Pulpit

My Beloved Brothers And Sisters And Friends...

Spencer W. Kimball

Conferência Geral de Abril de 1965·Segundo Dia (Segunda-feira, 5 de Abril) — Reunião da Tarde·1965-04-05

Meus amados irmãos, irmãs e amigos: Desde o impressionante discurso-chave do Presidente McKay, quase todos os oradores têm-se detido, total ou parcialmente, no lar e no comportamento humano, apesar de ninguém saber o que os outros estavam dizendo. Isso me indica que há um grande problema universal e que o Senhor está inspirando seus servos a advertir o mundo antes que o vendaval se abata.

Estávamos dirigindo para o norte por uma rodovia de Oklahoma e notamos o sol da tarde desaparecendo atrás das nuvens. A cinza foi ficando mais profunda e mais ameaçadora. Dissemos: "Parece que está se formando uma tempestade." À medida que a escuridão aumentava e os ventos começavam a uivar, dissemos: "Esta tempestade será violenta."

Quando ela desabou com toda a sua fúria infernal, dissemos: "Esta chuva e este vento se tornaram um vendaval enfurecido."

Tempos Turbulentos Estes são tempos turbulentos. Os jornais dão manchete a atos de violência cada vez mais numerosos, e as revistas dedicam páginas à ameaça crescente.

Tais histórias são repugnantes em sua mundanidade e devassidão — lembrando-nos de que haverá um dia de acerto de contas, como disse o profeta:

"Se meu povo semear imundície, colherá a palha no vendaval; . . ." (Mosias 7:30.) A insubordinação reina. Os estudantes rebelam-se contra restrições e limitações, exigindo as chamadas liberdades no sexo e na vida social. Os jovens, aparentemente sem medo dos agentes da lei, da opinião pública ou do castigo, agem desenfreadamente. Parece haver um aumento cada vez maior da rebeldia entre adultos e jovens. O vandalismo continua em desafio aberto às autoridades, com atos de violência cada vez mais numerosos.

O Profeta Néfi previu estes últimos dias e fez algumas predições notáveis:

"Pois eis que nesse dia ele [Satanás] se enfurecerá no coração dos filhos dos homens e incitá-los-á a irarem-se contra o que é bom.

". . . e assim o diabo engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno." (2 Néfi 28:20–21.) Então ele adverte: ". . . ai de todos os que tremem e estão irados por causa da verdade de Deus!" (Idem, 28:28.) Pode Ser Detido Pode isso ser detido? Podemos deter a maré e trazer de volta o decoro e a ordem, tirando-os do caos? A resposta é sim — um sim positivo e retumbante. Mas a solução não é fácil. Se pudesse ser resolvida com dinheiro, o povo se taxaria a si mesmo para contê-la. Se instituições penais ou correcionais bastassem, um grande programa de construção seria iniciado.

Se mais assistentes sociais pudessem prevalecer, as universidades acrescentariam cursos de serviço social. Se tribunais e juízes, advogados e policiais, prisões e penitenciárias pudessem deter o avanço da delinquência, tais instituições estariam espalhadas por toda a terra. Mas essas não são curas para o mal. Elas apenas o disfarçam temporariamente e não produzem cura permanente.

O Senhor nos deu um plano tão simples, tão isento de custo. Ele requer uma mudança de atitudes e uma transformação de vidas. Mas a resposta sempre esteve aqui, embora ignorada pelas massas, porque requer aquele sacrifício e dedicação que os homens relutam em dar.

As escrituras delineiam este programa eficaz:

"Portanto, deixará o homem seu pai e sua mãe e apegar-se-á a sua mulher; e eles serão uma carne." (Abr. 5:18.) ". . . não cobices a mulher de teu próximo; nem procures tirar a vida de teu próximo."

(D&C 19:25.) ". . . a cumprir todas as obrigações familiares."

(Idem, 20:47.) Criai vossos filhos ". . . na doutrina e admoestação do Senhor."

(Ef. 6:4.) Em 1833 o Senhor advertiu por meio de seu profeta:

"E vem o ser maligno e tira a luz e a verdade dos filhos dos homens pela desobediência e por causa da tradição de seus pais." (D&C 93:39.) E então ele ofereceu a solução:

"Eu, porém, ordenei que criásseis vossos filhos em luz e verdade."

(Idem, 93:40.) O espírito da época é a mundanidade.

A arruaça está em pé de guerra. Jovens supostamente bons, de famílias reconhecidamente boas, expressam sua revolta em atos destrutivos. Muitos desafiam e resistem aos agentes da lei. O respeito pela autoridade — secular, religiosa, política — parece estar em baixa. A imoralidade, o vício em drogas, a deterioração moral e espiritual geral parecem estar aumentando, e o mundo está em tumulto.

Mas o Senhor ofereceu um programa antigo em nova roupagem, e ele promete devolver ao mundo uma vida sadia, uma verdadeira vida familiar, uma interdependência familiar. Trata-se de devolver ao pai seu lugar de direito à frente da família, de trazer a mãe de volta ao lar, afastando-a da vida social e do emprego, e trazer os filhos de volta, afastando-os de uma diversão e folia quase totais.

O Programa de Ensino no Lar, tendo por atividade coroadora a Noite Familiar, neutralizará os efeitos nocivos se as pessoas tão somente aplicarem o remédio.

Um antigo profeta americano disse:

"Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais, recebi, portanto, alguma instrução em todo o conhecimento de meu pai; . . . sim, havendo adquirido um grande conhecimento da bondade e dos mistérios de Deus, faço, por isso, um registro . . . ." (1 Néfi 1:1.) Este jovem historiador era grande em estatura, grande em entendimento, grande em desejo, e poderoso em poder e retidão.

Seu grande desejo era conhecer a vontade de Deus, o propósito da vida, e persuadir os homens a virem a Cristo.

Ele declarou:

"... acreditei em todas as palavras que meu pai dissera; . . ." (Idem, 2:16.)

Pais Respeitados

No plano divino, toda alma recebeu um pai cuja responsabilidade não é apenas gerar e prover as necessidades da vida, mas também formá-la para a mortalidade e a vida eterna.

Sem dúvida Saria cooperou com Leí, mas foi o pai quem reuniu sua família para ensinar-lhe a retidão.

O ensino dos filhos pelos pais é fundamental desde o princípio.

O Senhor assim o ordenou.

Embora Enos tenha se desviado por algum tempo, os ensinamentos de seu pai prevaleceram, e ele retornou à dignidade.

Enos inicia sua parte do registro da seguinte forma:

". . . eu, Enos, sabia que meu pai era um homem justo — pois instruiu-me ... nos preceitos e na admoestação do Senhor — e bendito seja o nome de meu Deus por isso — "E relatar-vos-ei a luta que travei perante Deus antes de receber a remissão de meus pecados.

"Eis que saí para caçar animais nas florestas; e as palavras que frequentemente ouvira de meu pai sobre a vida eterna e a alegria dos santos penetraram-me profundamente o coração."

(Enos 1–3.) É evidente que Enos recebeu sua maior inspiração e formação de seu próprio pai fiel. E os ensinamentos a respeito da vida eterna eram frequentes e poderosos.

Ele ficou profundamente impressionado, pois disse que esses ensinamentos de seu próprio pai penetraram-lhe o coração — tão profunda, tão impressionantemente, que agora, ao sentir o peso da convicção de seus erros, estava disposto a pagar um alto preço pelo perdão.

A súplica de Enos é escrita com a pena da angústia e sobre o papel da fé, com a disposição de prostrar-se totalmente para receber o perdão. Suas palavras são poderosas e definitivas. Ele poderia ter dito apenas: "Eu queria informação."

Mas ele disse: ". . . minha alma ficou faminta.

. . ." (Idem, 4.) Ele poderia simplesmente ter orado ao Senhor como tantos oram, mas, em seu anseio pelo perdão, disse: "... ajoelhei-me ante o meu Criador e clamei-lhe, em fervorosa oração e súplica, por minha própria alma; . . ." (Idem.) Quão impressionantes são suas palavras! "Fervorosa oração e súplica" não é a oração comum. As agonias do Senhor no Getsêmani, tão longas, tão fervorosas, foram orações fervorosas.

Enos derramou em lágrimas suas súplicas "E . . . disse: Senhor, como isso aconteceu?" (Idem, 7.) E a resposta veio: ". . . Por causa da tua fé em Cristo, a quem nunca ouviste nem viste antes. E muitos anos hão de passar antes que ele se manifeste na carne; . . ."

(Idem, 8.) Que fé! E qual foi a origem dessa grande certeza senão o lar e os pais?

Programas de Noite Familiar

Isso era, de certo modo, comparável às noites familiares. Ele disse:

"... frequentemente ouvira de meu pai falar sobre a vida eterna e a alegria dos santos. . . ." (Idem, 3.) Neste programa inspirado, os pais, e especialmente o pai, ensinarão os filhos. E ele está ao alcance das pessoas de todo o mundo, seja qual for a igreja a que pertençam. Proporciona uma reunião formal, um programa planejado e um ensino constante do evangelho de Cristo, com a participação dos filhos e dos pais na leitura das escrituras e no programa.

Cada filho tem suas próprias escrituras. Os ensinamentos das organizações podem complementar o ensino no lar.

As escrituras indicam que Jacó pode ter tido o equivalente às noites familiares, pois está registrado:

"Então disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos . . . e purificai-vos, e mudai as vossas vestes:"

(Gên. 35:2.) O Rei Benjamim, de sua plataforma elevada, apelou aos pais: "E não permitireis que vossos filhos andem famintos ou desnudos; nem permitireis que transgridam as leis de Deus e briguem e disputem entre si e sirvam ao diabo, que é o mestre do pecado, . . .

"Ensiná-los-eis, porém, a andarem nos caminhos da verdade e da sobriedade; ensiná-los-eis a amarem-se uns aos outros e a servirem-se uns aos outros." (Mosias 4:14–15.) Isaías segue com um apelo, um mandamento e uma promessa:

"E todos os teus filhos serão ensinados do Senhor; e a paz de teus filhos será abundante." (Isa. 54:13.) No mandamento de Moisés aos peregrinos certamente havia os elementos do ensino no lar.

"E estas palavras . . . estarão no teu coração:

"E as ensinarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te." (Deut. 6:6-[illegible].)

"Ponde o pai de volta à frente da família"

Certamente aqui havia adoração familiar.

Então me lembrei do enérgico discurso do Presidente Stephen L. Richards, há vários anos, quando ele conclamou todos os homens a voltarem para casa e assumirem seu lugar de direito como cabeça da família.

Permiti-me citar seu eloquente sermão: "Cupins estão permeando o alicerce do reino — os lares do povo — ainda mais destrutivos e evasivos do que aqueles pequenos animais semimicroscópicos que destroem nossas paredes." (Conferência geral de abril de 1958; The Improvement Era 61:

409.) Ele citou um artigo de revista então atual, no qual o eminente juiz-autor apresentava uma cura de nove palavras para a delinquência juvenil. Tendo sido, por vinte e um anos de sua vida, advogado criminalista, e por dezesseis anos juiz no tribunal criminal, ele era uma autoridade reconhecida. As desafiadoras nove palavras eram:

"Ponde o pai de volta à frente da família." Ah! Este é o alicerce da verdadeira vida familiar. O artigo revelou que os delinquentes criminosos com menos de dezoito anos de idade, na Itália, na França, na Bélgica, na Alemanha e na Grã-Bretanha, eram responsáveis por 2% a 16% dos crimes sexuais, comparados a 35% nos Estados Unidos.

O juiz concluiu que a razão primordial das porcentagens reduzidas de delinquência juvenil nos países europeus era o respeito à autoridade, especialmente à autoridade no lar, que normalmente repousa no pai como cabeça da família. (Conferência geral de abril de 1958.) O Presidente Richards explicou os conceitos de lar, paternidade e maternidade, e declarou que esta Igreja sempre ensinou esse elevado conceito de colocar e manter o pai à frente. É lamentável que ele não tenha vivido para ver esta Igreja divina lançar-se neste desafiador programa, agora recém-enfatizado, da Noite Familiar, transformando casas em lares e lares em céus.

Uma das afirmações mais instigantes e profundas das escrituras sagradas é a de Paulo, na qual ele orienta maridos e esposas quanto ao seu dever mútuo e para com a família. Primeiro, ele ordena às mulheres:

"Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso próprio marido, como ao Senhor.

"Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo, a cabeça da igreja; e ele é o salvador do corpo.

"De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seu próprio marido." (Ef.

5:22–24.) Isto não é gracejo vão, nem assunto jocoso. Muito se diz nessas poucas palavras.

Paulo diz: "como ao Senhor."

Uma mulher não teria receio de ser prejudicada, nem de medidas ditatoriais, nem de exigências impróprias, se o marido fosse abnegado e digno. Certamente nenhuma mulher sensata hesitaria em submeter-se em tudo a seu próprio marido, sendo ele verdadeiramente reto. Às vezes ficamos chocados ao ver a esposa assumir a liderança, designando quem deve orar, o lugar a ser frequentado, as coisas a serem feitas.

Os maridos são ordenados: ". . . amai a vossa própria mulher, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela;"

(Idem, 5:25.) Eis a resposta: Cristo amou a Igreja e seu povo a tal ponto que voluntariamente suportou perseguição por eles, sofreu indignidades humilhantes por eles, suportou estoicamente dor e maus-tratos físicos por eles, e finalmente deu sua preciosa vida por eles.

Quando o marido estiver disposto a tratar sua família dessa maneira, não somente a esposa, mas toda a família responderá à sua liderança.

Certamente, se os pais devem ser respeitados, precisam merecer respeito; se devem ser amados, precisam ser coerentes, amáveis, compreensivos e bondosos, e precisam honrar seu sacerdócio.

O Presidente Richards afirma ainda:

"[Suas esposas] sabem que esse sacerdócio possui em si verdadeira virtude — o poder de abençoar, o poder de curar, o poder de aconselhar, de fazer prevalecer a paz e a harmonia."

Que grandes incentivos tem a mãe para honrar e enaltecer seu digno marido na estima dos filhos, ao saber que isso contribui para uma vida bem equilibrada de seus filhos. E que grande incentivo tem o pai para elevar-se à sua mais alta estatura, a fim de merecer o amor e o respeito de todos os membros de sua família!

E assim, suplicamos aos pais que retornem a seus pequenos reinos e, com bondade, justiça e disciplina adequada, inspirem; e apelamos às mães para que ajudem a criar esse relacionamento familiar feliz.

No grande Programa de Ensino no Lar e nas Noites Familiares, as responsabilidades recaem primeira e propriamente sobre o cabeça, o pai. A esposa auxiliará. Que verdadeiro pai se esquivaria desse grande privilégio? Que pai transferiria a outrem o planejamento, a organização, a condução de tais programas familiares?

Que pai cumpridor de seu dever evitaria este ensino, esta oportunidade, esta responsabilidade?

Néfi atribuiu sua formação a seu pai, assim como Enos. Foram as palavras que frequentemente ouvira seu pai falar que o levaram a uma fome da alma que o trouxe de volta à saúde espiritual e o colocou de joelhos, num dia e uma noite inteiros de comunhão com seu Criador.

Parece, pelas escrituras, que foi Jacó quem formou sua família e lhe deu as bênçãos.

Vejamos agora o outro lado. As escrituras condenam homens e mulheres quando não cumprem seu dever.

O Senhor puniu o servo do templo Eli, responsabilizando-o pelos graves pecados de seus filhos.

E o Senhor sussurrou por meio de Samuel: "... suscitarei contra Eli tudo quanto falei contra a sua casa. . . .

". . . porque, fazendo-se os seus filhos execráveis, não os repreendeu." (1 Sam. 3:12–13.) Nos tempos modernos o Senhor disse:

"Agora eu, o Senhor, não estou satisfeito com os habitantes de Sião, porque há ociosos entre eles; e seus filhos também estão crescendo em iniquidade; . . ." (D&C 68:31.) A Frederick G. Williams, ele disse:

". . . continuas sob esta condenação; "Não ensinaste luz e verdade a teus filhos, . . . e aquele ser maligno ainda tem poder sobre ti, sendo essa a causa de tua aflição.

". . . se quiseres ser libertado, terás que pôr em ordem tua própria casa, porque há muitas coisas que não estão certas em tua casa." (Idem, 93:41–43.) Voltando-se para Sidney Rigdon, o Senhor ordenou: "Em verdade eu digo a meu servo Sidney Rigdon que, em algumas coisas, ele não guardou os mandamentos concernentes a seus filhos; portanto, que primeiro ponha em ordem sua casa." (Idem, 93:44.) E então o Senhor disse: "O que digo a um digo a todos; orai sempre, para que o ser maligno não tenha poder em vós e não vos remova de vosso lugar." (Idem, 93:49.)

Ensinai os Filhos

Quão triste seria se o Senhor viesse a acusar algum de nós, pais, de termos falhado em ensinar nossos filhos. Verdadeiramente, uma tremenda responsabilidade recai sobre um casal quando traz filhos ao mundo. Não apenas alimento, roupa e abrigo são necessários a eles, mas também amor, disciplina bondosa e ensino.

Pergunto-me como seria este mundo se todo pai e toda mãe reunissem seus filhos ao seu redor pelo menos uma vez por semana, explicassem o evangelho e lhes prestassem testemunhos fervorosos. Como poderia a imoralidade continuar, e a infidelidade destruir lares, e a delinquência proliferar? O divórcio diminuiria e tais tribunais fechariam.

A maioria dos males da vida se deve à falha dos pais em ensinar seus filhos e à falha da posteridade em obedecer.

Claro que há algumas almas desobedientes, independentemente da formação e do ensino, mas a grande maioria dos filhos responderia a essa orientação paterna.

E então penso: Se os pais e as mães de Israel tivessem cumprido plenamente seu dever para com os filhos, teriam as florestas da Palestina desaparecido, seus montes ficado desnudos? Teriam sido mortos por seus inimigos, a espada percorrendo sua terra? Teria o seu poder sido quebrantado, o seu céu tornado como ferro, a sua terra como bronze?

Teria a fome assolado a terra?

Teriam as mães devorado seus filhos? Teria o povo sido novamente levado ao cativeiro?

Se todo pai na Babilônia, auxiliado pela mãe, tivesse ensinado e formado os pequeninos na doutrina e admoestação do Senhor, teria aquela grande cidade sido coberta de areia e sua corrupção sepultada na terra, suas fontes secado, seus templos derrubados?

Teria a farra da embriaguez os embalado à inconsciência de seu perigo? Teriam as palmeiras e os salgueiros murchado, e as terras ficado secas e desoladas?

Teria a Babilônia se tornado objeto de escárnio e provérbio, e o lobo e o chacal, a coruja e as criaturas lúgubres seriam seus únicos habitantes, e o pastor e o árabe evitariam aquele lugar assombrado?

Se todo pai romano tivesse ensinado a seus filhos a retidão em vez da guerra, e toda mãe tivesse feito de sua casa um lar para seus filhos, se todos os pais tivessem reunido seus filhos em seus lares em vez dos circos e dos banhos públicos, se lhes tivessem ensinado castidade, honra, integridade e pureza, seria Roma ainda uma potência mundial?

Certamente não foi o bárbaro vindo do norte, mas os insidiosos cupins morais internos que destruíram o império romano.

Se os pais do mundo, desde Adão em diante, tivessem mantido seu ensino no lar, suas noites familiares, sua convivência familiar e a doce vida em família como ordenado pelo Senhor, teria havido um dilúvio universal, uma Torre de Babel, uma Sodoma e Gomorra? Teriam as ruas de Samaria alguma vez sido aradas, ou os muros de Jerusalém arrasados? Haveria hoje inimigos orientais e ocidentais estabelecendo bases militares, acumulando munição, inventando mísseis, preparando armas nucleares? Estariam eles à espreita como gatos à espera de ratos, aguardando que o processo de decomposição avançasse até o ponto de não retorno? A delinquência e a rebeldia crescentes os fariam esperar enquanto a doença progressiva e debilitante tornaria essa morte inevitável?

Em nossa própria dispensação, o Senhor reiterou seu mandamento básico àqueles que trazem filhos ao mundo, quando disse:

"E também, se em Sião houver pais que, tendo filhos, . . . não os ensinarem . . . sobre a cabeça dos pais seja o pecado.

"Pois isto será uma lei para os habitantes de Sião. . . ." (D&C 68:25–26.) "E também ensinarão seus filhos a orar e a andar em retidão perante o Senhor." (Idem, 68:28.) A vida em família, o ensino no lar, a orientação dos pais são a panaceia para todos os males, a cura para todas as doenças, o remédio para todos os problemas.

E em nossa terra, se o ensino no lar pelos líderes locais, coroado pelas noites familiares com o pai e a mãe entronizados, fosse a regra em Sião, não se fechariam as tavernas, não se fechariam as casas de jogo, não se eliminaria quase totalmente a licenciosidade, não se acabaria com a arruaça, não se reduziriam as prisões e não se limitariam as penitenciárias?

Não estaríamos seguros para caminhar em lugares escuros, e não poderíamos eliminar as fechaduras de nossas portas e os agentes da lei de nossas ruas, se homens e mulheres voltassem para casa?

Ó meus irmãos e irmãs, filhos e filhas de Deus, membros da Igreja de Cristo, povo de todas as filiações religiosas, povo de todas as nações, apoderemo-nos desta panaceia geral e curemos nossas feridas e imunizemos nossos filhos contra o mal pelo simples processo de ensiná-los e formá-los no caminho do Senhor. Todo pai e toda mãe em Sião, e todo católico, protestante, judeu, maometano, e todos os demais pais, têm a mesma responsabilidade:

ensinar seus filhos a orar e a andar em retidão perante o Senhor!

É minha humilde oração que este glorioso mundo venha ainda a ser uma realidade, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSpencer W. Kimball, “My Beloved Brothers And Sisters And Friends...”, Conferência Geral de Abril de 1965, Segundo Dia (Segunda-feira, 5 de Abril) — Reunião da Tarde (1965-04-05). Pulpit Vault, 1965-04-kimball-my-beloved-brothers-and-sisters-and-friends. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).