Meus Irmãos e Irmãs e Amigos...
Delbert L. Stapley
Meus irmãos e irmãs e amigos: ¶
Esta tem sido uma conferência gloriosa. ¶
As mensagens têm sido apropriadas para este dia e época particular em que vivemos. Fui edificado, beneficiado espiritualmente, e encorajado a avançar no progresso da grande obra de nosso Senhor. ¶
Quando Jesus proferiu as palavras: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17:3), ele expressou uma verdade ao mesmo tempo profunda e eterna. ¶
Mas a verdade deve ser buscada, compreendida e vivida — do contrário, é inútil. ¶
Ela não se impõe; espera para ser descoberta. Espera para ser posta em prática pela inteligência, pelo juízo sábio; mas, quando descoberta e utilizada, coloca-nos no caminho para Deus — para desfrutarmos uma vida semelhante à de Deus, que é a vida eterna. Quando a verdade é conhecida em sua totalidade, ela nos torna mais semelhantes a Deus, pois Deus conhece e compreende todas as coisas. Esta bendita condição é o que Deus deseja para todos os seus filhos, pois ele declarou: "Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." (Moisés 1:39.) A Verdade Conduz à Vida Eterna Ora, aonde iremos para descobrir a verdade que, quando utilizada, trará a vida eterna? Iremos aos salões de aprendizado do mundo, aos laboratórios das ciências, aos ateliês da arte, aos antros da especulação metafísica? ¶
Foi de tais instituições que Jesus derivou sua sabedoria a respeito da vida mortal, sua compreensão da vida eterna? ¶
Não, de forma alguma! Embora ele não condenasse esses interesses dos homens, jamais os utilizou. Nunca sequer se referiu a eles como essenciais à vida eterna. Ele se referia frequentemente ao reino de Deus como o repositório daquela verdade que liberta os homens, que provê a alguém os meios do bem-estar — talvez importante, mas incidental às questões maiores do reino de Deus. ¶
Jesus declarou: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8:32.) Referia-se ele à filosofia ou às teorias científicas propostas pelo homem? Certamente ele não era contrário à verdade, não importa de que fonte derivasse, mas sua fonte de verdade era divina — e pertence ao reino de Deus. Esta, sem dúvida, é a razão de sua grande admoestação: ". . . buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça; e todas essas coisas [bens materiais] vos serão acrescentadas." (Mateus 6:33.) O Reino de Deus O Mestre atribui grande significado ao "reino de Deus". E com razão. Não foi ele responsável por estabelecê-lo, com seu caráter divino, aqui entre os homens — para o bem deles, para a glória e a exaltação final deles? ¶
Certamente ele sabia quão ineficazes são as instituições dos homens quando comparadas àquela instituição divina, o reino de Deus, como meio de finalmente aperfeiçoar a humanidade. ¶
Ao lermos os quatro Evangelhos, somos levados a nos maravilhar com as numerosas referências de Jesus ao reino de Deus. Ele estava sempre em sua mente. Ele estava constantemente ansioso para que os filhos de Deus soubessem dele e de seu significado. Ele está igualmente ansioso para que seus discípulos e todos os demais, em toda parte, o conheçam e o compreendam nesta última Dispensação da Plenitude dos Tempos. ¶
Verdadeiramente, então, o reino de Deus é de suma importância para que toda a humanidade o busque. "Mas o que é esse reino?" ¶
alguém pode perguntar. ¶
Nas Escrituras Sagradas, tanto antigas quanto modernas, os termos "reino de Deus", "reino de Cristo", "reino dos céus", são frequentemente usados de forma intercambiável. No entanto, especificamente, há distinções para cada um deles. É bom estar familiarizado com essas distinções. ¶
Dos escritos do Élder James E. ¶
Talmage, Lemos:
"Neste ministério prospectivo entre seus santos reunidos, Jesus Cristo há de ser, a um só tempo, o Deus e o Rei deles. Seu governo há de ser o de uma teocracia perfeita; as leis da retidão serão o código, e o controle será administrado sob uma única autoridade, indiscutida porque indiscutível." ¶
(Artigos de Fé, p. 363, ver pp. ¶
365-368.) Comentando o versículo 55 da seção 10 de Doutrina e Convênios: ¶
"Portanto, todos os que pertencem a minha igreja não precisam temer, porque herdarão o reino dos céus," o Profeta Joseph Smith disse o seguinte: ¶
"O Reino dos Céus é a Igreja. Às vezes o 'Reino dos Céus' significa todo o domínio no qual o governo de Deus foi estabelecido — o reino no qual Deus é reconhecido como o Governante Supremo. Este reino é, e sempre foi, no 'céu'. Está agora na Terra, na Igreja, e será estendido por toda a Terra durante o Milênio, e durante seu estado glorificado. Mas nesta passagem parece que a Igreja especificamente é o que se quer dizer. O Profeta Joseph usa o termo nesse sentido, quando diz: 'O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda. Eis, então, não é este o Reino dos céus que está erguendo a cabeça nos últimos dias, na majestade de seu Deus, a própria Igreja dos Santos dos Últimos Dias?'" (D&C Commentary, p. 57.) O Presidente Brigham Young, discutindo o versículo 11 da seção 29 de Doutrina e Convênios: "Pois revelar-me-ei do céu com poder e grande glória, com todas as suas hostes, e em retidão habitarei com os homens na Terra por mil anos; e os iníquos não permanecerão", diz: ¶
"Poder-se-ia perguntar o que quero dizer com o Reino de Deus. A Igreja de Jesus Cristo está estabelecida há muitos anos, e o Reino de Deus precisa ser estabelecido, mesmo aquele Reino que circunscreverá todos os reinos deste mundo. Ele dará leis a toda nação que existe sobre a Terra. Este é o reino que o Profeta Daniel viu que seria erguido nos últimos dias." (Idem, p. 147.) O falecido Presidente Joseph F. Smith, definindo o reino de Deus, diz: ¶
"O que quero dizer com o reino de Deus é a organização de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, sobre a qual preside o Filho de Deus, e não o homem. É isso que quero dizer. Refiro-me ao reino do qual Cristo é o Rei, e não o homem." (Gospel Doctrine, p. 72.) Essas grandes autoridades esclarecem para nós a natureza do reino de Deus. ¶
Ora, o que devem os filhos de Deus na terra esperar encontrar neste reino, para reconhecê-lo como seu reino, com a devida autoridade para agir? ¶
Visto que Jesus foi escolhido rei para governar e reinar no reino de Deus, faríamos bem em observar o caráter daquele reino que ele estabeleceu enquanto habitava aqui entre os homens. Tendo preparado o caminho ao ensinar princípios necessários ao progresso do homem rumo à semelhança com Deus, acompanhados por algumas ordenanças simples, porém necessárias, ele efetuou uma organização desprovida de pompa e ostentação, de apelo às paixões, de imagens, ídolos ou prelados motivados por interesses egoístas ou pelo desejo dos aplausos dos homens. Ele escolheu doze discípulos, chamados Apóstolos, com ele mesmo à cabeça. Em devido tempo, outros oficiais foram escolhidos, separados e receberam autoridade para agir em nome do Salvador, em seu reino. (Ver Efésios 4:11-12.) Durante seu ministério, o Salvador indicou que Pedro deveria dar liderança no reino depois que ele já não estivesse pessoalmente entre eles. ¶
Pedro foi dotado por Cristo de poder e autoridade para agir por ele e em seu nome, o que fez com coragem e eficácia. Esta organização divina perdurou até a chamada "grande apostasia", quando o Senhor considerou necessário remover sua Igreja da terra. ¶
Podemos esperar encontrar no reino de Deus hoje o mesmo tipo de organização que Cristo estabeleceu quando esteve aqui entre os homens, com oficiais semelhantes, possuindo a mesma autoridade divina que os oficiais originais receberam. Com tal organização, o reino de Deus estava certamente destinado a prosperar. A organização por si só, porém, era a manifestação exterior do reino. No reino de Deus, sempre devem ser encontrados os princípios, doutrinas e ordenanças que pertencem ao reino estabelecido pelo Salvador, e que devem ser plenamente aceitos para a cidadania nele. Sem tentar listar todos os princípios, doutrinas e ordenanças, eis alguns a título de ilustração: ¶
Princípios, Doutrinas e Ordenanças do Reino 1. Todas as pessoas devem ter um entendimento adequado de Deus e de seu Filho Jesus Cristo, que está à cabeça de seu reino na terra. ¶
Devem ter fé na realidade tanto de Deus quanto de Cristo, como indivíduos distintos e separados, mas unidos em propósito. ¶
Devem reconhecer sua própria condição: que, tendo o direito de escolha nesta vida finita, hão de errar em seu julgamento. Para corrigir tal erro, é importante que cada um pratique o princípio do arrependimento — aquele profundo princípio de progressão que, quando plenamente alcançado, garante o perdão de Deus. ¶
Disposição para se submeter à ordenança divina do batismo. ¶
Buscar a orientação e a direção do Espírito Santo, a fim de que a harmonia com a vontade e os propósitos de Deus seja estabelecida e preservada na vida pessoal de cada alma. ¶
Um ardente desejo de amar a Deus e a seu Amado Filho de todo o coração e alma, e de amar o próximo como a si mesmo. ¶
Na autoridade divina conferida pelo reino de Deus, cada um deve encontrar agentes divinamente autorizados; do contrário, o reino é dos homens, não de Deus. ¶
Decorrentes destes elementos essenciais estão outros princípios e ordenanças, simples em sua aplicação, porém divinos, de caráter imutável e sempre duradouro. A atenção imparcial a eles, e sua consideração, revelará evidência convincente de sua origem divina — de que pertencem ao reino de Deus. ¶
Qual é, então, a função e o poder daquele reino? ¶
O reino de Deus não pode ser considerado um fim em si mesmo. É antes um meio nas mãos de Deus e de Cristo para ajudar a levar a efeito "a imortalidade e vida eterna do homem". (Moisés 1:39.) Visto que testificamos que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é o reino de Deus na terra, compreendemos que a função de um é também a função do outro, e que o poder de um é também o poder do outro. ¶
O Presidente David O. McKay, discutindo a função da Igreja ou reino de Deus, disse: ¶
A Função do Reino "A missão da Igreja é estabelecer o reino de Deus sobre a terra, o qual, nas palavras de Thomas Nixon Carver, 'não é um reino mítico, mas real. É um corpo de pessoas dominado por ideais de produtividade, que é o serviço mútuo. Não nos esforçamos pelas coisas que satisfazem apenas por um momento e depois deixam um gosto ruim. Esforçamo-nos pelas coisas que nos edificam e nos permitem, a nós e a nossos filhos, sermos fortes, florescermos e vencermos. Esforçamo-nos por nos tornarmos dignos de receber o mundo, capacitando-nos a usá-lo de maneira mais produtiva do que os outros. Acreditamos que obediência a Deus significa obediência às leis da natureza, que nada mais são do que manifestações de sua vontade, e procuramos, por meio de estudo cuidadoso, adquirir o conhecimento mais completo e exato dessa vontade, a fim de que possamos conformar-nos a ela.'" (Gospel Ideals, p. 102.) E novamente, o Presidente McKay disse: ¶
"Há aqueles no mundo que dizem que o ciúme, a inimizade, o egoísmo no coração dos homens sempre impedirão o estabelecimento da sociedade ideal conhecida como o reino de Deus. Não importa o que digam os incrédulos e zombadores, a missão da Igreja de Jesus Cristo é eliminar o pecado e a maldade do coração dos homens, e assim transformar a sociedade, de modo que a paz e a boa vontade prevaleçam sobre esta terra." (Idem, p. 103.) O Presidente Brigham Young, falando sobre o mesmo assunto, diz: ¶
"À medida que este Reino de Deus cresce, se espalha, aumenta e prospera em seu curso, ele purificará, purgará completamente e limpará o mundo da maldade. . . . ¶
"Quando o Reino de Deus estiver plenamente estabelecido sobre a face da terra, e assumir a preeminência sobre todas as demais nações e reinos, ele protegerá o povo no gozo de todos os seus direitos, não importa no que creiam, o que professem, ou o que adorem. Se desejarem adorar um deus feito por suas próprias mãos, em vez do Deus verdadeiro e vivo, tudo bem, se cuidarem de seus próprios assuntos e deixarem as outras pessoas em paz." (Discourse of Brigham Young, p. 440.) O falecido Presidente Joseph F. Smith, seguindo a mesma linha de pensamento, comentou o seguinte: ¶
Nossa Missão é Salvar "Nossa missão é salvar, preservar do mal, exaltar a humanidade, trazer luz e verdade ao mundo, persuadir o povo da terra a andar retamente diante de Deus, e a honrá-lo em sua vida e com as primícias de todos os seus bens e aumento, para que seus celeiros se encham de fartura e, figurativamente falando, para que 'seus lagares transbordem de vinho novo.'" (CR, abril de 1907, p. 118.) O Reino da Paz Em outra ocasião, tendo em mente o reino de Deus, ele disse: ¶
"Levamos ao mundo o ramo de oliveira da paz. Apresentamos ao mundo o amor de Deus, a palavra do Senhor, a Verdade, tal como foi revelada nos últimos dias para a redenção dos mortos e para a salvação dos vivos. Não guardamos malícia nem maldade para com os filhos dos homens. O espírito de perdão permeia o coração dos Santos de Deus, e eles não nutrem desejo ou sentimento de vingança para com seus inimigos ou aqueles que os ferem, molestam ou procuram amedrontá-los; mas, ao contrário, o Espírito do Senhor tomou posse de seus espíritos, de suas almas e de seus pensamentos; perdoam a todos os homens, e não carregam malícia em seu coração para com ninguém, não importa o que tenham feito." (CR, abril de 1902, p. 2.) Exemplos de tais mensagens poderiam ser multiplicados muitas vezes, ilustrando a função do reino de Deus na terra. Para Resistir ao Adversário Tornando poderosa e autoritária, além do poder do mal para impedi-la ou frustrá-la, é a autoridade divina do sacerdócio inerente ao reino. ¶
Está organizada de modo a induzir a unidade de propósito e, quando usada retamente por aqueles que a possuem, garante a segurança do reino contra todas as incursões do adversário. ¶
O mundo atual está ameaçado por agentes de destruição. As trevas da mente, corações abalados por impulsos de egoísmo, a prevalência do erro, do mal, da ignorância daquilo que é certo e errado, a corrupção, o pecado e a maldade — tudo isso, e mais, constitui hoje, como no passado histórico, os meios pelos quais a sociedade humana poderia se destruir. Que isso não venha a acontecer é a ardente esperança de todos os que buscam a retidão como seu modo de vida. ¶
A busca deles não será em vão se se voltarem para ". . . o reino de Deus e a sua justiça . . ." (Mateus 6:33.) em busca da realização de suas aspirações. Tudo o que o reino representa se opõe às forças destrutivas que enumerei. Os retos, diz-nos a escritura, herdarão a terra. Essa condição só será alcançada quando o reino de Deus, por meio de seu poder salvador, triunfar sobre o mal e a maldade. ¶
Verdadeiramente, todos os que desejam a salvação e a exaltação estão obrigados a buscar sinceramente o reino de Deus e a sua justiça. ¶
Cristo, em sua existência mortal, não escolheu as igrejas dos fariseus ou dos saduceus, nem o Sinédrio, nem qualquer outra igreja ou organização contemporânea, como base ou estrutura para estabelecer o reino de Deus na terra. Ele se referiu a tais corpos religiosos com denúncia mordaz por terem se afastado tanto do caminho correto que apenas restava uma forma morta de adoração. (Ver Mateus 23.) A igreja de Cristo é distinta e apartada das instituições religiosas feitas pelo homem. Em todas as épocas, sua obra foi estabelecida pela revelação e pela abertura dos céus, de onde anjos desceram para instruir os profetas e conferir as chaves e a autoridade do sacerdócio a líderes escolhidos por Deus. ¶
A restauração de sua Igreja e evangelho nesta última dispensação não é exceção, como podem e testificam milhares de homens e mulheres fiéis. ¶
O Evangelho "para toda nação, tribo, . . ." ¶
Muitos milhares testificaram que o reino de Deus, com sua inclusão das leis e princípios fornecidos para a orientação da vida rumo à salvação e à exaltação, é aquela pérola de grande valor de que Jesus falou em sua história do homem que vendeu todos os seus bens para comprá-la. ¶
Este pensamento sugere o valor do reino para cada alma vivente. Nele não há nada que entristeça, desvie ou degrade os filhos dos homens. Ao contrário, nele está tudo o que alegra, orienta corretamente, e eleva a vida de todos os que o aceitam. Ele provê satisfações e alegrias, tanto de grupo quanto de vida individual. E esse é o fim destinado da vida, pois um profeta do Senhor disse: ". . . os homens existem para que tenham alegria." (2 Néfi 2:25.) Possuindo aquela alegria proporcionada pela observância das leis, princípios e ordenanças do reino, todos os que a ele pertencem podem experimentar, sem impedimentos, uma expansão da alma, um desenvolvimento que será por si só sua própria evidência e testemunho de uma vida crescendo rumo à semelhança com Deus. Não é isso uma consumação devotamente desejável? Isso certamente deve ser o valor do reino de Deus na vida de todas as pessoas. ¶
Irmãos e irmãs e amigos, presto humilde testemunho de que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é o reino de Deus na terra. Ele está aqui com um propósito, e nesta última dispensação do tempo esse propósito é imenso. A obrigação sobre nós, como membros da Igreja restaurada de Jesus Cristo, é assegurar que este evangelho seja pregado a toda nação, tribo, língua e povo, para que fiquem sem desculpa no dia do juízo. Presto-vos este testemunho em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶