Near The Beginning Of The Ministry Of...
Theodore M. Burton
Perto do início do ministério de Jesus Cristo, ele veio um dia à cidade de Nazaré, onde havia crescido quando menino. Como era seu costume no dia de sábado, foi à sinagoga local para adorar. Ao levantar-se para ler, foi-lhe dado o livro de Isaías, do qual leu o seguinte: ¶
"O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a apregoar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; "A apregoar o ano aceitável do Senhor. . . ." (Isa. 61:1-2.) Então ele fechou o livro e sentou-se para falar. Enquanto todos os olhos estavam fixos nele para ver que interpretação ele daria a estas palavras, ele disse: ¶
"Hoje se cumpriu esta escritura em vossos ouvidos. ¶
"E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca." (Lucas 4:21-22.) ¶
Libertação aos Cativos
Interesso-me pelas palavras de Isaías, ou como Jesus as deu, conforme citadas por Lucas: ¶
". . . enviou-me . . . a apregoar liberdade aos cativos, e . . . a pôr em liberdade os oprimidos." ¶
(Idem, 4:18.) Intérpretes da Bíblia disseram que as palavras originais de Isaías se referem à libertação dos cativos judeus da Babilônia, mas que Jesus as aplicou à libertação dos pecadores da culpa e da escravidão do pecado, por meio de seu ministério. Mas era esta a intenção de Jesus, e quais pecadores eram mantidos prisioneiros pela culpa e escravidão de seus pecados? ¶
Afirmo que Isaías e Jesus falavam de prisioneiros específicos, conforme dado nas seguintes citações de Isaías: ¶
"E acontecerá que naquele dia o Senhor castigará os exércitos do alto nas alturas, e os reis da terra sobre a terra. ¶
"E juntamente serão amontoados como presos numa masmorra, e serão encarcerados num cárcere, e outra vez serão visitados depois de muitos dias." (Isa. ¶
24:21-22.) "Eu, o Senhor, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por convênio do povo, e para luz dos gentios; "Para abrir os olhos cegos, para tirar os cativos da prisão, e da casa do cárcere os que jazem em trevas." (Idem, 42:6-7.) ¶
Jesus, o Libertador
Não há dúvida de que Jesus seria o Libertador e que aqueles que estão sentados nesta prisão estariam nas ataduras das trevas, o que deve se referir às trevas espirituais, e não a prisioneiros políticos aqui na terra. ¶
A obra de Jesus definitivamente não se limitava apenas àqueles de sua própria geração terrena que ouviram sua voz pessoalmente, como nesta ocasião em que ele falou na sinagoga em Nazaré. Sua obra era uma obra maior, uma obra universal, e aplicava-se não apenas a todo o vasto mundo daqueles que então viviam, mas também a todos os que já viveram ou viverão sobre esta terra. ¶
O Verdadeiro Alcance de Seu Ministério
Um dos equívocos da cristandade hoje é pensar que o ministério de Cristo começou no Meridiano dos Tempos, após seu nascimento sobre a terra. No Meridiano dos Tempos ele começou seu ministério terreno ao nascer entre os homens como o Unigênito Filho de Deus na carne. Não se compreende geralmente que Jesus foi o Primogênito dos filhos espirituais de Deus e que, como Jeová, o Criador, ele era o Deus desta terra antes de se manifestar na carne como Jesus Cristo. Ele é o Deus Eterno desta terra, que deu suas leis e mandamentos aos profetas de antigamente antes de vir à terra como o Filho do Homem. ¶
Princípios Eternos do Evangelho
Os princípios do evangelho que Jesus ensinou eram eternos. Foram dados e ensinados aos profetas e videntes de antigamente. Estes, por sua vez, pregaram-nos e ensinaram-nos ao povo de seu tempo. ¶
Não compreendiam eles que o Redentor viria? Não foi Isaías, por exemplo, uma testemunha do Senhor vindouro, quando proclamou: ¶
"Quem deu crédito à nossa pregação? e a quem se manifestou o braço do Senhor? ¶
"Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha forma nem formosura; e olhando nós para ele, nada víamos em sua aparência, para que o desejássemos. ¶
"Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado em padecimentos; e como um de quem os homens escondiam o rosto era desprezado, e não fizemos caso algum dele. ¶
"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. ¶
"Porém ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. ¶
"Todos nós como ovelhas andávamos desgarrados; cada um se desviava pelo seu caminho, porém o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. ¶
"Ele foi oprimido, e ele foi afligido, porém não abriu a sua boca: como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim não abriu a sua boca." ¶
(Idem, 53:1-7.) Ousaríamos dizer que os profetas não sabiam tudo a respeito de Jesus e de sua vinda? ¶
Não testificaram eles, muitas vezes com suas próprias vidas, da divindade de Deus e não exortaram seus ouvintes a se voltarem para ele e viverem? ¶
O Sacerdócio, Chave para a Exaltação
Assim como a autoridade no sacerdócio havia sido dada a Adão e a seus filhos, os patriarcas, também lhes foram dados os princípios do evangelho de Jesus Cristo, e eles participaram das bênçãos, ordenanças e convênios pertencentes à exaltação, na aceitação de Jesus Cristo como Senhor e Rei. Somente quando o povo se recusou a aceitar este sacerdócio superior e esta lei superior, na época de Moisés, é que lhes foram dados o sacerdócio menor e a lei menor, que serviriam de aio para eventualmente conduzi-los a aceitar Jesus Cristo e a lei superior que ele havia dado aos profetas de antigamente e que deu novamente em seu ministério terreno. ¶
A Natureza Eterna e Universal do Ministério de Jesus Cristo
A falha em compreender a natureza eterna e universal do ministério de Jesus Cristo tem causado considerável consternação entre os estudiosos da divindade. Com o estudo das religiões de mistério, veio o conhecimento de que um nascimento virginal de um Redentor e uma morte e ressurreição do mesmo eram reivindicados por várias dessas religiões centenas de anos antes do nascimento de Jesus Cristo. O batismo por imersão era um ritual bastante comum muito antes da vinda de Jesus. A descoberta dos rolos de manuscritos das cavernas em Qumran, perto de Jerusalém, trouxe à luz ensinamentos e práticas usados posteriormente no cristianismo, duzentos anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Isso levou certos estudiosos da religião cristã a negar a divindade de Jesus Cristo. Consideraram-no apenas um grande e talentoso mestre, que simplesmente adotou e adaptou esses pensamentos e práticas dos sacerdotes essênios. Assim, alegam que ele estabeleceu uma nova filosofia da irmandade dos homens baseada nesses conceitos e em defesa da qual até deu sua vida como mártir. ¶
Tal negação de Jesus Cristo como um ser divino é resultado de não se compreender a natureza eterna do evangelho que Jesus ensinou. Se alguém compreende que o evangelho foi ensinado e praticado desde o princípio, pode compreender como suas doutrinas e práticas podem ser encontradas em formas apóstatas nas religiões de mistério da Grécia e do Egito, e pode explicar o conhecimento dos ensinamentos cristãos antes do nascimento de Jesus Cristo. ¶
O Evangelho Pregado em Antecipação à Sua Vinda
Sabendo, então, que o evangelho foi pregado pelos profetas de antigamente em antecipação à vinda do Salvador e que agora é pregado em confirmação de sua expiação, podemos fazer uma pergunta pertinente. O que aconteceu com aqueles que ouviram o evangelho e o rejeitaram, ou, talvez dito de forma melhor, que deixaram de aceitá-lo enquanto estavam na terra? O que aconteceu com aqueles que viveram na terra quando, por apostasia e maldade, jamais tiveram a chance de ouvir o evangelho de Jesus Cristo pregado? O que acontece com aqueles a quem chamamos de pagãos, que nunca ouviram falar de Jesus Cristo? ¶
À morte dessas pessoas, que nunca fizeram um convênio para se tornarem filhos e filhas de Jesus Cristo, seus espíritos foram para uma prisão de espíritos, onde foram forçados a esperar até que pudessem ser libertados. Isto Pedro explicou quando contou como Jesus foi ministrar entre os que estavam mortos, pois, como as escrituras nos informam, Pedro ensinou: ¶
"E mandou-nos pregar ao povo, e testificar que ele é aquele que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. ¶
"Dele dão testemunho todos os profetas, de que pelo seu nome todos os que nele crerem receberão o perdão dos pecados." (Atos 10:42-43. Itálicos acrescentados.) Que esta salvação por meio da crença em Cristo está aberta tanto aos mortos quanto aos vivos é evidente, conforme Pedro ensinou: ¶
"Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado na verdade, na carne, porém vivificado pelo Espírito: ¶
"No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; "Os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é oito) almas se salvaram pela água." ¶
(1 Ped. 3:18-20.) A razão para isso Pedro explicou da seguinte forma: ¶
"Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito." (Idem, 4:6.) ¶
O Poder Redentor do Salvador Universalmente Disponível
Assim, o poder redentor de Jesus Cristo é tornado possível a toda pessoa que já viveu ou viverá sobre a face da terra. Em vista da confirmação das escrituras a respeito desta doutrina, de que Cristo de fato visitou e ministrou entre os espíritos que haviam sido rebeldes e que, por causa de pecado não perdoado, eram mantidos numa prisão de espíritos, podemos bem perguntar: qual era o alcance e o propósito do ministério de nosso Senhor entre eles? Sua pregação foi propositada e positiva, não para condená-los ainda mais, mas para trazer alívio e misericórdia. A eles veio o Redentor para abrir o caminho que leva à vida. Ele veio não para intensificar suas trevas e sua aflição, mas para trazer alívio do desespero e do sofrimento. ¶
A Expiação
O mais significativo de todos os sacrifícios, a maior obra já realizada em favor da humanidade e o ponto de virada na história do homem, é a expiação de Cristo, que foi uma oferta vicária feita por Jesus por nós, que estávamos separados de Deus. Ele deu sua vida voluntariamente como um sacrifício predestinado para que pudéssemos viver eternamente. Isto Deus aceitou como propiciação pela lei quebrada, e é o meio pelo qual nós, filhos de Deus, podemos obter a salvação. ¶
Por meio das ministrações de Jesus em nosso favor, podemos passar pelos anjos e reconquistar a presença de Deus, o Pai Eterno, mas somente enquanto obedecemos às ordenanças do evangelho. Paulo ensinou: ¶
"Porque para isto também morreu Cristo, e ressuscitou, e tornou a viver; para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos." ¶
(Rom. 14:9.) Como é possível salvar os mortos já partidos desta terra, Paulo explica ao falar do batismo pelos mortos: ¶
"Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" (1 Cor. 15:29.) ¶
O Evangelho e as Ordenanças para o Mundo dos Espíritos
É evidente que o evangelho deve ser pregado no mundo espiritual e que devem ter sido providenciadas disposições para a obra vicária em favor daqueles que estão mortos. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a única organização na terra que confirma, pela prática real, a necessidade de administrar o batismo pelos mortos e que reivindica autoridade divina para isso. ¶
Buscar e Identificar os Antepassados
Assim, a responsabilidade recai sobre cada um de nós de buscar e identificar nossos antepassados falecidos que não tiveram oportunidade de ouvir o evangelho de Jesus Cristo. Depois de os identificarmos, é nosso privilégio ir aos templos de Deus e realizar vicariamente estas ordenanças por eles, que eles não podem realizar por si mesmos. Por meio destes sacrifícios, participamos em pequena parte do poder redentor de Jesus Cristo e compartilhamos com ele a alegria de fazer algo pelos outros, para preparar o caminho para que eles também alcancem a presença de Deus, o Pai Eterno. ¶
Tão importante é esta obra que o profeta Malaquias testificou: ¶
"Eis que eu vos revelarei o Sacerdócio, pela mão de Elias, o profeta, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. ¶
". . . E ele plantará no coração dos filhos as promessas feitas aos pais; e o coração dos filhos voltar-se-á para seus pais. Se assim não fosse, toda a terra seria totalmente devastada na sua vinda." (Joseph Smith—História 1:38-39. Itálicos acrescentados.) Oro para que não desperdicemos nossa herança na terra ao negligenciar este privilégio de participar na obra da redenção. Enquanto somos gratos pela graça redentora de Jesus Cristo, nosso Salvador, ajudemo-lo, mostrando graça e misericórdia àqueles que estão sentados em trevas espirituais, aguardando que nós giremos a chave na fechadura de sua porta da prisão para trazê-los à luz do dia espiritual. Seja esta obra a abertura da porta para os vivos ou para os mortos, demos nosso testemunho pelas ações que praticamos, testificando com nossas vidas que Deus vive e que Jesus é seu Filho, que ressuscitou dos mortos e vive hoje. Este testemunho dou a vós em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶