Irmãos, Sinto-me Tão Fraco e Humilde...
Hugh B. Brown
Irmãos, sinto-me tão fraco e humilde quanto se sentiu o Irmão Plumb ao olhar para esta vasta congregação e imaginar todos vós, aí fora, que estais ouvindo. Gostaria de dizer a estes rapazes, a título de encorajamento, que, se continuarem, como começaram, a atender a todo chamado que lhes for feito para se colocarem diante de congregações pelos próximos sessenta anos, como tenho feito, ao final desse tempo ainda estarão apavorados. ¶
Estes rapazes instruíram jovens de sua idade em certas atividades e lhes apresentaram certos ideais, mas, de fato, estiveram falando a todos nós. Seja qual for a nossa idade, seja qual for o sacerdócio que possuímos, seja qual for a posição que ocupamos na Igreja, estas simples regras de conduta se aplicam a nós. ¶
Nomes e Suas Conotações
Já vos perguntastes o que os homens pensam quando pensam em vós? Em que pensais quando digo as palavras "George Washington"? Pensais em liderança, honestidade e honra. Em que pensais quando digo "Abraham Lincoln"? Pensais em coragem, em humildade, em liderança. Em que pensais quando digo "Winston Churchill"? ¶
Pensais em alguém dotado de uma oratória capaz de forjar uma nação numa máquina de guerra. Pensais em alguém de queixo saliente e um grande charuto, mas obtendes uma ideia, e pensais em algo quando os nomes destes homens são mencionados. ¶
Pergunto-vos esta noite: "Que pensam vossos amigos quando pensam em vós?" ¶
Se não pensam com exatidão, se sabem de algo que os faria envergonhar-se de vossa amizade, podeis mudá-lo. O que um homem é, em qualquer momento de sua vida, é o resultado de todos os pensamentos, palavras e ações passados que entraram em sua vida. Esta noite estou pensando em termos de um dos problemas que confronta a todos nós: diácono, mestre, sacerdote, élder, setenta, sumo sacerdote. Estou pensando em um dos problemas que confronta o mundo e que está sendo introduzido entre nós a um ritmo alarmante. Estou pensando numa certa conduta que é maligna, perigosa, mortífera e contrária à lei de Deus. Estou pensando na castidade, ou em seu oposto. ¶
Virilidade Consagrada
Obtenhamos uma visão da virilidade consagrada e, então, conformemos nossas vidas a essa virilidade de tal maneira que jamais cedamos às tentações que nos afastariam da virtude, da honra, da honestidade e da virilidade. ¶
"Aquele que profana a fonte da vida," ¶
disse alguém, "peca contra aquilo que é indispensável à própria existência da vida." Que jamais esqueçamos, então, a santidade da vida. A cada dom de poder que nos é dado, vem também a tentação de desonrá-lo, de abusar dele. Lembrai-vos de que, quando Cristo esteve na terra, o adversário o tentou, tentou levá-lo a ceder à tentação de usar seu poder para conseguir pão, quando havia jejuado por tanto tempo, e o Salvador lhe lembrou que o homem não vive só de pão. Satanás então levou Cristo a uma altura, ao pináculo do templo, e o tentou a mostrar seu poder e autoridade lançando-se dali para baixo, dizendo que os anjos o sustentariam. ¶
Jesus resistiu a essa tentação de abusar de seu poder. Então Satanás o levou a um alto monte e lhe mostrou toda a riqueza do mundo, e disse: "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares," e Cristo disse: "Para trás de mim, Satanás." ¶
(Ver Mateus 4:9-10 e Lucas 4:8.) ## Poder — Usos e Abusos ¶
Repito, a cada dom de poder vem a tentação de abusar dele. Cada homem tem dentro de si o poder que pode destruí-lo, e esse é um fato que cada homem que ouve a minha voz esta noite deveria manter em mente. Cada homem ou rapaz, seja qual for a sua idade ou posição na vida, está sujeito à tentação de destruir-se em razão de um poder dado por Deus, que todos nós possuímos. ¶
Todos nós que conhecemos o bem sentimos, às vezes, dentro de nós a possibilidade do mal e, embora possamos condenar sincera e honestamente, sem qualquer hipocrisia, o mal que há em nós, estamos cientes de que, por vezes, nós mesmos somos tentados a fazer justamente aquilo que odiamos e, ao fazê-lo, odiamos a nós mesmos tanto quanto à própria coisa que fazemos. Creio que foi isso que levou Paulo a admitir: ". . . não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço." (Romanos 7:19.) O verdadeiro caráter se forma em meio às batalhas pela alma. Cristo ofereceu paz, não no sentido de ausência de perturbação, mas em meio à perturbação. O que precisamos é desenvolver dentro de nós o tipo de autocontrole que nos permitirá, em meio à perturbação, encontrar a paz que entra na alma de um homem que vive como sabe que deveria viver. ¶
Charles Wagner disse: "Por que fugir da responsabilidade? Poderemos comprar esta grande honra a um preço demasiado alto . . . ? ¶
Sabeis o que significa a degradação para um soldado? É ver arrancarem-lhe o posto, as condecorações, as dragonas; é ver estes sinais de seu antigo valor lançados a seus pés! Que é a morte em comparação com esta desonra? É verdade que, no futuro, este infeliz soldado poderá dormir; jamais montará guarda outra vez; não mais gritará: 'às armas; eis o inimigo!'; jamais fará novo assalto nem ouvirá as balas assobiando ao seu redor. . . . Pois bem; declarar que um homem é irresponsável é degradá-lo. Melhor seria a morte." (Wagner, Charles, Courage, Dodd, Mead, and Co. Nova Iorque, 1904, pp. 73-74.) ## O Poder da Pureza ¶
E assim repito, meu apelo aos homens do sacerdócio da Igreja é que vos mantenhais limpos. Homens mais velhos estão cedendo à tentação, ao pecado. Homens mais jovens estão lutando consigo mesmos. É difícil, às vezes, para eles compreenderem a si mesmos, porque este poder de procriação, dado por Deus, traz consigo um poder de destruição. Mas ele tem, por causa de sua natureza doadora de vida, as possibilidades da maior glória e alegria que podem vir a uma alma vivente. Creio que todo homem que é tentado a pecar, a cometer adultério, a tornar-se impuro em seus hábitos, deveria examinar-se e ver se está abrigando coisas que o destruirão. ¶
Gostaria de deixar convosco esta noite um apelo — especialmente a vós, presidentes de estaca, sumos conselheiros, bispos e conselheiros, chefes de quóruns, todos em posições de presidência — gostaria de deixar o apelo de que vos aproximeis de vossos jovens — e das pessoas mais velhas — sob vossa jurisdição, e lhes ensineis a beleza da pureza, e lhes façais saber que a pureza é poder. Às vezes, alguns de nós temos a ideia de que certas pessoas não merecem a nossa atenção. Elas foram além e abaixo daquilo que pensávamos valer a pena salvar. Gostaria de contar-vos uma pequena história para ilustrar como, às vezes, julgamos mal uns aos outros, e às vezes somos culpados de presumir que aquele em quem pensamos não é tão bom quanto nós. ¶
Encontrai o Bem nos Homens
Foi durante a Primeira Guerra Mundial. Tínhamos, em nosso regimento, um homem tão rude quanto qualquer outro no regimento; era conhecido como o sujeito sem sentimentos; era o tipo de homem de quem ninguém gostava. Pensávamos que ele não tinha nenhum senso de emoção, de compaixão ou de compreensão. Ele podia ver seus companheiros caírem abatidos ao seu lado sem sequer piscar, e não achávamos que houvesse nele algo que indicasse que possuía qualquer sentimento. Fui culpado de dizer em meu coração, embora creia que não o disse em voz alta: "Graças te dou, ó Deus, porque não sou como aquele homem." (Ver Lucas 18:11.) Houve, uma vez, outro fariseu que disse isso, e desta vez o fariseu era eu. ¶
Estávamos na França. Este homem foi designado ao serviço de examinar a correspondência, tanto a que chegava quanto a que saía. (É um trabalho bem interessante; leem-se algumas cartas muito interessantes. Por exemplo, lembro-me de ler uma carta de um jovem rapaz para a sua namorada, indubitavelmente muito sincera, na qual ele lhe contava do bom tempo que estava passando, de como sentia saudade dela e de como a amava. ¶
Então, sem dúvida, ele foi chamado subitamente ao serviço, pois disse: "Estou me sentindo bem, mas estou infestado de piolhos como um guaxinim de estimação," e depois, embaixo, rabiscou: "Esperando que esta carta o encontre da mesma forma.") Pois bem, esse sujeito sem sentimentos estava de serviço lendo correspondência, e leu certa carta, uma carta de uma Sra. Jock Anderson, de Londres, Ontário, Canadá. Ela escrevia ao seu amado Jock, e lhe dizia: "Estamos indo bem, meu querido. Os dez pequeninos vão indo bem. Tive de desmamar o bebê porque preciso trabalhar para sustentar os outros, mas estamos muito orgulhosos de ti e orgulhosos de onde estás. Mas, Jock, querido, a nossa vizinha, há três meses, recebeu a notícia de que o marido dela estava desaparecido. ¶
Ela disse que preferia ter ouvido que ele estava morto — disse que mal podia suportar aquela incerteza." E depois acrescentou: "Jock, meu querido, une-te a mim e ora a Deus para que eu jamais receba a notícia de que estás desaparecido." ¶
Esse oficial sem sentimentos leu aquela carta, mas não disse nada sobre ela. Naquela noite, foram apresentados diante dele um sargento e seis homens que iriam para a terra de ninguém. Fizeram a chamada; o oficial ouviu o nome de Jock Anderson entre os que iam sair. Eles saíram, e pela manhã o sargento e três homens voltaram. Fizeram a chamada novamente, e Jock Anderson não respondeu. ¶
O oficial disse ao sargento: "Sabeis PRESIDENTE DAVID O. McKAY onde Jock Anderson caiu?" ¶
O sargento respondeu: "Sim, senhor, ele caiu numa elevação sobre a qual está apontada a metralhadora inimiga." ¶
O oficial perguntou: "Pensais que um homem poderia ir até aquele corpo e tirar-lhe do pescoço o disco de identificação?" ¶
Ao que o sargento respondeu: "Senhor, seria um suicídio absoluto, mas se o senhor assim o disser, tentarei." ¶
Então o oficial disse: "Não foi isso que eu quis dizer. Eu só queria saber." ¶
Sabeis que, na Primeira Guerra Mundial, não se podia declarar um homem morto a menos que se pudesse apresentar o seu corpo ou o seu disco de identificação. Naquela noite, aquele oficial sem sentimentos estava desaparecido, e na manhã seguinte chegou às linhas de frente um grande envelope do regimento. Ao ser aberto, dele caiu um disco de identificação com o nome de Jock Anderson, e um pequeno bilhete dizia: "Prezado Major: Estou anexando o disco de identificação de Jock Anderson. Por favor, escrevei à Sra. Anderson, em Londres, Ontário, Canadá, e dizei-lhe que Deus ouviu a sua oração — o marido dela não está desaparecido." ¶
Aquele era o homem de quem eu havia dito: "Graças te dou, ó Deus, porque não sou como ele." Ele teve a coragem que eu jamais tive de rastejar de bruços, diante de uma morte quase certa, para trazer a uma mulher que jamais vira, a 3.000 milhas de distância, o pobre consolo de que o marido dela não estava desaparecido. ¶
E no final de sua carta, ele escreveu, como se não tivesse grande importância: "Quanto a mim, parto pela manhã de volta à pátria. O médico diz que é caso de amputação e pode ser fatal. Até logo." ¶
Desde essa experiência, tenho procurado crer que todo homem tem algo dentro de si que vale a pena salvar. Saiamos e ajudemos os rapazes e os homens que não são ativos. Encontremos o bem que há neles e tragamo-los à atividade e, no decorrer de tudo o que fazemos, mantenhamo-nos puros e sem mácula dos pecados do mundo. Deixo-vos o meu testemunho e a minha bênção, e peço a Deus que esteja com todos os que estão neste edifício e convosco, os demais milhares que estais aí fora esta noite. Fazei uma resolução, como estes rapazes nos suplicaram que fizéssemos: ". . . eu e a minha casa serviremos ao Senhor." (Josué 24:15.) Que Deus vos abençoe, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶