Meus Irmãos e Irmãs e Amigos Do...
Spencer W. Kimball
Meus irmãos e irmãs e amigos do mundo inteiro, trazemos-vos saudações: ¶
Como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, declaramos com toda solenidade a realidade de Deus, o Pai Eterno, e de seu Filho Jesus Cristo, tão semelhantes quanto qualquer pai e filho, mas indivíduos distintos. Em mais de uma ocasião, o Cristo deu a conhecer que o conhecimento e a familiaridade com Deus são básicos para a exaltação. ¶
"Isto é o significado de vidas eternas: Conhecer o único sábio e verdadeiro Deus e Jesus Cristo, a quem ele enviou. Eu sou ele." ¶
E então seu mandamento: "Recebei, portanto, minha lei." (D&C 132:24.) Nem o Pai Elohim nem o Filho Jeová se alienariam dos filhos dos homens. São eles, os homens, que se afastam, se há estranhamento. Tanto o Pai quanto o Filho comungariam e se associariam de bom grado com os homens. Mas os homens devem ser semelhantes a Deus, puros e aperfeiçoados para atingir tal estatura. Mesmo com este alto grau de dignidade, os homens ainda precisam ser protegidos do brilho e da glória dos seres celestiais. ¶
Prêmio de Grande Valor Se eu vos dissesse que em vosso próprio quintal poderíeis encontrar um acre de diamantes, ignoraríeis a sugestão e não vos daríeis ao trabalho de procurar? ¶
Hoje, digo-vos que ao alcance da mão há um prêmio de valor inestimável. Diamantes podem comprar alimento e abrigo. Diamantes podem cintilar e brilhar. Diamantes podem embelezar e decorar. Mas o prêmio que está ao vosso alcance é mais brilhante do que joias. ¶
Ele não se manchará nem estará sujeito às tendências do mercado. Falo do maior de todos os dons — o dom da vida eterna. Ele não pode ser obtido por mero desejo; não pode ser comprado com dinheiro; o desejo esperançoso não o trará, mas ele está disponível a homens e mulheres em todo o mundo. Houve longos períodos da história em que a verdade total não estava imediatamente disponível aos habitantes da terra. Mas em nossos dias, todo o programa eterno está aqui e pode conduzir os homens à exaltação e à vida eterna, até a divindade. ¶
Jeremias Declarou:
"Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas fendidas, que já não retêm águas." (Jeremias 2:13.) E Amós predisse: ¶
"Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor: ¶
"E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até o oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do Senhor, mas não a acharão." (Amós 8:11-12.) Fim da Fome Espiritual Depois de séculos de trevas espirituais, descritas por Amós e Jeremias, anunciamos solenemente a todo o mundo que a fome espiritual terminou, a seca espiritual passou, a palavra do Senhor, em sua pureza e totalidade, está disponível a todos os homens. Ninguém precisa vagar de mar a mar, nem do norte ao oriente, buscando o evangelho verdadeiro, como Amós predisse, pois a verdade eterna está disponível. ¶
Jeremias, o profeta, novamente fez a pergunta: "Porventura fará um homem deuses para si, quando eles não são deuses?" ¶
(Jeremias 16:20.) Apesar de todos os deuses que os homens fazem para si e da confusão daí decorrente, o Deus Vivo e Verdadeiro está em seu céu e está disponível a seus filhos. ¶
O próprio Mestre deu a verdade básica de que a vida eterna está disponível apenas àquelas pessoas que têm conhecimento do Pai e do Filho. ¶
A pergunta mais importante que alguém pode fazer a si mesmo é esta: Conheço eu realmente Deus, o Pai, e Jesus Cristo, seu Filho? E na resposta está a diferença entre vacilar na indecisão ou ter segurança e certeza. ¶
O Senhor Prometeu:
". . . toda alma que abandonar os seus pecados e vier a mim, e invocar o meu nome, e obedecer à minha voz, e guardar os meus mandamentos verá a minha face e saberá que eu sou;" ¶
(Idem, 93:1. Itálico acrescentado.) As Beatitudes de Cristo acrescentam: "Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus." (Mateus 5:8.) O Caminho para a Vida Celestial A vida celestial pode ser obtida por toda alma que cumprir os requisitos. ¶
Saber não basta. É preciso fazer. ¶
A retidão é vital, e as ordenanças são necessárias. ¶
Jeová Proclama:
"Mas nenhum homem é possuidor de todas as coisas, a menos que seja purificado e lavado de todo pecado." (D&C 50:28. Itálico acrescentado.) E o Redentor continua: ". . . certamente todo homem deve arrepender-se ou sofrer. . . ." (Idem, 19:4.) ". . . 7, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam; "Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri; "Sofrimento que fez com que eu, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor. . . ." (Idem, 19:16-18. ¶
Itálico acrescentado.) "Eu sou Jesus Cristo, o Filho de Deus, que foi crucificado pelos pecados do mundo, . . ." (Idem, 35:2. Itálico acrescentado.) Há três Deuses: o Pai Eterno, Elohim, a quem oramos; Cristo ou Jeová; e o Espírito Santo, que testifica dos outros e nos testemunha a verdade de todas as coisas. ¶
Muitos parecem deleitar-se em confundir o assunto com suas racionalizações e cálculos humanos. O Pai e o Filho, à cuja imagem fomos criados, seres separados e distintos, identificaram-se ao longo dos tempos. ¶
O Cristo declarou-se ser o Senhor Deus Todo-Poderoso, Cristo o Senhor, o princípio e o fim, o Redentor do mundo, Jesus o Cristo, o Poderoso de Israel, o Criador, o Filho do Deus Vivo, Jeová. ¶
O Pai Elohim declara que Jesus é meu Filho Unigênito, a palavra de meu poder. E por duas vezes, ao menos, no batismo no Jordão e depois no Monte da Transfiguração, ele declarou: ¶
"Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." (Ver Marcos 1:11, Lucas 3:22) e declarou que "os mundos foram feitos por ele: os homens foram feitos por ele: ¶
Todas as coisas foram feitas por ele, e por meio dele e dele." ¶
A Bíblia fornece muita história secular e religiosa, e muito em ensinamentos gloriosos. Mas mesmo com as escrituras, a confusão continua no mundo cristão. ¶
Conhecer a Deus Para conhecer a Deus, é preciso estar ciente da pessoa e dos atributos, do poder e da glória de Deus o Pai e de Deus o Cristo. Moisés declara que ele ". . . viu Deus face a face e falou com ele. . ." ¶
(Moisés 1:2.) Esta experiência de Moisés está em harmonia com a escritura, que diz: ¶
"Pois em tempo algum, na carne, o homem viu Deus, a não ser vivificado pelo Espírito de Deus. Nem pode homem natural algum suportar a presença de Deus; nem segundo a mente carnal." (D&C 67:11-12. Itálico acrescentado.) Deve, então, ficar evidente que, para suportar a glória do Pai ou do Cristo glorificado, um ser mortal precisa ser transladado ou de outro modo fortalecido. Moisés, um profeta de Deus, possuía o Santo Sacerdócio protetor: ". . . e a glória de Deus estava sobre Moisés; portanto, Moisés podia suportar sua presença." (Moisés 1:2.) Graxa no corpo de um nadador, ou uma pesada roupa de borracha de mergulhador, pode protegê-lo do frio e da umidade; um traje de amianto pode proteger um bombeiro das chamas; um colete à prova de balas pode salvar o policial das balas de um assassino; o lar aquecido de alguém pode protegê-lo dos ventos gelados do inverno; a sombra profunda ou o vidro fumê podem atenuar o calor devastador e os raios ardentes do sol do meio-dia. ¶
Há uma força protetora que Deus põe em ação quando expõe seus servos humanos às glórias de sua pessoa e de suas obras. ¶
Moisés explicou que pôde suportar a presença divina porque ". . . ¶
a glória de Deus," (idem) estava sobre ele. ¶
Jeová disse: "Portanto, nenhum homem pode contemplar todas as obras minhas sem contemplar toda a minha glória; e nenhum homem pode contemplar toda a minha glória e depois permanecer na carne sobre a terra." ¶
(Idem, 1:5.) Em visão celestial gloriosa, Moisés ". . . viu o mundo . . . e todos os filhos dos homens. . . ." (Idem, 1:8.) É significativo notar que, quando a proteção contra tal glória transcendente foi relaxada, Moisés ficou fraco e quase desamparado. ¶
A escritura diz: "E a presença de Deus apartou-se de Moisés, de modo que sua glória não estava sobre ele; e Moisés foi deixado sozinho. E... caiu por terra." (Idem, 1:9.) Muitas horas se passaram antes que ele pudesse recuperar suas forças naturais. Ele exclamou: ¶
". . . meus próprios olhos contemplaram Deus . . . meus olhos espirituais, pois meus olhos naturais não poderiam ter contemplado; pois eu teria fenecido e morrido em sua presença; mas sua glória estava sobre mim; e contemplei sua face, pois fui transfigurado diante dele." (Idem, 1:11.) O Tentador Há outro poder neste mundo, violento e vicioso. No deserto da Judeia, nos pináculos do templo e no alto monte, travou-se um combate crucial entre dois irmãos, Jeová e Lúcifer, filhos de Elohim. ¶
Quando estava fisicamente fraco pelo jejum, Cristo foi tentado por Lúcifer: "Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão." (Lucas 4:3.) Nos pináculos do templo, o Maligno zombou novamente, sugerindo o uso injustificado do poder: ". . . Não tentarás ao Senhor teu Deus." (Idem, 4:12.) Num alto monte, o diabo tentou o Cristo, oferecendo reinos, tronos, poderes, domínios, satisfações de impulsos, desejos, paixões, a glória da riqueza, do conforto, da comodidade — tudo para possuir, sob a condição de que ele adorasse Lúcifer. ¶
O Senhor, em sua mortalidade, foi tentado, mas resistiu: "Vai-te, Satanás: . . ." (Mateus 4:10) disse ele. ¶
Abraão foi tentado; Moisés e todos os homens precisam provar-se. ¶
Então veio Satanás, disputando pela submissão de Moisés. Satanás, também filho de Deus, havia se rebelado e fora expulso do céu, e não lhe fora permitido um corpo terreno, como a seu irmão Jeová. ¶
Muito dependia do resultado deste duelo espetacular. ¶
E, novamente, poderia o mestre da intriga, Lúcifer, controlar e dominar este profeta Moisés, que aprendera tanto diretamente de seu Senhor? "Moisés, filho do homem, adora-me," tentou o diabo, com a promessa de mundos, luxos e poder. Mas ele, corajosamente: ¶
". . . olhou para Satanás e disse: Quem és tu? Pois eis que sou um filho de Deus, à semelhança de seu Unigênito. . . ." (Moisés: 12:13.) E Moisés conhecia bem seu papel e estava preparado para este mestre da intriga: ¶
". . . onde está tua glória, para que te adore? ¶
"Pois eis que eu não poderia olhar para Deus, a não ser que sua glória estivesse sobre mim e eu fosse transfigurado perante ele. ¶
Mas posso olhar para ti como homem natural. Não é certamente assim?" ele zombou. ¶
(Idem, 1:13-14.) "Bendito seja o nome de meu Deus, pois seu espírito não se apartou completamente de mim; por outro lado, onde está tua glória, porque para mim é treva? ¶
"E posso discernir entre ti e Deus"; (Idem, 1:15.) O contraste era impressionante. Moisés, o portador do sacerdócio, precisava ser protegido para ver Jeová, mas podia enfrentar este impostor com seus olhos naturais e sem desconforto. Que contraste! ¶
E agora, com pleno conhecimento e com grande firmeza, o profeta exigiu: "Vai-te, Satanás; . . ." ¶
(Idem, 1:16.) O mentiroso, o tentador, o diabo, sem desejar desistir desta possível vítima, agora em fúria e ira: ". . . clamou com alta voz e bramou sobre a terra e ordenou, dizendo: Eu sou o Unigênito, adora-me." (Idem, 1:19.) Moisés reconheceu o engano e viu o poder das trevas e a "amargura do inferno". Aqui estava uma força que não se podia enfrentar nem expulsar facilmente. ¶
Aterrorizado, ele invocou a Deus, então ordenou com nova força: "Não cessarei de invocar a Deus . . . pois sua glória tem estado sobre mim, portanto posso discernir entre ele e ti." ¶
(Idem, 1:18.) ". . . Em nome do Unigênito, retira-te daqui, Satanás." (Idem, 1:21.) Nem mesmo Lúcifer, a Estrela da Manhã, o arqui-inimigo da humanidade, pode resistir ao poder do sacerdócio de Deus. Tremendo, estremecendo, praguejando, chorando, gemendo, rangendo os dentes, ele se afastou do vitorioso Moisés. ¶
Protegido Quando devidamente protegido com a glória de Deus, e quando suficientemente aperfeiçoado, o homem pode ver a Deus. ¶
Novamente, a glória do Senhor estava sobre ele, e ele ouviu a promessa: ". . . ¶
libertarás meu povo do cativeiro. . . ." (Idem, 1:26.) ". . . e serás mais forte que muitas águas; pois elas obedecerão a teu comando como se fosses Deus." ¶
(Idem, 1:25.) Que promessa! Que poder! Ao ouvir esta promessa do Deus dos céus, pode-se vislumbrar água saindo da rocha, maná do céu, codornizes dos arbustos, e as águas do mar recuando para proporcionar travessia seca aos filhos refugiados de Israel. ¶
Um visitante celestial identificou-se a Abraão: "Eu sou o Senhor teu Deus; eu habito no céu. . . . ¶
"Meu nome é Jeová. . . ." (Abraão 2:7-8.) E Abraão: ". . . falei com o Senhor face a face, como um homem fala com outro; . . . ¶
"E ele disse-me: Meu filho, meu filho . . . E pôs a mão sobre meus olhos, e vi aquelas coisas que suas mãos haviam feito . . . e não consegui ver seu fim." (Idem, 3:11-12.) Abraão foi protegido de tal modo que não apenas pôde suportar a glória do Senhor, como também pôde ver e compreender. ¶
As visões que Abraão viu naquela época, antes de sua estada no Egito, estavam além de toda descrição. Talvez nenhuma alma, mesmo com os mais potentes telescópios, jamais tenha visto a milésima parte do que Abraão viu quanto a este universo, com todas as suas partes e funções ilimitadas. Ele também viu a criação desta terra, e o Pai é citado: ¶
"E mundos incontáveis criei; e também os criei para meu próprio intento; e criei-os por meio do Filho, o qual é meu Unigênito." (Moisés 1:33.) Quão grande é o poder de Deus, a majestade de Deus, a glória de Deus! Novamente, quando Jeová veio chamar Saulo de Tarso para sua missão, a visão foi dada somente a ele. ¶
"E os homens que iam com ele pararam atônitos, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém." (Atos 9:7.) Mas Saulo de Tarso viu Jeová, o Cristo glorificado, e ouviu sua voz e conversou com ele. Ainda que parcialmente protegido como estava, o brilho da luz do céu em que se via envolvido — maior que o sol do meio-dia — Paulo caiu por terra, tremendo, chocado. A voz disse: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues. . . ." ¶
(Idem, 9:5.) Tão intensa e brilhante era a luz que, mesmo com tal proteção, ele ficou cego. Ele disse: "E como eu não via, por causa do esplendor daquela luz, fui levado pela mão dos que estavam comigo, e cheguei a Damasco." ¶
(Idem, 22:11.) Um milagre do sacerdócio restaurou a visão de Paulo depois de três dias de trevas totais. ¶
A glória do Senhor! Quão grande e magnificente! ¶
Paulo disse a Timóteo: ". . . Cristo . . . ¶
". . . é o bem-aventurado e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, "Aquele que é o único que tem a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum homem viu, nem pode ver: . . ." (1 Timóteo 6:1416.) Enoque também precisou de proteção, pois o Senhor, falando a Enoque, disse: ¶
"Unge teus olhos com barro, e lava-os, e tu verás. . . . ¶
E ele viu os espíritos que Deus havia criado, e também viu coisas que não eram visíveis ao olho natural; . . ." (Moisés 6:35-36.) Os ímpios não ousaram tocá-lo ". . . ¶
porque o temor se apoderou de todos os que o ouviram; porque ele andava com Deus." (Idem, 6:39.) Daniel ficou tão preocupado que pranteou por três semanas e não tomou pão saboroso, nem carne, nem vinho. ¶
Então veio sua visão, que somente ele viu: ¶
"... não ficou força alguma em mim," disse ele, "mas ouvi a voz das suas palavras: ¶
. . . caí num profundo sono sobre o meu rosto, com o meu rosto em terra. ¶
"E eis que uma mão me tocou, e fez que me movesse sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos. ¶
"E falando ele comigo essas palavras, abaixei o meu rosto em terra, e emudeci." ¶
(Daniel 10:8-10, 15.) Outro Mundo Há outro mundo com o qual nós, mortais, pouco estamos familiarizados. Talvez não esteja longe de nós. Pedro, Tiago e João, a Presidência da Igreja, vieram a conhecer o poder de Deus. Estas três figuras centrais subiram o alto monte com o Senhor Jeová, enquanto ele ainda estava no mundo mortal, antes de sua crucificação. No alto monte havia solidão, isolamento e privacidade. ¶
Que experiência gloriosa! O Filho de Deus, seu Mestre, "transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz" (Mateus 17:2) e os seres celestiais Moisés e Elias lhes apareceram. ". . . uma nuvem luminosa os cobriu; e eis que uma voz da nuvem disse: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o." (Idem, 17:5. ¶
Itálico acrescentado.) A glória do contato foi mais do que podiam suportar, e eles caíram, prostrando-se sobre seus rostos. Enquanto nesse estado, coisas impublicáveis, indizíveis, inefáveis foram ditas e feitas. ¶
Os três mortais, assim protegidos, sobreviveram até mesmo a esta experiência abrasadora e ardente. ¶
Percebendo que a morte pelo martírio era iminente, e que um testemunho verbal poderia ser esquecido, e que seu importante conhecimento precisava ser perpetuado através das eras, Pedro deu seu solene testemunho por escrito. Isto não foi fábula, não foi invenção da imaginação, não foi imaginação de mentes humanas... foi real e certo: ¶
"Testemunhas Oculares de Sua Majestade" ¶
"(nós) . . . vimos a sua majestade. ¶
"Porque ele (Cristo) recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. ¶
"E ouvimos essa voz enviada do céu, estando nós com ele no monte santo." (2 Pedro 1:16-18. ¶
Itálico acrescentado.) O padrão foi estabelecido, o esquema traçado, a planta desenhada. Sob necessidade especial, em tempos especiais, sob circunstâncias apropriadas, Deus se revela aos homens que estão preparados para tais manifestações. E, uma vez que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, os céus não podem estar fechados, exceto quando os homens os trancam contra si mesmos com a incredulidade. ¶
Em nossa própria dispensação veio outra experiência semelhante e grandiosa. A necessidade era imperativa; uma apostasia cobria a terra, e densas trevas, o povo, e as mentes dos homens estavam turvadas, e a luz havia sido obscurecida pelas trevas. O tempo havia chegado. ¶
A liberdade religiosa protegeria a semente até que pudesse germinar e crescer. E o indivíduo foi preparado na pessoa de um jovem, puro e de mente aberta, que tinha tal fé implícita na resposta de Deus que os céus não poderiam permanecer como ferro, nem a terra como bronze, como haviam sido por muitos séculos. ¶
A Visão do Profeta Este profeta em botão não tinha noções e crenças falsas preconcebidas. Não estava impregnado das tradições, lendas, superstições e fábulas dos séculos. Não tinha nada a desaprender. Orou por conhecimento e direção. Os poderes das trevas precederam a luz. Quando se ajoelhou em solidão na floresta silenciosa, sua oração fervorosa desencadeou uma batalha campal que ameaçou sua destruição. Por séculos, Lúcifer, com domínio ilimitado, havia acorrentado as mentes dos homens. Ele não podia se dar ao luxo de perder seu domínio satânico. ¶
Isso ameaçava seu domínio ilimitado. ¶
Que José Smith conte sua própria história: ¶
". . . apoderou-se de mim uma força que me dominou por completo . . . e travou-se-me a língua. . . . Uma densa escuridão formou-se ao meu redor, e pareceu-me, por um momento, que eu estava condenado a uma destruição súbita. ¶
. . . no momento exato em que eu estava prestes a . . . abandonar-me à destruição — não a uma ruína imaginária, mas ao poder de algum ser real do mundo invisível. . . . vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol. ¶
". . . senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens, cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro — Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" (José Smith 2:15-17.) José, jovem, finalmente recuperou a voz e fez as perguntas pertinentes para as quais viera, e seguiu-se uma conversa, a maior parte da qual lhe foi proibido escrever. Ele continua: ¶
". . . Quando tornei a voltar a mim, estava deitado de costas, olhando para o céu. . . ." (Idem, 2:20.) José tivera a mesma experiência geral de Abraão, Moisés e Enoque, que haviam visto o Senhor e ouvido sua voz. Além disso, ouviu o segundo Dmj Pai, dando testemunho do Filho, como haviam feito Pedro, Tiago e João no Monte da Transfiguração. Ele vira a pessoa de Elohim. Travara uma batalha desesperada com os poderes das trevas, como haviam feito Moisés e Abraão. E, como todos eles, foi protegido pela glória do Senhor. Este jovem deu ao mundo um novo conceito. Agora, ao menos uma pessoa conhecia Deus sem dúvida alguma, pois vira e ouvira. ¶
Novamente o Profeta relata que o véu foi tirado de suas mentes, e os olhos de seu entendimento se abriram, e ele e Oliver Cowdery, no templo, viram o Senhor Jeová, que lhes disse: ¶
"Eu sou o primeiro e o último. Sou o que vive, sou o que foi morto; sou o vosso advogado junto ao Pai." ¶
(Idem, 110:4.) "Os seus olhos eram como uma labareda de fogo; os cabelos de sua cabeça eram brancos como a pura neve; o seu semblante resplandecia mais do que o brilho do sol; e a sua voz era como o ruído de . . . muitas águas. ¶
. . ." (Idem, 110:3.) "Nós o Vimos" ¶
E em outra ocasião, o profeta fala do Filho Unigênito: ¶
"Nós, . . . estando no Espírito. . . ¶
"(pudemos) ver e compreender as coisas de Deus — '(e o) Filho Unigênito. ¶
'De quem testemunhamos; o qual vimos e com quem conversamos na visão celestial." (Idem, 76:11-14.) ". . . e a glória do Senhor cercou-nos de resplendor. ¶
"E contemplamos a glória do Filho, à direita do Pai, e recebemos de sua plenitude; "E vimos os santos anjos, e os que são santificados diante de seu trono, adorando a Deus e ao Cordeiro, a quem adoram para todo o sempre. ¶
"E agora, depois dos muitos testemunhos que foram dados dele, este é o testemunho, último de todos, que damos dele: Que ele vive! ¶
"Pois o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai." (Idem, 76:1923.) "E isto também vimos e testificamos, que um anjo de Deus, que possuía autoridade na presença de Deus, que se rebelou contra o Filho Unigênito, a quem o Pai amava, e que estava no seio do Pai, foi expulso da presença de Deus e do Filho, "E foi chamado Perdição, porque os céus prantearam por ele — ele era Lúcifer, um filho da manhã." (Idem, 76:25-26.) E a vida eterna foi novamente disponibilizada aos homens na terra, pois não diz a escritura: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3.) E assim voltamos à promessa feita na colina da Palestina. "Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus." ¶
(Mateus 5:8.) Os homens que conhecem a Deus, e o amam, e vivem seus mandamentos, e obedecem às suas verdadeiras ordenanças, poderão ainda nesta vida, ou na vida vindoura, ver sua face e saber que ele vive e comungará com eles. ¶
Nossos amigos, convido-vos a uma investigação mais profunda. ¶
Testifico destas verdades, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶