Pulpit

Citemos Duas Conhecidas Definições de...

Hugh B. Brown

1963 April General Conference·First Day Morning Meeting·1963-04-05

Citemos duas conhecidas definições de religião, uma do Antigo Testamento e outra do Novo; estas bem poderiam servir de tônica ou prelúdio a esta conferência. Primeiro, do Profeta Miqueias: "Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?" (Miqueias 6:8.) E o Apóstolo Tiago admoesta:

"E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.

"Porém aquele que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, esse será bem-aventurado no seu feito.

"Se alguém entre vós supõe ser religioso, e não refreia a sua língua, mas engana o seu coração, a religião desse é vã.

"A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se imaculado do mundo." (Tiago 1:22, 25-27.) Oramos para que todos os que discursarem durante esta conferência sejam inspirados pelo Espírito Santo. Oramos especialmente para que os muitos milhares, vistos e não vistos, que assistirem às várias sessões, desfrutem da mesma inspiração. O efeito sobre os "ouvintes da palavra" depende de estarem espiritualmente em sintonia e de mente aberta e receptiva.

Assim como o prazer com que alguém desfruta de uma refeição depende mais do apetite que traz à mesa do que da qualidade e variedade dos alimentos ali colocados, assim também o grau de deleite e assimilação do refrigério espiritual dependerá de "termos fome e sede", conforme ordenado pelo Salvador, com a promessa da recompensa da satisfação. O Salvador disse: "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele, comigo." (Apocalipse 3:20.) Estamos todos familiarizados com a parábola do semeador, em que ". . . uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;

"E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante: . . .

"Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.

"E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na.

"E outra caiu em boa terra, e deu fruto, . . ." (Mateus

13:4-8.) Ao explicar o significado da parábola, o Salvador ressaltou a responsabilidade de todos os que ouvem a palavra, e expressou preocupação quanto à qualidade e profundidade do solo em que as sementes são plantadas. Marcos define a semente como a palavra de Deus: "Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho.

"Porém o que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; "Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se ofende.

"E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.

"Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta." (Idem, 13:19-23.) Esta parábola se aplica a todos a quem a semente — a palavra de Deus — possa chegar, sejam eles membros da Igreja de longa data, novos conversos, ou investigadores em busca da verdade. Sejamos unidos em nossas orações para que as sementes de verdade que forem semeadas durante esta conferência criem raiz em solo fértil e deem fruto. Paulo disse, a respeito de alguns a quem o evangelho foi pregado em seus dias, que ele não lhes aproveitou ". . . porquanto não estava acompanhada pela fé naqueles que a ouviram." (Hebreus 4:2.) A verdade é desafiadora e exige ação, como evidencia outra parábola do Salvador: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;

"E desceu a chuva, e correram os rios, e sopraram os ventos, e combateram aquela casa; e não caiu:

porque estava edificada sobre a rocha.

"E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as pratica, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;

"E desceu a chuva, e correram os rios, e sopraram os ventos, e combateram aquela casa; e caiu, e foi grande a sua queda." (Mateus 7:24-27.) Deve-se notar que a chuva desceu, os rios correram e os ventos sopraram e combateram a casa edificada sobre a rocha com a mesma força que destruiu a outra casa. Esta casa não escapou da tempestade, mas, tendo fundamento de rocha, resistiu a ela.

Alguns têm pensado que, ao ingressar na Igreja e ser fiel, todas as provações terminariam, todas as dificuldades desapareceriam e todas as tentações cessariam. Somos lembrados da jovem noiva que, no dia de seu casamento, disse à mãe: "Sou a moça mais feliz do mundo. Cheguei ao fim de todos os meus problemas."

E a mãe sábia respondeu: "Sim, minha querida, mas não sabes qual fim."

Tanto as tempestades da natureza quanto as tempestades da vida são indiscriminadas. Assim como a casa edificada sobre a rocha sobreviveu à tempestade, também a vida cujas raízes estão firmemente plantadas no solo da fé suportará a adversidade e se tornará mais forte pela luta. Como disse Douglas Malloch em verso:

"A boa madeira não cresce na facilidade, Quanto mais forte o vento, mais resistentes as árvores, Quanto mais amplo o céu, maior a altura, Quanto mais a tempestade, maior a força.

"Pelo sol e pelo frio, pela chuva e pela neve, Em árvores ou em homens, a boa madeira cresce."

Às vezes, a derrota pode servir tão bem quanto a vitória para abalar a alma e deixar transparecer a glória.

Não lamentemos nossa sorte na vida, nem nos irritemos sob as provações, perdas ou problemas que nos afligem. Enumeremos, antes, e expressemos gratidão por nossas muitas bênçãos. Alguns passam o ano, ou a própria vida, sem apreciar as dádivas da vida, porque delas não têm consciência. A consciência que se tem torna-se a medida da própria vitalidade. Em tudo ao nosso redor vemos evidências de uma providência benevolente. Por exemplo, qualquer um que olhe reverentemente para os céus estrelados sentirá vontade de exclamar com o Salmista:

"Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." (Salmos 19:1.) À medida que nos tornamos mais conscientes e apreciativos de seu amor, e da beleza e sabedoria que em toda parte se manifestam, agradecemos ao Senhor pela vida e por suas provações e desafios revigorantes, por suas disciplinas educativas e suas recompensas. Nossa fé em Deus se aprofunda e se sustenta pelas experiências da vida e pelas evidências convincentes, por todos os lados, de que nosso universo é governado por lei, sob um Pai benevolente e onipotente.

À medida que essa fé e esse conhecimento se desenvolvem, a pessoa se torna consciente de suas próprias fraquezas e deficiências, e se empenha em elevar sua conduta ao nível de seus ideais; isto se chama arrependimento.

Mas, se sua fé não é mantida radiante por boas obras, ela será tentada a rebaixar seus ideais ao nível de sua conduta. Isto é retrocesso.

Nestes tempos ameaçadores e sombrios, precisamos de coragem física, intelectual e moral, e de fé sustentadora.

Pode parecer óbvio dizer que o mundo está em perigo e dividido, e que estes são tempos de decisões históricas, mas em todos os níveis da vida, do individual e familiar ao nacional e internacional, situações desafiadoras exigem atenção, e problemas difíceis requerem solução.

Todos enfrentamos um desafio comum e compartilhamos uma causa comum.

A ameaça do comunismo é sinistra, e seus perigos são iminentes. Centenas de milhões de nossos semelhantes estão sendo incessantemente doutrinados na ideologia satânica de que a Paternidade de Deus, a Condição de Salvador de Cristo e a fraternidade do homem são mitos estúpidos, de que a religião não passa de um ópio tranquilizante. Buscam privar os homens da liberdade física, mental e espiritual, ao mesmo tempo em que investem o Estado de uma supremacia monstruosa. Esta doutrinação incessante não é senão a continuação da guerra que começou quando o plano de força de Satanás foi rejeitado pelo Pai. Vivemos no período mais perigoso de toda a história. O sexto capítulo de Efésios nunca foi tão aplicável quanto hoje: "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste mundo, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais." (Efésios 6:12.) A Igreja é o principal baluarte contra o comunismo. O evangelho é a mais eficaz réplica às suas ideologias ímpias. É uma força espiritual que pode derrubar e vencer todas as barreiras físicas. Certamente devemos vestir toda a armadura de Deus, composta, como disse Paulo, de verdade, justiça, paz, fé, com o capacete da salvação e a espada do espírito, que é a palavra de Deus. Por causa de nossa fé num Deus vivo, pessoal e todo-poderoso, não tememos o resultado final em nossa luta contra os emissários de Satanás, embora devamos estar sempre alertas, unidos e vigilantes. Somos reassegurados pela maravilhosa visão de João na Ilha de Patmos:

"E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão.

"E prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos, "E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois é necessário que seja solto por um pouco de tempo." (Apocalipse

20:1-3.) Nada, senão o evangelho do amor, o evangelho restaurado de Jesus Cristo, que gratamente proclamamos, pode salvar o mundo ou o indivíduo dos perigos que nos ameaçam. Este é um evangelho de atividade formadora de caráter; de fé invencível e da coragem que nasce da fé; de arrependimento, a porta para o progresso; de santificação por meio do batismo de água e do Espírito, a porta para o reino celestial. Tenhamos coragem no conhecimento de que Cristo, o Príncipe da Paz, está ao leme. Ele declarou que o valor das almas é grande aos olhos de Deus; tão grande que deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

O amor transcendente de Deus, o Pai, tem seu correspondente em Cristo, o Filho, cujo sacrifício redentor, voluntário e inspirado pelo amor, rompeu os laços da morte e assegurou a todos os homens as bênçãos da ressurreição. Ele declarou que sua obra e sua glória são levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem.

O Apóstolo Paulo nos dá uma avaliação da qualidade perene do amor de Deus em sua epístola aos Romanos: "Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem os poderes, nem o presente, nem o porvir, "Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Romanos 8:38-39.) Mas este amor divino requer resposta de nossa parte, não apenas em declarações de nosso amor, mas em nossa atitude para com nosso próximo. Benjamin Franklin orou: "Aceita meus atos de bondade para com teus filhos como o único retorno em meu poder por teus contínuos favores para comigo."

João, em sua primeira epístola, escreveu: "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?

"E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus ame também seu irmão." (1 João 4:20-21.) Como pode um homem ter comunhão com Deus se não tem comunhão com seu próximo?

Jesus, quando lhe perguntaram qual era o grande mandamento, respondeu: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

"Este é o primeiro e grande mandamento.

"E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

"Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus

22:37-40.) Quando, em outra ocasião, perguntaram ao Mestre quem era o seu próximo, ele respondeu com a parábola do bom samaritano, que ensina a lição de que todos os que necessitam de nossa ajuda, todos aqueles cujas vidas tocamos, são nosso próximo, quer morem do outro lado da rua, além da cerca, do outro lado do continente, ou além do oceano. Nossa vizinhança tornou-se mundial.

O nome de Abou Ben Adhem encabeçava a lista daqueles a quem o amor de Deus havia abençoado, porque ele, ao que parece mais do que outros, amava seu próximo.

A profundidade, a direção e a qualidade de nossa vida religiosa dependem de nossa compreensão da natureza, dos propósitos e dos métodos de Deus, e de nosso relacionamento e responsabilidade para com ele. As escrituras estão repletas de promessas reconfortantes de que o certo prevalecerá sobre o poder, o bem sobre o mal, a verdade sobre o erro, Cristo sobre o anticristo. João, o Amado, foi inspirado quando escreveu a rapsódia em sua primeira epístola:

"Vede quão grande amor nos concedeu o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não conhece a ele.

"Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Porém sabemos que, quando se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos."

(1 João 3:1-2.) Num livro intitulado A Century's Change in Religion, citado pelo Dr. James L.

Barker, George Harris nos diz: "Tem havido uma mudança em nosso pensamento a respeito de Deus, da concepção de soberania para a concepção de paternidade; falando em termos gerais, pode-se dizer que a teologia latina fez da soberania a doutrina central. O governo romano era um tipo do governo divino. Esta teologia consagrou a doutrina dos decretos, da predestinação e da reprovação, os meros bons prazeres de Deus como a causa de todos os acontecimentos.

Essa crença engendrava temor e ódio, em vez de amor e confiança. . . . O centro da doutrina deslocou-se da soberania para a paternidade." O conceito inspirado da paternidade real de Deus, e da concomitante fraternidade do homem, é uma doutrina básica do mormonismo, e é a filosofia mais profunda e mais cheia de esperança do mundo hoje.

Cremos num Deus vivo e pessoal; que sua glória é a inteligência, o que denota propósito e plano; que ele tem a vontade e o poder para realizar seus propósitos. Ele é nosso Pai, e este fato assegura amor e inspira confiança.

Que o Espírito Santo dirija todos os que participarem dos trabalhos desta conferência, seja em cântico, oração ou discurso, e inspire em todos os que ouvirem o desejo de renovada dedicação e atividade.

Que nossas vidas atestem nossa gratidão pelo inestimável privilégio de viver na maior de todas as dispensações e de participar da preparação final para a segunda vinda de Cristo. Nenhuma era da história foi mais momentosa do que a nossa, pois ela anuncia sua vinda.

As palavras do poeta são proféticas:

"Vós que tendes fé para olhar com olhos destemidos para a tragédia de um mundo em conflito, E sabeis que da morte e da noite há de surgir a aurora de uma vida mais ampla, Alegrai-vos, por mais angústia que dilacere o coração, De que Deus vos deu o dom inestimável De viver nestes grandes tempos e ter vossa parte Na hora coroada da liberdade, Para que possais dizer a vossos filhos, que veem a luz alta nos céus, a tomar sua herança: Vi as potências das trevas fugirem, Vi a manhã romper."

Que levaremos, pois, desta conferência, e em que medida a levaremos? Isto depende da "perseverança paciente em bem fazer",

da qualidade e profundidade do solo em que as sementes de verdade possam cair, e de nos tornarmos cumpridores da palavra, e não apenas ouvintes. Será a semente recebida ao pé do caminho, em pedregais, em solo raso, ou entre os espinhos; sufocarão os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas a palavra, de modo que as sementes se tornem infrutíferas; ou será ela recebida em boa terra e dará fruto? Cada um deve responder por si mesmo. Oremos por força para ". . . praticar a justiça, e amar a benevolência, e andar humildemente com nosso Deus" (ver Miqueias 6:8), em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoHugh B. Brown, “Citemos Duas Conhecidas Definições de...”, 1963 April General Conference, First Day Morning Meeting (1963-04-05). Pulpit Vault, 1963-04-brown-let-us-quote-two-wellknown-definitions-of. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).