Meus Amados Irmãos e Irmãs, Confio...
Joseph Fielding Smith
Meus amados irmãos e irmãs, confio que possa ter a orientação do Espírito do Senhor naquilo que direi. Desejo fazer um apelo aos irmãos portadores do sacerdócio e às irmãs da Igreja para que dediquem um pouco mais de tempo ao estudo e à pesquisa que possam dedicar às obras-padrão da Igreja, e particularmente ao Livro de Mórmon. ¶
Tivemos, há pouco tempo, uma campanha em que pedimos aos membros do sacerdócio que lessem o Livro de Mórmon. Parece-me que, quando conhecemos a história de onde veio o Livro de Mórmon e como veio, nenhum membro desta Igreja poderia se dar por satisfeito sem tê-lo lido do início ao fim — não uma vez, mas muitas vezes. ¶
Ora, há certas organizações religiosas que têm concentrado seu ataque, em grande parte, sobre o Livro de Mórmon. Elas vão aos lares dos membros da Igreja e lhes apontam o que consideram serem erros, alterações ou acréscimos ao que foi dado na primeira publicação. Se alguém já publicou um livro, sabe que a primeira coisa que lhe salta aos olhos assim que sai da gráfica é algum erro evidente. Jamais afirmamos que, no início, não houve alguns erros que o Profeta corrigiu, mas foram muito, muito poucos. Mas algumas dessas queixas ou acusações se referem a determinados textos que aparecem, e, no tempo limitado de que disponho, desejo referir-me a duas dessas acusações. ¶
Tenho agora, sobre minha mesa, uma carta de um homem que parece estar muito perturbado porque, numa conversa com algumas dessas pessoas, disseram-lhe que o Livro de Mórmon não dizia a verdade a respeito do nascimento do Filho de Deus, e que o Livro de Mórmon declarava que o Salvador nasceria em Jerusalém, a terra de seus pais. Ora, o Livro de Mórmon não faz tal afirmação. Vou lê-la para vós. ¶
Alma, ao falar da vinda do Filho de Deus, disse: "E eis que nascerá de Maria, em Jerusalém, que é a terra de nossos antepassados, . . ." (Alma 7:10.) Ora, se ele tivesse dito a cidade de nossos antepassados, faria diferença, não faria? Pois bem, não nasceu Jesus na terra de Jerusalém, sendo Jerusalém a capital? ¶
Alma não disse que ele nasceria na cidade de Jerusalém, mas na terra sobre a qual Jerusalém era a capital. ¶
Mas fazem disso um grande escândalo, e algumas de nossas pessoas parecem incapazes de se defender. Ora, "em" (no original inglês, "at") não significa necessariamente "dentro de" ("in"). Poderíeis ler no jornal, se estivésseis na Grã-Bretanha, que certo navio chegou a Londres, quando na verdade não chegou — atracou em Southampton, o porto de Londres, que fica a muitas milhas de distância. Não há erro algum nesta afirmação. Jesus nasceu na terra de Jerusalém, a terra de seus antepassados. Isso é tudo quanto a isso. ¶
A outra acusação que desejo mencionar é a declaração de Abinádi, e uma declaração semelhante ocorre em outros lugares, de que Jesus Cristo é, para nós, tanto Pai quanto Filho. ¶
"E então Abinádi lhes disse: Quisera que compreendêsseis que o próprio Deus descerá entre os filhos dos homens e redimirá seu povo. E porque ele habita na carne, será chamado o Filho de Deus; e havendo sujeitado a carne à vontade do Pai, sendo o Pai e o Filho — O Pai, porque foi concebido pelo poder de Deus; e o Filho, por causa da carne; tornando-se assim o Pai e o Filho —" (Mosias 15:1-3.) O que há de errado nesta escritura? ¶
O que é um pai? Aquele que gera, ou que dá vida. O que fez nosso Salvador? ¶
Ele nos gerou, ou nos deu vida a partir da morte, como claramente exposto por Jacó, o irmão de Néfi. Se não fosse pela morte de nosso Salvador, Jesus Cristo, o espírito e o corpo jamais teriam sido novamente unidos. A morte teria sido inevitável e, como afirma Jacó — não tomarei tempo para procurar e ler a passagem — se não houvesse redenção da morte, nossos espíritos teriam sido levados cativos por Satanás, e nos teríamos tornado sujeitos à vontade de Satanás para sempre. ¶
O que fez nosso Salvador? Ele nos gerou nesse sentido. Tornou-se um pai para nós, porque nos deu a imortalidade, ou a vida eterna, por meio de sua morte e sacrifício na cruz. Penso que temos todo o direito de nos referir a ele como Pai. ¶
O Rei Mosias colocou seu povo sob convênio de tomar sobre si o nome de Cristo. E isto foi 124 anos antes do nascimento de Cristo. Quero ler um ou dois versículos deste compromisso. ¶
"E agora, por causa do convênio que fizestes, sereis chamados progênie de Cristo, filhos e filhas dele, porque eis que neste dia ele vos gerou espiritualmente; pois dizeis que vosso coração se transformou pela fé em seu nome; portanto, nascestes dele e vos tornastes seus filhos e suas filhas [espiritualmente]." (Mosias 5:7.) Há algo de errado em chamarmos Jesus Cristo de nosso Pai espiritual? ¶
"E sob esse nome," disse este maravilhoso rei, "vós sois libertados e não há qualquer outro nome por meio do qual podeis ser libertados. Não há qualquer outro nome pelo qual seja concedida a salvação; quisera, portanto, que tomásseis sobre vós o nome de Cristo, todos vós que haveis feito convênio com Deus de serdes obedientes até o fim de vossa vida. E acontecerá que aquele que fizer isto se encontrará à mão direita de Deus, porque saberá o nome pelo qual é chamado; porque será chamado pelo nome de Cristo. E então acontecerá que aquele que não tomar sobre si o nome de Cristo deverá ser chamado por algum outro nome; portanto, se encontrará à mão esquerda de Deus." (Idem, 5:8-10.) O Filho de Deus tem todo o direito de nos chamar de Seus filhos, gerados espiritualmente, e nós temos todo o direito de considerá-lo nosso pai, que nos gerou espiritualmente. ¶
Ora, se estes críticos lessem cuidadosamente o Livro de Mórmon, veriam que, quando o Salvador veio e visitou os nefitas, disse-lhes que fora enviado por Seu Pai. Ajoelhou-se diante deles e orou a Seu Pai. Ensinou-lhes a orar a Seu Pai, mas isso não diminuiu em nada nosso dever e responsabilidade de considerar o Filho de Deus como um pai para nós, porque ele nos gerou espiritualmente. ¶
Que o Senhor vos abençoe, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶