Pulpit

I Believe With All My Heart And...

Henry D. Moyle

1963 April General Conference·Second Day Morning Meeting·1963-04-06

Creio de todo o meu coração e de toda a minha alma que a solução para os nossos problemas aqui nesta terra, hoje e amanhã, há de ser encontrada no conhecimento e na apreciação do relacionamento do homem com Deus, de sua dependência de Deus e de sua obediência às leis de Deus.

O mundo não é apenas um relógio que o Senhor deu corda e deixou funcionando até parar. Pelo exercício da fé, os homens podem invocar a Deus e obter a sua ajuda no cumprimento das promessas que ele fez.

Além disso, por sua própria vontade, Deus intervém e controla os negócios dos homens, das nações e dos próprios elementos que constituem o universo, quando isso é necessário para a preservação de seus propósitos divinos.

Falando dos propósitos divinos do Senhor, Paulo escreveu: "Para, na dispensação da plenitude dos tempos, tornar a congregar em Cristo todas as coisas tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; . . ." (Efésios 1:10.) A escritura moderna nos diz, por meio do Profeta Joseph Smith: "Ora, o propósito em Si mesmo (isto é, Cristo), na cena culminante da última dispensação, é que todas as coisas pertencentes a essa dispensação sejam conduzidas precisamente de acordo com as dispensações precedentes." (DHC, 4:208.) O exemplo e o preceito de Cristo, estabelecidos no que é conhecido como a Dispensação do Meridiano do Tempo, regem-nos hoje em nosso comportamento e em nossa crença. "Cremos na mesma organização que existia na Igreja Primitiva. . . . Cremos em tudo o que Deus revelou, em tudo o que Ele revela agora, e cremos que Ele ainda revelará muitas coisas grandes e importantes concernentes ao Reino de Deus."

Acabo de citar a sexta e a nona das Regras de Fé de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Quão surpreendentes são as seguintes palavras de Pedro:

"E temos muito firme a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, . . ." (2 Pedro 1:19. Itálico acrescentado.) A profecia e a revelação vieram da mesma fonte para Pedro e também para Joseph Smith, que nos deu as nossas Regras de Fé.

Não é diferente hoje do que era nos dias de Pedro e Paulo, os apóstolos de antigamente. Paulo disse aos romanos que "o evangelho de (Jesus) Cristo: . . .

é o poder de Deus para salvação a todo aquele que crê; . . ." (Romanos 1:16.) Incorporada neste termo salvação está não apenas a fase espiritual, mas também a fase temporal de nossas vidas. Não podemos dissociar o homem mortal do espírito eterno do homem que existe dentro dele. É, portanto, mediante a obediência às leis de Deus que encontraremos a resposta às nossas perguntas, sejam elas domésticas, políticas, sociais, econômicas ou espirituais.

Dou-vos hoje a minha certeza de que, se não uma prova conclusiva, ao menos evidência deste fato há de ser encontrada no estudo das escrituras. A admoestação de Cristo a seus discípulos é imperiosa para todos nós hoje. Cedo ou tarde na vida somos levados a enfrentar alguma crise que nos exige determinar por nós mesmos:

Desejamos seguir a orientação que Cristo deu a todos os homens durante o seu ministério terreno? Se cedo ou tarde devemos escolher qual caminho seguir, por que procrastinar? Por que não fazê-lo agora?

Ao determinarmos o nosso rumo na vida, bem podemos lembrar-nos do sermão de Paulo sobre a fé, dirigido aos hebreus:

"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem.

"Pela fé, entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus, . . .

"Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam." (Hebreus 11:1, 3, 6.) Por meio da nossa fé em Deus podemos realizar o pleno propósito da vida.

Cristo, em seu Sermão da Montanha, proferido no início de seu ministério, conforme registrado em Mateus, disse: "Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6:33.) E então acrescentou um pouco depois:

"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.

"Porque todo aquele que pede, recebe; e o que busca, encontra; e ao que bate, se abre."

(Ibid., 7:7-8.) Cumprimos o nosso mais alto potencial quando recebemos o gozo, a segurança e o conhecimento que provêm do testemunho do Espírito Santo, o Consolador, que nos ensina todas as coisas essenciais para esta vida e, em última análise, para a nossa exaltação eterna no reino de Deus.

Paulo declarou aos coríntios:

"Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema; e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo." (1 Coríntios 12:3.) Quando o testemunho do Espírito Santo é impresso em nossa consciência, e sabemos que Jesus Cristo é o nosso Senhor e Salvador, o Redentor de toda a humanidade, o Filho do Deus Vivo, temos a promessa da vida eterna.

Cristo declarou ao mundo: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3.) Este é um assunto sobre o qual não precisamos ficar em dúvida. Nós sabemos.

Este conhecimento não tem preço. Os princípios do evangelho podem ser compreendidos e vividos por toda a humanidade. As leis e ordenanças do evangelho são simples; são naturais. São apreciadas por todos os que as aceitam e conformam a elas a sua vida. Nem todos os homens podem adquirir as riquezas do mundo, mas as bênçãos do Senhor alcançarão a todos os que as buscarem. Como a aquisição de qualquer coisa que valha a pena, é preciso esforço para alcançar o espiritual. Fé, dedicação e devoção devem ser nossas para nos aproximarmos cada vez mais do nosso Pai Celestial. Desfrutamos da nossa comunhão com Deus aqui e agora, na mortalidade.

Não precisamos esperar pela imortalidade para desfrutar dos frutos dos nossos labores espirituais.

Aprendemos a apreciar cada vez mais o Espírito de Deus à medida que nos aproximamos do Senhor guardando os seus mandamentos. Quanto mais forte batemos, mais larga se abre a porta.

Que significaria para todos nós apreciarmos que jamais somos deixados sozinhos, dependendo apenas dos nossos próprios recursos; que temos o poder sustentador e a influência de nosso Pai Celestial constantemente conosco, para nos guiar e dirigir ao longo de nossas vidas em todas as nossas atividades retas. Os que guardam os mandamentos de Deus, de fato, percebem esta bênção.

Nós sabemos, e os nossos missionários sabem.

É este conhecimento que nos impele a ajudar os outros, com um entusiasmo nascido do Espírito de nosso Pai nos céus.

Foi somente quando A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi organizada, em 1830, que a população deste planeta atingiu um bilhão de pessoas vivas. A população mundial atual, apenas 133 anos depois, é estimada em mais de três bilhões. Estimativas de especialistas indicam que um vigésimo de todos os que já viveram na terra estão aqui hoje.

Se o ritmo atual de crescimento, agora de 50 a 60 milhões por ano, continuar em progressão geométrica, haverá seis bilhões de seres humanos no mundo até o ano 2000. Esta é a avaliação do Dr. George Albert Smith, Jr., do Harvard Business College. [Professor de Administração de Empresas da Universidade de Harvard.] Ele então faz a pergunta: "Qual há de ser o modo de vida para estas pessoas e para nós mesmos? Fazei a vós mesmos esta pergunta com frequência e seriedade, e percebei que a pergunta não ficará sem resposta."

Seja qual for a população, agora ou no futuro, a verdade permanecerá constante.

Conhecer a verdade nos fará livres.

A verdade é eterna. Devemos buscar a verdade em sua fonte. A verdade emana de Deus. Quão aplicáveis são as palavras do Presidente John Taylor, proferidas em 1861, antigo chefe da Igreja na terra:

"Cremos que nenhum homem, ou grupo de homens, por sua própria sabedoria e por seus próprios talentos, é capaz de governar retamente a família humana."

Não há inquietação quando sabemos para onde estamos indo espiritualmente.

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos" (Mateus 5:6.) A nossa mensagem ao mundo, transmitida por nós e por nossos missionários, é iluminar os nossos semelhantes que se encontram espiritualmente nas trevas. Não há absolutamente nada de tão grande valor para o homem quanto conhecer a Deus. Já se disse: "Conhecemos a Deus quando nos conhecemos a nós mesmos." Para nos conhecermos, precisamos saber a resposta a estas perguntas simples — Quem somos nós? Por que estamos aqui?

E, estando aqui, o que devemos fazer?

As multidões a quem o Salvador falou foram todas fisicamente alimentadas com os pães e os peixes, mas houve depois uma segregação espiritual que a própria multidão faria por si, ilustrada pela seguinte admoestação do Salvador: "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ele;

"Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que o encontrem." (Ibid., 7:13-14.) Vamos com a maioria, ou nos destacamos espiritualmente como um dos poucos? Para fazer isto último, devemos acrescentar ao sustento corporal a palavra do Senhor, para o crescimento e desenvolvimento espiritual.

Tomé perguntou ao Salvador: ". . . Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?

"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim." (João 14:5-6.) Tomé era um apóstolo do Senhor Jesus Cristo, a quem Cristo havia dado o seu poder, o seu sacerdócio, para pregar o evangelho ensinado pelo Salvador.

Sabemos que somos chamados de Deus e recebemos o seu sacerdócio para pregar o evangelho e administrar as suas ordenanças. Portanto, a seguinte escritura tem grande significado para nós e é importante para o mundo. "Na verdade, na verdade vos digo que, se alguém receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim recebe aquele que me enviou." (Ibid., 13:20.) Doze mil homens e mulheres, nossos amados filhos e filhas, irmãos e irmãs, deixam o lar, a família, os amigos, a posição, as profissões, os negócios, e entram na obra missionária da Igreja em todo o mundo, às suas próprias custas, por um período de dois ou três anos.

Sentem-se compelidos a fazê-lo pela percepção absoluta de que são chamados por nosso Pai Celestial para ir ao mundo pregar o evangelho e administrar as suas ordenanças, e que receberam o sacerdócio de Deus para os qualificar para isso, assim como os apóstolos de antigamente. Membros de muitas famílias têm prestado este serviço por até seis gerações.

Este processo já dura 133 anos; o número dos que vão em missão aumenta a cada ano. Seu propósito é puramente altruísta. Eles disseminam a luz do evangelho de Jesus Cristo a toda a humanidade, para ensinar-lhes a se arrependerem de seus pecados, a orarem a Deus com fé, crendo que suas orações serão respondidas conforme a promessa encontrada na Epístola de Tiago: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." (Tiago 1:5.) E, por fim, os missionários vão testificar ao mundo que Deus vive, que Jesus é o Cristo, que, pelo dom e poder do Espírito Santo, todos nós podemos receber este mesmo testemunho por nós mesmos, independentemente de tudo o mais no mundo.

Uma vez recebido, este testemunho é totalmente absorvente, totalmente abrangente. Sabemos quem somos, de onde viemos e para onde, mediante a estrita obediência às leis e ordenanças do evangelho, podemos ir. O propósito da vida torna-se absoluto e fixo. O nosso testemunho e conhecimento de Deus não podem se perder, exceto pela transgressão.

Com a transgressão, perdemos também o Espírito de Deus e o Espírito Santo como nosso consolador.

Como missionários e élderes que possuímos o verdadeiro sacerdócio de Deus, é nosso dever, nossa prerrogativa, nosso privilégio, testificar do nosso conhecimento de Deus, pregar o evangelho e desafiar os nossos semelhantes a abandonarem os caminhos do mundo, as riquezas, os aplausos dos homens, e a seguirem o evangelho do nosso Salvador e Redentor para a nossa própria redenção.

Ninguém precisa tropeçar no caminho da vida se desejar, por fim, retornar à presença de Deus no reino dos céus. O Salvador, em sua missão terrena, deixou claro o que se espera de nós se fizermos a vontade de nosso Pai nos céus.

Consideremos por um momento o caso de Nicodemos, um dos principais dos judeus, que foi ter com Cristo de noite: "Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.

"Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? . . .

"Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus." (João 3:3-5.) De fato, Jesus já havia estabelecido o padrão pelo qual toda a humanidade deveria se guiar:

"Então veio Jesus da Galileia a João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.

"João opunha-se-lhe, porém, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?

"Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.

Então ele o permitiu.

"E sendo Jesus batizado, saiu logo da água:

e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, e vindo sobre ele:

"E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." (Mateus 3:13-17.) Desde aquele momento em que Cristo foi batizado por João, a necessidade do batismo por imersão para a remissão dos pecados jamais pôde ser legitimamente contestada.

Quão maravilhosa foi a experiência dos apóstolos em Jerusalém, no dia de Pentecostes, depois da crucificação, ressurreição e ascensão de Cristo, quando foram inspirados a declarar: "Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

"E ouvindo eles essas coisas, compungiram-se em seu coração, e disseram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos?

"E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo." (Atos 2:36-38.) Este é o caminho que conduz, pela porta estreita e ao longo da via apertada, à vida eterna. Somente assim podemos verdadeiramente adorar a Deus com todo o nosso poder, mente e força.

Para nós não fará diferença alguma se houver três ou seis bilhões de irmãos e irmãs na terra; o nosso próprio caminho a percorrer na vida será o mesmo. A nossa responsabilidade de cumprir a incumbência final que Cristo deu a seus apóstolos de antigamente, reiterada em nossa dispensação atual, é obrigatória para nós hoje, a saber: ". . . Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." (Marcos 16:15.) Isto se torna relativamente mais fácil ano após ano, à medida que a Igreja cresce e floresce por todo o mundo. Temos números maiores para participar e todos os meios modernos de comunicação para ajudar.

Não temos motivo para nos preocuparmos com os problemas do mundo, por mais complicados que se tornem. Precisamos, sim, preocupar-nos com a nossa apreciação das leis de Deus dadas para reger a conduta do homem na terra e com a nossa estrita observância a elas. Quão gratos devemos ser pelas palavras do Senhor a Joseph Smith, para nos inspirar hoje:

". . . uma total, completa e perfeita união e fusão de dispensações, e chaves, e poderes, e glórias deveria ocorrer, e ser revelada desde os dias de Adão até o tempo presente. E não somente isso, mas as coisas que nunca foram reveladas desde a fundação do mundo, . . . serão reveladas . . . nesta, a dispensação da plenitude dos tempos."

(D&C 128:18.) Vivemos na era mais esclarecida da história do homem, assim como os profetas predisseram. Por isso, mais é esperado de nós do que de qualquer geração anterior de homens.

"Daquele a quem muito é dado, muito é exigido." (Ver ibid., 82:3.) Que Deus nos ajude a aproveitar plenamente toda a luz e o conhecimento que nos foram revelados, oro humildemente em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoHenry D. Moyle, “I Believe With All My Heart And...”, 1963 April General Conference, Second Day Morning Meeting (1963-04-06). Pulpit Vault, 1963-04-moyle-i-believe-with-all-my-heart-and. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).