Presidente McKay e Irmãos, Como o Irmão Lee...
Marion G. Romney
Presidente McKay e irmãos: Como o Irmão Lee mencionou, devo falar por alguns instantes sobre o programa proposto de correlação do sacerdócio. ¶
Por meio de um programa de correlação do sacerdócio, nós, portadores do sacerdócio, devemos aumentar nossos esforços para encorajar, ensinar e inspirar os Santos a se tornarem "participantes da natureza divina," para usar a expressão de Pedro, mediante a obediência aos princípios santificadores do evangelho. ¶
Estamos atuando muito abaixo de nosso potencial nesta questão. O Presidente Joseph F. Smith parece ter vislumbrado o tempo em que o sacerdócio faria muito mais do que tem feito. Em seu discurso de abertura na conferência de abril de 1906, ele disse: ¶
"Esperamos ver o dia, se vivermos o bastante (e, se alguns de nós não vivermos o bastante para vê-lo, haverá outros que o verão), em que todo conselho do sacerdócio em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias compreenderá seu dever; assumirá sua própria responsabilidade, magnificará seu chamado e ocupará seu lugar na Igreja, ao máximo, de acordo com a inteligência e a capacidade que possui. Quando esse dia chegar, não haverá tanta necessidade do trabalho que hoje é feito pelas organizações auxiliares, porque será feito pelos quóruns regulares do sacerdócio. O Senhor o planejou e o compreendeu desde o princípio, e fez provisão na Igreja para que toda necessidade pudesse ser atendida e satisfeita por meio das organizações regulares do sacerdócio. Já se disse, com razão, que a Igreja está perfeitamente organizada. O único problema é que essas organizações não estão plenamente despertas para as obrigações que sobre elas recaem. Quando estiverem completamente despertas para o que delas se exige, cumprirão seus deveres com mais fidelidade, e a obra do Senhor será ainda mais forte, mais poderosa e mais influente no mundo." (Gospel Doctrine, pp. 159-160.) Ora, desde que o Presidente Smith fez esta declaração há cinquenta e seis anos, a Igreja não apenas cresceu em número, mas seus programas e atividades também se multiplicaram. Muitos comitês especiais — do sacerdócio e auxiliares — foram criados e receberam funções específicas. Muitas dessas funções são, por direito, responsabilidade do sacerdócio. A confraternização, por exemplo, e o trabalho com os membros inativos do sacerdócio, tanto Aarônico quanto de Melquisedeque. ¶
Com vistas a correlacionar algumas destas atividades, a Primeira Presidência, em 1960, pediu ao comitê geral do sacerdócio que considerasse o problema e apresentasse um relatório e recomendações. ¶
Em cumprimento a esta designação, catorze estacas representativas foram selecionadas e, desde então, vêm experimentando programas que elas mesmas desenvolveram dentro de certas diretrizes preestabelecidas. Os irmãos têm sido muito cooperativos e criativos nesta obra. A eles expressamos nossa gratidão e agradecimento. Os resultados têm sido animadores. ¶
Seus planos e o material desenvolvido estão agora nas mãos do conselho coordenador de toda a Igreja. Espera-se que um programa seja aperfeiçoado, aprovado e apresentado nas conferências de estaca a cada estaca da Igreja durante a segunda metade de 1963, entrando em vigor em toda a Igreja em janeiro de 1964. ¶
Ora, a correlação do sacerdócio, como estamos usando o termo aqui, contempla tudo o que atualmente é feito no ensino de ala, e muito mais. Ela une, num único empreendimento, muitas atividades. Requer que se dê atenção a cada membro de cada família, particularmente àqueles que precisam de incentivo especial para viver o evangelho. Significa muito mais do que uma visita superficial uma vez por mês. Inclui: ¶
(1) Visitas periódicas a cada família por dois portadores do sacerdócio; (2) Trabalhar com portadores do Sacerdócio de Melquisedeque para desenvolver "forças" espirituais e temporais; (3) Trabalhar com os membros inativos e além da idade do Sacerdócio Aarônico, menores de 21 anos; (4) Ativar e trazer à plena participação na Igreja os membros mais velhos do Sacerdócio Aarônico e suas famílias; (5) Confraternizar e trazer à plena atividade os conversos recentes, os recém-chegados e todos os membros inativos da Igreja; (6) Encorajar todos os pais e demais chefes de família a manter verdadeiros lares de Santos dos Últimos Dias, nos quais se pratiquem e se ensinem os princípios santificadores do evangelho. Visa levar todos os pais a compreender a declaração do Presidente McKay de que "O caráter da criança se forma, em grande parte, durante os primeiros doze anos de vida." ¶
"Calcula-se," disse o Presidente McKay, "que, nesse período, a criança passa dezesseis vezes mais horas acordada em casa do que na escola, e mais de cem vezes mais horas em casa do que na Igreja. Cada criança é, em grande medida, o que é por causa da influência constante do ambiente do lar e da educação cuidadosa ou negligente dos pais. . . ." ¶
Prevê-se que a correlação do sacerdócio incluirá o ensino de ala, a confraternização e a ativação dos portadores inativos do sacerdócio, tanto de Melquisedeque quanto Aarônico. ¶
Será responsabilidade dos dois irmãos que visitam os lares, sob o programa de correlação do sacerdócio, familiarizar-se com a condição espiritual de cada membro de cada família a eles designada. Será responsabilidade deles certificar-se de que as crianças pequenas sejam abençoadas; de que as crianças sejam batizadas aos oito anos de idade; de que os rapazes sejam dignos e qualificados para serem ordenados ao sacerdócio aos 12 anos de idade, e de que sejam de fato ordenados; de que avancem pelos graus do sacerdócio na ordem apropriada; de que os candidatos ao casamento sejam devidamente ensinados quanto à importância e à santidade do casamento no templo e quanto às normas da Igreja que os qualificarão para ele, a fim de que sejam casados no templo. ¶
Será responsabilidade dos dois irmãos visitantes conhecer as atividades da Igreja disponíveis para cada membro da família e incentivá-lo a delas se valer — atividades tais como as reuniões sacramentais, as conferências de estaca e outras atividades de ala e estaca; atividades proporcionadas pelos quóruns do sacerdócio, pelas organizações auxiliares, pelo sistema educacional da Igreja; o trabalho genealógico e do templo, e assim por diante. ¶
Em resumo, espera-se que, por meio da correlação do sacerdócio, seja cumprida a responsabilidade que o Senhor depositou sobre os élderes, sacerdotes e mestres na época em que a Igreja foi organizada. Vós vos lembrareis de que, na revelação registrada na 20ª seção de Doutrina e Convênios, dada em 1830, na época em que a Igreja foi organizada, o Senhor prescreveu os deveres dos élderes, sacerdotes, mestres e diáconos. Ali ele disse: ". . . Um apóstolo é um élder," de modo que presumo que a responsabilidade depositada sobre o élder é sustentada por todo portador do Sacerdócio de Melquisedeque. O Presidente Joseph F. Smith deve ter sido da mesma opinião, pois disse: ¶
"O Irmão Charles W. Penrose tem oitenta e dois anos de idade. Estou perto de completar setenta e seis . . . e quero dizer-vos que não somos velhos demais para servir como mestres, se nos chamardes para isso — nenhum de nós. . . . Enquanto durar a vida, e enquanto possuirmos a capacidade de fazer o bem, de trabalhar na edificação de Sião em benefício da família humana, devemos, com boa vontade, com prontidão, ceder às exigências que nos são feitas para cumprir nosso dever, . . ." (Gospel Doctrine, p. 188.) Alguns pensaram que algumas das instruções dadas na revelação se referiam apenas aos mestres ordenados. Parece, contudo, que a responsabilidade foi depositada sobre todo portador do Sacerdócio de Melquisedeque, e sobre os sacerdotes tanto quanto sobre os mestres. ¶
Pois, na revelação, o Senhor diz que o chamado do élder é ". . . ensinar, explicar, exortar, batizar e zelar pela igreja; . . ." Esta é a responsabilidade do élder (que, como explicado acima, inclui todo portador do Sacerdócio de Melquisedeque). Então o Senhor diz que é dever do sacerdote ajudá-lo em certas atividades — não todo o âmbito da responsabilidade do élder, mas diz que é dever do sacerdote ". . . visitar a casa de cada membro e exortá-los a orar em voz alta e em segredo e a cumprir todas as obrigações familiares, . . . E deve dirigir as reuniões quando não houver élder presente; . . ." ¶
E então ele repete: "E visitar a casa de cada membro, exortando-os a orar em voz alta e em segredo e a cumprir todas as obrigações familiares. Em todos esses deveres, o sacerdote deve assistir o élder. . . ." ¶
E então o dever do mestre é ajudar também, mas não num âmbito tão amplo quanto o do sacerdote; porém, "o dever do mestre é zelar sempre pela igreja, estar com os membros e fortalecê-los; e certificar-se que não haja iniquidade na igreja nem aspereza entre uns e outros nem mentiras, maledicências ou calúnias; e certificar-se que a igreja se reúna amiúde e também certificar-se que todos os membros cumpram seus deveres." (Ver D&C 20:38, 42, 47, 49, 51-55.) Esperamos desenvolver, nesta correlação do sacerdócio, um programa por meio do qual todas estas responsabilidades sejam cumpridas. ¶
Quando tivermos assegurado que todo membro da Igreja cumpra seu dever, cremos que poderemos estar aprovados diante do Senhor. ¶
Este é um empreendimento tremendo. Exigirá o treinamento de instrutores. Exigirá uma nova determinação. Significará que todo portador do sacerdócio terá de ser um homem de coragem. Alguém já disse que o homem corajoso encontra um caminho, e o homem comum encontra uma desculpa. Nenhum homem que possui o sacerdócio deseja ser apenas um homem comum. ¶
"Portanto, agora, que todo homem aprenda o seu dever e a agir no ofício para o qual for designado, com toda a diligência. Aquele que for preguiçoso não será considerado digno de permanecer; e o que não aprender seu dever e não mostrar ter sido aprovado não será considerado digno de permanecer. . . ." (Idem, 107:99-100.) E novamente: ¶
"Portanto, [diz o Senhor] alegrai-vos e rejubilai-vos e cingi os lombos e tomai sobre vós toda a minha armadura, para que possais resistir no dia mau, havendo feito tudo, a fim de subsistirdes. Estai, pois, firmes, tendo cingidos os lombos com a verdade, tendo vestida a couraça da retidão e calçados os pés com a preparação do evangelho da paz, o qual, para vos confiar, enviei meus anjos; tomando o escudo da fé com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados dos iníquos; e tomai o capacete da salvação e a espada de meu Espírito, que derramarei sobre vós, e minha palavra, que vos revelo; e concordai acerca de todas as coisas que me pedirdes; e sede fiéis até que eu venha e sereis arrebatados, para que onde eu estiver estejais vós também. . . ." (Idem, 27:15-18.) Em nome de Jesus. Amém. ¶