Irmãos e Irmãs, Estou Diante de Vós...
Marion G. Romney
Irmãos e irmãs: Estou diante de vós hoje em profunda humildade. As palavras que pretendo proferir terão pouco significado a menos que sejam impressas em nossas almas pelo poder do Espírito Santo. ¶
Sinceramente vos convido a unirdes a mim em oração para que elas sejam assim impressas. ¶
Para Alcançar a Vida Eterna
O tema que tenho em mente discutir é "Tornar Seguros o Chamado e a Eleição". Para fazer isso, é preciso receber um testemunho divino de que se herdará a vida eterna. O objetivo supremo dos homens que entendem a Deus, seu relacionamento com ele e seus desígnios para eles é alcançar a vida eterna. É assim que deve ser, pois a vida eterna ". . . é o maior de todos os dons de Deus." (D&C 14:7.) Trazer os homens à vida eterna é a "obra e glória" de Deus. Para este fim, ele concebe, faz existir, dirige e usa todas as suas criações. (Moisés 1:38-39.) A vida eterna é a qualidade de vida que o próprio Deus desfruta. O plano do evangelho, elaborado pelo Pai e posto em operação pela expiação de Jesus Cristo, coloca a vida eterna ao alcance de todo homem. O Senhor deu esta garantia quando disse: ". . . se guardares meus mandamentos e perseverares até o fim, terás vida eterna, . . ." (D&C 14:7.) A plenitude da vida eterna não é alcançável na mortalidade, mas a paz que é sua precursora, e que vem como resultado de tornar seguros o chamado e a eleição, é alcançável nesta vida. ¶
O Senhor prometeu que ". . . aquele que pratica as obras da retidão receberá sua recompensa, sim, paz neste mundo e vida eterna no mundo vindouro." (Idem, 59:23.) Penso que a paz aqui referida está implícita na declaração do Profeta: "Vou como um cordeiro para o matadouro, mas estou calmo como uma manhã de verão. Tenho a consciência livre de ofensa para com Deus e para com todos os homens." (DHC, 6, 555.) Também penso que está implícita nesta declaração do falecido Apóstolo Alonzo A. Hinckley, que ele escreveu em uma carta à Primeira Presidência depois de ter sido informado por seu médico de que sua doença seria fatal: "Asseguro-vos que não estou profundamente perturbado com os resultados finais. Estou reconciliado e estendo minhas mãos para receber o que meu Pai tem para mim, seja vida ou morte. ¶
"Quanto ao futuro, não tenho receios. É convidativo e glorioso, e sinto com bastante clareza o que significa ser salvo pelo sangue redentor de Jesus Cristo e ser exaltado por seu poder e estar com ele para sempre." ¶
(The Deseret News Church Section, 27 de março de 1949, p. 24.) ¶
Tornai Seguros o Vosso Chamado e Eleição
Agora venho diretamente ao meu tema: ¶
Tomo meu texto da Segunda Epístola de Pedro, e, como ele fez, dirijo minhas palavras ". . . aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa. . . ." (2 Ped. 1:1.) Pedro, tendo feito os santos lembrarem-se dos fundamentos do evangelho, exortou-os a ". . . procurar fazer cada vez mais firmes a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isso, nunca jamais tropeçareis." (Idem, 1:10.) Ao tornarem seguros seu chamado e eleição, os santos alcançariam entrada ". . . no eterno reino de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." ¶
A este fato Pedro deu poderoso testemunho. Ele relembrou sua experiência no Monte da Transfiguração com Tiago e João, onde, diz ele, ouviram a voz de ". . . Deus Pai . . ." declarar de Jesus: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." Então, a título de instrução de que tal experiência não tornava, por si só, seguros o chamado e a eleição de alguém, ele acrescentou: "Temos muito firme a palavra dos profetas; . . ." (Idem, 1:11, 17, 19.) ¶
A Firme Palavra de Profecia
Falando no domingo, dia 14 de maio de 1843, o Profeta Joseph Smith tomou esta declaração de Pedro como seu texto. ¶
Do sermão do Profeta cito: ¶
"Não obstante o apóstolo os exorte a acrescentarem à sua fé a virtude, o conhecimento, a temperança etc., ele também os exorta a tornarem seguros o seu chamado e eleição. E ainda que tivessem ouvido uma voz audível do céu testificando que Jesus era o Filho de Deus, ele diz que temos uma palavra de profecia mais firme. . . . Ora, em que poderiam eles ter uma palavra de profecia mais firme do que ouvir a voz de Deus dizendo: Este é meu Filho amado, etc." Respondendo à sua própria pergunta, o Profeta continuou: "Embora pudessem ouvir a voz de Deus e saber que Jesus era o Filho de Deus, isso não seria evidência de que sua eleição e chamado estavam tornados seguros, de que tinham parte com Cristo e eram co-herdeiros com Ele. ¶
Eles então quereriam aquela palavra de profecia mais firme, de que estavam selados nos céus e tinham a promessa de vida eterna no reino de Deus. Então, tendo essa promessa selada para eles, era uma âncora para a alma, segura e firme. Ainda que os trovões rugissem e os relâmpagos fulgurassem, e os terremotos bramissem, e a guerra se ajuntasse densa ao redor, ainda assim essa esperança e conhecimento sustentariam a alma em toda hora de provação, aflição e tribulação." ¶
Então, falando diretamente a seus ouvintes, o Profeta continuou: ¶
". . . eu vos exortaria a prosseguirdes e continuardes a invocar Deus até tornardes seguros o vosso chamado e eleição, por meio da obtenção desta palavra de profecia mais firme, . . ." ¶
(DHC, 5, 388-389.) Uma semana depois, em 21 de maio de 1843, o Profeta pregou outro sermão sobre o mesmo texto, do qual cito: ¶
"Não temos reivindicação em nosso pacto eterno, com relação às coisas eternas, a menos que nossas ações e contratos e todas as coisas tendam a este fim. Mas depois de tudo isso, tendes de tornar seguros o vosso chamado e eleição. Se este preceito recaía fortemente sobre aqueles a quem foi dito," disse ele, "quanto mais sobre os da presente geração!" E então, em conclusão: "Uma coisa é estar no monte e ouvir a excelente voz etc., etc., e outra é ouvir a voz declarar-vos: Tens parte e porção naquele reino." (Idem, 5, 403.) Estes dois sermões foram proferidos pelo Profeta apenas treze meses antes de seu martírio. Quatro anos antes, contudo, ele instruíra assim os Doze: "Depois que uma pessoa tem fé em Cristo, arrepende-se de seus pecados e é batizada para a remissão de seus pecados e recebe o Espírito Santo (pela imposição das mãos), que é o primeiro Consolador, então deixai-a continuar a humilhar-se diante de Deus, tendo fome e sede de retidão, e vivendo por toda palavra de Deus, e o Senhor logo lhe dirá: Filho, serás exaltado. Quando o Senhor o tiver plenamente provado, e verificar que o homem está determinado a servi-lo em qualquer circunstância, então o homem achará seu chamado e sua eleição tornados seguros, então será seu privilégio receber o outro Consolador, que o Senhor prometeu aos santos, como está registrado no testemunho de São João, no décimo quarto capítulo, . . ." (Idem, 3, 380.) Na 88ª seção da Doutrina e Convênios está registrada uma revelação em que o Senhor, dirigindo-se a alguns dos primeiros santos em Ohio, disse: ". . . agora vos envio outro Consolador, sim, a vós, meus amigos, para que habite em vosso coração, sim, o Santo Espírito da promessa; esse outro Consolador é o mesmo que prometi a meus discípulos, como registrado no testemunho de João. ¶
A Promessa da Vida Eterna
"Esse Consolador é a promessa de vida eterna que vos faço, sim, a glória do reino celestial;" (D&C 88:3-4.) Creio que todo santo dos últimos dias fiel ". . . quereria aquela palavra de profecia mais firme, de que estava selado nos céus e tinha a promessa de vida eterna no reino de Deus." (DHC, 5, 388.) Ao ler os registros sagrados, encontro registradas experiências de homens em todas as dispensações que tiveram essa segura âncora para suas almas, essa paz em seus corações. ¶
Enos, neto de Leí, tanto teve fome de retidão que clamou ao Senhor até que ". . . uma voz [lhe] chegou . . . dizendo: Enos, perdoados são os teus pecados e tu serás abençoado." Anos depois ele revelou a natureza dessa bênção prometida quando escreveu: ¶
". . . logo irei para o lugar de meu descanso, que é com meu Redentor, pois sei que nele descansarei. E regozijo-me no dia em que meu corpo mortal revestir-se de imortalidade e apresentar-se diante dele; então verei a sua face com prazer e ele me dirá: Vem a mim, ó bendito; há um lugar preparado para ti nas mansões de meu Pai." (Enos 5, 27.) A Alma o Senhor disse: "Tu és meu servo; e faço convênio contigo de que terás vida eterna; . . ." ¶
(Mosias 26:20.) A seus doze discípulos nefitas o Mestre disse: "O que desejais de mim depois que eu for para o Pai? ¶
"E com exceção de três, todos os outros responderam, dizendo: Desejamos que depois de havermos vivido até a idade do homem, que o ministério para o qual nos chamaste tenha um fim, para que possamos ir logo para junto de ti em teu reino. ¶
"E disse-lhes ele: Bem-aventurados sois por haverdes desejado isto de mim; portanto, quando atingirdes a idade de setenta e dois anos, vireis a mim em meu reino; e comigo achareis descanso." (3 Néfi 28:1-3.) Enquanto Morôni trabalhava em solidão, abreviando o registro dos jareditas, ele recebeu do Senhor esta reconfortante garantia: ". . . tens sido fiel; portanto, tuas vestes se tornarão limpas. E porque viste a tua fraqueza, serás fortalecido até que te sentes no lugar que preparei nas mansões de meu Pai." (Éter 12:37.) Paulo, em sua segunda epístola a Timóteo, escreveu: ". . . eu já estou sendo oferecido como libação, e o tempo da minha partida está próximo. ¶
"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé: ¶
"Desde agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; . . ." (2 Tim. 4:6-8.) Nesta dispensação muitos receberam garantias semelhantes. Na primavera de 1839, enquanto o Profeta Joseph e seus associados definhavam na Cadeia de Liberty, Heber C. Kimball trabalhava contra grandes probabilidades, cuidando dos santos e esforçando-se para libertar os irmãos. No dia 6 de abril ele escreveu: ¶
"Minha família tendo partido havia cerca de dois meses, durante os quais nada soube deles; nossos irmãos estando na prisão; morte e destruição nos seguindo por toda parte aonde íamos; senti-me muito triste e solitário. As seguintes palavras vieram-me à mente, e o Espírito me disse: 'escreve', o que fiz, tomando um pedaço de papel e escrevendo sobre meu joelho o seguinte: . . ." ¶
Foi isto que ele escreveu, ditado pelo Senhor: ¶
"Em verdade digo a meu servo Heber, tu és meu filho, em quem me comprazo; pois cuidas em dar ouvidos às minhas palavras, e não transgredir minha lei, nem rebelar-te contra meu servo Joseph Smith, pois tens respeito às palavras de meu ungido, desde o menor até o maior deles; portanto teu nome está escrito no céu, para nunca mais ser apagado. . . ." ¶
(Orson F. Whitney, Life of Heber C. ¶
Kimball, ed. 1888, p. 253. Itálico acrescentado.) Ao Profeta Joseph Smith o Senhor disse: ". . . sou o Senhor teu Deus e estarei contigo até o fim do mundo, e por toda a eternidade; pois em verdade selo sobre ti tua exaltação, e preparo-te um trono no reino de meu Pai, com Abraão, teu pai." (D&C 132:49. Itálico acrescentado.) Agora, em conclusão, dou-vos meu próprio testemunho. Sei que Deus nosso Pai vive, que somos, como disse Paulo, sua prole. Sei que habitávamos em sua presença na pré-existência e que continuaremos a viver além da sepultura. Sei que podemos retornar à sua presença, se cumprirmos suas condições. ¶
Sei que, enquanto estamos aqui na mortalidade, há um meio de comunicação entre ele e nós. Sei que é possível aos homens viver de tal maneira que possam ouvir sua voz e conhecer suas palavras, e que receber "o Santo Espírito da promessa" aqui na mortalidade é possível. E assim, nas palavras do Profeta Joseph, ". . . eu . . . ¶
vos exorto a prosseguirdes e continuardes a invocar Deus até que [pela palavra de profecia mais firme] tornardes seguros o vosso chamado e eleição, . . ." (DHC, 5, 389.) Em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶