Humildemente Busco a Orientação Divina...
Hugh B. Brown
Humildemente busco a orientação divina. ¶
O Salvador disse: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3.) O Reavivamento da Religião As observações de ontem do Presidente Mark E. Petersen e as de hoje do Presidente Tanner e de outros, chamando nossa atenção para as condições existentes no mundo, foram muito desafiadoras. ¶
Líderes tanto no campo científico quanto no religioso estão clamando por nova luz. ¶
De um sermão pregado recentemente na Inglaterra por um eminente professor de teologia, e divulgado ao mundo pelo Deão Inge, lemos: ¶
"Quão grande é a necessidade, hoje, na Grã-Bretanha, de que se levante entre nós um homem para conduzir uma poderosa cruzada pelo reavivamento de nossa religião. Por anos, toda a cristandade tem orado para que esse reavivamento estivesse próximo, e, na medida em que a necessidade é grande, também o é a oportunidade. De um extremo a outro da terra, ao norte e ao sul, a oeste e a leste, cresce o sentimento de que algo mais é exigido hoje do que o conselho, por melhor que seja, de nossos estadistas, e a capacidade, por maior que seja, de nossos homens de negócios; de que há problemas a resolver mais urgentes e mais fundamentais do que os da economia e das eleições." ¶
E então acrescenta: "As igrejas organizadas não oferecem solução para esses problemas. . . . Homens e mulheres buscam um intérprete de suas emoções, alguém que dê expressão às suas convicções e crenças espirituais, submersas por tempo demais numa era materialista. A semente foi lançada. Ela brotou sob chuvas e sol. ¶
O grão está inchado dentro da casca. ¶
Agora o campo jaz dourado e pronto para a colheita. Onde está o homem que entrará e ceifará?" ¶
Em meio à agitação, confusão e tensão nacionais e internacionais, as questões da teologia adquiriram nova importância e urgência. Em todo o mundo judaico-cristão, na verdade em todo o mundo, há uma busca comovente por novos significados na religião JH B. BROWN 81 sobre os quais os homens possam fundamentar as suas vidas e estabelecer os seus valores pessoais e sociais. ¶
Nos últimos meses, travou-se um intenso debate teológico em torno de um volume intitulado Honest to God (Sincero para com Deus), no qual o Dr. Robinson, Bispo de Woolwich, da Igreja Anglicana, questiona se é possível ao homem moderno aceitar a fé cristã tradicional, crer na concepção estabelecida de Deus e aceitar Cristo como seu Salvador. Ele questiona se o cristianismo carrega consigo os adornos de um mundo e de uma cultura antigos, e se pode ser tornado relevante para o pensamento e o caráter do homem científico moderno, vivendo num mundo tecnológico que se encolhe rapidamente. ¶
O bispo diz: "Nossa imagem de Deus precisa desaparecer," e o Church Times comenta: "Não é todo dia que um bispo se manifesta publicamente negando, aparentemente, quase toda doutrina cristã da Igreja em que ocupa um cargo." (The Honest to God Debate, Filadélfia: Westminster Press, 1963, p. 7.) O Dr. Alasdair MacIntyre, do University College de Oxford, diz: "O Dr. ¶
Robinson precisa não apenas ser compreendido como um sintoma de nossa condição, mas ser recebido com simpatia como uma tentativa desesperada que não pode ter êxito," ¶
(Idem, p. 227) e acrescenta, com certo cinismo: "O credo dos ingleses é que não há Deus e que é sensato orar a ele de vez em quando." (Idem, 228.) Este livro do qual falo não é apenas a voz de um indivíduo, mas "testifica da existência de todo um grupo de teologias que conservaram um vocabulário teísta, mas adquiriram uma substância ateísta" (Idem, 227), e cabe perguntar se poderão continuar a coexistir. ¶
O Arcebispo de Canterbury diz: ". . . se o argumento do Dr. Robinson estiver correto, as visões tradicionais de Deus não estão ultrapassadas, são simplesmente falsas." ¶
(Idem, 217.) Um Novo Nascimento em Nosso Tempo O debate que se seguiu em torno destas e de outras questões tem envolvido recentemente as principais mentes tanto na Europa quanto na América, e elas indicam um sentimento de perda, frustração e fracasso que são tão parte da vida moderna. ¶
Expressa-se a esperança de que haverá, em nosso tempo, um novo nascimento que restaurará algo do significado e do valor da existência humana. ¶
Todos nós sentimos o impacto da guerra e da depressão econômica, a influência desumanizante da industrialização, a superlotação de nossas cidades, a ameaça sempre presente e ominosa da guerra nuclear, com sua destruição total, e a miríade de forças sociais que complicam nossas vidas e afetam nossos valores. Compartilhamos a consciência de um mundo em que o assassinato em massa tem sido real, e em que milhões vão para a cama com fome todas as noites na presença da abundância. ¶
Confiança Absoluta no Evangelho Embora aguardemos com esperança a ajuda que possamos obter da ciência e da tecnologia em nossas tentativas de resolver nossos problemas, confiamos com absoluta confiança na teologia e na religião da Igreja de Jesus Cristo para a inspiração e a fé que nos sustentam neste empenho, e para esse fim nossa força espiritual está firmemente fundamentada no alicerce da religião revelada e na convicção bíblica da realidade do Deus Vivo. ¶
Ao contrário daqueles cuja fé religiosa é inquieta e precária no mundo moderno do conhecimento científico em expansão, sentimo-nos à vontade com as verdades mais avançadas descobertas pelos cientistas e com todo pensamento filosófico competente — com a verdade onde quer que seja encontrada —, porque a nossa religião nos incute o amor ao conhecimento e à educação, encoraja-nos a buscar entendimento por meio do alargamento de nossa visão e do aprofundamento de nossa percepção. Esta é uma busca eterna. ¶
A Verdade Recém-Revelada É Aceita A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aceita a verdade recém-revelada, seja ela obtida por revelação direta, seja por estudo e pesquisa. Negamos a concepção comum de realidade que distingue radicalmente entre o natural e o sobrenatural, entre o temporal e o eterno, entre o sagrado e o secular. Para nós, não existe ordem de realidade totalmente diferente em caráter do mundo do qual fazemos parte, separada de nós por um abismo intransponível. Não separamos nossas tarefas e interesses mundanos diários do significado e da substância da religião. Reconhecemos o espiritual em todas as fases e aspectos da vida e compreendemos que esta vida é uma parte importante da vida eterna. Aspiramos ao melhor de que somos intrinsecamente capazes, e pensaremos nossos pensamentos, forjaremos nossos ideais e prosseguiremos em cada tarefa firmes na fé de que, num sentido muito real, estamos vivendo na presença de Deus aqui e agora. ¶
Aceitamos o testemunho das sagradas escrituras de que os propósitos de Deus se cumprem na história humana, de que ele está primordialmente interessado na condição e no bem-estar do homem, embora jamais restrinja o nosso livre-arbítrio. Sua obra e sua glória são, como disseram os profetas, levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem. ¶
A Doutrina Positiva do Homem Nossa doutrina do homem é positiva e afirmadora da vida. Declaramos inequivocamente que, por sua própria natureza, todo homem tem a liberdade de fazer o bem, assim como o mal, que Deus o dotou de uma vontade moral livre e lhe deu o poder de discernir o bem do mal, o certo do errado, e de escolher o bem e o certo. Recusamo-nos a crer, como algumas igrejas da cristandade, que o relato bíblico da queda do homem registra a corrupção da natureza humana, ou a aceitar a doutrina do pecado original. Não cremos que o homem seja incapaz de fazer a vontade de Deus, ou incapaz de merecer as recompensas da aprovação divina; que esteja, portanto, totalmente distanciado de Deus, e que qualquer salvação que lhe venha deva vir como um dom gratuito e imerecido. Jamais nos cansamos de proclamar a verdade inspiradora do evangelho de que o homem existe para que tenha alegria. Para nós, a chamada queda do homem colocou o espírito humano num mundo de experiência e aventura, onde os males são reais, mas podem ser superados, onde a livre decisão moral é uma exigência constante, e onde as escolhas, feitas livremente, determinam a qualidade da vida e a condição final da alma. ¶
Isso não significa que sejamos alheios aos males do mundo, aos pecados dos homens e ao sofrimento incomensurável que milhões suportam diariamente. ¶
A nossa não é uma fé superficial que só vê o lado bom da vida e nega o fato da tragédia humana. A nossa consciência é ferida pelos males massivos que os homens perpetraram em nossa própria época, por pecados indizíveis na profundidade de seu horror. Mas temos a fé positiva que atribui a responsabilidade desses pecados diretamente aos indivíduos e às sociedades que os cometem. ¶
O Homem, um Filho de Deus, Não Está Só Em nossa teologia, Deus não trouxe o mundo à existência a partir do nada. Ele o organizou a partir de materiais já existentes. ¶
Aceitamos a declaração das escrituras de que Deus criou o homem à sua própria imagem. ¶
". . . à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou." ¶
(Gênesis 1:27.) Ele está engajado numa luta constante contra os males do mundo, para vencer tudo o que traz dor e sofrimento, frustração e fracasso, e pede que cooperemos com ele, guardando os seus mandamentos, obedecendo às leis sobre as quais todas as bênçãos se fundamentam. Este é o significado do evangelho restaurado de Jesus Cristo: que o homem, como filho de Deus, não está só no mundo, pois Deus compartilha do nosso sofrimento e se deleita em nossas alegrias. ¶
Nesta comunhão com ele, podemos vencer o mundo, alcançando a vida abundante aqui, e a imortalidade e a vida eterna no porvir. ¶
Venceremos quaisquer aparentes contradições entre a ciência e a religião se, e à medida que, aprendermos a nos apegar aos ensinamentos da Igreja restaurada, que sempre se dedicou à busca do conhecimento e da inteligência, que é a glória de Deus. ¶
O Cristianismo é Relevante para o Mundo Moderno À pergunta levantada pelo Bispo de Woolwich, "O cristianismo é relevante para o mundo moderno?", encontramos respostas positivas e afirmativas nas declarações inequívocas do evangelho de Jesus Cristo. O evangelho não pertence a um mundo antiquado que já passou, mas é uma força real e poderosa em nosso mundo, aqui e agora. ¶
Ele reveste nossas vidas individuais de significado e propósito, e ainda transformará o curso da história humana. ¶
Quando falamos da unidade da Trindade, referimo-nos aos atributos, poderes e propósitos de seus membros. ¶
Jesus testificou, em muitas ocasiões, da unidade existente entre ele e seu Pai, conforme está registrado na Sagrada Bíblia e em outros documentos revelados. Ele se referiu a essa unidade em sua memorável oração registrada no décimo sétimo capítulo de João, na qual orou para que ele e seus seguidores fossem um, assim como ele e seu Pai são um. ¶
(João 17:11.) Evidência de Inteligência Tornar-se-á claro para qualquer leitor imparcial das escrituras que o Pai é um ser pessoal, possuindo uma forma definida, com partes corpóreas e paixões espirituais. O Filho, que era a expressa imagem do Pai, é uma identidade separada, por meio de quem os mundos foram feitos, e sem o qual nada do que foi feito se fez. (Ver João 1:3.) Ele foi, de fato, uma revelação de Deus. ¶
Vemos por toda a natureza evidências de causa e efeito, de meios adaptados a um fim, que indicam um propósito determinado. Isso é evidência de inteligência, e a inteligência é um atributo da mente. ¶
Devemos, portanto, concluir que foi uma mente inteligente que construiu o estupendo universo de Deus. ¶
Conhecimento Convincente de Deus A razão humana pode não conduzir, por si só, o seu possuidor a um conhecimento convincente de Deus, mas, se devidamente exercida, confirmará o seu instinto herdado em direção ao seu criador. Verdadeiramente "disse o néscio no seu coração: Não há Deus." ¶
(Salmos 14:1.) Sabemos que ele é um ser vivo, com toda propriedade e atributo essencial de personalidade — que pensa, quer, sente, que é um ser moral que exige retidão e justiça — mas que, em seu amor, é compassivo, misericordioso e longânimo. ¶
Para nós, Deus não é uma abstração, não é apenas uma ideia, um princípio metafísico, uma força ou poder impessoal. ¶
Ele não é idêntico à totalidade do mundo, à soma de toda a realidade. ¶
Ele não é um "absoluto" que de alguma forma abrange a totalidade da realidade em seu ser. Como nós, ele existe num mundo de espaço e tempo. Como nós, ele tem fins a serem alcançados, e forja um plano cósmico para realizá-los. Ele é uma pessoa concreta e vivente, e, embora em nosso estado finito não possamos compreendê-lo plenamente, sabemos que somos aparentados a ele, pois ele nos é revelado na personalidade divina de seu Filho Jesus Cristo. ¶
Houve uma mudança marcante nos ensinamentos de muitas das igrejas a respeito de Deus, e muitos homens pensantes e estudiosos agora creem que ele é um ser pessoal, e não uma essência abstrata. Isso se mostra no livro A Century's Change in Religion (A Mudança de um Século na Religião), no qual o autor, depois de expor as crenças das igrejas na América no início do século dezenove, diz: "É apenas nos últimos cinquenta anos que essa poderosa mudança, ou extensão da crença, se deu. O novo pensamento é o reino de Deus na terra, na sociedade cristã. A igreja agora é dominada por essa ideia. O evangelho do reino na terra é o mais recente, o mais novo, o mais antigo e o mais verdadeiro evangelho." ¶
Ele acrescenta ainda: "Houve uma mudança em nosso pensamento a respeito de Deus, da concepção de soberania para esta concepção de Paternidade. O centro da doutrina passou da soberania para a Paternidade. ¶
"Deus é uma pessoa; Ele é inteligência, e isso é propósito, plano; Ele é vontade, e isso é a realização do propósito; Ele é amor, isto é, Ele é pessoa relacionada com pessoa. Seja o que mais Ele possa ser, além da personalidade tal como a conhecemos, Ele é, em grau perfeito, aquilo que o nosso melhor é em grau imperfeito." (Harris, George, A Century's Change in Religion, Boston, Houghton-Mifflin, 1914, p. 251.) Ele É Real e Pessoal Por nossa parte, reafirmamos a nossa convicção de que Deus é real e pessoal, que Jesus, o Cristo, é seu Filho Unigênito. Regozijamo-nos em proclamar ao mundo que ele é onipotente, onisciente e onipresente. Nossa resposta, então, ao Bispo de Woolwich é que Deus é real e pessoal, e não estamos preocupados, como ele parece estar, quanto a saber se ele está "lá em cima" ou "lá fora", ou se este é um universo de três andares. Sabemos que ele vive, que pode aparecer e efetivamente aparece aos homens. De fato, toda a estrutura do mormonismo se baseia na revelação. O Pai e o Filho se revelaram a um jovem no estado de Nova Iorque, em 1820, e desde então muitas gloriosas revelações vieram reafirmar nossa fé de que ele vive. Ele declarou que sua obra e sua glória são levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem. Esta é, então, a nossa resposta à pergunta sobre se é possível ao homem moderno aceitar a verdadeira fé cristã. Ela foi estabelecida por Jesus Cristo na Meridiana dos Tempos e por ele restaurada na Plenitude dos Tempos. Portanto, não compartilhamos o medo, a incerteza e a confusão mencionados pelo Deão Inge ou pelo Bispo de Woolwich. Chamamos a atenção para a imagem bíblica de Deus, na qual ele é identificado como pessoal, eterno, imutável e sempiterno, à qual humildemente prestamos testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶