Amar a Deus e ao Próximo
Thomas S. Monson
A oportunidade de falar-vos hoje traz consigo um senso de responsabilidade que me humilha. Oro pela inspiração do Senhor. ¶
Recentemente fui passageiro de um voo que me levou do Pacífico, atravessando o continente, até o Oceano Atlântico. Em muitos pontos ao longo do caminho, vistos serenamente através de brancas e volumosas nuvens, estavam os férteis campos entrecortados e as majestosas montanhas desta grande terra. As palavras de Katherine Lee Bates, autora de "America the Beautiful", perpassaram minha mente e encontraram morada em minha alma. ¶
"Ó belas, as espaçosas amplidões, As douradas searas de trigo, As majestades das purpúreas montanhas Acima da planície frutificada! ¶
América! América! ¶
Deus derrame sua graça sobre ti E coroe teu bem com fraternidade De um mar ao outro reluzente." ¶
O próprio Senhor deu uma promessa divina aos antigos habitantes desta terra escolhida. Ele disse: ¶
"Eis que esta é uma terra escolhida; e qualquer nação que a habitar se verá livre da servidão e do cativeiro e de todas as outras nações debaixo do céu, se apenas servir ao Deus da terra, que é Jesus Cristo, . . ." ¶
(Livro de Mórmon, Éter 2:12.) Estamos hoje servindo ao Deus da terra, o próprio Senhor Jesus Cristo? Estão nossas vidas em conformidade com os seus ensinamentos? ¶
Somos merecedores de suas bênçãos divinas? ¶
As manchetes dos principais jornais da América, retratando os acontecimentos do ano passado, desfilam silenciosamente diante de nós para que vós e eu julguemos. ¶
"Presidente Kennedy Assassinado." ¶
"Suposto Assassino Morto sob Custódia da Lei." ¶
"Crime Grave Registra Aumento de 10% no Último Ano." ¶
"Violência Sacode o Sul." ¶
"Conflito Racial Atinge o Leste." ¶
Assassinato, estupro, incêndio criminoso, arrombamento, agressão, infrações às leis de entorpecentes — tudo está em ascensão na América de hoje. Estas são as manchetes de nossos jornais. ¶
Não se pode deixar de comparar a situação de hoje com as condições da época de Belsazar, rei dos caldeus. ¶
O profeta Daniel repreendeu Belsazar: "E tu . . ., ó Belsazar, . . . não humilhaste o teu coração, . . . mas te levantaste contra o Senhor do céu, pois trouxeram os vasos da casa dele perante ti, e tu, os teus nobres, as tuas mulheres e as tuas concubinas bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que nem veem, nem ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida, e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste." (Daniel 5:22-23.) Ele então interpretou a escrita na parede. ". . . Deus contou o teu reino, e deu cabo dele. . . . Pesado foste na balança, e foste achado em falta." (Daniel 5:26-27.) Muitos americanos têm gritado cada vez mais alto por mais e mais das coisas que não podemos levar conosco, e prestado cada vez menos atenção às verdadeiras fontes da própria felicidade que buscamos. Temos avaliado nosso próximo mais pelos balancetes contábeis e menos pelos padrões morais. Desenvolvemos um poder físico assustador e caímos numa lastimável fraqueza espiritual. ¶
Tornamo-nos tão preocupados com o crescimento de nossa capacidade de ganhar que negligenciamos o crescimento de nosso caráter. ¶
Ao contemplarmos a desilusão que envolve incontáveis milhares hoje, aprendemos, da maneira difícil, o que um antigo profeta escreveu para nós há 3.000 anos. "O que amar o dinheiro nunca se fartará do dinheiro; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; . . ." ¶
(Eclesiastes 5:10.) O reverenciado Abraham Lincoln descreveu com precisão nossa situação. "Temos sido os beneficiários das mais escolhidas dádivas do céu; fomos preservados por estes muitos anos em paz e prosperidade. Crescemos em número, riqueza e poder como nenhuma outra nação jamais cresceu; mas nos esquecemos de Deus. Esquecemo-nos da mão graciosa que nos preservou em paz e nos multiplicou, enriqueceu e fortaleceu. Vaidosamente imaginamos, na enganosidade de nossos corações, que todas essas bênçãos foram produzidas por alguma sabedoria e virtude superiores de nossa própria autoria. Embriagados com o sucesso ininterrupto, tornamo-nos autossuficientes demais para sentir a necessidade da graça preservadora e redentora, orgulhosos demais para orar ao Deus que nos fez." ¶
Podemos livrar-nos desta situação apavorante? Há uma saída? ¶
Se há, qual é? Podemos resolver este dilema desconcertante adotando o conselho dado por Jesus ao advogado que indagava: "Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mateus 22:36-39.) Primeiramente, então, eu sugeriria que cada americano amasse o Senhor, nosso Deus, e, com sua família, o servisse em retidão. ¶
O caminho de volta a Deus não é nem de longe tão íngreme, nem tão difícil quanto alguns nos fariam crer. O convite gentil de Jesus ainda acena: ". . . Vinde a mim." Paulo aconselhou que ". . . é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam." (Hebreus 11:6.) O canal pelo qual o buscamos e o encontramos é a oração pessoal e familiar. O reconhecimento de um poder superior ao próprio homem não o rebaixa em sentido algum; ao contrário, o exalta. O favor divino acompanhará aqueles que humildemente o buscarem. Se percebermos que fomos criados à imagem de Deus, não o acharemos difícil de abordar. Deus criou ". . . o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou." (Gênesis 1:27.) Não podeis sinceramente sustentar essa convicção sem experimentar um novo e profundo senso de força. ¶
Ao buscarmos a Deus na oração pessoal e familiar, nós e nossos entes queridos adquiriremos aquilo que o grande estadista inglês William H. Gladstone descreveu como a maior necessidade do mundo — "Uma fé viva num Deus pessoal." ¶
Quem pode avaliar o valor real de tal bênção? Essa fé iluminará o caminho de todo honesto buscador da verdade divina. As esposas se aproximarão mais de seus maridos, e os maridos apreciarão mais suas esposas, e os filhos serão filhos felizes, como as crianças foram feitas para ser. Os filhos, nos lares abençoados pela oração, não se encontrarão naquela temida terra de ninguém. ¶
Nunca objeto de preocupação, nunca destinatários da devida orientação paterna. ¶
Nossos filhos serão ensinados na integridade, que é primordialmente uma questão de instrução precoce. Ensinar os jovens a amar a verdade acima da conveniência pessoal é a base disso. Serão ensinados na verdadeira coragem, que se torna virtude viva e atraente quando encarada não como disposição para morrer virilmente, mas como determinação de viver decentemente. ¶
Serão ensinados na honestidade por hábito e como algo natural. Nossos filhos serão ensinados a viver desta maneira por pais que não perguntarão à criança: "O que as pessoas vão pensar", mas antes: "O que tu vais pensar de ti mesmo." Nossos filhos crescerão fisicamente da infância à idade adulta, e mentalmente da ignorância ao conhecimento, emocionalmente da insegurança à estabilidade, e espiritualmente a uma fé duradoura em Deus. ¶
Tal é o poder obtido ao amarmos o Senhor, nosso Deus, e o servirmos em retidão. ¶
Em segundo lugar, eu sugeriria que cada americano amasse o seu próximo como a si mesmo. ¶
Antes que possamos verdadeiramente amar o nosso próximo, precisamos obter a perspectiva correta a respeito dele. ¶
Certo homem disse: "Olhei para meu irmão com o microscópio da crítica e disse: 'Como meu irmão é grosseiro.' Olhei para meu irmão com o telescópio do desprezo e disse: 'Como meu irmão é pequeno.' Então olhei no espelho da verdade e disse: 'Como meu irmão é parecido comigo.'" ¶
Paulo nos aconselhou: "Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo." (Gálatas 6:2.) Nenhum fardo é mais pesado de suportar do que o pecado. Quando mostramos ao nosso irmão, ao nosso próximo, o caminho de volta a Deus, aplicando o princípio divino do arrependimento, ajudamo-lo a construir uma vida nova e melhor. ¶
Se não formos cuidadosos, nossos pensamentos e planos para ajudar outros a fazer deste um mundo melhor para se viver permanecerão apenas isso — pensamentos e planos. Sendo humanos, não conseguimos realmente ver muito adiante e, por isso, precisamos dar cada passo com toda a sabedoria que pudermos reunir. ¶
Ao mesmo tempo em que percebemos vagamente o que se estende à nossa frente, precisamos fazer com confiança o que está claramente ao nosso alcance. A decisão de pouco vale, a menos que seja seguida de ação. Se procrastinarmos por muito tempo nossas nobres ambições, bem poderemos sofrer o lamento pronunciado pelo fantasma de Jacob Marley no imortal "Um Conto de Natal", de Dickens. ¶
Falando de Ebenezer Scrooge, ele disse: "Não saber que qualquer Espírito cristão que labuta bondosamente em sua pequena esfera, seja ela qual for, achará curta demais a sua vida para os vastos meios de utilidade que possui. Não saber que nenhum espaço de arrependimento pode reparar o mau uso das oportunidades de uma vida. Assim fui eu, ah, assim fui eu." ¶
Um dos melhores exemplos que conheço de ajudar ao próximo é o de um proeminente homem de negócios que, no auge de seu sucesso, generosamente deu seu próspero negócio a seus fiéis empregados e decidiu dedicar o restante de sua vida ao serviço beneficente. ¶
Retirou-se do mundo do ouro e da prata, e cada dia pode agora ser encontrado num grande centro de distribuição de bem-estar, fazendo a sua parte para aliviar o sofrimento e a necessidade das almas humanas e tornar a América um lugar melhor para se viver. Está cumprindo a responsabilidade de ". . . socorrer os fracos, erguer as mãos que pendem, e fortalecer os joelhos enfraquecidos." ¶
(D&C 81:5.) Ele humildemente declara: "Este é o período mais feliz da minha vida." ¶
As ricas satisfações que advêm de amarmos o nosso próximo como a nós mesmos não são inauguradas em idade alguma ao som de tambores e trombetas, mas antes a satisfação cresce em nós ano após ano, pouco a pouco, até que finalmente percebemos que a possuímos. ¶
Um dos mais famosos cartazes de alistamento da Segunda Guerra Mundial era um que retratava o Tio Sam apontando seu longo dedo e dirigindo seus olhos penetrantes ao espectador. As palavras diziam: "A América Precisa de Ti." A América verdadeiramente precisa de ti e de mim para conduzir uma poderosa cruzada de retidão. Podemos ajudar quando amamos o Senhor, nosso Deus, e, com nossas famílias, o servimos, e quando amamos o nosso próximo como a nós mesmos. ¶
A tendência assustadora ao crime, à ilegalidade e à violência então será detida. Deus continuará a derramar sua graça sobre ti, América, e a coroar teu bem com fraternidade de um mar ao outro reluzente. Oro por esta bênção necessária em nome de Jesus Cristo, o Deus desta terra escolhida da liberdade. Amém. ¶