Dos Muitos Grupos que Somos Convidados...
Hugh B. Brown
Irmãos e companheiros de trabalho: ¶
Dos muitos grupos que somos convidados a discursar de tempos em tempos, não há nenhum mais inspirador, mas também mais humilhante, do que este corpo do sacerdócio, milhares dos quais podemos ver, e provavelmente dezenas de milhares que não podemos ver. Assume-se a responsabilidade de um discurso de poucos momentos com profunda humildade e uma oração por orientação divina. Falarei apenas por alguns minutos, pois todos estamos ansiosos por ouvir o Presidente McKay. ¶
Certamente felicito o Irmão Lee por sua excelente apresentação de um programa difícil, que levou anos para a comissão elaborar. Ele tem se esforçado para que o vejamos em apenas alguns minutos, e fez um trabalho muito bom ao condensar, nesses poucos minutos, o que bem poderia ocupar várias horas. ¶
Entre outras coisas, impressionou-me o fato de que não é fácil ser Santo dos Últimos Dias. Observo que estes gráficos exigem trabalho, trabalho, trabalho, da parte de todos os envolvidos. Em algumas igrejas, como já foi indicado, um só homem faz a maior parte do trabalho. Nesta Igreja, espera-se que todos nós participemos. ¶
Outra coisa que me impressionou ao ouvir a explicação do Irmão Lee sobre este programa, que será levado adiante sob a direção do Presidente da Igreja, é que ele proporciona oportunidade a todos os que estiverem dispostos a dar alguma contribuição à causa. ¶
Reconhecemos, na Igreja, uma causa que é maior e mais importante do que nós, como indivíduos, e nela desfrutamos da comunhão de nossos irmãos que possuem o sacerdócio. A menos que, com eles, possamos cooperar para promover essa causa, não teremos sucesso neste programa. Todos nós devemos dar a esta comissão não apenas um voto de agradecimento, expressando-o em palavras, mas um voto de apreço, colocando em prática o trabalho aqui delineado, e que será mais plenamente explicado à medida que avançarmos. Que nenhum de nós sinta, diga ou pense que os irmãos estão apenas tentando encontrar mais alguma coisa para nos ocupar — não penseis que, por assim ser, eles estão tentando encontrar algo para nos ocupar simplesmente porque sabem que há apenas um caminho para a salvação, que é a participação ativa. ¶
Em todo ensino — e uma das funções do sacerdócio é ensinar —, aquilo que o mestre é vale mais do que aquilo que ele diz. Aquilo que somos, como membros do sacerdócio e como missionários em campo, em casa ou no exterior, significa mais para aqueles a quem vamos do que aquilo que ensinamos. Assim, meu primeiro pensamento é: sejamos aquilo que ensinamos. O mestre e a verdade ensinada devem ser do mesmo padrão. Que cada um seja um exemplo para todos aqueles cuja vida tocamos; reconheçamos, em todos os nossos companheiros de trabalho, algum valor, algum mérito, e jamais esqueçamos que cada um deles tem coração, tem sentimentos, tem ambição, tem certa medida de orgulho; portanto, jamais, em virtude do sacerdócio ou dos cargos que ocupamos, pisoteemos os direitos ou os sentimentos de nosso próximo; jamais sejamos ríspidos naquilo que lhes dizemos a título de crítica, mas sejamos bondosos, atenciosos, e tenhamos em nosso coração amor por nosso próximo, pois em cada um deles há valor. ¶
Li algo esta manhã que gostaria de deixar convosco. Toda vida humana tem em si mais ou menos ouro, o qual geralmente não é facilmente perceptível ao observador casual. A bondade é parte desse ouro, o ouro do espírito, aquela parte que se torna conhecida dos outros porque aliviou seus fardos e tornou seu caminho mais aprazível. O homem que tem ouro em sua vida possui algo maior do que qualquer coisa que lhe possa acontecer. Ele não se preocupa com derrotas, obstáculos ou tristezas, pois sabe que estas não passam de espuma no rio da vida, destinada a durar apenas um breve momento e depois se dissipar. O que importa não é a espuma, mas a corrente forte, pulsante e contínua do rio, que jamais é perturbada pelas folhas que flutuam nos remansos tranquilos da superfície. ¶
Um dia podeis descobrir que a casa de vossa vida desabou, mas nos escombros podeis encontrar o ouro que não pode ser destruído, nem mesmo pelo pior desastre, pois o ouro da vida é imperecível e imortal. Buscai-o nos escombros, pois dele podeis cunhar novas moedas. Da derrota surge o ouro da vida. ¶
O sacerdócio envolve presidência, autoridade e poder; envolve o direito e o dever, em certas circunstâncias, de repreender outros. Lembrai-vos do que disse o Profeta: "Repreendendo prontamente com firmeza, . . . e depois, mostrando então . . . um amor maior. . . ." (D&C 121:43.) Sejamos muito cuidadosos quanto a este assunto de repreender, e ainda assim parte de nosso dever é zelar para que não haja iniquidade na Igreja. Repito: sejamos cuidadosos em não pisotear os sentimentos de nossos irmãos e irmãs. Elevemo-los, abençoemo-los e beneficiemo-los à medida que avançamos, e jamais nos tornemos culpados de humilhá-los ou de fazê-los pensar que não apreciamos seu trabalho. ¶
O próximo pensamento que gostaria de deixar convosco é que não devemos nos deixar enganar pelo crescimento em números, dólares e edifícios que ocorre na Igreja. Agradecemos ao Senhor por eles, mas não são a parte principal de nosso trabalho. Tudo o que precisamos dizer a esse respeito é que o corpo sem o espírito está morto. ¶
À medida que avançamos no trabalho especial do sacerdócio, que é a obra missionária tanto para os vivos quanto para os mortos, e à medida que levamos o evangelho a nossos amigos que não são membros da Igreja, procuremos manter as coisas no devido equilíbrio. A ordem revelada é fé, depois arrependimento, e depois batismo. Ouviu-se recentemente um pastor batista dizer, a respeito de alguns de seu próprio povo, que a igreja havia recrutado pessoas que tinham sido engomadas e passadas a ferro antes de serem lavadas. Penso que poderíamos aprender uma lição com esse pensamento e converter as pessoas antes de batizá-las. ¶
Leiamos de Doutrina e Convênios a respeito do sacerdócio. ¶
Esta é uma seção com a qual estais mais ou menos familiarizados, mas jamais hesito em referir-me novamente àquilo a que já se referiu tantas vezes, assim como não hesitaria em convidar um amigo à minha mesa quando eu tivesse apenas aquilo que normalmente servimos à mesa. Não nos queixamos muito por não termos algo diferente em cada refeição. Desfrutamos daquilo que nos é servido, se temos apetite por isso. ¶
O Senhor disse: ¶
". . . aqueles que forem fiéis de modo a obter estes dois sacerdócios de que falei e a magnificar seu chamado serão santificados pelo Espírito para a renovação do corpo." (Idem, 84:33.) Irmãos, dou testemunho de que essa promessa se realizou na vida de muitos de nós. Sei que se realizou na vida do Presidente David O. McKay, que ele tem sido santificado pelo Espírito para a renovação de seu corpo, e alguns de nós, os demais, estamos hoje em melhores condições do que estávamos muitos anos atrás, no que diz respeito à saúde física — e atribuímos esse fato à sua bênção. ¶
"Tornam-se os filhos de Moisés e de Aarão e a semente de Abraão; e a igreja e reino e os eleitos de Deus. ¶
". . . e também todos os que recebem esse sacerdócio a mim me recebem, diz o Senhor; "Pois aquele que recebe os meus servos, a mim me recebe; "E aquele que me recebe a mim, recebe a meu Pai; "E aquele que recebe a meu Pai, recebe o reino de meu Pai; portanto, tudo o que meu Pai possui ser-lhe-á dado. ¶
"E isto está de acordo com o juramento e convênio que pertencem ao sacerdócio. ¶
"Portanto, todos os que recebem o sacerdócio recebem esse juramento e convênio de meu Pai, que ele não pode quebrar nem pode ser removido." (Idem, 84:34-40.) É importante que consideremos ocasionalmente o juramento e o convênio que cada um de nós fez. Todos os que foram batizados e todos os que possuem o sacerdócio estão sob convênio de fazer e de deixar de fazer certas coisas. Devemos lembrar e guardar nossos convênios, um dos quais é estarmos dispostos a dar de nós mesmos, de nossos meios, e de tudo o que temos, para a edificação da Igreja e do reino de Deus. ¶
Jovens companheiros de trabalho, diáconos, professores e sacerdotes, nós que estamos envelhecendo temos grande confiança em vós, baseada naquilo que cremos ser um fato: que não estaríeis agora possuindo o sacerdócio, a menos que Deus vos considerasse dignos dele, e a menos que ele tivesse algo para vós fazerdes. Cada um de vós, jovens que ouvis esta noite, tem um futuro. Qual será esse futuro dependerá de vossa atitude para com vosso chamado, de vossa fé em vós mesmos, de vossa crença de que há algum ouro em vós. É importante que vós, jovens, e todos nós, procuremos refinar esse ouro por meio da participação ativa, e não esperemos até que a casa esteja incendiada e já tenhamos passado pelo fogo. É muito importante que todo jovem decida que responderá à voz da consciência, que será fiel a si mesmo e não cederá à atração para baixo de qualquer ambiente em que se encontre. ¶
Permiti-me contar uma história para ilustrar o ponto de que um homem precisa responder ao seu ser superior, se quiser ser um digno possuidor do sacerdócio. Conta-se que os árabes, ao treinarem seus cavalos, submetem-nos a um teste final de caráter e resistência. Diz-se que os melhores dos cavalos árabes, guardados para reprodução, são treinados desde potros a responder a um sino que soa intermitentemente na tenda do mestre. ¶
Onde quer que estejam e o que quer que estejam fazendo, precisam correr para a tenda do mestre quando o sino toca. Suas mães foram ensinadas isso antes deles, e respondem, e o potro, correndo ao lado da mãe, habitualmente, com o passar do tempo, responde ao sino e sabe que é o chamado do dever. Quando os potros completam três anos, são colocados num curral, um curral de estacas por onde podem ver. Ali são deixados três dias e três noites, sem comida nem água. ¶
Ao final do terceiro dia, colocam-se feno, grãos e água logo do lado de fora do curral. Podeis imaginar a ansiedade dos jovens potros ao olharem, através das estacas, para a comida e a água. ¶
Quando o portão se abre, os jovens potros correm para fora, e, justamente quando estão prestes a alcançar a comida e a água, o sino toca. Somente aqueles que têm resistência suficiente para responder ao sino e resistir ao impulso do apetite são guardados para a reprodução futura. ¶
Irmãos, à medida que avançamos, tornamo-nos cada vez mais conscientes de que há um sino que toca com muita frequência ao longo da vida. Às vezes os homens se tornam insensíveis ou duros de ouvido, e ignoram o sino para sua própria tristeza. Vós, jovens, o ouvireis muitas vezes entre agora e o tempo em que tiverdes nossa idade. Suplicamos-vos que resistais ao chamado do apetite e da paixão, e deis ouvidos ao sino que é vossa consciência. Se fordes tentados a fazer o mal, sempre haverá algo dentro de vós dizendo: "Não o faças." Escutai e respondei a esse sino, e sereis dignos da confiança que o Presidente da Igreja tem em vós, dignos de assumir as responsabilidades agora sustentadas por vossos pais, vossos irmãos, vossos líderes. ¶
Que Deus vos abençoe, e a todos nós, para que possamos cooperar com as Autoridades Gerais, com as autoridades da estaca, da ala e da missão, e sejamos receptivos às suas admoestações. A Igreja — vossa Igreja e minha Igreja — está crescendo em número e influência com uma rapidez cada vez maior, além de tudo o que nós, que somos mais velhos, poderíamos ter imaginado em nossa juventude. Sou grato pela verdade do evangelho restaurado e dela dou testemunho, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶