Certa Noite Fiquei Acordado, Pensando Nos...
Spencer W. Kimball
Certa noite fiquei acordado, pensando nos problemas do dia. Durante toda a semana haviam desfilado por minha mesa pessoas — pessoas maravilhosas — algumas curvadas em pesar e angústia de alma; outras aprendendo o arrependimento por meio das penalidades da vida; algumas frustradas em seus transtornos matrimoniais, em suas aberrações morais, em seus reveses financeiros e em suas deficiências espirituais. ¶
Essas pessoas eram, no fundo, boas pessoas; mas, ao caminharem, tinham encontrado dificuldade em permanecer na via principal e haviam se desviado por caminhos laterais; haviam esquecido convênios e adiado a efetivação de suas boas resoluções. ¶
"Cunhas esquecidas" ¶
Veio-me à mente um artigo de Samuel T. Whitman intitulado "Forgotten Wedges" ("Cunhas Esquecidas"). Eu aprendera a usar cunhas quando era menino, no Arizona, sendo meu dever fornecer lenha para as muitas lareiras da casa grande. Permiti-me citar Whitman: ¶
"A tempestade de gelo não foi, de modo geral, destrutiva. É verdade que alguns fios caíram, e houve um súbito aumento de acidentes na estrada. Caminhar ao ar livre tornou-se desagradável e difícil. Era um tempo desagradável, mas não era grave. Normalmente, a grande nogueira poderia ter suportado com facilidade o peso que se formava em seus galhos espalhados. Foi a cunha de ferro em seu âmago que causou o dano. ¶
"A história da cunha de ferro começou anos atrás, quando o fazendeiro de cabelos brancos ¶
era um rapaz na propriedade de seu pai. A serraria havia sido mudada do vale havia pouco tempo, e os colonos ainda estavam encontrando ferramentas e peças de equipamento espalhadas por toda parte. . . . ¶
"Naquele dia em particular, era uma cunha de rachador — larga, chata e pesada, com um pé ou mais de comprimento, e alargada por marteladas poderosas. O caminho vindo do pasto do sul não passava pelo depósito de lenha; e, como já estava atrasado para o jantar, o rapaz colocou a cunha . . . ¶
entre os galhos da jovem nogueira que seu pai havia plantado perto do portão da frente. Ele levaria a cunha ao depósito logo depois do jantar, ou alguma vez em que passasse por ali. ¶
"Ele realmente pretendia fazê-lo, mas nunca o fez. Ela ali ficou entre os galhos, um pouco apertada, quando ele chegou à idade adulta. Ali estava, agora firmemente presa, quando ele se casou e assumiu a fazenda de seu pai. Já estava meio encoberta pelo crescimento no dia em que a equipe de debulha almoçou debaixo da árvore. . . . ¶
Crescida por dentro e cicatrizada, a cunha ainda estava na árvore no inverno em que veio a tempestade de gelo. ¶
"No silêncio gélido daquela noite invernal, com a neblina caindo como chuva e congelando onde caía, um dos três galhos principais se separou do tronco e caiu ao chão. Isso desequilibrou de tal forma o restante da copa que ela também se partiu e caiu. Quando a tempestade passou, não sobrou um único galho da árvore outrora orgulhosa. ¶
"Bem cedo na manhã seguinte, o fazendeiro saiu para lamentar sua perda. 'Não teria querido que isso acontecesse nem por mil dólares', disse ele. 'A árvore mais bonita do vale, aquela era.' Então, seus olhos avistaram algo nos destroços estilhaçados. 'A cunha', murmurou ele, censurando-se. ¶
'A cunha que encontrei no pasto do sul.' Um olhar lhe disse por que a árvore havia caído. Crescendo com a aresta para cima dentro do tronco, a cunha havia impedido que as fibras do galho se entrelaçassem como deveriam." ¶
Cunhas esquecidas! Fraquezas escondidas, encobertas pelo crescimento e invisíveis, esperando alguma noite de inverno para causar sua ruína. O que melhor simboliza a presença e o efeito do pecado em nossas vidas? ¶
Isso me traz à memória alguns versos que ouvi há muitos anos, intitulados: ¶
Jim Morreu Hoje Ali na esquina eu tenho um amigo, Nesta grande cidade que não tem fim; Mas os dias passam e as semanas correm, E antes que eu perceba, já se foi um ano. ¶
E eu nunca mais vejo o rosto de meu velho amigo; Pois a vida é uma corrida veloz e terrível. ¶
Ele sabe que gosto dele tanto quanto Nos dias em que eu tocava sua campainha E ele tocava a minha. Éramos mais jovens então E agora somos homens ocupados e cansados — Cansados de jogar o jogo tolo; Cansados de tentar fazer um nome; Amanhã, digo eu, ligarei para Jim, Só para mostrar que penso nele. ¶
Mas o amanhã chega e o amanhã se vai; E a distância entre nós cresce e cresce Ali na esquina! Mas a quilômetros de distância — Aqui está um telegrama, senhor — "Jim morreu hoje!" ¶
E é isso o que recebemos — e merecemos, no fim — Ali na esquina, um amigo desaparecido. ¶
A cunha de João E, ao pensar em Jim, pensei também em João, meu amigo de confiança. Ele era bem visto em sua comunidade, honrado em seus negócios, bondoso. Admitia francamente sua principal fraqueza. João era um fumante inveterado. Sempre pendia um cigarro entre seus lábios. Parecia fazer parte dele tanto quanto sua orelha, seu nariz ou seu dedo. ¶
Às vezes brincávamos sobre esse seu inseparável companheiro. Ele sempre ria e dizia: "Todos têm direito a uma fraqueza." E então, em momentos mais sóbrios, ficava pensativo e dizia: "Sei que é ruim, mas ele me tem preso como um polvo. Um dia hei de vencê-lo." Sim, algum dia! Mas os dias voaram, transformando-se em anos; seu cabelo foi rareando, sua compleição tornando-se mais pálida; e por fim veio uma tosse — uma pequena tosse seca. Isso nos preocupava, a nós que apreciávamos suas boas qualidades, mas pouco havia a fazer. ¶
Mudei-me para Utah e não o vi mais por muitos anos. O tempo calçou suas botas de corrida, e os anos se acumularam; e certo dia eu estava numa missão em Phoenix, quando um amigo comum, sabendo de minha afeição por João, disse: "Você sabia que ele está hospitalizado, morrendo de câncer de pulmão?" Deixando tudo, corri ao hospital, mas quase tarde demais. Ali ele jazia, apoiado em sua cama, respirando em arquejos irregulares e dolorosos. ¶
Fiquei feliz de que ele me reconheceu, mesmo que por aquele único momento. Seu sorriso forçado congelou. Sua luz se apagou. Ele certamente pretendera vencer o hábito, especialmente depois que a pesquisa científica confirmara a revelação do Senhor, mas seu senhor ditador decretou de outra forma. ¶
Ali ele havia jazido, com medo e sozinho, enfrentando o inevitável. O câncer era profundo demais, espalhado demais, arraigado demais. ¶
Estremeci ao vê-lo morrer, esse amigo de trinta anos. Ele poderia ter vivido ainda muitos anos em saúde e felicidade. E, ao ficar de pé, atônito e de cabeça baixa, lembrei-me de outra grande árvore que não pôde suportar a tempestade por causa de cunhas esquecidas, cunhas que lentamente conduziam à morte. Amanhã ele teria jogado fora seus cigarros, mas aquele amanhã recalcitrante, aquele amanhã procrastinador que supostamente nunca chega, estava ali. Nunca mais haveria outro cigarro. ¶
As cunhas se encarregaram disso. E então me vieram as palavras de Ralph Parlett: ¶
"Força e luta caminham juntas. A suprema recompensa da luta é a força. A vida é uma batalha, e a maior alegria é vencer. A busca das coisas fáceis torna os homens fracos. . . ." ¶
A cunha da garrafa Meus pensamentos se voltaram para um menininho de cabelos encaracolados no Arizona, que se sentava em meu colo há muitos anos. Seu sorriso era lindo e seu riso, contagiante. Cresceu e se tornou um belo homem, mas, ao passar pela adolescência, atirou descuidadamente uma garrafa nas forquilhas de sua nogueira. Em seus momentos de sobriedade, admitia que aquilo lhe fazia mal. Amanhã descartaria esse pequeno demônio, seu senhor. Sim, amanhã! ¶
Quando ele se casou, a cunha da garrafa ainda estava na árvore, e as fibras a envolviam. Com uma risada oca, ele desconversava e dizia que certamente poderia removê-la amanhã. ¶
A coisa maldita ainda estava ali quando vieram os filhos. Eles amavam aquele belo pai! No entanto, às vezes surgiam situações estranhas que não conseguiam entender. ¶
Mal podiam acreditar que aquele fosse seu pai, tão diferente ele era às vezes — cada vez mais frequentemente. ¶
Essa cunha da garrafa ainda estava ali quando os filhos entraram na adolescência. ¶
Ainda não conseguiam compreender como seu pai podia ser o Dr. Jekyll ontem e o Sr. Hyde hoje, tão maravilhoso quando sóbrio. A procrastinação e a cunha da garrafa foram se aprofundando cada vez mais em sua árvore e sendo por ela envolvidas. Ele quase havia chegado ao ponto sem retorno. ¶
Passaram-se os anos, e ele voltou a entrar em minha vida. Pediu-me emprestados dois dólares. No calor do momento, não percebi o que dois dólares comprariam e o quão desesperado alguém poderia estar por aquilo que dois dólares comprariam. Seu cabelo estava grisalho, seu corpo, gordo e desleixado, seus olhos, embotados, seu riso, oco. Seus filhos já estavam por conta própria. Um filho morrera numa taverna; outro se divorciara três vezes. Um dia o encontrei na sarjeta. A tempestade havia chegado; a cunha estava profundamente cravada. ¶
Ontem, com autocontrole, ele poderia ter derrotado seu inimigo e estar a caminho de tronos e exaltações, mas os ontens se transformaram em amanhãs. ¶
E, enquanto o ajudava a sair da sarjeta e, por um momento, a ficar de pé, entristeci-me e lembrei-me de cunhas — cunhas escondidas. ¶
E, ao vê-lo acorrentado e escravizado, veio-me à memória um parágrafo de um escritor moderno, o qual parafraseio: ¶
A história, que bocejava havia milhares de anos, moveu-se em seu leito coberto de pó, abriu os olhos e viu mais um filho de Deus tornar-se um escravo acorrentado. Suspirou, sentou-se, sacudiu o pó das páginas de seu volumoso livro, olhou para a longa lista de vítimas, virou uma nova página, tomou sua pena e a umedeceu, e escreveu mais um nome. ¶
"É uma velha história", disse ela, com cansaço e desespero, enquanto seus velhos ossos se moviam laboriosamente para registrar de novo. "Milhões seguiram por esta estrada através das eras do passado", disse ela, "privando cônjuges, negligenciando filhos, corrompendo vidas, destruindo caráter." ¶
Então ela protestou: "Por que nunca posso dormir? Por que devo continuar, registrando vidas distorcidas, civilizações corrompidas — os homens nunca aprenderão?" ¶
(Taylor Caldwell, The Earth Is the Lord's, p. 414.) Ali estavam cunhas de garrafa! As cunhas dos ventos e dos redemoinhos, árvores quebradas e abertas, esqueletos de árvores sem galhos. ¶
Bill E então me lembrei de Bill. A história dele também era triste. Seus começos foram promissores, sua criação, boa. ¶
Até mesmo sua vida familiar era melhor que a média, mas ele estava se cansando das restrições. ¶
Ele se alistaria nas forças armadas, onde poderia fazer o que quisesse. Um breve período de treinamento, e foi enviado ao exterior. Saigon era uma cidade fascinante, com seu grande rio, sua natureza exótica, seu povo estranho. ¶
Um dia ele afrouxou seu domínio, cedeu a um impulso, fez um contato que o lançou num mundo estranho para ele — um mundo de pecado. Seu treinamento veio em seu socorro e o levou de joelhos, em arrependimento. Mas a memória do homem é curta, e as sensações e exigências da carne são insistentes; e, com abandono, ele lançou sua cunha nas forquilhas de sua nogueira. Algum dia ele removeria a cunha e a guardaria onde pertencia. ¶
Sob a pressão de alguns colegas, começou a fumar e depois a beber, suas inibições sufocadas. Com sua cunha nas forquilhas de sua árvore, ele ficou desconfortável a princípio, e sua consciência doía, mas logo a cauterizou. ¶
Passaram-se muitos meses, e seu serviço militar se aproximava do fim. Numa das muitas ocasiões em que bebera demais, tirou do bolso um punhado de moedas e se gabou em voz alta: "Com essas moedas posso comprar todo tipo de pecado que existe." E, sem hesitar, prosseguiu para fazer sua compra. Fazia tempo que deixara de orar. Como poderia pedir as bênçãos do Senhor sobre seus atos pecaminosos, suas perversões e aberrações? Não faltava muito agora para que terminasse com esse negócio de guerra e voltasse à vida normal. Certamente removeria a cunha então. ¶
Ele de fato voltou para casa, mas, a essa altura, sua malícia já estava arraigada, seus hábitos de pensamento e ação profundamente incrustados, sua força de vontade demasiado fraca. ¶
As fibras haviam crescido por cima da cunha. ¶
Nada menos que uma grande cirurgia na árvore poderia removê-la agora. ¶
E então me lembrei da história do jovem fazendeiro que envelheceu e da nogueira que se partiu, e pensei outra vez: Cunhas esquecidas! Cunhas escondidas! E meu coração ficou pesado. ¶
Então me vieram as palavras de Horace Greeley: ¶
Autodomínio "A altura do sucesso de um homem é medida por seu autodomínio; a profundidade de seu fracasso, por seu autoabandono. ¶
Não há outra limitação em nenhuma das direções. E esta lei é a expressão da justiça eterna. ¶
"Aquele que não consegue estabelecer domínio sobre si mesmo não terá domínio sobre os outros; aquele que se domina a si mesmo será rei." ¶
Cunhas de conflitos Depois veio o casal do Texas. ¶
Em seus conflitos prolongados, no egoísmo e na obstinação, um vasto abismo se aprofundara entre eles. Seus parentes se afligiam por eles, seus líderes se esforçavam por eles, e seus filhos inocentes sofriam de frustração, rebeldia e delinquência por causa desses dois potenciais grandes almas. O belo amor de dezesseis anos atrás rapidamente se transformava em ódio; a confiança de longa data se tornava amargura; cada um estava determinado a reformar o outro. Argumentos, pressões, artimanhas e ameaças eram usados para dobrar a vontade um do outro. E, enquanto discutiam e fabricavam veneno em suas incriminações e recriminações mútuas, encolhiam-se, enrugavam-se e definhavam. ¶
O antigo grande cavalheiro se tornou um antagonista briguento; a antiga senhora encantadora se tornou uma megera. Duas pessoas egoístas se degeneraram em pigmeus mirrados. Suas cunhas já estavam havia muito na árvore. Algum dia ele a venceria. Algum dia ela venceria, justificando sua posição. ¶
Sim, amanhã corrigiriam seus erros, engoliriam seu orgulho, neutralizariam seu egoísmo e removeriam a cunha, mas ela já estava apertada nas forquilhas. ¶
Oh, como é cego o homem egoísta e centrado em si mesmo, com suas feias cunhas! ¶
Essas pessoas talvez nunca alcancem sua "carruagem do sol", como expressou Ralph Waldo Emerson: ¶
"Todo homem cuida para que seu vizinho não o engane. Mas chega um dia em que ele passa a se importar em não enganar seu vizinho. Então tudo vai bem. Ele transformou seu carrinho de mercado numa carruagem do sol." ¶
E Phillips Brooks se dirigiu àqueles que se permitem o ódio e a amargura: ¶
"Vós que deixais miseráveis desentendimentos se prolongarem ano após ano, com a intenção de esclarecê-los algum dia; vós que mantendes disputas infelizes vivas porque não conseguis decidir que agora é o dia de sacrificar vosso orgulho e acabar com elas; vós que passais taciturnamente por homens na rua, sem lhes falar por algum despeito tolo, e ainda assim sabeis que ficaríeis cheios de vergonha e remorso se soubésseis que um daqueles homens estará morto amanhã de manhã; vós que deixais vosso vizinho passar fome, até ouvirdes que ele está morrendo de inanição; ou deixais o coração de vosso amigo doer por uma palavra de apreço ou simpatia que pretendeis dar-lhe algum dia; se pudésseis apenas saber e ver e sentir, de repente, que 'o tempo é curto'. Como isso quebraria o feitiço! Como iríeis, imediatamente, fazer aquilo que talvez nunca mais tivésseis outra chance de fazer!" ¶
Poder de remover cunhas E então apliquei a história da cunha a outra área. Por mais de um século o evangelho vivo foi restaurado na terra, e dezenas de milhares de missionários proclamaram a milhões a verdadeira mensagem. ¶
Seus testemunhos tocaram muitos corações que disseram "sim", mas cujos lábios, com temores humanos, resistiram a aceitar o evangelho para seu bem-estar eterno. Estremeceram quando o Espírito Santo sussurrou a seus espíritos: "É verdadeiro — abraçai-o", e ainda assim pobres desculpas fizeram com que adiassem a ação. Numerosos são aqueles que, em todo o mundo, receberam o testemunho de que o evangelho é verdadeiro, mas adiaram o batismo. Grande número já ouviu falar da escritura adicional, o Livro de Mórmon, que contém a plenitude do evangelho, mas nunca absorveu suas verdades. Um milhão de exemplares dele encontraram seu caminho para um milhão de bibliotecas domésticas no ano passado, e outros milhões anteriormente, mas pessoas procrastinadoras deixaram de completar sua investigação e permaneceram distantes. "Amanhã eu o lerei", ¶
dizem eles; "outro dia convidarei os missionários para me ensinar." Mas o amanhã é um preguiçoso e avança arrastando os pés de chumbo, e a vida segue, e as tempestades chegam, e os galhos se partem, e as árvores caem, e a eternidade se aproxima, e nosso sincero chamado permanece ignorado. ¶
Percy Adams Hutchison (1878- ) deu este verso em seu "Swordless Christ" (Vicisti Galilee, primeira estrofe): ¶
"Ai, através dos anos, eis que ele cavalga, O humilde Cristo, sobre um jumento; Mas conquistando? Dez ouvirão o chamado, Uma multidão o verá passar sem atenção." ¶
E fiquei imaginando quantas dezenas de milhares ouviram sua voz, sentiram um íntimo aperto no coração, sentiram-se impelidos a segui-lo, mas hesitaram e procrastinaram. ¶
A procrastinação enraíza a cunha Quantos viram seu sorriso e ouviram seus sermões no monte, e se sentiram tocados no coração, mas pararam para comer, dormir, trabalhar e se divertir, e deixaram de atender? ¶
Muitos devem tê-lo esbarrado nas ruas estreitas de Jerusalém e se virado, olhando pela segunda vez para aquele em quem haviam tocado, mas seguiram seu caminho para as tarefas diárias e perderam sua oportunidade. ¶
Quantos ouviram a história dele caminhando sobre a água, mas estavam ocupados demais vendendo peixe no mercado ou pastoreando ovelhas para perguntar as razões vitais e sondar os poderes profundos? ¶
Quantos, ao vê-lo pendurado na cruz, viram apenas madeira, pregos, carne e sangue, e não fizeram esforço algum para penetrar nos propósitos e razões: como alguém poderia escolher morrer uma morte tão ignominiosa; como alguém poderia estar tão dominado no meio de uma dor tão excruciante; quais eram as razões por trás de tal tratamento; quais eram os propósitos profundos; quem era esse "autor da eterna salvação para todos os que lhe obedecem"? (Hebreus 5:9.) Quantos sentiram a comoção que surge nos peitos humanos quando a verdade os pressiona, mas eles são pressionados por pequenas urgências que os afastam de seu destino eterno? ¶
E então penso: Procrastinação — tu, ladra desprezível do tempo e da oportunidade! Quando os homens permanecerão fiéis a seus antigos anseios inspirados? ¶
Que tenham cuidado aqueles que adiam a eliminação dos maus hábitos e o fazer construtivo daquilo que deveriam fazer. ¶
"Algum dia entrarei para a Igreja", diz um. "Em breve deixarei de beber", ¶
diz outro. "Um dia não fumarei mais", prometem outros. "Algum dia estaremos prontos para nossos selamentos no templo", ¶
promete um casal de ação adiada. "Algum dia, quando se desculparem, perdoarei aqueles que me ofenderam", dizem almas pequenas. "Algum dia pagarei minhas dívidas." "Logo arranjaremos tempo para ter orações em família, e na próxima semana começaremos nossas noites familiares." "Começaremos a pagar o dízimo do nosso próximo pagamento." Amanhã — sim, amanhã. ¶
Cunhas de falhas e pecado E então citamos mais linhas de Whitman: ¶
"Orgulho, inveja, egoísmo, desonestidade, intemperança, dúvida, paixões secretas — quase inumeráveis, em variedade e grau, são as cunhas do pecado. E, infelizmente, ¶
são quase inumeráveis os homens e mulheres que hoje permitem que o pecado cresça no cerne de suas vidas. ¶
"A cunha está ali. Sabemos que está ali. Nós mesmos a colocamos ali um dia, quando estávamos apressados e descuidados. Ela não deveria estar ali, é claro. Está prejudicando a árvore. Mas estamos ocupados, então a deixamos ali; e, com o tempo, ela cresce e a esquecemos. ¶
Os anos passam rapidamente. Chega o inverno com suas tempestades e gelo. A vida que tanto prezávamos desaba na perda indescritível do desastre espiritual. ¶
Por anos depois que a cunha cresceu por cima, a árvore floresceu e não deu sinal de sua fraqueza interior. Assim é com o pecado. ¶
"Muitas casas belas em muitas ruas belas têm uma cunha de pecado dentro de sua elegância. E muitos homens que caminham pelas ruas com orgulho e arrogância de sucesso mundano são pecadores impenitentes diante de Deus. Contudo, a cunha está ali, e, no final de sua obra, há uma árvore caída, partida, estilhaçada e sem valor." ¶
Que o Senhor nos abençoe a todos, para que possamos reconhecer, lembrar e remover cedo todas as cunhas antes que causem sua devastação em nossas vidas, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶