Meus Amados Irmãos e Irmãs, Eu Creio...
Marion G. Romney
Meus amados irmãos e irmãs, creio que a pergunta mais frequentemente feita às Autoridades Gerais é: "Não vos lembrais de mim?" Há alguns anos, quando a Irmã Romney e eu estávamos sentados perto do Presidente e da Irmã McKay num Festival de Danças da AMM, uma linda menininha da Primária abriu caminho até chegar ao Presidente para pedir seu autógrafo. "Presidente McKay," disse ela, "lembrai-vos de quando me vistes pela última vez?" "Não, minha querida, não me lembro," disse ele gentilmente, "mas deve ter sido há muito tempo." "Não foi," respondeu ela, "foi justamente no ano passado, na Escócia." ¶
Talvez a próxima pergunta mais frequente seja: "Os batismos rápidos permanecem tão ativos na Igreja quanto quando se tomava mais tempo?" Como o significado de "ativo" é tão indefinido, esta pergunta é algo semelhante à trombeta de som incerto de Paulo. Nenhuma resposta firme pode ser dada. Contudo, minha observação é que a porcentagem de atividade entre os chamados "batismos rápidos" é aproximadamente a mesma que entre aqueles nascidos de membros da Igreja nas estacas. ¶
Desde a época do Pai Adão até hoje, algumas pessoas têm sido batizadas quase imediatamente após ouvirem o evangelho. Outras têm investigado longa e estudiosamente. Até onde sei, o Senhor nunca fixou um limite de tempo. O único pré-requisito que ele prescreveu é "conversão." ¶
É sobre a conversão e a cura que a acompanha que desejo falar. ¶
Oro sinceramente para que o Espírito do Senhor esteja comigo e para que ele ponha seu selo sobre as coisas que digo. ¶
Webster diz que o verbo "converter" ¶
significa "voltar-se de uma crença ou curso para outro." Que "conversão" ¶
é "uma mudança espiritual e moral que acompanha uma mudança de crença com convicção." ¶
Como é usado nas escrituras, "convertido" ¶
geralmente implica não apenas a aceitação mental de Jesus e seus ensinamentos, mas também uma fé motivadora nele e em seu evangelho — uma fé que opera uma transformação, uma mudança real na compreensão que a pessoa tem do significado da vida e em sua lealdade a Deus — em interesse, em pensamento e em conduta. Embora a conversão possa ser realizada em etapas, ninguém está realmente convertido no pleno sentido do termo a menos e até que seja, de coração, uma pessoa nova. "Nascido de novo" é o termo escriturístico. ¶
Naquele que está plenamente convertido, o desejo por coisas hostis ao evangelho de Jesus Cristo já morreu de fato, e em seu lugar há um amor a Deus com uma determinação fixa e dominante de guardar seus mandamentos. Paulo disse aos romanos que tal pessoa andaria em novidade de vida. "Não sabeis," disse ele, "que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? ¶
"De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo ressuscitou dos mortos . . . assim andemos nós também em novidade de vida." (Rom. 6:3-4.) Pedro ensinou que, andando nesta "novidade de vida," a pessoa escapa "da corrupção, que pela concupiscência há no mundo," e, desenvolvendo em si mesma fé, virtude, conhecimento, temperança, paciência, piedade, amor fraternal e caridade, torna-se participante "da natureza divina." ¶
Quem anda em novidade de vida está convertido. Por outro lado, diz Pedro, "aquele em quem não há essas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados." (Ver 2 Ped. 1:1-9.) Tal pessoa não está convertida, mesmo que possa ter sido batizada. ¶
Há um exemplo notável da mudança operada pela conversão no relato de Mórmon sobre o discurso de despedida do Rei Benjamim. Este sermão foi tão poderoso que, ao proferi-lo, Benjamim viu a multidão cair por terra; pois ". . . ¶
haviam visto a si mesmos em seu estado carnal, . . . E todos clamaram a uma só voz . . . Oh! Tende misericórdia e aplicai o sangue expiatório de Cristo, para que recebamos o perdão de nossos pecados e nosso coração seja purificado; porque cremos em Jesus Cristo, o Filho de Deus, . . ." (Mosias 4:2.) Observando a humildade deles, o Rei Benjamim continuou: "Acreditai em Deus; acreditai que ele existe e que criou todas as coisas . . . acreditai que ele tem toda a sabedoria e todo o poder, tanto no céu como na Terra; . . . ¶
". . . acreditai que vos deveis arrepender de vossos pecados e abandoná-los e humilhar-vos diante de Deus; e pedir com sinceridade de coração que ele vos perdoe; e agora, se acreditais em todas estas coisas, vede que as façais." (Idem, 4:9-10.) Ao concluir, ele perguntou se acreditavam em suas palavras. ¶
"E todos clamaram . . . Sim, acreditamos em todas (tuas) palavras . . . e também sabemos que são certas e verdadeiras, . . ." ¶
E por que estavam tão confiantes? Porque, como disseram: ". . . o Espírito do Senhor . . . efetuou em nós, ou em nosso coração, uma vigorosa mudança, de modo que não temos mais disposição para praticar o mal, mas sim de fazer o bem continuamente. ¶
"E (continuaram) estamos dispostos a fazer um convênio com nosso Deus, de cumprir a sua vontade e obedecer a seus mandamentos em todas as coisas . . . para o resto de nossos dias, . . ." (Idem, 5:2, 5.) Embora este povo pareça ter se convertido com bastante rapidez, de uma "disposição para praticar o mal" a uma determinação "de fazer o bem continuamente" pelo resto de seus dias, evidentemente cumpriram plenamente as condições prescritas pelo Senhor para o batismo, quando ele disse: ¶
". . . Todos aqueles que se humilharem perante Deus e desejarem ser batizados e se apresentarem com o coração quebrantado e o espírito contrito; e testificarem à igreja que verdadeiramente se arrependeram de todos os seus pecados e estão dispostos a tomar sobre si o nome de Jesus Cristo, tendo o firme propósito de servi-lo até o fim; e realmente manifestarem por suas obras que receberam o Espírito de Cristo para a remissão de seus pecados, serão recebidos pelo batismo na sua igreja." (D&C 20:37.) Que o Profeta aplicava estas instruções estritamente é evidente por esta entrada em seu diário de 5 de julho de 1835: ¶
"Michael H. Barton tentou entrar na Igreja, mas não estava disposto a confessar e abandonar todos os seus pecados — e foi rejeitado." (DHC 2, 235.) Se o Sr. Barton tivesse obtido a filiação na Igreja em seu então estado não arrependido, isso não lhe teria valido de nada, por mais que conhecesse do evangelho, porque não estava convertido. ¶
De alguns dos ditos do Salvador parece que poderia até haver pessoas em posições elevadas cuja conversão não é completa; por exemplo, conversando com seus apóstolos na última ceia, ele disse a Pedro: "Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; ¶
"Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos." (Luc. 22:31-32.) Disto parece que a filiação na Igreja e a conversão não são necessariamente sinônimos. Estar convertido, como aqui usamos o termo, e ter um testemunho não são necessariamente a mesma coisa também. Um testemunho vem quando o Espírito Santo dá ao que busca com sinceridade uma testificação da verdade. Um testemunho comovente vivifica a fé; isto é, induz ao arrependimento e à obediência aos mandamentos. A conversão, por outro lado, é o fruto, ou a recompensa, do arrependimento e da obediência. (É claro que o testemunho de alguém continua a crescer à medida que se converte.) A conversão é efetuada pelo perdão divino, que remite os pecados. A sequência é mais ou menos assim: um sincero buscador ouve a mensagem. Ele pergunta ao Senhor em oração se ela é verdadeira. O Espírito Santo lhe dá uma testificação. Isto é um testemunho. Se o testemunho de alguém for suficientemente forte, ele se arrepende e obedece aos mandamentos. Por meio dessa obediência, recebe o perdão divino, que remite o pecado. Assim, é convertido a uma novidade de vida. Seu espírito é curado. ¶
Pelo que Jesus disse ao curar o homem "enfermo de paralisia," ¶
parece que a remissão dos pecados é a terapia que cura, e que os dois termos são sinônimos. Sobre esse incidente, Lucas diz: ". . . o poder do Senhor estava com ele para os curar . . ." (Idem, 5:17.) Jesus, reconhecendo a fé do paralítico e de seus companheiros, ". . . disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados." (Idem, 5:20.) Por isso os fariseus o acusaram de blasfêmia, dizendo entre si: ". . . Quem pode perdoar pecados, senão só Deus? ¶
. . ." (Idem, 5:21.) Percebendo os pensamentos deles, Jesus disse: "Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda?" Então acrescentou: "Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra poder de perdoar os pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa." ¶
(Idem, 5:23-24.) Isso, é claro, o homem fez imediatamente. ¶
Neste caso houve uma cura física. Às vezes há também uma cura do sistema nervoso ou da mente. Mas sempre a remissão dos pecados que acompanha o perdão divino cura o espírito. Isto explica o fato de que, nas escrituras, conversão e cura estão repetidamente associadas. ¶
Por exemplo, em 1837 o Senhor disse a Thomas B. Marsh, então Presidente do Quórum dos Doze, ". . . ora por teus irmãos dos Doze. Admoesta-os severamente por causa de meu nome e que sejam admoestados por todos os seus pecados, . . . ¶
"E depois de suas tentações e muitas tribulações, eis que eu, o Senhor, procurá-los-ei; e se não endurecerem o coração e não enrijecerem a cerviz contra mim, serão convertidos e curá-los-ei." (D&C 112:12-13. Itálico acrescentado.) Jesus frequentemente falava de curar os convertidos. Citando Isaías, ele disse: ". . . o coração deste povo está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure." ¶
(Mat. 13:15.) Na abertura de seu ministério mortal, ele disse a seus concidadãos em Nazaré que fora enviado ". . . ¶
para curar os quebrantados de coração, . . ." ¶
(Luc. 4:18.) Aos aflitos nefitas ele assim falou, saindo das terríveis trevas que acompanharam sua crucificação: "Ó vós todos, que fostes poupados porque éreis mais justos do que eles, não volvereis a mim agora, arrependendo-vos de vossos pecados e convertendo-vos, para que eu vos cure?" ¶
(3 Néfi 9:13.) Alguém recentemente perguntou como se pode saber quando se está convertido. A resposta é simples. Pode-se ter a certeza disso quando, pelo poder do Espírito Santo, sua alma é curada. Quando isto ocorre, a pessoa o reconhecerá pela maneira como se sente, pois sentirá o que o povo de Benjamim sentiu ao receber a remissão de seus pecados. O registro diz: . . . ¶
o Espírito do Senhor desceu sobre eles e encheram-se de alegria, havendo recebido a remissão de seus pecados e tendo paz de consciência, . . ." ¶
(Mosias 4:3.) Quando Alma, o filho, se converteu, ele disse: ". . . já não me lembrei de minhas dores; sim, já não fui atormentado pela lembrança de meus pecados. ¶
"E oh! que alegria e que luz maravilhosa contemplei! Sim, minha alma encheu-se de tanta alegria quanta havia sido minha dor. ¶
"Sim, digo-te, meu filho, que nada pode haver tão intenso e cruciante como o foram minhas dores. Sim, meu filho, digo-te também que, por outro lado, nada pode haver tão belo e doce como o foi minha alegria." ¶
(Alma 36:19-21.) Como terceiro e último guia, cito o Presidente Joseph F. Smith: "Nenhuma pessoa pode ser devidamente batizada a menos que tenha fé no Senhor Jesus Cristo e tenha se arrependido de seus pecados, com um arrependimento que não precise ser arrependido. ¶
Mas a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus. Isto implica que o candidato deve ser ensinado. Um ensino e uma preparação eficientes devem preceder a ordenança, para que o candidato tenha uma apreciação e compreensão adequadas de seus propósitos. O chamado ao batismo, no ministério do nosso Salvador, era sempre precedido de instruções nas doutrinas que ele ensinava." (The Improvement Era, 14, 266; Gospel Doctrine, Joseph F. Smith, 7ª ed., p. 99.) Falando de sua própria experiência, ele disse: "O sentimento que veio sobre mim foi de pura paz, de amor e de luz. Senti em minha alma que, se eu havia pecado — e certamente eu não estava isento de pecado — isso havia sido perdoado; que eu estava de fato purificado do pecado; meu coração foi tocado, e senti que não faria mal ao menor inseto sob meus pés. Senti que queria fazer o bem em toda parte, a todos e a todas as coisas. Senti uma novidade de vida, uma renovação do desejo de fazer o que era correto. Não havia uma única partícula de desejo pelo mal restando em minha alma. Eu era apenas um menininho, é verdade, quando fui batizado; mas esta foi a influência que veio sobre mim, e sei que era de Deus, e sempre foi e continua sendo uma testemunha viva para mim de minha aceitação do Senhor." (Conf. Rep. de Abril, 1898; Gospel Doctrine, Joseph F. Smith, 7ª ed., p. 96.) Enquanto Jesus ministrava entre os nefitas, ele lhes disse para não administrar o Sacramento aos indignos, mas continuar a trabalhar com eles; ". . . porque não sabeis se eles irão voltar e arrepender-se e vir a mim com toda a sinceridade de coração e eu irei curá-los; e sereis vós o meio de levar-lhes salvação." ¶
(3 Néfi 18:32.) Fazer com que as pessoas tenham seu espírito curado por meio da conversão é a única forma pela qual podem ser curadas. Sei que esta é uma doutrina impopular e uma forma lenta de resolver os problemas dos homens e das nações. De fato, estou convencido de que relativamente poucos entre os bilhões de habitantes da Terra serão convertidos. ¶
No entanto, sei e testifico solenemente que não há outro meio pelo qual as almas doentes de pecado dos homens possam ser curadas, ou pelo qual um mundo perturbado possa encontrar paz. Sei que os incrédulos rejeitarão este caminho divino. Mas isto não é novidade. Eles têm rejeitado desde os tempos de Caim. ¶
Desde o princípio recusaram-se a aceitar Cristo e seu evangelho. Mataram os antigos profetas. Queimaram Abinádi. Apedrejaram Samuel, o Lamanita. Crucificaram o próprio Senhor. Em nossos próprios dias martirizaram Joseph Smith, filho, o grande profeta da restauração. Mas tudo o que aconteceu no passado não mudou, e tudo o que ocorrer no futuro não mudará, a verdade de que a conversão a Jesus Cristo e a seu evangelho é o único caminho; pois ainda se deve dizer que "em nenhum outro há salvação; porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos." (Ver Atos 4:12.) A isto testifico em solene testemunho. ¶