É Sempre uma Grande Edificação Espiritual...
Alvin R. Dyer
É sempre uma grande edificação espiritual assistir à conferência d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e sou grato convosco, meus irmãos e irmãs, por ter mais uma vez este privilégio. ¶
A grande mensagem do Presidente McKay ontem, que foi diretamente ao coração de cada indivíduo, dá encorajamento às palavras que pensei em proferir a respeito da honestidade. A grande necessidade do mundo é de qualidade espiritual nos homens, de profundidade e altura de alma, de riqueza de vida interior, da qual boas obras hão de brotar como um regato das montanhas, com força. Mas essa nobreza de caráter não se alcança num só dia. Sua origem remonta aos dias da juventude, às práticas de contenção e à aquisição de pensamentos honestos e bons hábitos. ¶
Cremos em ser honestos! ¶
Por meio dos esforços da Associação Americana de Advogados e de Proclamação Presidencial, temos agora um novo dia na América. Ele ocorre todo primeiro de maio e é chamado de "Dia da Lei." Estão sendo feitos esforços para popularizar este dia por muitas organizações nacionais, das quais as seguintes são apenas algumas: ¶
A American Heritage Foundation, a United States Conference of Mayors, e a General Federation. ¶
A necessidade de que um dia como este seja trazido à atenção da América decorre da aparente complacência em relação ao império da lei, à devoção à moralidade e à honestidade moral. ¶
Nas últimas semanas, conforme relatado em nossos jornais, J. Edgar Hoover, diretor do Federal Bureau of Investigation, com base em estatísticas compiladas por esse órgão, declarou, entre outras coisas, "que, desde 1950, a taxa de criminalidade na América aumentou quatro vezes mais rápido que nossa população. Para cada dólar que nossas igrejas nos custam, nossa criminalidade nos custa 12 dólares. Os assaltos a bancos e as fraudes aumentaram vertiginosamente." ¶
Ao contemplar esta situação alarmante, há aqueles que dizem: "Tais crimes são cometidos pelo criminoso profissional, e sempre os teremos." Mas, na verdade, estarão tais desvios para o crime e a desonestidade se expandindo apenas nas assim chamadas fileiras do criminoso profissional? ¶
Em um artigo publicado não faz muito tempo na Reader's Digest, tomamos conhecimento do relatado avanço da desonestidade nas fileiras da pessoa comum. ¶
Um pescador ou um caçador é geralmente considerado um "esportista" dotado de senso de lealdade e de jogar conforme as regras; contudo, em um só mês, em um de nossos estados, 350 "esportistas" ¶
foram multados por violação das leis de caça. Um oficial relatou que teria havido muitos mais, houvesse guardas suficientes para verificar as infrações. ¶
O acesso aos comunicados de imprensa diários da Federal Trade Commission revela a mendacidade de nossos vendedores de mercadorias — mentiras sobre a origem, mentiras sobre a qualidade, mentiras sobre preços reduzidos! ¶
Recentemente, um jornal de Nova York publicou muitas colunas sobre pessoas inescrupulosas beneficiárias de assistência social que haviam desonestamente requerido e recebido mais dinheiro do que a lei permite. ¶
Os fatos revelados sobre a desonestidade de empregados e clientes são dos mais surpreendentes. ¶
Lesar uma grande empresa impessoal não é roubo algum, dizem alguns. Um relatório sobre isso foi publicado na Look Magazine da última semana de setembro. ¶
Um cidadão respeitável recentemente contou, com orgulho, que devolveu uma nota de cinco dólares a um balconista de farmácia que lhe havia dado troco em excesso; mas, quando completou uma ligação interurbana de uma cabine telefônica pública e a telefonista lhe devolveu por engano cinco moedas de vinte e cinco centavos, ele ficou com o dinheiro sem qualquer escrúpulo. "A companhia telefônica é tão grande que não vai sentir falta," disse ele. ¶
A New Jersey Bell Telephone Company não faz muito tempo fez grande alarde a respeito de uma menina de dez anos que havia devolvido vários dólares que encontrara na ranhura de devolução de um telefone público. ¶
A companhia procurou, nessa ocasião, ressaltar o fato, publicando sua fotografia no jornal, de que, quando uma pessoa se depara com uma máquina diante de uma questão moral, sua resposta deve ser a mesma que quando se depara com um ser humano. ¶
Durante os primeiros dez meses no novo Hotel Americana de Nova York, os hóspedes comuns, bem-intencionados, roubaram, entre outras coisas, 38.000 colheres de demitasse, 18.000 toalhas, 355 bules de prata para café, 1.500 lavabos de dedos de prata, e, acreditem ou não, 100 Bíblias. ¶
Os supermercados são especialmente vulneráveis aos ladrões "amadores," oitenta por cento dos quais são mulheres. Um exemplo: 500.000 carrinhos de compras de supermercado desapareceram no ano passado, a um custo médio de $30,00 cada, o que totaliza $15.000.000,00. Um especialista estima que quinze por cento de sua conta de alimentação vai para cobrir o que clientes e empregados levam, aliviando a consciência com o pensamento de que as grandes empresas podem arcar com isso. A pergunta é: podeis vós arcar com isso? ¶
Estima-se que os empregados de supermercado roubem o equivalente a $300.000,00 todos os dias. Em todo o país, os furtos de empregados em dinheiro e mercadorias são estimados em dois bilhões de dólares por ano. Há três anos, esse valor era estimado em um bilhão. Tal pilhagem já destruiu muitas empresas. Foi formada uma organização na cidade de Nova York, não para investigar quadrilhas criminosas, mas para sugerir a grandes empresas métodos de controlar a desonestidade dos empregados. Muito disso ocorre em quantidades tão inocentes que dificilmente parece ser um mal. As secretárias vão para casa com lápis e papel-carbono. Os empregados usam o telefone para chamadas pessoais que somam grandes quantias. Um executivo de uma grande empresa disse: "Se pedísseis a uma moça que depositasse dez centavos por uma ligação telefônica, ela pensaria que estivésseis louco." ¶
O fato de que a desonestidade moral se instalou como um cobertor maligno sobre os povos de todas as terras é contado numa história interessante por Russell Kirk, relatando na National Review, tendo escrito a história a partir de uma casa de campo em Fife, na Escócia. "Era uma vez," ele escreveu, "um rígido calvinismo que, quaisquer que fossem seus defeitos, instalou um alto grau de honestidade no escocês típico. Mas esta semana, na colheita de framboesas aqui, o jardineiro me observou que, das trinta ou quarenta pessoas que vieram colher em troca de uma parte da colheita, provavelmente todas roubariam uma cesta ou duas de frutas, se visse a oportunidade." ¶
Estes exemplos de desonestidade moral não são os do criminoso empedernido, mas sim os do cidadão comum, do dia a dia, que vemos ir e voltar do trabalho pelas ruas de nossas cidades. As civilizações podem não cair por causa de colhedores de framboesas trapaceiros ou de empregados de supermercado desonestos, mas grandes nações chegam ao fim de seu prazo quando as sanções religiosas já não governam a alma do cidadão comum. ¶
Bem poderíamos fazer a nós mesmos esta pergunta neste momento crucial: "O que é que produz a desonestidade moral e física na vida das pessoas?" Os fatos aqui relatados referem-se a atos evidentes de desonestidade moral, num setor da população supostamente não criminoso. Podemos possivelmente acreditar que qualquer ato de tal desonestidade nasce naquele exato minuto em que o ato é cometido? Isto não pode ser verdade, pois remonta até mesmo à infância, onde pequenos traços de desonestidade passam despercebidos. Certa vez ouvi um pai contar, em tom de brincadeira, como seu filhinho sempre conseguia encontrar trocado solto pela casa. ¶
Talvez o impulso de tomar algo que não pertence a um empregado possa ser rastreado até a falta de respeito que os adolescentes têm pela propriedade alheia, mesmo dos membros de sua própria família. ¶
Aquela criança ou adulto que não presta contas por seus atos, negligenciando o arrependimento e a restituição, tece em seu caráter o traço da desonra. Vemos aqui a necessidade de retidão e de disciplina bondosa no lar. ¶
A falta de realismo por parte dos pais em não detectar e corrigir atos inocentes de desonestidade em seus filhos pode levar ao desastre mais tarde. O passar por alto pequenas quantias de dinheiro tomadas por crianças, a falha em corrigir histórias contadas por crianças que são completamente falsas, podem levar a atos de natureza mais grave posteriormente. Há muitas maneiras pelas quais as sementes insuspeitas da desonestidade moral são plantadas e que hão de florescer no devido tempo. ¶
Falando de modo geral, a desonestidade moral tende à insinceridade e à hipocrisia. ¶
Estas três são companheiras más e podem destruir a majestade da vontade, anulando o poder do arbítrio. Nada desagrada mais ao Mestre do que a hipocrisia. Suas frequentes denúncias contra os fariseus por causa deste traço são um dado de registro bíblico. Daqueles que não são o que professam ser, o Apóstolo Tiago disse: "O homem de ânimo dobre é inconstante em todos os seus caminhos." (Tiago 1:8.) Acrescentando a esta declaração outra: "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos." ¶
(Idem, 1:22.) Uma pessoa insincera vive uma vida estafante, diz Anne Lindbergh. Deve haver sempre restrições contra "fazer-se de" ¶
ou assumir uma fachada superficial para influenciar uma impressão ou um crédito em nosso favor. Aquele líder ou mestre que não é honesto de coração carece de sinceridade. Tal pessoa não vive de acordo com o que ensina. ¶
A própria palavra, quando rastreada até sua origem, significa ser honesto em nossas relações com os outros; uma mensagem negativa sempre emanará de uma pessoa insincera e moralmente desonesta. Por minha própria experiência ao servir com milhares de missionários, cheguei a saber que a sinceridade é a mais necessária de todas as qualificações. Sem ela, um missionário não pode esperar ter êxito. ¶
O Profeta Joseph Smith, estando detido sem causa na Prisão de Liberty, foi inspirado a dizer a respeito daqueles cuja insinceridade de propósito havia conduzido à filiação desonesta: ¶
"Quão mais dignos e nobres são os pensamentos de Deus do que as vãs (insinceras) imaginações do coração humano! Somente os tolos brincarão com as almas dos homens." (DHC 3, 295.) O Apóstolo Paulo exortou os efésios a servir a Deus com sinceridade de propósito e intenção honesta. Disse ele: ¶
". . . Sede obedientes, . . . com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo; "Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus, "Servindo de boa vontade ao Senhor, e não aos homens: ¶
"Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. ¶
". . . no dia mau, e havendo feito tudo, ficar firmes." (Ef. 6:5-7, 11, 13. ¶
Itálico acrescentado.) Alguém escreveu uma paráfrase disto acerca daqueles que tomam muito da vida, mas dão pouco: ¶
"Ele está com os lombos cingidos de religiosidade e com a couraça da respeitabilidade. Seus pés estão calçados com filantropia ostentosa, sua cabeça está encerrada no capacete do patriotismo espalhafatoso. Segurando na mão esquerda o escudo do poder mundano e na mão direita a espada da influência, e assim ele permanecerá firme no dia mau." ¶
Em conclusão, cito a décima terceira Regra de Fé de nossa Igreja: ¶
"Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo — Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos." (Itálico acrescentado.) Falei apenas de uma faceta deste artigo: ¶
"Cremos em ser honestos!" ¶
Dou testemunho da necessidade deste atributo em nossa vida diária, para que não sejamos enganados pela força do mal em formas ocultas e insuspeitas. Dou testemunho também da vitalidade e da verdade da mensagem da restauração do evangelho de Jesus Cristo, que temos para o mundo. Nas palavras de Joseph Smith, o Profeta: ¶
"Dizemos que Deus é verdadeiro; que a Constituição dos Estados Unidos é verdadeira; que a Bíblia é verdadeira; que o Livro de Mórmon é verdadeiro; . . . que Cristo é verdadeiro; que os anjos ministrantes enviados por Deus são verdadeiros, e que sabemos que temos uma casa não feita por mãos, eterna nos céus, cujo edificador e construtor é Deus; . . ." ¶
(DHC 3, 304.) Testifico disso em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶