Pulpit

Bem-Aventurados os Que Guardam Seus Mandamentos...

David O. McKay

1964 April General Conference·First Day (Saturday, April 4) — Morning Meeting·1964-04-04

"Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos." (Apoc. 22:14.)

Há muitos anos, contava-se, num de nossos primeiros livros escolares, uma história sobre alguns jovens que desciam o rio em direção às Cataratas do Niágara. Um homem na margem gritou-lhes: "Jovens, Eh! os rápidos estão à vossa frente!"

Mas eles não atenderam ao seu aviso até perceberem, tarde demais, que já estavam no meio dos rápidos. Com todo o poder de que dispunham, não conseguiram fazer o barco voltar rio acima. "Assim," disse o homem que tentara avisá-los, "gritando e praguejando, foram-se!"

A lição deixou em mim uma impressão indelével; mas hoje parece-me incompleta. Uma coisa é ficar na margem e gritar: "Jovens, Eh! — há perigo adiante," e outra coisa é remar rio adentro e, se possível, entrar no barco com os jovens, e por companheirismo, por persuasão, por força legítima, quando necessário, desviar o barco dos rápidos. Muitos de nós contentamo-nos em ficar na margem gritando: "Há perigo adiante."

Nesta manhã, tenho em mente dar um aviso a todos os jovens a respeito de três perigos que ameaçam o sucesso e a felicidade da Juventude:

Primeiro, o hábito pernicioso de fumar cigarros.

Segundo, o número crescente de divórcios.

Terceiro, a tendência de considerar menos sagrados os padrões morais.

O Hábito de Fumar

Há cento e trinta e um anos, o Profeta Joseph Smith recebeu uma revelação "manifestando a ordem e a vontade de Deus quanto à salvação física de todos os santos nos últimos dias." (D&C 89:2.) Ela diz respeito à natureza física, intelectual, moral e espiritual do homem. Trata particularmente da relação entre o apetite do homem e a saúde e o vigor. A reação de uma pessoa a seus apetites e impulsos, quando estes são despertados, dá a medida do caráter dessa pessoa. Nessas reações revela-se o poder do homem de governar-se, ou sua forçada servidão de ceder. Aquela parte da Palavra de Sabedoria, portanto, que se refere a bebidas alcoólicas, drogas e estimulantes, vai mais fundo do que os efeitos nocivos sobre o corpo, e atinge a própria raiz da formação do caráter.

Bebidas Fortes e Fumo Não São Bons para o Homem

A revelação diz que bebidas fortes e fumo não são bons para o homem. Esta é uma afirmação clara e definida que resistiu ao teste de mais de um século. Foi feita por um homem de apenas vinte e sete anos de idade, que, do ponto de vista do conhecimento humano, sabia muito pouco sobre fisiologia, higiene, ou a relação entre a mente e o corpo e o caráter e a espiritualidade. Seu conhecimento veio da inspiração. Com uma convicção inabalável, com a certeza de que a afirmação resistiria a todos os testes e experimentos, ele declarou que bebidas fortes e fumo, exceto quando usados externamente, não são bons para o homem.

Durante os últimos cem anos, o maravilhoso avanço da ciência tornou possível ao homem determinar, por meio de experimentos, o efeito nocivo dos estimulantes e drogas sobre os nervos e tecidos do corpo humano. A observação e a experimentação demonstraram seus efeitos sobre o caráter. Todos esses experimentos e observações comprovaram a verdade da declaração do jovem: "Bebidas fortes e fumo não são bons para o homem."

O respeito pelos direitos e pela propriedade alheios é fundamental num bom governo. É marca de refinamento em qualquer indivíduo; é uma virtude cristã fundamental. A nicotina parece embotar, senão matar completamente, esse traço de verdadeira cultura, e as mulheres, infelizmente, têm se tornado suas vítimas lamentáveis, e as piores infratoras na sociedade. Ainda há alguns transportes públicos que possuem compartimentos para não fumantes; alguns restaurantes com placas de "Proibido Fumar." Em violação a tais avisos, não é raro, contudo, ver-se uma mulher com total desrespeito pelos sentimentos de seus companheiros de viagem, entre os primeiros num avião ou num trem a acender um cigarro.

Muitos edifícios públicos estão frequentemente sujos de fósforos apagados e pontas de cigarros e charutos. Muitos incêndios dispendiosos em hotéis, prédios de apartamentos e residências começam por cigarros acesos descuidadamente jogados ou deixados de lado.

Se homens e mulheres devem fumar, e parece que muitos são agora escravos desse hábito, então, por amor à limpeza e ao asseio, bem como por consideração pelos outros, que se abstenham de estragar móveis, tapetes, etc., e de espalhar cinzas e pontas de cigarro em edifícios onde as pessoas se reúnem, seja para o lazer, seja para a instrução.

Mas, além de tudo isso, a ciência já provou que existe um perigo muito maior associado ao hábito de fumar cigarros.

O Dr. George James, Comissário de Saúde da Cidade de Nova York, disse em 17 de março de 1964 que "sabe que, dentro dos próximos seis meses, mil fumantes de cigarro em Nova York morrerão de câncer de pulmão, câncer de garganta e outras doenças por causa do hábito de fumar."

No sábado, 11 de janeiro de 1964, os jornais de todo o país publicaram a seguinte declaração:

"Uma equipe científica especial do governo ligou, no sábado, o hábito de fumar cigarros a cinco formas de câncer, e classificou o hábito como um risco à saúde que exige 'ação corretiva adequada.'" Este relatório, há muito esperado, elaborado por dez cientistas e médicos, declarou que uma série de estudos mostrou que "a taxa de mortalidade dos fumantes de cigarro em relação aos não fumantes era particularmente alta para diversas doenças."

Apelo aos jovens e às jovens de toda parte para que se abstenham desse hábito repugnante, não só pelo efeito que tem sobre seu caráter, mas também por causa das alarmantes provas de médicos e cientistas de que é uma das principais causas do câncer.

Número Crescente de Divórcios

Outra ameaça à nossa sociedade é o número crescente de divórcios e a tendência de encarar o casamento como um mero contrato que pode ser rompido à primeira dificuldade ou desentendimento que surja.

Uma de nossas mais preciosas posses é a nossa família. As relações domésticas precedem, e, em nossa existência atual, valem mais do que todos os outros laços sociais. Elas dão o primeiro impulso ao coração e abrem as profundas fontes de seu amor. O lar é a principal escola das virtudes humanas. Suas responsabilidades, alegrias, tristezas, sorrisos, lágrimas, esperanças e cuidados formam os principais interesses da vida humana.

"Fazer um lar feliz e aconchegante Para a esposa e os filhos pequenos, Este é o verdadeiro pathos e sublime De toda a vida humana."

— Robert Burns

Quando alguém coloca os negócios ou o prazer acima do lar, nesse mesmo instante começa a descer para a fraqueza da alma. Quando o clube se torna mais atraente para um homem do que o seu lar, é hora de ele confessar, com amarga vergonha, que falhou em corresponder à suprema oportunidade de sua vida e fracassou na prova final da verdadeira masculinidade. Nenhum outro sucesso pode compensar o fracasso no lar. O mais pobre barraco em que o amor prevalece sobre uma família unida tem maior valor para Deus e para a humanidade futura do que quaisquer outras riquezas. Nesse lar, Deus pode operar milagres e operará milagres.

Corações puros num lar puro estão sempre à distância de um sussurro do céu.

À luz das escrituras, antigas e modernas, estamos justificados a concluir que o ideal de Cristo quanto ao matrimônio é o lar indissolúvel, e que as condições que provocam o divórcio são violações de seu ensinamento divino.

Algumas dessas condições nomeio como infidelidade por parte do marido ou da esposa, ou de ambos — embriaguez habitual, violência física, longo encarceramento que desonre a esposa e a família, a união de uma jovem inocente com um reprovado. Nesses e talvez em outros casos, pode haver circunstâncias que tornem a continuação do estado matrimonial um mal maior do que o divórcio. Mas estes são casos extremos — são os erros, as calamidades no âmbito do matrimônio. Se pudéssemos removê-los, eu diria que nunca deveria haver divórcio. É ideal de Cristo que o lar e o matrimônio sejam perpétuos — eternos.

O matrimônio é uma relação sagrada, contraída para fins bem reconhecidos — primordialmente para a criação de uma família.

Não conheço outro lugar onde a felicidade se estabeleça mais firmemente do que no lar. É possível fazer do lar um pedacinho do céu. De fato, imagino o céu como uma continuação do lar ideal. Certo homem disse: "O lar repleto de contentamento é uma das mais altas esperanças desta vida."

Uma taxa de natalidade sempre decrescente, e uma taxa de divórcios crescente, são sinais ameaçadores para a estabilidade do lar e a perpetuidade de qualquer nação.

A fim de diminuir a dissolução dos lares, devemos substituir a atual tendência para uma baixa visão do matrimônio pela visão elevada que Jesus Cristo lhe atribui. Consideremos o matrimônio como uma obrigação sagrada e um convênio que é eterno, ou que pode ser feito eterno.

Os jovens de ambos os sexos devem ser ensinados quanto às responsabilidades e aos ideais do matrimônio, de modo que percebam que o matrimônio envolve obrigação e não é um arranjo que se termina ao bel-prazer. Devem ser ensinados que o amor puro entre os sexos é uma das coisas mais nobres da terra, e que gerar e criar filhos é o mais elevado dos deveres humanos. Nesse sentido, é dever dos pais dar, no lar, um exemplo que os filhos possam ver e absorver quanto à santidade da vida familiar e à responsabilidade a ela associada.

O número de casamentos desfeitos pode ser reduzido se os casais perceberem, mesmo antes de se aproximarem do altar, que o matrimônio é um estado de serviço mútuo, um estado de dar tanto quanto de receber, e que cada um deve doar-se a si mesmo ao máximo.

O inimigo mais perverso da vida do lar é a imoralidade.

A respeito desse mal, escreve Victor Hugo com veemência:

"A santa lei de Jesus Cristo governa a nossa civilização; mas ainda não a permeia; diz-se que a escravidão desapareceu da civilização europeia. Isso é um engano. Ela ainda existe; mas agora só recai sobre a mulher, e chama-se prostituição."

Este mal corrosivo é tão desmoralizante para os homens quanto para as mulheres. Na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não há duplo padrão de moralidade. O jovem deve chegar ao altar do matrimônio tão apto para a paternidade quanto sua namorada é digna da maternidade.

A castidade, e não a indulgência durante os anos pré-matrimoniais, é a fonte da harmonia e da felicidade no lar, e o principal fator contribuinte para a saúde e a perpetuidade da raça. Lealdade, confiabilidade, confiança, amor a Deus e fidelidade ao próximo estão associados a este diadema na coroa da feminilidade virtuosa e da masculinidade viril. A palavra do Senhor à sua Igreja é: "Conservai-vos imaculados do mundo." (Ver Tiago 1:27; D&C 59:9.)

O fundamento de um caráter nobre é a integridade. Por essa virtude pode-se julgar a força de uma nação, assim como a de um indivíduo. Nenhuma nação se tornará grande cujos oficiais de confiança aprovarem legislação para ganho pessoal, que se aproveitarem do cargo público para promoção pessoal, ou para satisfazer vaidosa ambição, ou que, por meio de falsificação, artimanha e fraude, roubarem o governo, ou forem infiéis a um cargo de confiança pública.

Honestidade e sinceridade de propósito devem ser traços dominantes de caráter nos líderes de uma nação que deseje ser verdadeiramente grande.

"Espero," disse George Washington, "ter sempre virtude e firmeza suficientes para manter o que considero o mais invejável de todos os títulos — o caráter de um homem honesto."

Foi o caráter de Washington, mais do que o brilho de seu intelecto, que fez dele a escolha de todos como seu líder natural quando as treze colônias originais decidiram romper com a metrópole. Como bem disse alguém em elogio ao pai de nossa pátria: "Quando apareceu entre os eloquentes oradores, os engenhosos pensadores, os veementes patriotas da Revolução, sua modéstia e sua profissão comedida não puderam ocultar sua superioridade; foi de imediato, pela própria natureza de seu caráter, sentido como o líder deles."

Nós, na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, como cidadãos desta amada terra, usemos nossa influência para que homens e mulheres de caráter íntegro, de honra inquestionável, sejam eleitos para cargos públicos; que nossos lares sejam mantidos incontaminados e não desfeitos pela infidelidade; que os filhos neles sejam treinados a guardar os mandamentos do Senhor, a ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes e virtuosos, e a fazer o bem a todos os homens. (Ver Décimo Terceiro Artigo de Fé.)

Estimando tais ideais, podemos dizer com todo o nosso coração, com o poeta Longfellow:

"Segue, pois, tu também, ó Nau do Estado Segue, ó União, forte e grandiosa! A humanidade com todos os seus temores, Com todas as esperanças dos anos vindouros, Pende, sem fôlego, do teu destino!"

Que os membros da Igreja de Jesus Cristo, pregando o evangelho restaurado aos povos da terra, lembrem-se sempre da exortação do Salvador: "Vós sois a luz do mundo. . . .

"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mat. 5:14, 16.) Para que sintamos esta responsabilidade, humildemente oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “Bem-Aventurados os Que Guardam Seus Mandamentos...”, 1964 April General Conference, First Day (Saturday, April 4) — Morning Meeting (1964-04-04). Pulpit Vault, 1964-04-mckay-blessed-are-they. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).