Pulpit

Meus Irmãos e Irmãs, e Especialmente Meus...

Spencer W. Kimball

1963 April General Conference·Second Day Afternoon Meeting·1963-04-06

Meus irmãos e irmãs, e especialmente meus amigos da audiência de rádio e televisão:

Permiti-me contar-vos de uma grande aventura?

Enquanto viajava para uma designação de fim de semana, levei comigo um livro incomum que foi meu companheiro constante. Só conseguia deixá-lo de lado para dormir, comer e trocar de trem. Ele me fascinou, me cativou e me manteve enfeitiçado com seu encanto irresistível e seu interesse envolvente. Já o li muitas vezes.

Ao terminá-lo, fechei o livro e me recostei, absorto ao reviver seu conteúdo. Suas páginas me prenderam, me ataram, e meus olhos ficaram fixos nelas. Eu sabia que o livro era factual, mas, como já se disse, "a verdade é mais estranha do que a ficção".

Sinto-me impelido a falar-vos dele hoje. É uma história de coragem, fé e fortaleza, de perseverança, sacrifício e realizações sobre-humanas, de intriga, de vingança, de desastre, de guerra, assassinato e pilhagem, de idolatria e de canibalismo, de milagres, visões e manifestações, de profecias e de seu cumprimento.

Encontrei nele a vida em seu melhor e em seu pior, em padrões sempre mutáveis. Mal me recuperava de uma grande crise até que outra me envolvia.

Pelo palco deste drama da vida através dos tempos, desfilaram atores em trajes exóticos e coloridos, desde a nudez pintada de sangue do guerreiro até a pompa suntuosa e ornamentada das cortes reais — alguns atores repugnantes e degradados, outros tão próximos da perfeição que conversavam com anjos e com Deus. Há os semeadores e ceifeiros, os artesãos, os engenheiros, os negociantes e os trabalhadores, o libertino em sua devassidão, o alcoólatra com sua bebida, o pervertido apodrecendo em seu vício, o guerreiro em sua armadura, o missionário de joelhos.

Esta história dramática é uma das maiores já representadas pelo homem. Os notáveis trágicos gaguejam suas falas. É representada "no próprio local", sem fachadas falsas para cenário. É uma história de ritmo veloz, da vida em sua totalidade, de ideologias opostas, de monarquias, de governos de juízes e de anarquias governadas pela turba. Suas cenas levam o leitor através de oceanos e continentes. Promete contar dos "últimos dias de Deus", mas em vez disso registra os "últimos dias de povos numerosos" e o triunfo de Deus. Ali está a distinção de classes com sua feiura, o preconceito racial com seu ódio, a multiplicidade de credos com seus conflitos amargos.

Desde que este livro, um "grande sucesso de vendas", saiu de sua primeira impressão, foi publicado em mais de duas dezenas de idiomas, mais de meio milhão de exemplares por ano, e milhões de exemplares estão em bibliotecas, públicas e particulares, e em numerosos hotéis e motéis junto com a Bíblia Gideões. Até os cegos podem lê-lo em três grossos volumes em braile. Poderia alguém ser considerado bem-lido se não tiver examinado este pretensioso volume que faz afirmações tão ousadas?

Sua história tem uma mensagem vital para todos os povos. Os gentios encontrarão a história de seu passado e o potencial de seu destino; e o povo judeu, o esboço de seu futuro. Os convênios de Deus para com eles são revelados, assim como as promessas relativas a Jerusalém, sua cidade antiga, e suas terras. E revela-se como os judeus, tão longamente perseguidos, dispersos e torturados desde sua dispersão, poderão recuperar o que lhes pertence. E os gentios são advertidos de que não devem "... mais assobiar, nem desprezar, nem zombar dos judeus, nem de qualquer dos remanescentes da casa de Israel", pois o Senhor se lembrará de seu convênio para com eles quando eles atenderem.

É a história de vida dos antepassados dos índios e explica sua pele escura.

Os arqueólogos podem entusiasmar-se ao ler sobre ruínas de cidades antigas, estradas e edifícios; e pode ainda haver ouro escondido e registros de valor inestimável sepultados. Localizações podem ser aproximadas, por exemplo o istmo estreito de terra que foi fortificado do "mar do leste ao mar do oeste" era apenas "a jornada de um dia para um nefita".

Os jornalistas encontrarão neste livro crise após crise, apresentando material rico para inúmeras histórias, artigos, peças teatrais e óperas de desfecho dramático. Uma indústria cinematográfica em dificuldades poderia aqui encontrar material capaz de aumentar a arrecadação de bilheteria.

Este livro sem paralelo deveria intrigar navegadores: travessias terrestres sem precedentes, quase inacreditáveis em extensão, alcance e perigo, são narradas, além de travessias oceânicas e da circum-navegação do mundo séculos antes dos vikings — travessias repletas de todos os perigos imagináveis, incluindo tempestades, recifes ocultos, furacões e até motins. Esta primeira travessia oceânica registrada foi há cerca de quarenta séculos, com embarcações marítimas, próprias para o oceano, sem velas, motores, remos ou lemes conhecidos — oito barcos semelhantes e quase contemporâneos da arca de Noé, compridos como uma árvore, herméticos como um vaso, pontiagudos na extremidade como um molheiro, (ver Éter 2:17) tapados no alto e embaixo, iluminados por pedras derretidas (ver ibid., 2:20, 3:1 e segs.), talvez com rádio ou alguma outra substância ainda não redescoberta por nossos cientistas. Leves e como uma ave sobre a água, esta frota de barcos foi impulsionada pelos ventos e correntes oceânicas, aportando em um ponto comum na América do Norte, provavelmente nas costas ocidentais.

O leitor poderá acompanhar com espanto outra travessia do oceano, feita por um grupo judeu liderado por um príncipe, filho do rei de Jerusalém, e uma terceira migração e viagem, talvez a maior de toda a história, ofuscando até mesmo a dos santos de Illinois ao Vale do Lago Salgado, e até mesmo a de Israel de Moisés, do Egito à sua terra prometida. Este povo abandonou Jerusalém às vésperas de sua destruição por Nabucodonosor e provavelmente aportou na costa oeste da América do Sul, onde as correntes oceânicas mais tarde os levaram a encontrar-se e a combinar-se com remanescentes dos primeiros migrantes; este maior movimento foi realizado num navio construído por um jovem construtor que talvez nunca tivesse visto uma embarcação marítima. Se o grupo do príncipe navegou para o oeste e os profetas para o leste, teriam circum-navegado o mundo a partir de Jerusalém, encontrando-se finalmente seu povo neste mundo ocidental.

As embarcações eram suficientemente grandes para transportar alimentos e sementes.

Não havia nenhuma comissão de boas-vindas para receber estes aventureiros, como houve para receber Colombo e os peregrinos.

Este livro notável conta novamente de movimentos de grandes contingentes de pessoas — 5.400 num só grupo, navegando para o norte pelo lado do Pacífico em navios muito grandes, em busca de novos mundos para conquistar, alguns dos quais provavelmente arrastados pelas fortes correntes oceânicas para o oeste, a fim de encontrar as "ilhas do mar" e tornarem-se os progenitores dos polinésios.

O povo de Jerusalém nada sabia do paradeiro destes companheiros israelitas no mundo ocidental, mas os deste lado sabiam dos acontecimentos na Palestina, tais como a destruição de Jerusalém e o cativeiro sob Nabucodonosor, e quando Cristo nasceu em Belém, foi crucificado no Calvário, e quando ascendeu do Monte das Oliveiras, contudo nenhum navio transportava correspondência; nenhum fio telefônico zunia; nenhum aparelho de rádio funcionava; nenhum cabo ainda serpeava pelo fundo do oceano.

O estudioso de economia encontrará neste livro incomum a desintegração de nações por meio do orgulho, da vida fácil e dos luxos, terminando finalmente em fome e grilhões. Ele verá povos unidos lutando pela liberdade e depois guerras de classes destruindo essas liberdades. Verá a terra ondulando com o cereal amadurecendo, o bicho-da-seda tecendo, rebanhos e gado pastando, vinhedos e pomares frutificando, e um povo ricamente adornado e enjoiado. Verá pedreiras e serrarias, e minas e oficinas de artesãos, e depois paisagens devastadas, casas queimadas, terra ressecada, antagonistas em guerra e terras desertas. Verá torres e templos e cortes reais e palácios dos ricos com seu luxo, dissipação, imoralidade e devassidão, comparáveis às de Babilônia, Jerusalém e Roma.

Ele verá pessoas prosperando em vida comunitária, e tributadas a partir de cinquenta por cento, e depois até a totalidade, até a escravidão e à servidão. Verá governos centralizados, paternalistas e ávidos de poder, caminhando rumo à inevitável revolução que finalmente empobrece, mas liberta o povo para recomeçar a partir das cinzas.

O astrônomo e o geólogo poderão aqui ver sinais nos céus e novas estrelas surgindo em foco, três dias sem sol nem qualquer luz refletida, e noites sem escuridão, claras "como o sol do meio-dia" (ver 3 Néfi 1:19) e um vapor de trevas tão impenetrável que nenhum lampejo, nem velas, nem tochas, nem fogo podiam dar qualquer luz. Sobreveio uma grande tormenta, "como nunca havia sido conhecida em toda a terra" (ver ibid., 8:5), certamente desde os quarenta dias de chuva de Noé, e talvez afogando mais pessoas do que desde o dilúvio, e tempestades terríveis, trovões e relâmpagos agudos, e turbilhões de proporções de tornado e furacão, suficientemente rápidos para levar pessoas embora, nunca mais se ouvindo falar delas — retorções, dobras, redemoinhos, deslizamentos, falhas geológicas e tremores de horas de duração, causando deslizamentos de terra que sepultaram grandes cidades, talvez mais extensos que os de Bali, do Irã, de Assam e do Chile, talvez soterrando em poucas horas mais pessoas do que jamais na história do mundo. Ondas gigantescas engoliram comunidades inteiras, e o fogo consumiu muitas cidades e corpos humanos. Os labores de séculos foram embalsamados em cinzas em grau maior que Pompeia e Herculano; e convulsões da terra de tal intensidade e prolongamento que "a face de toda a terra ficou desfigurada" (ver ibid., 8:17), sendo estes espasmos da terra uma revolta da terra criada contra a crucificação de seu Criador.

Os engenheiros aprenderão com este grande livro que, séculos atrás, os homens erigiam edifícios, templos e estradas com cimento, e estradas pavimentadas ligavam cidade a cidade e terra a terra, e quando as florestas haviam sido desmatadas, um programa de reflorestamento era iniciado para o futuro.

Os psicólogos poderão encontrar estudos sobre o comportamento humano e o funcionamento da mente humana e os processos de racionalização pelos quais os homens se convencem de que "o bem é mau e o mau é bom". Aqui verão a história desenrolar-se por milhares de anos e verão não apenas episódios na vida de indivíduos, mas causas e efeitos numa história total de raças.

O educador encontrará tesouros de literatura e poesia. Verá como a linguagem usada para registrar suas experiências do dia a dia pode corromper-se quando não é devidamente escrita, passando de uma língua expressiva dos instruídos a numerosos dialetos corrompidos de povos degenerados, provando que, para sobreviver, os povos devem ser instruídos em todas as frentes — física, mental, espiritual, moral — e que qualquer coisa aquém disso trará desastre final.

Este livro abrangente deveria ser estudado por políticos, líderes governamentais, reis, presidentes e primeiros-ministros, para ver a ascensão e a queda dos impérios, e a diferença entre estadismo e demagogia. Verão nações nascidas em guerra, vivendo em guerra, deteriorando-se em guerra e morrendo em guerra através dos séculos. Poderão encontrar respostas a problemas de capital e trabalho, de desonestidade, corrupção e fraude, de dissensões, ruptura interna e guerras civis.

Neste livro extraordinário vê-se que juízes superiores, frustrados pela crescente corrupção, renunciam aos assentos judiciais para proselitar pela retidão; que príncipes preferem ensinar os homens a governá-los; que reis lavraram a terra, providenciando seu próprio sustento para servir ao povo, em vez de tornarem-se um fardo para ele e lançar sobre ele impostos confiscatórios; que os governantes são amados e não temidos.

Cientistas lerão sobre instrumentos incomuns, jamais patenteados, refeitos ou duplicados, sobre elementos que, sem recarga, iluminam espaços escuros indefinidamente, que pelo menos mil e quinhentos anos antes de Colombo estes ocidentais sabiam que a terra é redonda e gira em torno do sol, e sobre um instrumento especial, ainda não igualado mesmo em nossos dias com todos os nossos laboratórios e conhecimentos, como uma bola redonda, feita de latão, de fabricação curiosa, com dois ponteiros, tão sensível que não se limitava aos pontos cardeais da bússola, mas realmente dava orientação independentemente da direção, registrando os sentimentos, as emoções e as rebeliões íntimas dos homens, e que só funcionava adequadamente onde não havia discórdia humana, mental e moral. Este instrumento indicaria o caminho para a presença de animais a serem caçados por alimento, e era operado pela fé, e não pela eletricidade ou outros elementos naturais — um instrumento no qual a escrita mudava de tempos em tempos, clara de ler, aumentando a compreensão daqueles que a liam.

Os militares poderão aprender muito sobre estratégia, intriga, movimentos, moral. Poderão aprender que, séculos antes da descoberta da América, os antigos tinham edifícios de cimento, templos e estradas ligando cidades e terras, e ferramentas de metal para lavrar o solo, e fábricas de munição para fazer armas de guerra, e forjas para transformar "relhas de arado em espadas, e podadeiras em lanças" (ver 2 Néfi 12:4). Poderão aprender como a guerra fria pode ser mantida em congelamento profundo.

A guerrilha, os cercos e a política de terra arrasada não se originaram nos dias da Guerra Civil, nem na Rússia, mas eram programas de sobrevivência, iniciados longos séculos antes de Colombo, Pizarro e Cortez. Poderão aprender que as guerras de agressão travadas por soldados idólatras e adúlteros, que deixam Deus fora de suas vidas, serão no fim fúteis e desastrosas.

Aprenderão que grandes culturas estagnam sob a sombra da guerra e deixam de sobreviver quando guerras contínuas transformam o povo em migrantes, quando os campos são abandonados, o gado é confiscado para soldados improdutivos, as florestas são destruídas sem replantio, e quando lavradores e construtores se tornam guerreiros, e comerciantes empunham armas, e professores se mobilizam. Os homens não podem plantar, cultivar e colher quando estão em acampamentos, nem construir quando estão em fuga. Guerras longas e sangrentas significam cidades saqueadas, queimadas e arruinadas, impostos confiscatórios, povos degenerados e culturas em decadência.

Tanto a vitória quanto a derrota deixam os países devastados, e tanto o conquistador quanto o conquistado reduzidos. A iniquidade traz a guerra, e a guerra vomita destruição e sofrimento, ódio e derramamento de sangue sobre culpados e inocentes.

Este livro impressionante deveria convencer todas as almas viventes da futilidade da guerra e dos perigos da iniquidade. Uns poucos profetas, nadando num mar de barbarismo, acham difícil impedir o desmoronamento e o colapso final de povos corruptos.

A vós, das Américas, que ficais aterrorizados pelos jornais diários, que tremeis ao "som de uma folha agitada",

que construís abrigos por medo de mísseis guiados, bombas de hidrogênio e guerra biológica — a vós, há esta promessa condicional, vinda deste livro de verdade:

"... esta terra será uma terra de liberdade para os gentios e não haverá reis nesta terra. . . .

"E eu fortificarei esta terra contra todas as outras nações.

". . . eu, o Senhor, o rei dos céus, serei seu rei, e serei para sempre uma luz para aqueles que ouvem minhas palavras."

(Ibid., 10:11-12, 14. Itálicos acrescentados.) Este único volume registra para os historiadores cerca de vinte e seis séculos de vida movimentada, geralmente desconhecida até dos mais eruditos professores de história. Conta as ancestralidades daqueles cujos monumentos espetaculares hoje se observam na América do Sul e Central e nas selvas mexicanas.

Neste maravilhoso livro, ministros e sacerdotes podem encontrar textos para sermões, e os homens em geral podem encontrar respostas finais e autorizadas para questões difíceis:

Há vida após a morte? O corpo será literalmente ressuscitado? Para onde vão os espíritos dos homens entre a morte e a ressurreição? Pode-se ser salvo na incastidade? Qual é a organização correta da Igreja de Cristo? Pode-se ser salvo sem batismo? Por que é errado batizar crianças pequenas? É essencial autoridade específica para administrar as ordenanças? É a revelação contínua necessária e uma realidade? É Jesus realmente o Filho de Deus?

Aqui está registrada a gloriosa vinda do Salvador a seu templo na América.

Ele abençoou as criancinhas e chorou enquanto anjos desciam do céu e as rodeavam. Organizou sua Igreja com doze apóstolos chamados discípulos, aos quais foram dados o mesmo sacerdócio, autoridade e chaves que seus contemporâneos, Pedro, Tiago e João, detinham na outra terra.

A vinda do Redentor Ressuscitado a esta terra foi espetacular — a pequena voz penetrante vinda do céu, ouvida no Jordão e no Monte da Transfiguração, causou-lhes assombro ao anunciar:

"Eis aqui meu Filho Amado, em quem me comprazo e em quem glorifiquei meu nome — ouvi-o." (3 Néfi 11:7.) E então viram um homem descendo do céu em vestes brancas, e ele se pôs no meio deles, dizendo: "Eis que eu sou Jesus Cristo, ... eu sou o Deus de Israel e o Deus de toda a Terra e fui morto pelos pecados do mundo." (Ver ibid., 11:10, 14.) E a multidão meteu as mãos em seu lado e apalpou as marcas dos cravos, e soube com certeza que era o próprio Cristo, tão recentemente crucificado do outro lado do mar, e tão recentemente ascendido ao céu, e agora entre eles para lhes ensinar seu evangelho salvador.

Este livro histórico conta de três homens que, como João, o Revelador, ainda estão na terra, embora já se tenham passado quase dois mil anos desde seu nascimento mortal — homens que não sofreram as dores da morte, mas que têm controle sobre os elementos e que se fazem conhecer quando desejam e vão a qualquer lugar do globo quando necessário, e que não podem ser aprisionados, queimados na fornalha, nem sepultados em covas, nem detidos em prisão, nem destruídos por animais; pois, como os três hebreus, foi-lhes dado poder e proteção sobre-humanos.

Esta narrativa conta de pessoas com tamanha fé que enterraram suas armas para morrer vítimas dos inimigos em vez de tirar vidas; de rapazes que herdaram grande fé de suas mães, que os haviam ensinado a confiar em Deus e que seriam protegidos. Conta do cumprimento, quando 2.060 deles foram salvos, embora lutassem em muitas batalhas nas quais os homens à sua volta morreram, mas por causa da fé das mães e dos filhos, nenhum dos 2.060 sofreu a morte. Nesta batalha de defesa, nenhum rapaz perdeu a vida.

Mas, afinal, não são as crises dramáticas do livro, sua história, sua narrativa, que são tão importantes, mas seu poder de transformar os homens em seres semelhantes a Cristo, dignos de exaltação.

É a palavra de Deus. É uma poderosa segunda testemunha de Cristo. E, certamente, todos os verdadeiros crentes que amam o Redentor darão as boas-vindas a evidências adicionais de sua divindade.

Este livro inspirador jamais foi adulterado por tradutores não autorizados ou teólogos tendenciosos, mas chega ao mundo puro e diretamente dos historiadores e resumidores. O livro não está em julgamento — seus leitores é que estão.

Aqui está uma escritura tão antiga quanto a criação e tão nova e vibrante quanto o amanhã, unindo o tempo e a eternidade; é um livro de revelações e é companheiro da Bíblia trazida da Europa pelos imigrantes, e concorda em surpreendente harmonia com essa Bíblia na tradição, na história, na doutrina e na profecia; e os dois foram escritos simultaneamente em dois hemisférios, sob condições diversas.

Ele registra as próprias palavras que as pessoas diriam quando este registro oculto lhes fosse apresentado.

"... Uma Bíblia, uma Bíblia! Temos uma Bíblia e não pode haver qualquer outra Bíblia.

"Mas assim diz o Senhor Deus: Ó tolos! Eles terão uma Bíblia e virá dos judeus, . . .

"Tu, néscio, que dirás: Uma Bíblia, temos uma Bíblia e não necessitamos de mais Bíblia. . . .

"... que governo nas alturas dos céus e embaixo, na Terra; e revelo minha palavra aos filhos dos homens, sim, a todas as nações da Terra?

"Por que murmurais por receberdes mais palavras minhas? Não sabeis que o depoimento de duas nações é um testemunho a vós de que eu sou Deus, de que me recordo tanto de uma como de outra nação? . . .

"... E isso eu faço para provar a muitos que sou o mesmo ontem, hoje, e para sempre; . . . E porque eu disse uma palavra não deveis supor que não possa dizer outras; pois o meu trabalho ainda não está terminado; . . .

"Portanto, porque tendes uma Bíblia não deveis supor que ela contenha todas as palavras minhas; nem deveis supor que eu não fiz com que se escrevesse mais.

"Pois eu ordeno a todos os homens, tanto no leste como no oeste, tanto no norte como no sul e nas ilhas do mar, que escrevam as palavras que lhes digo; pois pelos livros que forem escritos julgarei o mundo, cada homem de acordo com as suas obras, conforme o que está escrito.

"Pois eis que falarei aos judeus e eles escreverão; e também falarei aos nefitas e eles escreverão; e falarei também às outras tribos da casa de Israel, que levei para longe, e elas escreverão; . . ." (2 Néfi 29:3-12. Itálicos acrescentados.) Então diz que reunirá os três rebanhos num só rebanho, e será seu pastor. E os registros das dez tribos ainda estão por recuperar. "E acontecerá que os judeus terão as palavras dos nefitas e os nefitas terão as palavras dos judeus; e os nefitas e os judeus terão as palavras das tribos perdidas de Israel; e as tribos perdidas de Israel terão as palavras dos nefitas e dos judeus.

"E acontecerá que o meu povo, que é da casa de Israel, será reunido nas terras de suas possessões; e minha palavra também será reunida em uma."

(Ibid., 29:13-14.) Parece-nos ouvir o Todo-Poderoso advertir:

"Os tolos escarnecem, e chorarão",

e, "Ai daquele que rejeitar a palavra de Deus." Um profeta escreveu:

". . . E se acreditardes em Cristo, acreditareis nestas palavras, porque são as palavras de Cristo, . . ." (Ibid., 33:10.) No último capítulo do livro está a promessa infalível de que toda pessoa que ler o livro com um desejo sincero e em oração de conhecer sua divindade terá a certeza.

O livro de que falo é a pedra angular da religião verdadeira, a escada pela qual alguém pode aproximar-se de Deus obedecendo a seus preceitos. Foi chamado de "o mais correto de todos os livros da terra".

Meus amados amigos, dou-vos o Livro de Mórmon. Que o leiais com oração, o estudeis com cuidado, e recebais para vós mesmos o testemunho de sua divindade. Isto eu peço, em nome de nosso Salvador Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSpencer W. Kimball, “Meus Irmãos e Irmãs, e Especialmente Meus...”, 1963 April General Conference, Second Day Afternoon Meeting (1963-04-06). Pulpit Vault, 1963-04-kimball-my-brothers-and-sisters-and-especially-my. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).