Meus Caros Irmãos e Irmãs, Quão Grato...
Robert L. Simpson
Meus caros irmãos e irmãs, quão grato estou por esta oportunidade de participar desta gloriosa conferência. Não me lembro de quando senti um derramamento mais generoso do espírito de nosso Pai Celestial. Não seria maravilhoso se os problemas e as diferenças do mundo pudessem ser resolvidos e decididos sob um sentimento de unidade e calor humano como o que encontramos aqui esta manhã? Oro a meu Pai Celestial para que as expressões destes poucos minutos sejam um reflexo direto do testemunho que sinto em meu coração. ¶
Viver nesta era do jato, de ritmo e desafios acelerados, leva-nos a uma séria reflexão sobre algumas questões fundamentais. Poderíamos fazer a nós mesmos algumas perguntas básicas; por exemplo: "Como podem o tempo e a energia preciosos ser gastos da maneira mais proveitosa?" "O que vem primeiro?" "A que devemos voltar nossa mão em seguida?" "Um Pai amoroso realmente habita nos céus?" Estas perguntas de suma importância têm sido feitas por praticamente toda pessoa que já viveu. Às vezes, evitamos dedicar-nos à direção que a razão comum nos diz ser correta, até que uma circunstância force a questão. Jamais esquecerei uma experiência instigante que me ocorreu no início da Segunda Guerra Mundial, e gostaria de compartilhá-la convosco brevemente: ¶
O Império Britânico acabara de declarar guerra às potências do Eixo. Naquela época, eu era missionário na distante Nova Zelândia, e aquele país estava ocupado em se ajustar ao regime de guerra. Vários projetos foram lançados pelo governo, na tentativa de fazer o povo perceber a seriedade de sua situação. Numa bela manhã, eu caminhava com meu companheiro pela rua principal da maior cidade da Nova Zelândia, quando nossa atenção foi capturada por um grupo de bombardeiros voando baixo, aproximando-se rapidamente sobre a cidade. Suas marcações eram indistintas, e pensamos: "Será que este é o inimigo?" Naquele exato momento, os compartimentos de bombas começaram a se abrir. Foi uma visão muito sinistra. Então, o que pareciam ser bombas foi liberado dos compartimentos, e todos ficaram paralisados. Todos ficaram atônitos e muito aliviados ao ver que essas suposta-bombas se desfaziam em milhares de panfletos, esvoaçando sobre a cidade. ¶
Por ser alto, fui um dos primeiros a alcançar um panfleto que caía e, focalizando-o rapidamente, meu companheiro e eu lemos esta mensagem breve, mas surpreendente: ¶
"Se isto fosse uma bomba, onde estaríeis?" Ora, irmãos e irmãs, podeis ter certeza de que nossos pensamentos foram muito sérios naquela ocasião, e quero dizer-vos que o evangelho de Jesus Cristo e sua importância para a humanidade pareceram sobressair-se acima de tudo o mais. ¶
O evangelho, tal como estabelecido pelo Salvador do mundo, jamais teve a intenção de ser, em qualquer grau, confuso, pois ele é o autor da verdade e da luz. Nosso Pai Celestial tem apenas um desejo, que é que o maior número possível de Seus filhos regresse à Sua presença. ¶
Sabeis, eu tinha um conhecido nos negócios, e ele uma vez se queixou de que, para ele, a religião se tornara uma massa de confusão. Disse que o caminho logo à frente estava coberto de uma névoa espessa — que os objetivos claros que lhe pareciam tão nítidos e discerníveis em sua infância agora pareciam obscuros e questionáveis. Ele estava perdendo a fé! Estava sozinho! ¶
Frequentemente perdemos de vista os objetivos básicos, à medida que lutamos contra o adversário neste reino mortal de existência. Nada lhe agradaria mais do que nos ver distraídos em nossas tentativas de retornar à presença de nosso Pai Celestial, e tal era a situação aflitiva de meu amigo. ¶
Frequentemente ouvimos as pessoas dizerem: "Não consigo ver a floresta por causa das árvores." Quão importante é subirmos, de tempos em tempos, a um ponto de observação, acima da névoa a que meu amigo se referiu; ali para verificar a direção e a posição relativa; ali para decidir sobre as coisas de maior importância; ali para reavaliar nossos objetivos. ¶
O Senhor deu a chave a todos os homens há quase dois mil anos, quando disse: ¶
"Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele, comigo. Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono." (Apocalipse 3:20-21.) ¶
Quão gratos deveríamos estar por termos esta chave para viver. Quão gratos deveríamos estar por, ao enfrentarmos a tremenda tarefa de vencer as imperfeições da mortalidade, ele nos garantir sua presença e ajuda sustentadora; mas não sem uma estipulação muito importante: que o incentivo deve vir de nós, pois lembrai-vos de que ele disse: "Eis que estou à porta, e bato." Em outras palavras, ele está sempre ali, pronto para entrar, pronto para estar conosco, mas nós, com demasiada frequência, deixamos de reconhecer a batida. ¶
Como pode qualquer homem olhar para os céus e testemunhar a ordem de suas criações, sem ouvir aquela batida? ¶
Como pode alguém testemunhar as maravilhas desta era eletrônica e nuclear sem ouvir a batida? Como podemos participar das maravilhas reveladas da medicina sem de fato saber que Sua misericórdia e Seu amor se estendem a todos os homens? ¶
Ele prossegue dizendo: ". . . se alguém ouvir a minha voz," — não apenas algum grupo especial e seleto de homens, mas "alguém," qualquer um ou todos entre os mais de três bilhões que vivem na face da terra podem aceitar livremente este convite. ¶
". . . se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, . . ." O que devemos fazer? Cabe a nós abrir a porta! Ele bate; nós reconhecemos sua voz; e então abrimos a porta. ¶
Não é plano do Senhor impor Sua vontade a ninguém. Holman Hunt, o artista, sentiu-se inspirado a capturar esta comovente escritura na tela. Certo dia, ele mostrava seu quadro "Cristo Batendo à Porta" a um amigo, quando este de repente exclamou: "Há algo errado em seu quadro." "O que é?" indagou o artista. "A porta em que Jesus bate não tem maçaneta." "Ah," respondeu o Sr. Hunt, "isto não é um erro. A maçaneta fica por dentro. É de dentro que a porta deve ser aberta. O homem deve tomar a iniciativa." ¶
Sim, irmãos e irmãs, somos fracos; precisamos, sim, de ajuda; precisamos de ajuda para vencer. Para onde devemos nos voltar em busca de força espiritual e moral? Se desejarmos tornar-nos médicos, não hesitamos em buscar médicos qualificados que nos treinem. Se nosso interesse é no campo do direito, voltamo-nos para os que são formados em direito, para nos tornarmos peritos nós mesmos. ¶
Quase todos os homens têm por objetivo a presença de nosso Pai Celestial — então, por que não reconhecer a batida? Por que não buscar Seu conselho e ouvir a voz? Abramos a porta e deixemo-lo entrar. Participemos abundantemente desta única grande fonte de verdade e luz, pois Sua promessa permanece sempre verdadeira: ¶
". . . a quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. Quem vencer herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho." (Apocalipse 21:6-7.) ¶
Depois que abrimos a porta, aceitando graciosamente a ajuda tão necessária a nosso sucesso, o Senhor nos dá outra grande promessa no versículo seguinte, e quão apropriado que ela venha depois de Sua promessa de ajuda, pois é improvável que o homem pudesse jamais alcançar esta promessa por si mesmo. Ele prossegue dizendo: ¶
"Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono." (Idem, 3:21.) Ora, à medida que o Senhor se aproxima de nós em cumprimento de Sua promessa, Seu conselho e orientação serão diretos, claros e inalterados quanto ao tema original que tem sido o próprio cerne de Sua mensagem desde o princípio dos tempos. ¶
Ele nos dirá que nossa vitória pode ser mais bem alcançada em termos do próximo; por exemplo, o sacerdócio foi restaurado em nossos dias. Milhares de portadores do sacerdócio estão aqui esta manhã. ¶
Irmãos, o que podemos fazer por nós mesmos com o sacerdócio? Só fazemos pelo próximo com o sacerdócio. Abençoamos outros, realizamos ordenanças por outros, prestamos serviço a outros. ¶
Tal é a admoestação dada pelo Salvador a toda a humanidade. Mateus registrou as palavras do Salvador da seguinte maneira: ¶
". . . Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:40.) Outro grande profeta, falando deste hemisfério, expressou-o desta maneira: ¶
". . . quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de vosso Deus." (Mosias 2:17.) O egoísmo e a ingratidão são instrumentos de destruição. O mundo civilizado hoje se abala e cambaleia por causa de atitudes egoístas. Gosto da expressão dada num poema que começa: ¶
"Senhor, ajuda-me a viver dia a dia de um modo tão desprendido de mim mesmo que, mesmo quando me ajoelho para orar, minha oração seja pelos outros." ¶
E então conclui: ¶
"Outros, Senhor, sim, outros. Que este seja o meu lema. Ajuda-me a viver para os outros, para que eu possa viver para Ti." ¶
Que possamos nos esforçar constantemente para sermos dignos, dignos das bênçãos de nosso Pai Celestial. Ninguém pode fazê-lo sozinho. Devemos abrir bem a porta; devemos estender o braço da confraternização àqueles que nos cercam, esquecendo-nos de nós mesmos, pensando nos outros, sempre nos outros — não esperando até amanhã, mas hoje — pois quem pode dizer — "Se isto fosse uma bomba, onde estaríeis?" ¶
Irmãos e irmãs, sei que Deus vive. Sei que Jesus é o Cristo. ¶
Esta é Sua obra; os céus foram abertos, e um profeta está, neste dia, para receber revelação para os povos desta terra. Dou-vos esse testemunho. ¶
Que Deus nos conceda a visão de ver claramente o caminho adiante é minha humilde oração, em nome de Seu Filho Jesus Cristo. ¶
Amém. ¶