Pulpit

Há Muitos Anos, Alguém Publicou Uma Gravura...

Sterling W. Sill

1963 April General Conference·Second Day Morning Meeting·1963-04-06

Há muitos anos, alguém publicou uma Bíblia ilustrada em que se procurava tornar as grandes mensagens das escrituras mais memoráveis, apresentando-as em forma visual. Nossa tendência natural é ver as coisas com mais clareza quando são apresentadas em imagens. Meras ideias são, muitas vezes, demasiado abstratas para que a mente as trate com eficácia.

Uma das representações visuais dessa interessante Bíblia era uma gravura colorida da ascensão. Mostrava o Jesus ressuscitado de pé no ar, acima do Monte das Oliveiras, ascendendo a seu Pai. E, um pouco abaixo do mestre, estavam de pé dois anjos vestidos de branco. Ao longo dos anos, tenho extraído grande força das ideias empolgantes representadas por essa gravura. A ascensão de Cristo ao céu marcou o fim de um período importante.

Ele havia concluído uma parte da obra que lhe fora designada no grande conselho dos céus. Havia organizado a Igreja e deixado apóstolos ordenados para dar continuidade à sua obra. Havia-lhes ensinado as doutrinas da salvação e lhes dera o sacerdócio, com o poder de selar nos céus o que faziam na terra.

Ele havia derramado o próprio sangue para pagar a penalidade de nossos pecados. Então, nas últimas palavras proferidas pouco antes de sua ascensão, Jesus disse aos Doze: ". . . ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra."

(Atos 1:8.) A cena da ascensão completa-se com a interessante declaração das escrituras, que diz: "E havendo dito essas coisas, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.

"E estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco; "Os quais disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu?

esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir." (Ibid., 1:9-11.) Durante a Segunda Guerra Mundial, acrescentei outra imagem mental impressionante à minha coleção. Esta mostra o general Douglas MacArthur prestes a partir de Corregidor sob a pressão militar da conquista japonesa. Aos que foram obrigados a permanecer para trás, o general MacArthur disse: "Voltarei."

Gosto de imaginar a esperança que essa promessa deve ter trazido ao povo das Filipinas durante os longos meses em que aguardavam sua libertação do jugo japonês. Sabiam que MacArthur não os esqueceria. Sabiam que, assim que possível, ele voltaria para libertá-los e punir seus opressores. Sua promessa pode ter tido para mim um significado mais que comum, visto que alguns membros de minha própria família estavam entre os que aguardavam o retorno de MacArthur. Esconderam-se nas colinas até serem capturados e enviados a um campo de concentração japonês em Manila.

A promessa de retorno do general deve ter tido um significado perturbador para os próprios invasores, pois estes deviam saber que MacArthur jamais descansaria até que fossem expulsos das ilhas ou aniquilados em sua resistência. Essa promessa de "voltarei"

teve seu final feliz cerca de dois anos depois, quando a promessa do general foi finalmente e plenamente cumprida.

Contudo, o mundo ainda aguarda essa promessa muito mais significativa de "voltarei", feita cerca de dezenove séculos antes, acima do Monte das Oliveiras. É muito importante lembrar que o Salvador do mundo estava apenas se despedindo temporariamente da terra e de seu povo. Muitas vezes, antes de sua morte, ele próprio predissera sua gloriosa segunda vinda para julgar o mundo.

Naquela última terça-feira antes de sua morte na sexta-feira, Jesus vinha ensinando seus seguidores a respeito de sua segunda vinda.

Perto do fim do dia, ele deixou o templo e conduziu os Doze pelo Monte das Oliveiras. Ao sentar-se para descansar perto do cume, seus discípulos lhe disseram: ". . . Dize-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?"

(Mateus 24:3.) Então Jesus lhes falou das guerras e contendas que haveriam de caracterizar os últimos dias e, como um dos sinais importantes que precederiam sua segunda vinda, disse: "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim."

(Ibid., 24:14.) Enquanto o povo das Filipinas aguardava sua libertação, provavelmente se perguntava se o general MacArthur teria ou não a capacidade de cumprir as condições envolvidas em sua promessa de retorno. Há também muitos, em nosso mundo, que descartam tanto a possibilidade quanto a probabilidade da segunda vinda de Cristo. No entanto, podemos ter certeza de que o programa de Deus nunca foi abandonado nem será esquecido.

Naquelas últimas e tristes horas, pouco antes de sua morte, Jesus disse a seus discípulos: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

"Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar.

"E se eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." (João 14:1-3. Itálico acrescentado.) Que pensamento emocionante e ao mesmo tempo temível, quando compreendemos as condições sob as quais ele virá outra vez.

E que consequências tremendas estão envolvidas na mensagem do dia da ascensão. Enquanto o Filho ressuscitado de Deus permanecia ali, entre os céus e a terra, santos anjos da presença de Deus fizeram uma firme promessa de que ele voltaria pessoalmente. Os anjos disseram: ". . . esse Jesus, . . . há de vir assim como o vistes ir. . . ." (Atos 1:11.) Desde o dia da ascensão, quase dezenove séculos se passaram, e muitos acontecimentos importantes tiveram lugar. Segundo a tradição, com uma exceção, todos os apóstolos que Jesus designou para dar continuidade à sua obra foram submetidos a mortes violentas. Pedro, Filipe, Simão e André foram crucificados; Tiago e Paulo foram decapitados; Bartolomeu foi esfolado vivo; Tomé foi trespassado com uma lança; Tiago, filho de Alfeu, foi espancado até a morte; Tadeu foi morto a flechadas; Barnabé foi apedrejado; Mateus foi morto com um machado de guerra na Etiópia; e Marcos foi arrastado até a morte nas ruas de Alexandria. Então João, o único sobrevivente, foi banido para a solitária ilha de Patmos, no mar Egeu. Jesus havia edificado sua Igreja sobre o fundamento de apóstolos e profetas.

Quando o fundamento foi destruído, o edifício desmoronou. Com o tempo, o que fora outrora uma organização divina tornou-se apenas uma instituição humana. Muitas das doutrinas cristãs foram mal interpretadas; as ordenanças foram alteradas; a autoridade se perdeu; a apostasia cresceu; e o mundo mergulhou gradualmente na longa e escura noite da Idade das Trevas. Então alguns disseram que os céus estavam para sempre selados, que o cânon das escrituras estava completo e que jamais se ouviria novamente sobre a terra uma voz de Deus. O espírito daqueles que crucificaram Cristo, destruíram sua organização e descreram de suas doutrinas ainda tem numerosos seguidores entre nós.

Um dos problemas mais graves do mundo atual é que há tantas pessoas que descreem de um Ser Supremo. Para alguns, o homem é a mais alta autoridade e a maior inteligência do universo. Outros creem que Deus encerrou suas atividades e que as últimas palavras que ouviremos do Salvador do mundo foram ditas à hora nona daquela terrível tarde de sexta-feira, quando, da cruz do Calvário, o Cristo agonizante disse: "Está consumado." A última lembrança que alguns têm de seu Redentor o retrata pendurado na cruz. Recentemente, o mundo tem sido inundado pelo crucifixo, mas Jesus não permaneceu na cruz. Alguns o lembram deitado no sepulcro do jardim de José de Arimateia, mas Jesus não permaneceu no sepulcro. Nada nas escrituras poderia ser mais claro do que o fato de que a vida de Cristo não começou em Belém, nem terminou no Calvário. Ele disse: "Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai." (João 16:28.) Em sua oração em Getsêmani, ao contemplar a própria morte, ele disse: "E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse." (Ibid., 17:5.) Muito antes de nossa terra ser criada, Jesus vivia e reinava com seu Pai como parte da presidência do universo. Sob a direção do Pai, ele foi o Criador da terra.

No primeiro capítulo de Gênesis, está registrado que Deus disse: ". . . Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança:

. . ." (Gênesis 1:26. Itálico acrescentado.) O uso desses pronomes no plural indica que o Filho também tomou parte na criação. Mas, mesmo então, ele já não era nenhum principiante como Criador. Em uma das grandes revelações dadas a Moisés e reveladas de novo nos últimos dias, Deus disse: "E mundos incontáveis criei; . . . e criei-os por meio do Filho, o qual é meu Unigênito." (Moisés 2:33.) Pensamos na grandeza em parte em termos do que já foi realizado e em parte em termos do que promete para o futuro. Ao rever em minha mente a cena do dia da ascensão, gosto de pensar no Redentor em termos de seus tremendos antecedentes. Ele não apenas criara mundos sem número, mas, em sua existência pré-mortal, era aquele personagem magnífico, de grande autoridade e poder, conhecido nas escrituras como Jeová, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Foi o primogênito Filho de Deus em espírito e foi escolhido para ser o Salvador do mundo por ser o mais qualificado para esse importante chamado. Então, como parte de sua própria progressão, tomou sobre si um corpo de carne e ossos, tornando-se o Unigênito Filho de Deus na carne. Há os que menosprezam o valor de um corpo no que se refere à eternidade. Há os que, em seus ensinamentos, procuram privar Deus de seu corpo. Muitos não creem em sua própria ressurreição. Mas, depois do espírito humano, o corpo humano é a mais maravilhosa das criações de Deus. Se o corpo não fosse necessário, Deus jamais o teria criado. Se não fosse necessário para a eternidade, Deus jamais teria instituído a ressurreição.

Se um corpo não fosse necessário para Deus, o Pai, certamente não haveria razão para que Deus, o Filho, tivesse sido ressuscitado. O espírito e o corpo, inseparavelmente ligados, constituem a alma. O espírito jamais poderá ser perfeito sem o corpo. Jamais poderá haver plenitude de alegria enquanto o espírito e o corpo não estiverem inseparavelmente unidos.

O Jesus ressuscitado e glorificado, como Eloim, seu Pai Eterno, tem um corpo de carne e ossos tão tangível quanto o do homem.

(Ver D&C 130:22.) Quando Jesus apareceu aos onze depois de sua ressurreição, eles se assustaram, supondo que tinham visto um espírito. Jesus os corrigiu, dizendo: "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo:

apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho."

(Lucas 24:39.) Jesus não perdeu o corpo depois de sua ressurreição. De algum modo misterioso, ele não se evaporou, nem se expandiu para preencher a imensidão do espaço. Jesus tinha seu corpo quando ascendeu a seu Pai a partir do Monte das Oliveiras, e o registro é perfeitamente claro quanto ao fato de que ainda terá esse mesmo corpo quando vier em glória para julgar o mundo.

Além das informações dadas na Bíblia, temos hoje uma nova evidência de importância universal, dada ao mundo sobre esse assunto em nossos próprios dias. No início da primavera de 1820, no norte do estado de Nova York, Deus, o Pai, e seu Filho, Jesus Cristo, reapareceram sobre a terra para restabelecer entre os homens a crença no Deus de Gênesis, a crença no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e a crença no Deus do Monte das Oliveiras.

O Profeta Joseph Smith descreve sua parte nessa experiência, dizendo: "... vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" (Joseph Smith 2:17.) Seguiu-se, então, a grande mensagem da restauração.

O mesmo Jesus que curou os enfermos e caminhou sobre as águas voltou a falar em nossos dias e reafirmou o fato de que ainda está interessado em nosso êxito. O mesmo Jesus disse a seus discípulos: ". . . Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

"Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." (Marcos 16:15-16.) Esse mesmo Jesus nos informou de novo que não mudou de ideia quanto à importância dessa e das outras grandes doutrinas cristãs.

O mesmo Jesus que, no Monte das Oliveiras, disse: "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim", restaurou, sob a direção de seu Pai, esse evangelho, em preparação para aquele dia. Ele próprio aguardava esse dia, dizendo: "Porque o Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras." (Mateus 16:27.) Que dia tremendo será esse. Esse é também o dia predito por Malaquias, que disse: "Porque eis que vem o dia que arderá como fornalha e todos os soberbos, sim, e todos os que cometem impiedade, queimarão como a palha; e aqueles que hão de vir os abrasarão, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixarão nem raiz nem ramo." (Joseph Smith 2:37.) Esse tremendo acontecimento está se aproximando rapidamente, e devemos trabalhar enquanto é chamado hoje, pois vem a noite, quando ninguém pode trabalhar.

Gostaria de vos dar meu testemunho pessoal de que Deus não encerrou suas atividades, de que os céus não estão selados, de que o Redentor da humanidade não se esqueceu de suas promessas, nem está menos interessado em nosso bem-estar agora do que quando, no Getsêmani e no Monte Calvário, sofreu por nossos pecados. E, para encerrar, gostaria mais uma vez de vos levar ao sagrado cume do Monte das Oliveiras, e ouvir novamente os anjos dizerem: ". . . esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir." (Atos 1:11.) Que Deus nos ajude a estar preparados para esse importante acontecimento, oro em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSterling W. Sill, “Há Muitos Anos, Alguém Publicou Uma Gravura...”, 1963 April General Conference, Second Day Morning Meeting (1963-04-06). Pulpit Vault, 1963-04-sill-many-years-ago-someone-published-a-picture. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).