Meus Amados Irmãos e Irmãs, Convosco...
ElRay L. Christiansen
Meus amados irmãos e irmãs, convosco tenho sido edificado por tudo o que se tem passado nas várias sessões desta grande conferência — a música, os maravilhosos discursos, as orações, e vossa presença aqui. Creio que nunca fiquei tão satisfeito e emocionado ao ver o grande mar de mãos erguidas, sustentando unanimemente aqueles cujos nomes foram apresentados há poucos minutos, indicando que há unidade na Igreja. ¶
Venho a vós com humildade nesta tarde, e com a firme convicção de que Deus vive; de que esta não é apenas mais uma igreja que representamos, mas é A Igreja de Jesus Cristo; de que, sentado neste púlpito, está o profeta destes dias, cercado por homens justos e íntegros, cada um dotado da autoridade e do poder de agir em nome de Deus e de dirigir a obra do Senhor em todo o mundo, em preparação para sua vinda para receber seu reino. ¶
Venho a vós com a certeza de que esta Igreja foi estabelecida, não para fracassar, mas para continuar, jamais para ser destruída nem entregue a outro povo; pois o Senhor disse: ¶
"As obras e os desígnios e os propósitos de Deus não podem ser frustrados nem podem se dissipar. ¶
"Lembra-te, lembra-te de que não é a obra de Deus que se frustra, mas a obra dos homens"; (D&C 3:1, 3.) Não tenho dúvida de que suas promessas a todo o povo se cumprirão a seu próprio tempo e à sua própria maneira, tanto para os justos quanto para os iníquos. Vivemos num dia predito pelo Salvador como um tempo de guerras e rumores de guerras, de fomes, de pestes e de terremotos. Um dia em que, numa sociedade supostamente culta, a cobiça e o desejo de poder, a fraude e a crueldade se manifestam em seu pior grau. Este dia foi descrito por Paulo nestas palavras: ¶
"Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, "Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, "Traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amantes dos deleites do que amantes de Deus"; (2 Timóteo 3:2-4.) Ora, graças a Deus, isso não inclui todos, mas há muitos, tenho certeza, que se enquadram em algumas dessas categorias. Se há alguma em que nos enquadramos, ou se algum de nós tem essas manchas sobre si, espero que saiamos destas reuniões com a determinação de nos livrarmos delas. ¶
Ora, apesar dessas condições que Paulo descreveu, este é um tempo favorecido e um dia favorecido do Senhor. Devemos ser gratos por viver neste dia em particular, apesar de todos os temores, as dificuldades e as ansiedades que nos sobrevêm por causa das condições instáveis que predominam no mundo. Nossa gratidão advém principalmente do fato de sermos os felizes destinatários do evangelho restaurado, trazido de volta à terra em cumprimento da profecia, em sua plenitude, como prescrição para uma vida bem-sucedida e para a salvação. Não há necessidade de andarmos nas trevas ou na incerteza. Em nossos dias, a Igreja tem a visão, a inspiração e a palavra do Senhor para dar ao povo, a fim de guardá-lo das armadilhas da vida, da tristeza, do arrependimento e do fracasso. Neste dia da Igreja, tem havido uma grande expansão da própria Igreja. O evangelho está sendo amplamente pregado; edifícios estão sendo construídos; templos foram e estão sendo erguidos; a obra pelos mortos está aumentando; e as pessoas estão aceitando o evangelho, tudo isso de maneira sem precedentes. ¶
Ora, embora vejamos a Igreja avançando infalivelmente rumo a seu destino decretado, devemos lembrar-nos de que a salvação de cada um de nós precisa ser trabalhada individualmente. Por alguns momentos, tragamos nosso mundo ao alcance de minha voz enquanto consideramos dois ou três princípios que são indispensáveis à salvação individual, e até mesmo coletiva. ¶
Que dizer do dia de sábado, sobre o qual o Presidente Joseph Fielding Smith discursou tão eloquentemente ontem? ¶
É ele observado como o dia do Senhor? Estais vós e vossa família onde deveríeis estar, e fazendo o que deveríeis estar fazendo naquele dia? Recentemente soube de um pai que habitualmente levava sua esposa e filhos às montanhas, ou a vários outros lugares, no dia de sábado, em vez de levá-los à igreja, onde deveriam estar. Enquanto ele os apressava para se prepararem, certa manhã de domingo, seu filho mais novo disse: "Papai, por que não podemos ficar em casa e ir à igreja como as outras crianças fazem?" ¶
"Ah, vamos," disse o pai, "podemos cantar e orar juntos nas montanhas." O menino disse, um tanto tristemente: "Sei que podemos, mas não vamos, não é, papai?" ¶
"E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado"; (D&C 59:9.) Para mim, isso torna claro e compreensível onde eu deveria estar e o que deveria fazer, entre outras coisas que são aprovadas pelo Senhor naquele dia santo. ¶
Outro assunto: quão completamente amais vosso próximo? O Salvador disse que não apenas deveríamos amar nosso próximo como a nós mesmos, mas que deveríamos até mesmo amar nossos inimigos. Certo homem disse: "Já é bastante difícil amar um próximo a quem gostamos de classificar como nosso próximo, mas estender a mão e amar seu inimigo está quase além de qualquer expectativa razoável." Não obstante, é um método que o Senhor tem de preparar, de santificar e de aperfeiçoar aqueles a quem ele chamou de seus Santos. Além disso, ele requer que abençoemos os que nos amaldiçoam, que façamos bem aos que nos odeiam, e que oremos por aqueles que nos maltratam e nos perseguem. ¶
Como podemos amar nosso próximo? Penso que uma das melhores maneiras seria ajudá-lo a aprender a verdade, a aceitar o evangelho restaurado e a encontrar nele o poder de Deus para a salvação, tanto dele quanto de sua família, e defendendo-o contra o perigo, a calúnia ou os maus-tratos de outros. Penso que poderíamos demonstrar amor por nosso próximo nas estradas e nos congestionamentos de trânsito, sendo corteses e cedendo-lhe a preferência de vez em quando, ainda que tenhamos legítimo direito a ela. Há inúmeras maneiras pelas quais o amor pode ser estendido ao próximo. ¶
Foi James Russell Lowell quem disse: "Os que amam o Senhor e seu próximo estão a apenas um passo do céu." ¶
Gostaria de incluir, entre esses próximos a quem devemos amar e por quem devemos nos preocupar, aqueles que já partiram, especialmente nossos próprios progenitores, para com os quais temos a obrigação inescapável de trazer salvação e exaltação por meio do serviço vicário. ¶
Que estamos fazendo por eles, individualmente, em nossa própria família? Que dizer do dízimo? Estamos, como indivíduos, colocando-nos em posição de receber as gloriosas promessas dadas pelo Senhor àqueles que observam consistentemente esta lei? Ele ofereceu um desafio, a ser posto à prova, quanto a se não abriria as janelas do céu e derramaria sobre nós uma bênção tal que não haveria espaço suficiente para recebê-la, e então disse: ¶
"E por causa de vós repreenderei o devorador, para que não vos destrua o fruto da terra; e a vide no campo não vos será estéril, diz o Senhor dos Exércitos." ¶
(Malaquias 3:11.) Que promessa é essa para aqueles de nós que estão dispostos a guardar a lei! ¶
Poderá algum de nós justificar reter ou economizar naquilo que verdadeiramente pertence ao Senhor? ¶
A voz do Presidente Heber C. Kimball (tive o prazer de ouvir esta bela exposição do Livro de Mórmon, feita por Spencer W. Kimball, que a tornou tão vívida diante de nós) ressoou neste mesmo edifício a respeito do assunto do dízimo, quando ele disse: ¶
"Não tendes nada, exceto aquilo que recebestes do Todo-Poderoso. De onde vem vossa água, vossa carne, vosso pão e os luxos da vida? ¶
Não os criou ele? Não foram os elementos deles colocados sobre a terra antes de aqui chegardes? Se não pagardes sequer dez centavos de dízimo, isso não empobrecerá o Senhor, mas eu vos digo onde recairá o efeito. Ele afetará vós mesmos, vossa própria salvação." ¶
E eu gostaria de acrescentar: e a de vossos filhos, muito provavelmente, pois "tal pai, tal filho" é um velho, mas verdadeiro, provérbio. ¶
Meus irmãos e irmãs, os mandamentos do Senhor não são ditames; são princípios dados por um Pai Misericordioso para guardar-nos, a nós e a toda a humanidade que o seguir, do pecado, da tristeza e do arrependimento pesaroso. Falamos bastante hoje em dia sobre segurança. Uma das melhores fórmulas de segurança que já conheci está dada nas palavras de Helamã, no Livro de Mórmon: ¶
"E agora, meus filhos, lembrai-vos, lembrai-vos de que é sobre a rocha de nosso Redentor, que é Cristo, o Filho de Deus, que deveis construir os vossos alicerces; para que, quando o diabo lançar a fúria de seus ventos, sim, seus dardos no torvelinho, sim, quando todo o seu granizo e violenta tempestade vos açoitarem, isso não tenha poder para vos arrastar ao abismo da miséria e angústia sem fim, por causa da rocha sobre a qual estais edificados, que é um alicerce seguro; e se os homens edificarem sobre esse alicerce, não cairão." (Helamã 5:12.) Gosto disso, e tenho levado isso a peito. Recomendo-o aos jovens e aos idosos, e a todos nós, de fato, a toda a humanidade, pois é tão verdadeiro quanto qualquer coisa pode ser. ¶
Que possamos, meus irmãos e irmãs, permanecer firmes sobre este alicerce seguro, e assim contribuir para o progresso da Igreja à medida que ela avança rumo à conclusão de seu destino divino, e ao mesmo tempo assegurar nossa salvação individual e coletiva, e talvez a exaltação, oro eu, testificando novamente que o Salvador vive e que esta é sua obra, em nome do Senhor Jesus Cristo, nosso Mestre. Amém. ¶