Nos Próximos Minutos, Gostaria...
Harold B. Lee
Nos próximos minutos, gostaria de dirigir vosso pensamento a uma das grandes citações de nosso Senhor e Mestre, uma citação que tem sido o texto de muitos discursos ao longo dos anos. O Mestre disse: ¶
"Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm a vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. ¶
"Por seus frutos os conhecereis. ¶
Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? ¶
"Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. ¶
"Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. ¶
"Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. ¶
"E assim, pelos seus frutos os conhecereis." (Mat. 7:15-20.) Rogo que o que eu possa dizer sobre essa citação esteja em harmonia com o grande discurso-chave, inspirado como foi e proferido a nós de forma tão magistral por nosso amado Presidente. ¶
Às vezes, aqueles que discorreram sobre este texto interpretaram esta parábola ou figura de linguagem, como podeis chamá-la, como os frutos pelos quais um povo ou uma pessoa poderia ser julgado, aplicando-a primordialmente ao crescimento temporal ou ao ganho material. Este conceito está bem ilustrado por um artigo recente sobre a Igreja que apareceu numa revista nacional conhecida como Christian Century. Eis o que dizia o artigo: "Observando o crescimento fenomenal da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmon) nos últimos anos, outras igrejas, que veem muitas crenças mórmons e algumas práticas mórmons como não bíblicas e bizarras, perguntam: 'O que eles têm que nós não temos?' " (23 de janeiro de 1963, p. 102.) ## Os "Frutos" ¶
Então o artigo passa a enumerar o crescimento em número de membros, o número de missionários, o número de missões, as novas congregações, o número de hospitais, os programas educacionais, membros da igreja ocupando altos cargos no governo. Depois passam a explicar que, embora proclamando descrença em muitos ensinamentos e disciplinas, sugerem uma reavaliação de métodos e programas, tais como a evangelização de porta em porta, programas de assistência aos pobres, educação, recreação e emprego para aqueles que não podem prover para si mesmos, a exigência de dois anos de serviço missionário sem remuneração, e o uso extensivo de leigos para manter o menor número possível de líderes eclesiásticos profissionais, como possíveis explicações para o crescimento da Igreja. ¶
Verdadeiros "Frutos"
O artigo então conclui com esta afirmação muito significativa de um livro escrito por Frank S. Meads, intitulado Handbook of Denominations in the United States, que declarou que a "experiência missionária dos mórmons fortalece tanto a eles quanto sua Igreja, e oferece um modelo de serviço eclesiástico e zelo igualado por muito poucas das outras grandes igrejas na América." ¶
(Nova York: Abingdon Press, 1956, p. 126.) Este último comentário sugere os verdadeiros frutos pelos quais a Igreja e seus discípulos podem melhor ser julgados. ¶
"Ele, o Guia Onipotente"
Esta última citação recorda algo que foi escrito pelo Dr. Mosheim em sua Ecclesiastical History a respeito da marca dos verdadeiros discípulos do período que se seguiu à crucificação do Salvador. ¶
Ele disse: "Os historiadores testemunham que, mesmo depois da morte do Mestre, ele ainda era seu protetor onipotente e seu guia benevolente." O Dr. Mosheim fala do cumprimento da promessa do Mestre de que enviaria a eles o dom do Espírito Santo, o Consolador, que os "ensinaria todas as coisas, faria com que se lembrassem de todas as coisas e lhes mostraria as coisas por vir. Ele os guiaria a toda a verdade e testificaria dele." (Ver João 14:26; 15:26; 16:13.) Então o doutor explica que esse cumprimento veio no dia de Pentecostes. Ele registra uma notável mudança perceptível nos discípulos após esse grande acontecimento, nestas palavras: "As consequências deste grandioso acontecimento foram surpreendentes e gloriosas, infinitamente honrosas para a religião cristã e para a missão divina de seu triunfante autor. Pois, mal os apóstolos haviam recebido este precioso dom, este guia celestial, sua ignorância transformou-se em luz, suas dúvidas em certeza, seus temores numa firme e invencível fortaleza, e sua anterior relutância numa ardente e inextinguível zelo, que os levou a empreender seu sagrado ofício com a máxima intrepidez e presteza de espírito. Este acontecimento maravilhoso foi acompanhado de uma variedade de dons; particularmente o dom de línguas, tão indispensavelmente necessário para capacitar os apóstolos a pregar o evangelho às diferentes nações. Estes santos apóstolos também estavam repletos de uma perfeita persuasão, fundada na promessa expressa de Cristo, de que a presença divina os acompanharia perpetuamente, e se manifestaria por intervenções miraculosas, sempre que o sucesso de seu ministério assim o exigisse. E, de fato, havia marcas indubitáveis de um poder celestial acompanhando perpetuamente seu ministério. Havia em sua própria linguagem uma energia inacreditável, um assombroso poder de enviar luz ao entendimento, e convicção ao coração." (J. L. von Mosheim, Ecclesiastical History, pp. 61, 67.) A Maior Força da Igreja Hoje, como era então, bem se poderia dizer que os maiores milagres que vemos não são as curas de corpos enfermos, mas as mudanças milagrosas que ocorrem na vida daqueles que se tornam membros da Igreja, como todos os missionários testificarão. A maior força da Igreja não é o número de unidades que temos, não é a quantia de dízimo que é pago, nem as congregações, mas a maior força são os testemunhos unidos e fervorosos que estão nos corações dos membros da igreja. E, pelo mesmo raciocínio, poderíamos dizer que a maior arma contra toda a falsidade, seja na ciência, assim chamada, ou nas filosofias do mundo, ou no comunismo, ou seja lá o que for, a maior arma é a verdade do evangelho de Jesus Cristo, que, pregada com poder, será um baluarte contra essas falsas ideias no mundo de hoje. ¶
O Mestre fez algumas aplicações do significado desses dons espirituais como "fruto" ou "frutos." Ele disse: "Eu sou a videira, vós, os ramos; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. ¶
"Não me escolhestes vós a mim, porém eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; para que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda." ¶
(João 15:5, 16.) Falando desses mesmos dons, o Profeta Alma diz: "Sim, depois de haverem sido um povo altamente favorecido pelo Senhor; sim, depois de haverem sido mais favorecidos do que qualquer outra nação, . . . ¶
"Havendo sido visitados pelo Espírito de Deus; havendo conversado com anjos e ouvido a voz do Senhor e tendo o espírito de profecia e o espírito de revelação; e também muitos dons, o dom de falar em línguas e o dom de pregar e o dom do Espírito Santo e o dom de traduzir"; (Alma 9:20-21.) Desde o princípio, nossos profetas-líderes têm declarado, como fez o Apóstolo Paulo, ". . . que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo que habita em vós, . . ." (1 Cor. 6:19) e então ele disse: "Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo." (Ibid., 3:17.) E, novamente, numa revelação em nossos dias, o Senhor disse: "Porque, se guardardes meus mandamentos, recebereis de sua plenitude, e sereis glorificados em mim como eu o sou no Pai; portanto, digo-vos, recebereis graça por graça." ¶
(D&C 93:20.) Em outras palavras, estas escrituras repetem o que o Mestre havia declarado: se quisermos ter os bons frutos desses dons espirituais, devemos assegurar-nos de manter boa a árvore. ¶
Uma distinção interessante entre aqueles que dão bons frutos e aqueles que não os dão está bem ilustrada na parábola do semeador, como vos lembrais, em que o Mestre descreveu as três categorias de, presumivelmente, membros da igreja — aqueles que davam fruto — "um, disse ele, produziu cem; outro, sessenta; outro, trinta." (Mat. 13:8.) E, na interpretação do sonho de Leí no Livro de Mórmon, ele tem quatro categorias: aqueles que participaram do fruto, como vos lembrais, e permaneceram firmes; aqueles que participaram e depois foram cegados por névoas de escuridão que se levantaram do rio e perderam o caminho; aqueles que chegaram a provar o fruto e depois se afastaram porque foram ridicularizados por aqueles que viviam em habitações espaçosas, representando as riquezas do mundo; e, finalmente, aqueles que se recusaram a participar do delicioso fruto da árvore. (Ver 1 Néfi 8.) ## "Quase, mas não de todo . . ." ¶
Estávamos no Leste há pouco tempo, e um bom bispo fez um comentário interessante sobre o que ele chamou de as palavras mais tristes que conhece de um homem em alta posição. Ele leu as palavras dos dias do Apóstolo Paulo, quando Paulo, diante do Rei Agripa, dera seu poderoso testemunho de sua conversão. A resposta do Rei Agripa foi: "Por pouco não me persuades a que me faça cristão." (Atos 26:28.) Então o bispo disse: "O rei conhecia a verdade, mas lhe faltava a coragem de fazer o que seria exigido; e só pôde dizer então: 'Por pouco me persuades,' quase persuadido, sob certas circunstâncias, a fazer o que o Senhor gostaria que ele fizesse." ¶
E então ele caracterizou algumas coisas que descobriu em sua própria ala, num sermão curto, mas poderoso. ¶
"Em resposta ao Mestre, 'Vem . . . segue-me' (Mar. 10:21), alguns membros quase," disse ele, "mas não de todo, dizem: 'por pouco me persuades a ser honesto, mas preciso de ajuda extra para passar numa prova.' " ¶
Vós, jovens do coro, podeis pensar nisso. ¶
"Por pouco me persuades a guardar o dia de sábado santo, mas é divertido jogar bola no domingo. ¶
"Por pouco me persuades a amar meu próximo, mas ele é um patife; a ser tolerante com as opiniões alheias, mas elas estão completamente erradas; a ser gentil com a irmã, mas ela me bateu primeiro; a fazer o ensino familiar, mas está tão frio e úmido lá fora esta noite; a pagar dízimos e ofertas, mas precisamos mesmo de uma nova televisão a cores; a encontrar o dono de um relógio perdido, mas ninguém devolveu o relógio que perdi; a distribuir o sacramento, mas já me formei dos diáconos; por pouco me persuades a ser reverente, mas eu tinha que contar ao meu amigo sobre meu encontro de ontem à noite; por pouco me persuades a comparecer à reunião de liderança da estaca, mas sei mais do que o líder sobre aquele assunto, então por que deveria ir. Por pouco me persuades a ir à reunião sacramental, mas vai haver um orador tão desinteressante esta noite. Quase! Quase! Quase, mas não de todo, incapaz de chegar de todo lá." ¶
Como Cultivar Bom "Fruto"
Há incidentes que ilustram como o bom fruto pode ser desenvolvido pelo devido cultivo das sementes da fé, guardando plenamente os mandamentos, e quero citar apenas dois muito brevemente, ainda que, no início, a qualidade dos frutos do Espírito não fosse assim. ¶
Tenho sobre minha mesa uma carta, e não direi o nome, é claro, e ninguém, exceto ela, saberá de quem falo, uma mãe de quatro filhos que passou por doença, dor que foi aliviada pelo que se descobriu depois ser pílulas que causam dependência, e então veio a luta para vencer essas drogas devastadoras até que ela quase perdeu a esperança de viver. ¶
Então ela foi visitar uma amiga, e para sua surpresa descobriu que sua amiga estava paralisada por alguma aflição cancerosa e pelos severos tratamentos médicos que se seguiram. Depois de visitar essa fiel e devotada amiga, ela foi para casa. Ela disse: "Tive uma longa conversa com o Senhor, e comecei a contar minhas bênçãos em vez de pensar que o Senhor estava me perseguindo pessoalmente. ¶
Agora vou à reunião sacramental. Agora vou à Sociedade de Socorro. Estou visitando os enfermos, e estou levando algo que cozinhei quando visito. Estou levando livros da igreja a amigas de quem antes eu havia me distanciado." Depois ela escreveu: "Agora subi das profundezas escuras do desespero até a beira de onde já posso ver o sol. Estou tentando seguir o conselho: 'Mantende os olhos fixos nas estrelas.' " ¶
Há pouco tempo, o Élder Franklin D. ¶
Richards e eu, tarde da noite, fomos convidados por um excelente bispo jovem e seus líderes de estaca a participar numa administração a ele. Ele enfrentava a possibilidade de uma cirurgia por uma doença fatal. Eles haviam, em obediência ao mandamento do Senhor, buscado à maneira do Senhor por ajuda. Ele estava dando todo o serviço que podia como bispo. Ele e sua esposa haviam se casado no templo, e com sua esposa haviam sido fiéis em ter uma pequena família; e agora ele havia vindo pedir ajuda ao Senhor. Não ouvimos mais nada sobre isso até que, na semana passada, chegou uma carta de sua esposa que dizia isto: ¶
Rededicação
"Eles o operaram, e embora tivessem encontrado, pelo que parecia pelo raio-X, massas de tumores malignos na cavidade torácica, surpreendentemente todos se revelaram benignos. Quanto a meu esposo e a mim, uma palavra descreve nossos sentimentos agora — rededicação — um ao outro, ao Senhor, e à nossa parte na edificação de seu reino nesta terra. ¶
Meu esposo me pediu para mencionar nesta carta a vós que o bispo que retorna ao povo de sua ala é um servo mais humilde, compassivo e dedicado do que nunca antes. Foi preciso esta experiência, por mais assustadora que tenha sido, para me trazer à plena percepção de quão preciosa é a própria vida, e quão glorioso é este evangelho que une um amor como o nosso por todo o tempo e por toda a eternidade." ¶
Ao superarem a doença, as angústias e as decepções, suas experiências resultaram em melhor fruto. Provaram seu fruto por suas obras. Por seus frutos, o Senhor os provou. A vida e o serviço assumiram um significado inteiramente diferente. ¶
Desenvolvimento das Qualidades Espirituais — Os Verdadeiros Frutos Num programa missionário que li outra noite, foram citadas palavras do Presidente McKay que parecem apropriadas ao que estou dizendo. O Presidente McKay foi citado como tendo dito: ¶
"A existência terrena do homem é apenas uma prova quanto a saber se ele concentrará seus esforços, sua mente, sua alma, nas coisas que contribuem para o conforto e a satisfação de sua natureza física, ou se fará de sua busca na vida a aquisição de qualidades espirituais." ¶
Em suma, o Presidente nos disse que o desenvolvimento das qualidades espirituais de alguém determinará se sua árvore foi boa, e que isso só pode ser determinado pela qualidade do fruto, ou pelos dons espirituais que dele provêm. ¶
Mortalidade: Sempre Dor Uma jovem mãe passou pela dolorosa experiência de ter um filhinho morto num acidente, e ela veio buscar uma bênção de consolo. Perguntou entre lágrimas: "Deve sempre haver dor nesta vida?" Pensei por alguns minutos, e então disse: "O Apóstolo Paulo disse do Mestre, o Senhor e Salvador: 'Ainda que era Filho, todavia aprendeu a obediência pelas coisas que padeceu.' (Heb. 5:8.) Suponho que a resposta seja sim; deve sempre haver dor nesta vida de tribulação e tristeza, e há um propósito em tudo isso." ¶
"A estrada é áspera, eu disse, Querido Senhor, há pedras que me machucam tanto. ¶
E ele disse: Querida filha, eu compreendo, eu a caminhei há muito tempo. ¶
"Mas há um fresco caminho verde, eu disse, Deixa-me caminhar ali por um tempo. ¶
Não, filha, ele gentilmente me respondeu, O caminho verde não sobe. ¶
"Meu fardo, eu disse, é grande demais, Como posso suportá-lo assim? ¶
Minha filha, disse ele, eu me lembro de seu peso, Eu carreguei minha cruz, sabes. ¶
"Mas, eu disse, gostaria que houvesse amigos comigo Que fizessem meu caminho seu. ¶
Ah, sim, ele disse, o Getsêmani Foi difícil de enfrentar sozinho. ¶
"E assim subi o caminho pedregoso, Contente, por fim, de saber Que, onde meu Mestre não havia ido, Eu não precisaria ir. ¶
"E estranhamente então encontrei novos amigos O fardo se tornou menos pesado Enquanto eu me lembrava — há muito tempo Ele já havia passado por aquele caminho." ¶
("In His Steps" — Leona B. Gates) Que Deus nos ajude a compreender como havemos de desenvolver, às vezes por meio da angústia, da tristeza e das lágrimas, aquelas qualidades espirituais sem as quais nenhum de nós pode alcançar o lugar de parentesco com aquele que sofreu mais do que qualquer um de nós pode compreender, e isto oro e vos dou meu solene testemunho em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶