Meus Queridos Irmãos e Irmãs e Amigos...
Victor L. Brown
Meus queridos irmãos e irmãs e amigos, agradeço a oportunidade de estar convosco nesta linda tarde, neste histórico edifício localizado no vale das montanhas. Sou grato pela bênção de viver nesta terra, onde podemos adorar em liberdade. ¶
Essa gratidão é mais significativa hoje por causa de uma breve visita que fiz há algumas semanas por trás da cortina de ferro, onde a polícia do Estado determina quem adorará, onde e quando. ¶
Sou grato além de qualquer expressão pela bênção que tive nos últimos quatro anos de conviver com esses grandes homens, as Autoridades Gerais da Igreja. Minha constante oração é que eu não os decepcione, nem a meu Pai celestial, ao procurar cumprir minhas responsabilidades. ¶
A Moral da Juventude
Um artigo publicado há algum tempo na Town and Country foi condensado para a Reader's Digest. Intitulava-se "O que os Pais Pensam a Respeito da Moral nos Campi Universitários". Se contei corretamente, havia doze respostas publicadas. Representavam muitas regiões diferentes do país. Interessei-me pela reação dos pais à pesquisa anterior mencionada nesse artigo, que relatava uma quebra na moral em muitos campi por toda a nação. Das doze respostas representativas, a maioria dos pais parecia sentir a necessidade de mudança. Todos sentiam uma necessidade urgente de melhor disciplina por parte das faculdades e universidades. Apenas dois mencionaram que os pais tinham alguma responsabilidade nesse problema. Os demais pareciam considerar que a responsabilidade era das escolas. ¶
Algumas semanas atrás, uma notícia relatava o ataque brutal de um grupo de rapazes adolescentes, ditos superprivilegiados, contra uma jovem, e depois os esforços de um dos pais, que por acaso era um proeminente homem de negócios na cidade, para evitar qualquer processo contra o filho, com a afirmação de que os rapazes às vezes precisam extravasar. ¶
Certa noite, à mesa de jantar, um de meus filhos quis sair para participar de outra atividade. ¶
Ele não tinha terminado bem sua salada. Eu lhe disse que, assim que terminasse a salada, poderia se retirar. ¶
Minha atenção se desviou por um ou dois momentos, e lá se foi ele. ¶
Quando o chamei, ele me garantiu que tinha terminado a salada. ¶
Ao ajudar a tirar a mesa, retirei a tampa do triturador de lixo, e ali diante de meus olhos estavam os dois pedaços de tomate que deveriam ter sido comidos. Seguiu-se uma conversa. Ele sabe que não me esqueci do incidente, mas creio que ele se esqueceu de que ainda precisa receber o castigo. ¶
Responsabilidade pela Correção
Depois de nossa conversa, ouvi-o comentar com a irmã: "Tudo isso por apenas dois pedacinhos velhos de tomate." ¶
Cito esses três incidentes porque creio que têm algo em comum. Neles há um fio de fraqueza que, para mim, é um dos problemas mais insidiosos que enfrentamos hoje, e este é a falha de nossa parte em estarmos dispostos a assumir plena responsabilidade por nossos próprios atos. ¶
No primeiro caso, os pais aparentemente sentiam que a instituição educacional tinha a responsabilidade de disciplinar os estudantes, e isso é como deveria ser. Mas mais importante é a pergunta: "Que responsabilidades tiveram os pais em criar os filhos, em ensinar-lhes os padrões corretos, incutindo-lhes um senso de autodisciplina, inspirando-os a ter coragem para enfrentar as consequências de seus próprios atos?" ¶
Responsabilidade dos Pais
Se os pais tivessem assumido sua responsabilidade, o problema da escola teria sido infinitamente mais fácil. Com demasiada frequência, os pais esperam que outros cumpram responsabilidades que legitimamente pertencem aos pais. Às vezes até usam atividades valiosas, como a Igreja ou o trabalho cívico, como desculpa para se eximirem de algumas de suas responsabilidades no lar. Muitos pais culpam outros pelos problemas que seus filhos enfrentam, quando na realidade a responsabilidade básica está à sua própria porta. Até que nós, como pais, aceitemos plena responsabilidade de treinar nossos filhos para serem honestos, para serem morais, para exercerem autodisciplina, para terem integridade e outras virtudes básicas, não podemos dizer que assumimos plenamente nossa responsabilidade. ¶
No segundo caso, vemos um pai indulgente em seu pior momento, tentando proteger seu filho de enfrentar as consequências de um crime ilegal e hediondo, desculpando-o ao dizer: "Rapazes serão sempre rapazes." ¶
Não importa qual tenha sido a motivação do pai, ao deixar de ensinar a seu filho que ele deve responder por seus atos, está lhe fazendo um terrível desserviço. Qual será a próxima ofensa do filho? E será que o pai tentará culpar outra pessoa quando sua desculpa, "rapazes serão sempre rapazes", já não fizer sentido algum? ¶
A menos que este pai ensine a seu filho que ele, o filho, deve responder por seus atos, não importando as consequências, ele fracassará como pai. ¶
Por fim, o terceiro caso. Seria tão fácil descartar esse incidente como apenas mais uma ocorrência infantil. ¶
Eram apenas dois pedacinhos velhos de tomate envolvidos. Por alguma razão, não consegui ver dessa forma. Para mim, se este maravilhoso menino, a quem amo muito, não for ensinado que ele não pode ser apenas parcialmente honesto, que ele ou é uma pessoa honesta ou não é, se não lhe for ensinado que, nas pequenas coisas, ele precisa enfrentar as consequências e responder por seus atos, como poderá saber mais tarde, na vida, que deve responder por seus atos quando estiverem envolvidas coisas mais sérias? ¶
Responsabilidade dos Filhos
Este é, então, o desafio! Que grande desafio ele é — não apenas estarmos dispostos a responder por nossos próprios atos, mas ensinarmos nossos filhos a estarem dispostos e a terem coragem de responder pelos seus. Muitos dos males que afligem o mundo hoje podem ser atribuídos a essa fraqueza. ¶
Muitas pessoas hoje estão empurrando a responsabilidade adiante, não dispostas a assumir sua própria responsabilidade. ¶
Se nós, como pais, ensinarmos nossos filhos a terem senso de responsabilidade, disposição para responder por seus atos, seremos uma bênção para eles, e eles, por sua vez, serão uma bênção e um deleite para todos com quem convivam. ¶
Sou grato por minhas responsabilidades como pai. Sou grato por minhas responsabilidades na Igreja. Sei que é verdade. Sei, sem sombra de dúvida, que Deus vive, que Jesus Cristo deu a vida para que pudéssemos viver. ¶
Sei que Deus tem hoje um porta-voz na Terra, na pessoa de David O. McKay. ¶
Humildemente oro, meus irmãos e irmãs, para que todos os pais sintam sua responsabilidade para com os filhos, e que carreguem essa responsabilidade de maneira agradável e aceitável a nosso Pai celestial, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶