É mais do que um mero sentimento. ¶
É um poder que se converte em ação e deveria ser, na vida humana, a mais básica de todas as forças motivadoras. ¶
Foi nesse sentido que um eminente médico, que havia pouco perdera a mãe, admoestou seus alunos a manterem sua fé. Disse ele: "Aqueles dentre vós que descartaram a fé viverão para lamentá-lo. ¶
Há momentos como este, em que se perde um ente querido pela morte, em que a ciência é totalmente inadequada. Recomendo-vos que penseis seriamente sobre esses assuntos. ¶
Eles proporcionam conforto e consolo que não podem ser obtidos de nenhuma outra maneira. Muitos descartaram a religião porque ela parece anticientífica. Creio que descobrireis, em última análise, que a fé é científica." ¶
A morte, tão natural quanto o nascimento. Não há motivo para temer a morte; ela é apenas um incidente na vida. É tão natural quanto o nascimento. Por que deveríamos temê-la? Alguns a temem porque pensam que é o fim da vida, e a vida muitas vezes é a coisa mais preciosa que temos. A vida eterna é a maior bênção do homem. ¶
Se tão somente os homens "fizessem a sua vontade", ¶
em vez de olhar desesperançadamente para a tumba escura e sombria, voltariam os olhos para o céu e saberiam que Cristo ressuscitou! ¶
Nenhum homem pode aceitar a ressurreição e ser coerente em sua crença sem aceitar também a existência de um Deus pessoal. Por meio da ressurreição, Cristo venceu a morte e se tornou uma alma imortal. "Senhor meu, e Deus meu!" (João 20:28) não foi uma exclamação vã de Tomé ao contemplar seu Senhor ressuscitado. Uma vez que aceitamos Cristo como divino, é fácil imaginar seu Pai como igualmente pessoal; pois, disse Jesus, ". . . quem me vê a mim vê o Pai. . . ." ¶
(João 14:9.) O Filho do Deus vivo. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias declara a todo o mundo que Cristo é o Filho de Deus, o Redentor do mundo! Nenhum verdadeiro seguidor se contenta em aceitá-lo apenas como um grande reformador, o mestre ideal, ou mesmo como o único homem perfeito. O Homem da Galileia é — não figurativamente, mas literalmente — o Filho do Deus vivo. ¶
A imortalidade do homem. Crer na ressurreição implica também crer na imortalidade do homem. Jesus passou por todas as experiências da mortalidade, assim como eu e vós. Conheceu a felicidade, experimentou a dor. Alegrou-se e entristeceu-se com os outros. Conheceu a amizade. Experimentou, também, a tristeza causada por traidores e falsos acusadores. Morreu uma morte mortal, assim como vós morrereis. ¶
Já que Cristo viveu depois da morte, assim também vivereis vós, e assim viverei eu, e assim viverá vosso filho soldado que dá a vida no campo de batalha. ¶
Jesus foi o único homem perfeito que já viveu. Ao ressuscitar dos mortos, venceu a morte e é agora o Senhor da Terra. Quão absolutamente fraco, quão extremamente tolo é aquele que rejeitaria deliberadamente o modo de vida de Cristo, especialmente à luz do fato de que tal rejeição conduz apenas à infelicidade, à miséria e até mesmo à morte! ¶
"Nascido de novo" ¶
Nenhum homem pode resolver sinceramente aplicar em sua vida diária os ensinamentos de Jesus de Nazaré sem perceber uma mudança em todo o seu ser. A expressão "nascido de novo" tem um significado mais profundo do que muitos lhe atribuem. Esse sentimento transformador pode ser indescritível, mas é real. ¶
Feliz é a pessoa que verdadeiramente sentiu o poder edificante e transformador que vem dessa proximidade com o Salvador, dessa afinidade com o Cristo vivo. Sou grato por saber que Cristo é meu Redentor. ¶
Ele é o primeiro passo para a paz eterna. Quando os cristãos de todo o mundo tiverem essa fé correndo em suas veias, quando sentirem em seu coração lealdade ao Cristo ressuscitado e aos princípios por ele implicados, a humanidade terá dado o primeiro grande passo rumo à paz perpétua pela qual diariamente oramos. Rejeitem-no, e o mundo se encherá de ódio e será encharcado de sangue por guerras recorrentes. ¶
Os membros da Igreja de Cristo têm a obrigação de fazer do Filho do Homem sem pecado seu ideal. Ele é o único ser perfeito que já caminhou sobre a Terra; o mais sublime exemplo de nobreza; divino em sua natureza; perfeito em seu amor; nosso Redentor; nosso Salvador; o Filho imaculado de nosso Pai Eterno; a Luz, a Vida, o Caminho. ¶
A mensagem da ressurreição. Assim como Cristo vive depois da morte, também viverão todos os homens, cada um ocupando no mundo vindouro o lugar para o qual estiver mais bem preparado. ¶
A mensagem da ressurreição, portanto, é a mais reconfortante, a mais gloriosa jamais dada ao homem, pois, quando a morte nos tira um ente querido, nosso coração entristecido é consolado pela esperança e pela certeza divina expressas nas palavras: "Ele não está aqui; ressuscitou!" ¶
Com toda a minha alma, sei que a morte foi vencida por Jesus Cristo, e, porque nosso Redentor vive, assim também viveremos nós. ¶
Dou-vos testemunho de que ele realmente vive. ¶
Eu o sei, e espero que saibais essa verdade divina. ¶
Que toda a humanidade tenha um dia essa fé, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶