Pulpit

Uma Parábola Permiti-me Prefaciar Meu Discurso...

Spencer W. Kimball

1964 October General Conference·First Day (Friday, October 2) — Afternoon Meeting·1964-10-02

Uma Parábola Permiti-me prefaciar meu discurso com uma parábola.

"Será, pois, o reino dos céus semelhante a um certo homem. . ." (Ver Mateus 20:1.) João e Maria foram casados por seu bispo em sua residência suntuosa, e a cerimônia incluiu a frase "enquanto ambos viverdes". Parentes e amigos exclamaram: "Que casal bonito e promissor!" A vida parecia oferecer tudo o que duas pessoas encantadoras poderiam desejar.

Foi uma cerimônia civil, mas prometeram a si mesmos que logo colocariam sua casa em ordem e iriam ao templo do Senhor para eternizar seu casamento. Amavam-se intensamente. Tinham algum conhecimento e fé no princípio do casamento eterno, mas o descuido em seu padrão de vida e maus hábitos impediam-nos de pedir conscienciosamente ao bispo uma recomendação para entrar nos sagrados recintos do templo.

O tempo passou. Vieram os filhos. João era ativo na vida comunitária. Sua personalidade agradável lhe rendeu muitos amigos. Maria tornava-se mais adorável à medida que os filhos vinham, e a doce maternidade e a condição de esposa expandiam sua visão e engrandeciam sua alma. O amor que sentia por seu marido crescia constantemente, e, à medida que suas vidas cresciam juntas, ela percebeu o quanto o queria para sempre. Passou a perceber seu dilema. As sombras se acumulavam.

Ele não era religiosamente inclinado, dizia; um dia se moveria em direção ao templo.

Ela tomava parte em algumas atividades da igreja, mas, quando surgia conflito entre o serviço da igreja e os interesses de seu marido para o sábado, ela sentia que deveria estar com o esposo — amava-o intensamente. Os filhos cresceram e eram felizes na Igreja até que as atividades da adolescência trouxeram sábados despreocupados e ociosos — passeios, encontros, esqui — e eles também começaram a negligenciar seus deveres religiosos.

Um dia as nuvens baixaram, e veio a desgraça. Foi num daqueles piqueniques dominicais no cânion. Excelente motorista, João não teve culpa na colisão, quando um motorista embriagado deixou os dois carros destroçados e dois entes queridos mutilados e sem vida.

Depois que os corpos de sua amada Maria e da doce e pequena Alice foram sepultados com toda solenidade e terna afeição, João encontrou sua vida verdadeiramente solitária. As noites eram tão longas, a casa tão vazia, os dias tão áridos, a vida tão vã e desolada. Dedicou-se ao trabalho e aos outros filhos, mas seu mundo parecia ter sido sepultado numa cova na encosta da colina.

À mesa, o círculo estava incompleto. Havia dois lugares vazios.

A vida social não tinha interesse algum para ele.

Ninguém sabia o quanto ele sofria. Ninguém sabia como seu coração doía. Seus pensamentos estavam constantemente em Maria, sua companheira, sua amada, a mãe de seus filhos. Quando voltava do trabalho, parecia que ela deveria estar ali para deslizar em seus braços; quando acordava pela manhã, parecia que não conseguia deixar de esperar encontrá-la a seu lado. Seus primeiros e últimos pensamentos conscientes eram de Maria.

Então, naquela noite, veio o sonho, ou R W. KIMBALL 25 seria um sonho, pois ele parecia estar tão desperto. Diferente de centenas de seus outros sonhos, que se haviam desvanecido no esquecimento com a chegada da alvorada, este, impressionante, perdurou o dia todo.

Pareceu-lhe estar num mundo onde nunca estivera antes. Olhava através de um portão largo, pesado e aberto, que dava para uma bela área na qual as figuras centrais eram uma mulher e uma menina. Gradualmente, tornou-se consciente de suas identidades, e sentiu um calor reconfortante ao reconhecer a pequena Alice com sua mãe. Maria estava mais adorável do que nunca; seu encanto e beleza haviam sido acentuados. Ela era cativante, celestial, e, quando ambas as suas amadas sorriram e o chamaram, ele quis, ah, como quis, ir até elas. Elas pareciam ansiosas para que ele se juntasse a elas. Tentou ir até elas, mas parecia não conseguir se mover, e, ao se esforçar, pareceu que os grandes portões estavam se fechando. Maria e Alice também pareciam conscientes disso e acenavam freneticamente, mas ele estava impotente para fazer aquilo que, naquele momento, tanto desejava fazer. O movimento dos portões era quase imperceptível, mas a abertura definitivamente se estreitava. Tentou desesperada, mas inutilmente, alcançá-las. Se ao menos pudesse se juntar a elas! Elas também estavam ansiosas pelo reencontro. Teve um último vislumbre e viu o terror estampado no rosto de Maria, ao perceber ela também que a porta estava quase fechada. Quando a fechadura estalou, foi como um trovão em seus ouvidos sensíveis, e ele sentiu que daria qualquer coisa, tudo, até mesmo a própria vida, para vê-la novamente, para estar com ela novamente, para tê-la sempre consigo.

O despertador tocou estridentemente. Ele estava de volta ao mundo. Ah! Fora apenas um sonho! Ou não? Teria errado o alvo? Teria a grande porta realmente se fechado com estrondo? Teria perdido sua amada companheira para sempre por não ter cumprido os requisitos?

E, tristemente, lembramo-nos do dístico: ". . . de todas as palavras tristes de língua ou pena, as mais tristes são estas: 'Poderia ter sido!'" (Whittier, Maud Muller.) Permiti-me dirigir minhas palavras aos numerosos casais felizmente casados que foram unidos pelo período relativamente curto declarado pelo bispo, "enquanto ambos viverdes", e àqueles milhões de casais bem-ajustados no mundo que foram unidos por seus ministros, padres, rabinos ou outros prelados pelo período declarado "até que a morte os separe".

Suplico-vos, casais pacíficos, sinceros, mas mal informados, que amais vossos cônjuges e filhos, mas que, em vossa falsa e vangloriada segurança, permitis que os dias passem, e os meses e os anos, sem proteger vossos preciosos casamentos contra a dissolução certa, quando certos esforços e atividades poderiam preservar por toda a eternidade vossos calorosos e agradáveis relacionamentos familiares.

Alguns de vós conheceis os requisitos, mas os ignorastes ou rejeitastes. A grande maioria de vós jamais conheceu os fatos, tão velados em mistério que têm sido, tão longamente ausentes da terra, e tão pouco compreendidos até mesmo pelos estudantes da Bíblia.

O Homem É Eterno:

O Casamento e a Família Podem Ser Eternos Estes são fatos absolutos:

A vida é eterna. A morte não põe fim à existência do homem. Ele continua a viver, sempre. O homem será ressuscitado, seja bom ou mau. Seu espírito será reunido a seu corpo, tirado da sepultura, e, se tiver aperfeiçoado sua vida e magnificado as oportunidades dadas por Deus, esse espírito e esse corpo serão reunidos numa imortalidade nova, fresca e sem fim.

As maiores alegrias da verdadeira vida conjugal podem continuar. Os mais belos relacionamentos de pais e filhos podem tornar-se permanentes. A santa associação das famílias pode ser interminável se marido e mulher tiverem sido selados nos sagrados laços do matrimônio eterno. Suas alegrias e progresso jamais terão fim, mas isso jamais se dará por si mesmo.

O caminho é bem definido e claro.

O casamento eterno era conhecido de Adão e de outros profetas, mas o conhecimento foi perdido da terra por muitos séculos. Deus restaurou as verdades e providenciou o caminho. Com a restauração do evangelho veio também o verdadeiro sacerdócio, e Deus deu a seu profeta todas as chaves, poderes e autoridades detidos por Adão, Abraão, Moisés e os apóstolos dos primeiros dias.

Deus restaurou o conhecimento dos templos e de seus propósitos. Hoje há na terra treze santas edificações construídas para essa obra especial do Senhor, e cada uma delas é a "Casa do Senhor". Nesses templos, por autoridade devidamente constituída, há homens que podem selar, por toda a eternidade, maridos e esposas e seus filhos. Isso é um fato, mesmo que desconhecido das massas, e está disponível à medida que as pessoas se familiarizam com essa necessidade.

Este é um dos mistérios de que falou o Redentor, que ensinava a multidão por meio de parábolas, dizendo:

". . . Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo." (Mateus 13:35.) Estas verdades inestimáveis não são compreendidas pelo leitor casual das escrituras:

"Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus."

(1 Coríntios 2:11.) "Mas o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porquanto se discernem espiritualmente." (Idem, 2:14.) É inconcebível que pessoas, de outro modo inteligentes, astutas e altamente instruídas, ignorem ou desconsiderem deliberadamente esse grande privilégio. As portas podem ser destrancadas. O abismo pode ser transposto. E os homens podem caminhar segura e firmemente rumo a uma felicidade sem fim, tornando seus casamentos atemporais e eternos.

Explicando o uso de parábolas, o Salvador disse:

"Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não é dado." (Mateus

13:11.) "Porque o coração deste povo está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure." (Idem, 13:15.) E então, falando aos discípulos que estavam perto dele e que compreendiam, ele disse:

"Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.

"Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram. (Idem, 13:

16-17.) O Senhor sabia que aqueles que fossem sinceros de coração e que realmente desejassem conhecer os mistérios do reino buscariam e pesquisariam em oração até se informarem.

Lembremo-nos de como o Senhor respondeu aos hipócritas saduceus que, tentando armar-lhe uma cilada, propuseram este difícil problema:

O marido morreu sem deixar posteridade, e a esposa casou-se com o irmão dele, que também morreu sem descendência. Ela, por sua vez, casou-se com um terceiro irmão, um quarto, um quinto, um sexto e um sétimo, todos de acordo com a lei de Moisés, e então a mulher dos sete maridos também morreu. Ora, a pergunta angustiante é: ,.* "Na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher." (Marcos 12:23.) A resposta do Redentor* foi clara, concisa e inequívoca:

"Porventura não errais vós, por não conhecerdes as escrituras nem o poder de Deus?" (Idem, 12:24.) E agora, perguntamo-vos, o que isso significa? Os saduceus discutiam assuntos sobre os quais sabiam pouco ou nada. Havia acusação em sua voz? Estaria ele dizendo aos saduceus: "Abri vossos olhos cegos e vede? Abri vossos corações de pedra e entendei?"

Meus amigos, compreendeis as implicações e a verdade desta declaração do Senhor? Embora um tanto velada nas escrituras, ela é clara e compreensível quando apoiada pela revelação moderna.

Um Exemplo Antigo O Dr. James E. Talmage escreve: "O significado do Senhor era claro, de que, no estado ressuscitado, não pode haver questão entre os sete irmãos quanto a de qual deles a mulher será esposa por toda a eternidade, visto que todos, exceto o primeiro, haviam se casado com ela apenas pela duração da vida mortal. . . .

Na ressurreição, não haverá casamento nem se dará em casamento; pois todas as questões de estado civil devem ser resolvidas antes desse momento, sob a autoridade do Santo Sacerdócio, que detém o poder de selar em casamento tanto para o tempo como para a eternidade." (]esus the Christ, p. 548.) Sem dúvida, o primeiro marido havia se casado com a mulher para a eternidade, por uma cerimônia que não era limitada pelo tempo.

Ela se tornou viúva com a morte dele, até que também morresse e se juntasse a seu marido. Agora, ela se casou com o irmão número dois, "até que a morte os separe",

e isso definitivamente os separou, mesmo antes da posteridade, e ele foi para o mundo espiritual através do véu, sem esposa, pois o contrato deles também havia terminado com a morte. E os irmãos número três, quatro, cinco, seis e, por fim, número sete, por sua vez — todos se casaram com ela em casamento temporário, em cujas cerimônias as limitações eram "enquanto ambos viverdes".

E a morte pôs fim à felicidade que haviam tido e à sua promessa de bem-aventurança futura.

Que triste! Que gloomyl il conheci um jovem casal cujo promissor casamento terminou numa colisão de automóvel uma hora depois da cerimônia que incluíra aquelas perigosas palavras: "até que a morte os separe".

O casamento civil é um contrato terreno, que se completa com a morte de qualquer das partes.

O casamento celestial eterno é um convênio sagrado entre homem e mulher, consagrado no santo templo por servos de Deus que detêm as chaves da autoridade.

Ele transpõe a morte; abrange tanto o tempo quanto a eternidade.

O Testemunho de Paulo O Apóstolo Paulo disse aos coríntios:

"Se só nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens." (1 Coríntios 15:19.) E poderíamos parafraseá-lo para dizer:

"Se somente nesta vida nossos casamentos são firmes, nossa felicidade conjugal real e nossa vida familiar feliz, somos os mais miseráveis de todos os homens."

Paulo continua: "E há corpos celestes e corpos terrestres:

mas uma é a glória dos celestes, e outra a dos terrestres.

"Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela.

"Assim também a ressurreição dos mortos. . . ." (Idem, 15:40-42.) Paulo compreendia, como sem dúvida muitos dos santos compreendiam, mas milhões de cristãos hoje não compreendem essas verdades vitais, que têm sido veladas em linguagem parabólica. O céu não é um único lugar, nem uma única condição. É tão diverso quanto são diferentes os padrões de comportamento dos homens, pois os homens serão julgados "segundo as obras praticadas na carne".

Revelação Moderna Em nossa revelação moderna, o Senhor disse: "Portanto, prepara o teu coração para receber as instruções que estou prestes a dar-te e para obedecer a elas; porque todos a quem esta lei é revelada devem obedecê-la.

"Pois eis que eu te revelo um novo e eterno convênio . . . ."

(D&C 132:3-4.) Embora relativamente poucas pessoas neste mundo o compreendam, o novo e eterno convênio é a ordenança do casamento no santo templo, realizada por líderes devidamente constituídos que detêm as chaves genuínas e autorizadas. Essa gloriosa bênção está disponível a homens e mulheres nesta terra. O propósito profundo subjacente é esclarecido pelo próprio Redentor:

"E quanto ao novo e eterno convênio, foi instituído para a plenitude de minha glória; e aquele que recebe sua plenitude deve cumprir a lei e cumpri-la-á; caso contrário, será condenado, diz o Senhor Deus."

(Idem, 132:6.) Paulo falou de âmbitos telestial, terrestre e celestial, e as pessoas são designadas de acordo com sua retidão e obediência às leis eternas. Mesmo esse reino celestial tem três céus ou graus. Citamos ainda mais nosso Senhor:

"E para obter o mais elevado, um homem precisa entrar nesta ordem do sacerdócio [que significa o novo e eterno convênio do casamento]; "E se não o fizer, não poderá obtê-lo.

"Poderá entrar em outro, mas esse será o fim de seu reino; ele não poderá ter descendência." (Idem, 131:

2-4.) O Senhor então esclarece ainda mais o casamento eterno:

"Todos os convênios, contratos, vínculos, compromissos, juramentos, votos, práticas, ligações, associações ou expectativas que não forem feitos nem acertados nem selados pelo Santo Espírito da promessa, tanto para esta vida como para toda a eternidade, por meio daquele que foi ungido, . . . não terão eficácia, virtude ou vigor algum na ressurreição dos mortos nem depois dela; porque todos os contratos que não são realizados com esse propósito têm fim quando os homens morrem." (Idem, 132:7.) Os casamentos que são feitos apenas "enquanto ambos viverdes" ou "até que a morte os separe" são, tristemente, terminados quando é exalado o último suspiro mortal.

O Senhor é misericordioso, mas a misericórdia não pode roubar a justiça. Sua misericórdia estendeu-se a nós quando ele morreu por nós. Sua justiça prevalece quando ele nos julga e nos dá as bênçãos que devidamente conquistamos.

". . . ninguém pode rejeitar este convênio e ter permissão de entrar em minha glória", diz o Senhor.

"Pois todos os que receberem uma bênção de minhas mãos obedecerão à lei que foi designada para essa bênção e suas condições, como instituídas desde antes da fundação do mundo." (Idem, 132:4-5.) Autoridade Civil — Autoridade Divina Um casamento civil pode ser realizado por qualquer uma das numerosas pessoas aprovadas pelas leis dos respectivos países, mas o casamento eterno deve ser solenizado por um dos poucos devidamente autorizados. Cristo diz:

"Aceitarei eu uma oferta, diz o Senhor, que não seja feita em meu nome?

"Ou receberei de vossas mãos aquilo que não determinei?"

(Idem, 132:9-10.) É o Redentor quem postula:

"Portanto, se um homem se casar com uma mulher no mundo e não se casar com ela por meu intermédio nem por minha palavra; e fizer convênio com ela enquanto estiver no mundo e ela com ele, seu convênio e casamento não terão valor quando morrerem e quando estiverem fora do mundo; portanto, não estarão ligados por lei alguma quando estiverem fora do mundo." (Idem, 132:15.) "Eu sou o Senhor vosso Deus; e dou-vos este mandamento: Ninguém virá ao Pai senão por mim ou pela minha palavra, a qual é a minha lei, diz o Senhor." (Idem, 132:12.) Ele então reitera que: ". . .

tudo que existe no mundo, quer seja ordenado por homens, por tronos ou principados ou poderes ou coisas de renome, sejam quais forem, que não for por mim nem pela minha palavra, diz o Senhor, será derrubado e não permanecerá depois que os homens morrerem; nem na ressurreição nem depois da ressurreição, diz o Senhor vosso Deus." (Idem, 132:13.) Quão definitivo! Quão apavorante! Visto que sabemos bem que a morte mortal não põe fim à nossa existência, visto que sabemos que continuamos a viver, quão devastador é perceber que o casamento e a vida familiar, tão doces e felizes em tantos lares, terminarão com a morte, porque deixamos de seguir as instruções de Deus ou porque rejeitamos sua palavra quando a compreendemos.

O Cumprimento é a Bênção da Obediência É claro, no anúncio do Senhor, que homens e mulheres justos receberão as devidas recompensas por suas obras. Não serão condenados na terminologia comumente aceita, mas sofrerão muitas limitações e privações, e deixarão de alcançar o reino mais elevado, se não obedecerem. Tornam-se servos ministrantes daqueles que obedeceram a todas as leis e viveram todos os mandamentos.

Ele então continua a respeito dessas excelentes pessoas que viveram dignamente, mas deixaram de tornar seus contratos vinculantes:

"Porque esses anjos não guardaram minha lei; portanto, não podem crescer, mas permanecem separados e solteiros, sem exaltação, no seu estado de salvação, por toda a eternidade; e daí em diante não são deuses, mas anjos de Deus para todo o sempre." (Idem, 132:17.) Quão conclusivo! Quão limitado! Quão restrito! E chegamos a perceber novamente, pois isso pesa fortemente sobre nós, que este tempo, esta vida, esta mortalidade é a época de nos prepararmos para encontrar Deus. Quão solitária e árida será a chamada bem-aventurança do celibato ao longo da eternidade! Quão triste é estar separado, solteiro e apartado através de incontáveis eras, quando se poderia, cumprindo os requisitos, ter um casamento feliz por toda a eternidade no templo, pela devida autoridade, e continuar em alegria e felicidade sempre crescentes, em crescimento e desenvolvimento rumo à divindade.

Ouvi novamente o Senhor:

"Em verdade, em verdade vos digo: A não ser que guardeis minha lei, não obtereis esta glória.

"Pois estreita é a porta e apertado o caminho que leva à exaltação e à continuação das vidas, e poucos há que o encontram, porque no mundo não me recebeis nem me conheceis.

"Mas se me receberdes no mundo, então me conhecereis e recebereis vossa exaltação; para que, onde eu estiver, estejais vós também.

"Isto é o significado de vidas eternas: Conhecer o único sábio e verdadeiro Deus e Jesus Cristo, a quem ele enviou. Eu sou ele.

Recebei, portanto, minha lei.

"Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz às mortes; e muitos há que entram por ela, porque não me recebem nem guardam minha lei." (Idem, 132:

21-25.) Se um homem recebe o Senhor, ele crê nele, vive seus mandamentos e realiza as ordenanças que ele exigiu.

E agora, voltamos a João e Maria, e a todos os Joões e todas as Marias que vivem juntos em paz e alegria, que se amam, que apreciam seus cônjuges e amam seus filhos.

As Eternidades São Colocadas em Risco pela Não Obediência Irmãos, irmãs e amigos, estais dispostos a colocar em risco vossas eternidades, vossa grande e contínua felicidade, vosso privilégio de ver a Deus e habitar em sua presença? Por falta de investigação, estudo e contemplação; por causa de preconceito, mal-entendido ou falta de conhecimento, estais dispostos a abrir mão dessas grandes bênçãos e privilégios? Estais dispostos a tornar-vos viúva por toda a eternidade, ou viúvo por eras sem fim — um indivíduo solteiro e separado, a viver sozinho e servir aos outros? Estais dispostos a abrir mão de vossos filhos quando eles morrerem, ou quando vós morrerdes, e torná-los órfãos?

Estais dispostos a atravessar a eternidade sós e solitários, quando todas as maiores alegrias que já experimentastes na vida poderiam ser "acrescentadas" e acentuadas, multiplicadas e eternizadas? Estais dispostos, como os saduceus, a ignorar e rejeitar estas grandes verdades? Rogo-vos sinceramente que parásseis hoje, pesásseis e medísseis, e então, em oração, procedêsseis a tornar eterno vosso feliz casamento. Nossos amigos, por favor, não ignoreis este chamado. Imploro-vos, abri vossos olhos e vede; destapai vossos ouvidos e ouvi.

Um casamento eterno, aliado a uma vida digna e continuamente consagrada, trará felicidade e exaltação sem limites.

Permiti-me concluir com as palavras do Senhor dos Exércitos:

"Aconselho-te a que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas." (Apocalipse 3:18.) Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSpencer W. Kimball, “Uma Parábola Permiti-me Prefaciar Meu Discurso...”, 1964 October General Conference, First Day (Friday, October 2) — Afternoon Meeting (1964-10-02). Pulpit Vault, 1964-10-kimball-a-parable-may-i-preface-my-talk. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).