Um dos Mais Belos Princípios do...
Henry D. Taylor
Um dos mais belos princípios do evangelho é o do arrependimento. Ele nos oferece esperança e encorajamento a cada um de nós, descendentes de Adão e Eva. Por sermos mortais e vivermos num mundo onde as tentações abundam, não é difícil cometer erros e enganos. Por meio da expiação realizada por Jesus Cristo, nosso Salvador, temos a garantia de que nossos erros e enganos podem ser corrigidos, mediante a demonstração de tristeza segundo Deus e o abandono dos caminhos iníquos. ¶
Uma das qualidades mais vitais do princípio do arrependimento é o perdão. ¶
A menos que cada um de nós aprenda a perdoar os outros por ofensas reais ou imaginadas cometidas contra nós, não podemos nos arrepender devidamente. ¶
Alguém já disse: "A humanidade jamais é tão bela quanto quando ora pedindo perdão, ou quando perdoa a outrem." Os ensinamentos do Salvador para nós estão repletos de admoestações a estarmos sempre prontos e dispostos a perdoar. Ao instruir seus discípulos a orar, sugeriu que suplicassem ao Pai: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores." ¶
Então aconselhou: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celestial vos perdoará a vós; . . ." E acrescentou uma palavra de advertência: "Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas." (Mateus 6:12, 14-15.) ¶
Em outra ocasião, o Senhor instruiu: ¶
"Portanto, digo-vos que vos deveis perdoar uns aos outros; pois aquele que não perdoa a seu irmão suas ofensas está em condenação diante do Senhor; pois nele permanece o pecado maior. Eu, o Senhor, perdoarei a quem desejo perdoar, mas de vós é exigido que perdoeis a todos os homens." (D&C 64:9-10.) ¶
Ninguém pode guardar rancor e sentimentos hostis sem prejudicar a si mesmo. Torna-se amargurado; sua visão se distorce; e sua alma se corrompe. Palavras ásperas e cortantes podem deixar uma ferida, uma pontada de infelicidade e arrependimento no coração e na consciência de quem ofende. "As mentes pequenas e mesquinhas abundam em ira e vingança, e são incapazes de sentir o prazer de perdoar seus inimigos," disse um sábio. ¶
Quem guarda rancor prejudica a si mesmo mais do que a seu inimigo. Um profeta sabiamente aconselhou: ". . . não se ponha o sol sobre a vossa ira." (Efésios 4:26.) ¶
Perdoar uma pessoa uma ou duas vezes talvez não seja muito difícil, mas continuar a perdoar muitas vezes, quando se foi ofendido, pode se tornar um verdadeiro teste de caráter. Em certa ocasião, quando Jesus ensinava seus discípulos, Pedro aproximou-se dele e lhe fez esta pergunta: ". . . Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? até sete? ¶
"Jesus lhe disse: Não te digo: Até sete; mas, até setenta vezes sete." (Mateus 18:21-22.) Por esta declaração, podemos ter certeza de que o Salvador quis dizer que devemos perdoar sem número nem limite. ¶
O poeta Alexander Pope escreveu: "A boa índole e o bom senso devem sempre andar juntos; errar é humano; perdoar é divino." ¶
O Senhor sempre encarou o pecado com enfático desagrado, e exclamou: "Pois eu, o Senhor, não posso encarar o pecado com o mínimo grau de tolerância;" e então prossegue: "Entretanto, aquele que se arrepender e cumprir os mandamentos do Senhor será perdoado." (D&C 1:31-32.) ¶
E, embora o Senhor considere o pecado com desagrado, ele sempre demonstra, não obstante, um espírito de caridade e bondade para com o pecador. ¶
Quando uma mulher surpreendida em pecado foi trazida perante Jesus, ele enfrentou seus acusadores com este desafio: "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela." Feridos em sua consciência, aqueles hipócritas culpados foram se retirando, um a um, e, quando Jesus ergueu a cabeça, perguntou à mulher: "Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?" Ela respondeu: "Ninguém, Senhor." ¶
E disse-lhe Jesus: "Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais." (João 8:7, 10-11.) ¶
O verdadeiro perdão não pode ser parcial nem meio hesitante. Deve ser total, genuíno e sem reservas. "A alma mesquinha não conhece a glória divina de perdoar," disse alguém. ¶
Gosto da história de perdão total e completo relatada pelo diretor de uma penitenciária do oeste dos Estados Unidos. Um amigo seu, por acaso, estava sentado num vagão de trem ao lado de um jovem que estava visivelmente deprimido. Por fim, o jovem revelou que era um condenado que voltava de uma prisão distante. Sua prisão trouxera vergonha à sua família, e eles não o haviam visitado nem escrito com frequência. Ele esperava, contudo, que isso fosse apenas porque eram pobres demais para viajar, e sem instrução suficiente para escrever. ¶
Ele também esperava, apesar das evidências, que o tivessem perdoado. ¶
Para facilitar as coisas para eles, contudo, ele lhes havia escrito pedindo que erguessem um sinal para ele quando o trem passasse por sua pequena chácara nos arredores da cidade. Se sua família o tivesse perdoado, deveriam pendurar uma fita branca na grande macieira perto dos trilhos. Se não o quisessem de volta, não fariam nada, e ele permaneceria no trem, seguiria para o oeste e provavelmente se tornaria um vagabundo. À medida que o trem se aproximava de sua casa, sua ansiedade tornou-se tão grande que ele não suportava olhar pela janela. Seu companheiro trocou de lugar com ele e disse que ficaria de olho na macieira. Num minuto, pôs a mão no braço do jovem condenado. "Ali está," sussurrou, os olhos brilhando com lágrimas repentinas. ¶
"Está tudo bem. A árvore inteira está branca de fitas." (Reader's Digest, março de 1961.) ¶
A mais magnífica lição já ensinada a respeito do perdão foi dada pelo Salvador. Jesus foi submetido por seus inimigos ao que se considera a forma de morte mais cruel e horrível. A crucificação é excruciantemente dolorosa, com a vítima permanecendo em agonia e tormento crescentes por horas, ou até mesmo dias. Ainda assim, apesar da humilhação e da intensa dor que sofreu na cruz do Calvário, Jesus, com compaixão, em misericórdia divina, orou por seus algozes: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." (Lucas 23:34.) ¶
Agora, com a grande lição do Salvador fresca em nossa memória, que cada um de nós purgue de seu coração qualquer sentimento de ódio, inveja ou amargura, para que possamos, com a consciência tranquila e a mais absoluta confiança, aproximar-nos de nosso Pai Celestial e pedir perdão por nossas falhas e enganos. Por isso oro humildemente, e vos dou meu testemunho de que sei que o evangelho é verdadeiro, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶