Meus Irmãos, Aprecio Este Privilégio De...
Sterling W. Sill
Meus irmãos, aprecio este privilégio de ter uma parte convosco na conferência geral do sacerdócio da Igreja. ¶
Fui grandemente estimulado, como tenho certeza que também o fostes, pelas mensagens destes belos jovens que nos falaram de forma tão interessante sobre a importância de controlarmos nossa própria vida. ¶
Uma das mensagens mais inspiradoras em toda a escritura sagrada é a história do sexto dia da criação, quando Deus criou o homem à sua própria imagem. Ele também o dotou de um conjunto de seus próprios atributos. ¶
Então, como o próprio ápice da criação, Deus deu ao homem domínio sobre tudo na terra, inclusive sobre si mesmo. O dicionário diz que "domínio" significa controle ou o poder de governar. A parte mais importante do domínio dado ao homem foi o autodomínio. Em toda a criação, foi apenas ao homem que Deus disse: ". . . podes escolher segundo a tua vontade" (Moisés 3:17.) Certa vez, Joseph Smith foi convidado a explicar a incomum harmonia existente entre seu grande grupo de membros da igreja, embora diferissem tanto em origem, nacionalidade e experiência. O Profeta respondeu: "Eu ensino ao povo princípios corretos, e eles se governam a si mesmos." (Citado por John Taylor, JD 10:57-58.) Uma das partes mais importantes da religião verdadeira é qualificarmo-nos para governar nossa própria vida de forma eficaz e justa. Alguém disse: "Aquele que quisesse mover o mundo, primeiro deveria mover a si mesmo." Falamos muito sobre o fato de que nos foi dado o sacerdócio. O sacerdócio é a autoridade para agir em nome do Senhor. Mas, por si só, isso não é suficiente. ¶
Devemos também desenvolver a "capacidade" de agir em nome do Senhor. A autoridade nunca poderá ter grande relevância sem a capacidade. Isto é, de que benefício seria ter a autoridade de fazer conversos sem a capacidade de fazer conversos. ¶
O que havia de mais inspirador na vida de Jesus não era sua capacidade de acalmar a tempestade ou controlar a tormenta, mas seu controle absoluto sobre si mesmo. O Mestre não precisava cometer um único erro para descobrir que era errado. Desenvolvemos um controle razoavelmente bom sobre alguns dos membros de nosso corpo; por exemplo, tenho grande autoridade sobre meu dedo. Se lhe digo para dobrar, ele dobra. Se lhe digo para desdobrar, ele desdobra. Se dou uma ordem a meus pés, eles obedecem imediatamente, e teremos alcançado êxito em nossa responsabilidade religiosa quando obtivermos esse mesmo tipo de controle sobre nossos pensamentos, nossas emoções, nossa língua, nossa diligência, nossa fé e nosso desejo de servir a Deus. Alguns de nós treinamos mal nosso apetite a ponto de tendermos a "pensar" com o estômago; isto é, com frequência nosso apetite tem mais influência em dirigir nossa vida do que nossa razão ou até os mandamentos de Deus. Este mesmo mau uso de nossas faculdades frequentemente dá a nossos temores, nossas dúvidas, nossos preconceitos, nossos ódios e nossos impulsos sexuais o controle de nossa vida. ¶
Antes que possamos ter êxito em nosso domínio dado por Deus, nossas emoções devem ser trazidas sob a direção do espírito. ¶
Santo Agostinho disse: "Queres que tua carne obedeça a teu espírito? Então faze com que teu espírito obedeça a teu Deus. Deves ser governado, se quiseres governar." ¶
E somente quando nos governamos corretamente segundo o que é justo é que podemos escapar do domínio destrutivo de nossos humores e apetites. ¶
Sir Walter Raleigh disse: "Um homem deve primeiro governar a si mesmo, antes de estar apto a governar uma família; e sua família, antes de estar apto a assumir o governo na comunidade." ¶
A cada um de nós foi dado um magnífico instrumento chamado cérebro, que se destinava a desempenhar um papel muito mais proeminente em nossa vida religiosa do que às vezes desempenha. O cérebro, não os sentimentos ou as paixões, foi designado por Deus para ser o oficial presidente da personalidade. E quando honramos a autoridade da mente, tornamo-nos senhores em vez de escravos. ¶
A. Bertha Kleinman escreveu o seguinte poema sobre o autodomínio. ¶
AUTODOMÍNIO "Que importa se conquisto meus inimigos, E acumulo reservas e riquezas, Sou, na verdade, um conquistador pobre, Até que subjugue a mim mesmo. ¶
"Que importa se leio e decoro Livros inteiros enquanto sou jovem, Sou um linguista desonrado, Que não consegue guardar sua língua. ¶
"Que importa se no campus me destaco Um campeão em torneios e lutas Se, mesmo treinado e eficiente, não consigo Controlar um apetite. ¶
"Que importa se as dispensas escrevem meu nome Bem alto no quadro de honra As disciplinas eletivas e obrigatórias me faltam se Não aprendo o autocontrole. ¶
"E ainda que me forme e voe alto E a vida seja boa para mim, Meu coração há de me escrever fracasso até Que eu aprenda o autodomínio." ¶
Nossa natureza humana é composta de uma interessante dualidade, à qual Jesus se referiu como o espírito e a carne, e a maioria de nós permite que um conflito constante se trave entre os dois. Platão se refere a esta dualidade como uma alma superior e uma alma inferior. Ele descreve a alma inferior como a morada da fraqueza, do pecado e do apetite, ao passo que a alma superior é a residência do intelecto; é a sede da razão e a base operacional do julgamento e da retidão. Neste campo de batalha, o destino de cada um de nós está sendo decidido diariamente. Cada indivíduo tende ao seu estado natural de rei ou de escravo. ¶
À medida que superamos os elementos indignos dentro de nós, tornamo-nos senhores, capazes de governar nossa vida com sabedoria e poder justo. À medida que nos entregamos a nossos apetites, tornamo-nos escravos. O alcoólatra, o imoral, o desonesto, o profano e o ocioso estão perdendo a batalha para a alma inferior por se permitirem experiências demasiadas da alma inferior. ¶
O único negócio da vida é ter êxito, e um dos nossos maiores deveres cristãos é organizarmo-nos e supervisionarmo-nos a nós mesmos para uma realização justa. Devemos ser mais bem-sucedidos em disciplinar a mente e treinar a vontade. Alguém observou que o "planejamento" é o lugar em que o homem se mostra mais parecido com Deus. Quem poderia ser mais semelhante a Deus do que aquele que planeja inteligentemente sua própria vida? É ele quem projeta a realização e constrói o caminho do êxito. O homem mais bem pago do exército é o general. ¶
É ele quem "pensa" e "planeja" ¶
para o exército. Mas cada um de nós é o general de sua própria vida, e cada um também é seu próprio soldado. Como generais, nosso trabalho é elaborar um programa melhor para nós mesmos como soldados, e quanto mais hábeis formos como generais, mais bem-sucedidos seremos como soldados. ¶
Há algum tempo, passei algumas horas com um grupo de missionários. Estávamos discutindo o trabalho missionário sob os dois grandes títulos da "mensagem" ¶
e do "mensageiro." Estamos na metade do caminho para o êxito quando compreendemos a tremenda importância da mensagem de que o evangelho de Jesus Cristo foi novamente restaurado à terra, com a autoridade para oficiar em todos os princípios e ordenanças do evangelho relacionados com o reino celestial. Mas nenhuma grande mensagem é jamais entregue sem um grande mensageiro. Visto que a abordagem profissional para qualquer realização é primeiro isolar o problema, eu disse aos missionários: "Antes que eu possa ser de muita ajuda para vós, preciso saber quais são os vossos problemas. Cada um de vós me diria, em uma palavra, por que não sois dez vezes mais eficazes do que sois?" ¶
À medida que as respostas eram dadas, nós as escrevíamos no quadro-negro. Contudo, quando as analisamos, descobrimos que todas, sem exceção, tinham a ver com o "mensageiro," nenhuma delas era sobre a mensagem. Eu lhes disse: "Vou voltar à sede da Igreja pela manhã, e gostaria de poder relatar o que há de errado com a mensagem." Mas ninguém tinha qualquer queixa a respeito da mensagem. Os únicos problemas deles envolviam mudar o mensageiro. ¶
Um missionário disse: "Não posso ser um bom missionário porque não sou simpático." ¶
Eu disse: "Que quereis dizer com isso?" ¶
Ele disse: "Bem, meu companheiro ama a todos, e todos o amam. Todos os nossos contatos se reúnem em torno dele, mas, porque eu não sou esse tipo de pessoa, fico sozinho." ¶
Eu disse: "Mostrar-me-íeis o que quereis dizer, descendo por este corredor e apertando a mão destas pessoas do jeito que costumais fazer?" ¶
Ao obedecer, ele fez seu trabalho de sempre, pouco impressionante. Então eu lhe disse: "Agora, descereis por este outro corredor e apertareis a mão destas outras pessoas do jeito que vosso companheiro faz?" ¶
Então ele endireitou os ombros, teve um olhar um pouco diferente e uma tensão um pouco diferente nos músculos enquanto tentava demonstrar-me como seu companheiro fazia. Ele parecia ter êxito imediato ao seguir o exemplo de seu companheiro. Contei-lhe sobre o famoso princípio do "Como Se" de William James. O Sr. James disse que, se quereis ter uma qualidade, agi "Como Se" ¶
já a tivésseis. Se quereis ser simpáticos, agi "Como Se" já fôsseis simpáticos. Quanto tempo leva para se aprender a ser simpático? Leva apenas um quarto de segundo, apenas o suficiente para decidirdes praticar o princípio do "Como Se". Se quereis ser corajosos, agi "Como Se" já fôsseis corajosos, não andeis por aí contando a todos como estais assustados e fracos. É o axioma do teatro que cada ator deve viver seu papel. ¶
Certa vez, Theodore Roosevelt estava condecorando um de seus generais por bravura. Ele disse: "Este é o homem mais corajoso que já vi." Ele disse: "Ele caminhou bem atrás de mim durante toda a subida da Colina de San Juan." Theodore Roosevelt foi uma criança doentia. Começou a vida como um fraco, sem esperança de sobreviver; mas treinou-se a pensar em coragem, força, saúde e vitalidade, e foi isso que obteve. Uma das coisas que mais me assustam à medida que ando um pouco por aí é ouvir tantas pessoas falando de fraqueza, fracasso e pecado. A doença mais difundida no mundo é o complexo de inferioridade. E quando pensamos em inferioridade, é isso que obtemos. Outro missionário descreveu seu problema dizendo: "Não consigo me concentrar." Eu disse: "O que planejais fazer a respeito disso?" ¶
Ele disse: "Não há nada que eu possa fazer; simplesmente não consigo me concentrar." Uma de nossas fraquezas mais lamentáveis é que às vezes pensamos estar condenados a permanecer para sempre como estamos no presente. No entanto, uma das ideias mais empolgantes na vida é a possibilidade de nos transformarmos para melhor. ¶
William James disse: "A maior descoberta de minha geração é que podemos mudar nossas circunstâncias mudando nossas atitudes mentais." Muitas pessoas querem mudar suas circunstâncias, mas poucas estão dispostas a mudar a si mesmas. É muito interessante, contudo, que o problema com que esses missionários pareciam ter mais dificuldade era o de tirar a cama de cima de si mesmos pela manhã. Levei comigo uma imagem mental, cronometrada às 6:00 da manhã, destes missionários puxando e lutando para se levantar, com o colchão logrando êxito em mantê-los presos. Não é ridículo que às vezes vivamos uma vida inteira e nunca aprendamos a nos levantar de manhã? A Igreja tem agora 133 anos, e alguns de nós mal começaram a viver a "mensagem" porque esgotamos nossas forças lutando com o mensageiro. ¶
Até onde sei, quase todo problema que nos detém envolve um mau uso deste domínio dado por Deus. Certamente precisamos de um melhor domínio da mensagem, mas também temos muito mais trabalho a fazer com o mensageiro. ¶
Salomão disse: "Com tudo o que adquirires, adquire sabedoria." (Ver Prov. 4:7.) E então alguém que deve ter sido muito mais sábio do que Salomão disse: "Com tudo o que adquirires, ponde mãos à obra." George Bernard Shaw tocou em nosso problema quando disse que a ocupação primordial da vida é tomar uma turba de apetites e organizá-los em um exército de propósitos e ambições. ¶
É um ponto de vista muito significativo que a todo ser humano foram dados dois criadores. Um é Deus, e o outro é ele mesmo. Isto é, a criação do homem não foi algo terminado e concluído no Jardim do Éden. ¶
A criação do homem ainda está acontecendo. ¶
Está acontecendo hoje, e aconteceu na semana passada, e acontecerá no mês que vem, e vós sois o criador. ¶
Isto é, vós estais atualmente criando os entusiasmos, a diligência, a coragem e a fé que determinarão o que vossa vida será por toda a eternidade. Alguém fez esta interessante pergunta: "Como gostaríeis de criar vossa própria mente?" Mas não é exatamente isso que todos fazem? ¶
William James disse: "A mente é formada por aquilo de que se alimenta." A mente se torna o que Deus pretendia que fosse somente quando é alimentada com experiências suficientes da alma superior. Já se disse que "a mente, como a mão do tintureiro, é colorida por aquilo que segura." ¶
Isto é, se eu seguro em minha mão uma esponja cheia de tinta roxa, minha mão fica roxa, e se eu seguro em minha mente e em meu coração grandes ideias de honra, retidão, diligência e amor à verdade, toda a minha personalidade se colore de acordo. ¶
E nosso autodomínio se torna mais eficaz quando nos apaixonamos pelo tipo certo de ideias e recusamos toda experiência da alma inferior. Enquanto Caim se treinava a ". . . amar mais a Satanás do que a Deus . . ." (Moisés 5:18), estava dando domínio à sua alma inferior. Este é um processo que muitos frequentemente seguem. Há algum tempo, um jovem discutiu comigo um casamento inadequado que estava contemplando. Perguntei-lhe por quê. Ele disse que estava apaixonado. ¶
Mas o amor por si só é uma base insuficiente para o casamento. Qualquer pessoa pode se apaixonar por qualquer coisa. Muitas pessoas se apaixonaram pela ociosidade, pelo palavreado profano, pelo adultério e pela embriaguez. Caim se apaixonou por Satanás. ¶
Um fumante inveterado foi recentemente instruído por seu médico a abandonar o cigarro. Ele havia se apaixonado pelos cigarros, e sentia muita pena de si mesmo por agora estar sendo forçado a abandonar seu mau hábito. Ele disse: "De que bem poderia me servir deixar de fumar quando tenho de ficar de vigia sobre mim mesmo, como um policial com um cassetete, ordenando a mim mesmo que faça algo que não quero fazer?" É bastante difícil forçarmo-nos a ser decentes ou bem-sucedidos enquanto estamos apaixonados pelo pecado e pelo fracasso. ¶
Há uma psicologia da alma inferior que diz que o modo de desenvolver a personalidade é dar expressão a nossos desejos. Ela diz que os pais não deveriam dizer "não" a seus filhos, por causa da possibilidade de atrofiar sua personalidade. Se uma criança sente vontade de bater a porta, deveria batê-la. Se ela sente vontade de espalhar sua rebeldia, deveria fazê-lo. Diz que os desejos devem ser expressos, do contrário o crescimento da criança pode ser inibido e sua personalidade distorcida. Esta filosofia deu uma grande contribuição ao aumento da delinquência juvenil e adulta. ¶
Poderíamos trazer alguma filosofia da alma superior para tratar deste ponto por meio de uma revisão dos Dez Mandamentos. No entanto, um proeminente ministro disse recentemente que os Dez Mandamentos não deveriam mais ser usados como base para a instrução religiosa. Disse que os Dez Mandamentos davam aos jovens a ideia de que a igreja era um balde de água fria. Disse que os ditatoriais "não farás" ¶
não estavam mais em bom gosto. Ele disse: "Em minha igreja, não me refiro mais aos Dez Mandamentos." Ele não disse se pensava ou não que a castidade, a honestidade e a adoração deveriam ser abolidas, ou se Deus havia mudado de ideia quanto a esses valores, mas apenas que se convencera de que os Dez Mandamentos estavam ultrapassados e não eram mais úteis. ¶
Outro líder religioso disse que o rígido mandamento "não farás" era severo demais para a sensibilidade de nossos dias atuais, e sugeriu que a forma dos mandamentos deveria ser modificada e que fosse usada alguma palavra mais suave, como "aconselhar" ou "sugerir" ou "recomendar." Cometemos um de nossos erros mais graves quando nos tornamos brandos demais para aceitar a verdade a menos que ela venha bastante adoçada. Resolvemos muitos de nossos problemas por meio do compromisso, ou de como nos sentimos, em vez de pelo que é justo. Frequentemente, preferiríamos ser arruinados pelo elogio a sermos salvos pela crítica. É um assunto bastante sério quando viramos as costas para o bem meramente porque não gostamos do tom de voz de alguém ou porque o que foi dito não agrada exatamente à nossa fantasia. ¶
Conta-se a história de um pai e um filho viajando pela estrada. O filho estava explicando ao pai o que não gostava nos Dez Mandamentos. Ele disse que eram negativos e que, além disso, não gostava que lhe dissessem o que não fazer. Logo chegaram a um cruzamento na estrada. Havia uma placa indicando para onde levava a estrada da esquerda, e outra placa indicando para onde levava a estrada da direita. O pai tomou a estrada errada. Isso perturbou muito o filho. Ele não conseguia entender como o pai podia cometer um erro tão ridículo. O pai admitiu que havia lido a placa, mas disse: "Simplesmente não quero que placa alguma me diga para onde ir." ¶
Para nosso benefício, Deus ergueu algumas placas do certo e do errado, e quando estamos rumando para a destruição, o sinal é exibido, dizendo: "Não farás." O que fazemos a partir daí, contudo, é estritamente da nossa conta. Há algum tempo li um dos debates antiescravagistas de Lincoln. O oponente de Lincoln havia dito: "Não podeis vos dar ao luxo de libertar os escravos do sul, porque há cerca de quatro milhões deles. Cada um tem um valor para seu dono de aproximadamente $1.000. ¶
Isto é, se libertardes os escravos, perturbareis a economia deste pequeno grupo de proprietários de escravos em cerca de quatro bilhões de dólares, que eles não podem se dar ao luxo de perder, mas, além disso, quem cuidará das plantações de milho, algodão e tabaco?" ¶
Quando Lincoln subiu à tribuna, ele afastou todas essas considerações como irrelevantes. Ele disse: "Há apenas uma pergunta que precisamos responder sobre a escravidão, e esta é ela: ¶
A escravidão é certa ou é errada? É certo que alguns homens mantenham outros homens em cativeiro?" Ora, espero que, alguma vez em que tiverdes um problema que vos esteja causando dificuldade, vos lembreis da fórmula de Lincoln sobre o certo e o errado. ¶
Há algum tempo foi relatado que um engenheiro foi despedido de seu emprego. Ele pediu ao empregador a razão. O empregador disse: "Permitistes que tomássemos uma decisão errada, que nos custou uma quantia considerável de dinheiro." O engenheiro disse: "Mas certamente vos lembrais de que vos aconselhei contra tomar essa decisão." O empregador disse: "Sim, sei que o fizestes, mas não batestes na mesa quando o fizestes." ¶
O Senhor não cometeu esse erro quando deu os Dez Mandamentos. ¶
Ele bateu na mesa e procurou tornar a ocasião tão memorável quanto possível, e ele espera que sejamos igualmente enérgicos ao cumprir suas instruções. Gostaria de vos ler uma descrição do cenário em que os Dez Mandamentos foram dados. Isso nos dá uma atmosfera para moldar nosso próprio domínio. ¶
A escritura diz: "E aconteceu ao terceiro dia, ao amanhecer, que houve trovões e relâmpagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina muito forte, de maneira que estremeceu todo o povo que estava no acampamento. ¶
"E Moisés levou o povo para fora do acampamento ao encontro de Deus; e puseram-se ao pé do monte. ¶
"E o monte Sinai todo fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; e a sua fumaça subiu como fumaça de um forno, e todo o monte tremia grandemente." ¶
(Êxo. 19:16-18.) Duvido seriamente que o Senhor tenha mudado de ideia desde então. ¶
O próprio Deus não pode olhar para o pecado com o menor grau de tolerância. Ele não permite nenhum dele em sua presença. Mas ele disse: ". . . não obstante, podes escolher segundo a tua vontade." (Moisés 3:17.) Ele nos deu domínio para que pudéssemos desenvolver nossa própria vida. Aristóteles certa vez disse a Alexandre, o Grande, que o inimigo mais perigoso que jamais confrontou um exército nunca esteve nas fileiras do adversário, mas sempre em seu próprio acampamento. E isso é algo bom para nos lembrarmos. Suponhamos que nos perguntemos quem é o maior inimigo da América? ¶
Não é a Rússia, nem a China, nem Cuba; isso é ridículo. Quem causa nossas greves e provoca nossos conflitos raciais? Quem rouba nossos bancos e causa nossos muitos tipos de delinquência? Quem é que comete nossos erros políticos, dá-nos má reputação no exterior e causa nossas fraquezas em casa? Ou quem é responsável por nossos pecados individuais e nos mantém ignorantes, letárgicos e malsucedidos? ¶
O Senhor sugeriu a resposta quando, em 22 de setembro de 1832, deu uma grande revelação, na qual disse em parte: "E agora vos dou o mandamento de que vos acauteleis a respeito de vós mesmos, . . ." (D&C 84:43.) Nossas próprias placas dizem: "Cuidado com o cachorro" ou "Cuidado com o trem" ou "Cuidado com os comunistas," ¶
mas o Senhor se aproxima mais de nosso problema quando diz: ". . . acautelai-vos a respeito de vós mesmos . . ." A principal característica do pecado, e a principal característica da falta de êxito, é nossa falha em administrar nossos pensamentos, nossas atitudes e nossas ambições. Pitágoras disse: "Nenhum homem é livre que não pode comandar a si mesmo." ¶
E poderíamos acrescentar que nenhum homem é capaz de tirar o máximo e o melhor proveito de sua vida se não pode comandar a si mesmo. Teremos felicidade em nossos lares, êxito em nosso trabalho, retidão em nossa vida pessoal e vida eterna na presença de Deus, somente à medida que aprendermos o autodomínio e desenvolvermos a força de vontade para pô-lo em prática. É responsabilidade do sacerdócio preparar o caminho antes da gloriosa segunda vinda de Cristo. É nossa responsabilidade pessoal preparar nossa família e nossa vida individual para a glória celestial, e fracassaremos ou teremos êxito na exata proporção em que obtivermos domínio sobre nossa própria vida. ¶
O Senhor disse: ". . . que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; . . . ¶
"O Espírito Santo será teu companheiro constante, . . . e teu domínio será um domínio eterno e, sem medidas coercivas, fluirá para ti eternamente." (Idem, 121:45-46.) Carl Erskine, o grande ex-arremessador do Dodgers, certa vez disse: "Nunca oro para vencer, apenas oro para estar em minha melhor forma." Que realização emocionante seria se todo portador do sacerdócio estivesse sempre em sua melhor forma; pois até mesmo um homem pode, se quiser, mudar o moral de toda uma comunidade. Edward Everett Hale certa vez disse: "Sou apenas um, Mas ainda assim sou um. ¶
Não posso fazer tudo, Mas ainda assim posso fazer algo; E porque não posso fazer tudo Não me recusarei a fazer o algo que posso fazer." ¶
Meus irmãos no sacerdócio, que o Senhor nos ajude a obter domínio sobre nossa vida é minha oração, que faço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶