Pulpit

Estou Feliz em Vos Saudar, Santos dos Últimos Dias...

Legrand Richards

1962 April General Conference·Second Day Morning Meeting·1962-04-07

Estou feliz em vos saudar, Santos dos Últimos Dias, nesta manhã, reunidos nesta grande conferência da Igreja, e a todos os que estão ouvindo pelo rádio e pela televisão. Agradeço ao Senhor, acima de todas as outras coisas em minha vida, por minha condição de membro desta Igreja e por minha associação com os Santos dos Últimos Dias.

Ontem, em seu discurso profundamente inspirador, o Presidente McKay relatou alguns dos episódios relacionados à organização da Igreja há 132 anos, e citou uma revelação dada pelo Senhor ao Profeta Joseph Smith mais de um ano antes de a Igreja ser organizada, na qual o Senhor disse que uma obra maravilhosa estava prestes a surgir entre os filhos dos homens.

Quem dera o mundo pudesse compreender o que é essa obra maravilhosa e onde poderia aprender a respeito dela. Não se lê a esse respeito nos jornais. O Presidente McKay relatou muitas das coisas maravilhosas que ocorreram no mundo, mas temos de recorrer às escrituras e às palavras dos profetas para aprender o que é essa obra maravilhosa.

Isaías viu a mesma coisa que se cumpriria em nossos dias, quando disse:

". . . Pois que este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, porém o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído;

"Portanto, eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro, porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá."

(Isaías 29:13-14.) Quando o Senhor indicou que faria uma obra maravilhosa e um assombro, se ela era maravilhosa e assombrosa aos Seus olhos, o que seria aos olhos do mundo, se este apenas a compreendesse?

Há tantas outras profecias, como a de Daniel em sua interpretação do sonho do rei Nabucodonosor, na qual o Senhor indicou que, nos últimos dias — e vivemos nos últimos dias —, estabeleceria Seu reino na terra, para nunca mais ser derrubado ou entregue a outro povo. Nunca, na história do mundo, foi estabelecido um reino assim, com a promessa de que jamais seria derrubado ou entregue a outro povo, mas Daniel disse que ele rolaria avante como uma pequena pedra cortada do monte sem auxílio de mãos, até tornar-se uma grande montanha e encher toda a terra. (Ver Daniel 2.) Quando ouvimos como esta obra se espalha pelo mundo, não podemos deixar de perceber que esta é aquela obra maravilhosa e assombrosa, apenas descrita em termos diferentes por Daniel, em comparação com a que Isaías nos relata, e Isaías disse que a sabedoria dos sábios pereceria, e o entendimento dos prudentes se esconderia, porque não podem entender nem compreender, assim como não puderam entender nem compreender a obra que Jesus estabeleceu quando esteve aqui na terra, e por isso o crucificaram. Lembrai-vos de que ele disse: ". . . Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. . . ."

(Lucas 23:34.) Temos muitas outras profecias.

Isaías disse que o Senhor havia anunciado o fim desde o princípio. (Ver ibidem, 46:10.) Ele disse: "Seca-se a erva, e caem as flores, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente." (Ibidem, 40:8.) Onde aprendemos a palavra de nosso Deus? Lemos nas escrituras as palavras do Profeta Amós, que diz: "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." (Amós 3:7.) De modo que, se o Senhor algum dia se dispusesse a cumprir as promessas feitas ao Profeta Joseph Smith, a Isaías e a Daniel, então teríamos de buscar essa obra encabeçada por um profeta, porque Deus não poderia realizar, segundo Seu plano e propósitos, a obra que decretou realizar, sem um profeta.

Graças a Deus pelos profetas desta dispensação.

Lembrai-vos de como Jesus disse que o povo de seus dias crucificava os profetas vivos, mas decorava os túmulos dos profetas mortos. E a história hoje simplesmente se repete. Assim, voltamo-nos para os profetas vivos, para aprender a respeito desta obra maravilhosa e assombrosa que o Senhor prometeu realizar, e para aprender a respeito do reino que o Senhor prometeu estabelecer nos últimos dias.

Sabemos que esta Igreja é o cumprimento dessas mesmas profecias, e de muitas, muitas outras, relacionadas a esta obra maravilhosa que Deus disse que estabeleceria nos últimos dias, e quisera nós que todos os homens, em toda parte, soubessem como nós sabemos, e testificamos disso, e essa é a razão do grande programa missionário da Igreja, no qual temos cerca de 11.000 de nossos jovens e jovens senhoras espalhados pelo mundo, sem pensamento algum de ganho terreno, apenas com o desejo de compartilhar com os povos do mundo as maravilhosas verdades do evangelho.

Convertemos, há pouco tempo, um banqueiro muito proeminente, e quando compareci a uma das conferências em que ele estava presente, perguntei-lhe se gostaria de dizer algumas palavras na conferência. Ele se levantou e disse mais ou menos isto: "O mormonismo não é apenas uma religião; é um modo de vida." E por que não haveria de sê-lo? Não é apenas uma religião de domingo. É uma religião que penetra em nossa vida, de tal modo que a primeira coisa na vida de um Santo dos Últimos Dias é servir ao Senhor e honrar Seu sacerdócio, em que cada homem pode portar o sacerdócio de Deus e ajudar a edificar o reino de Deus na terra. Agradeço ao Senhor por uma Igreja assim.

Lembrai-vos da história de quando um dos irmãos foi perguntado qual era o seu ofício, e ele respondeu: "Meu ofício, senhor, é servir ao Senhor. Conserto sapatos para viver." Pois bem, é assim que os Santos dos Últimos Dias sentem. Nosso ofício é servir ao Senhor, e depois consertamos sapatos para viver.

Há pouco tempo, e muitos de vós talvez estejais familiarizados com isto, um ministro muito proeminente proferiu um discurso no que se chamava a Semana Nacional da Fraternidade, e falou sobre os mórmons. Ele discutia os méritos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e depois de admitir que sempre tivera uma ideia muito errônea sobre os mórmons, fez esta declaração: "Quais são as coisas de que gosto nos mórmons?" Então enumera algumas delas, uma a uma, e indica que se trata de um modo de vida; por exemplo, diz ele, seu primeiro pensamento é uma clara declaração de fé, uma declaração de fé que os jovens podem apreender, compreendendo o que ela é. Depois menciona e discute alguns de seus ensinamentos, tais como o progresso eterno. Que verdade maravilhosa esta Igreja revelou ao mundo! A revelação ocorrendo hoje. Que mundo seria este se todos cressem nas revelações de Deus em nossos dias!

E então ele fala do casamento eterno. Não é estranho que, sendo esse princípio ensinado tão claramente nas Santas Escrituras, sejamos a única Igreja que o ensina? Todas as outras igrejas realizam seus casamentos "até que a morte os separe". Sei que há alguns ministros que gostariam de realizar seus casamentos para a eternidade, pois já conversei com eles. Não tenho tempo esta manhã para vos contar dessas experiências, mas um de nossos rapazes mórmons estava se casando no sul da Califórnia há alguns anos. Ele se casava com alguém de fora da Igreja, e o ministro dela realizaria a cerimônia. Conversando antecipadamente com o jovem casal, o ministro disse: "Ora, se há algo especial que gostaríeis que eu dissesse ao realizar a cerimônia, se mo indicardes, terei prazer em dizê-lo." Este jovem rapaz mórmon falou e disse: "Reverendo, quando nos pronunciar marido e mulher, se o senhor o fizer para o tempo e para a eternidade, certamente me fará feliz." O ministro ergueu a cabeça e disse: "Não é este um pensamento belo? Por que não nos casamos todos assim?" Todos nos casaríamos assim se vivêssemos corretamente, e se compreendêssemos a verdade eterna de Deus, quando disse que não era bom que o homem estivesse só, e lhe deu uma auxiliadora ainda antes de a morte entrar neste mundo. Por meio da expiação de Cristo, seremos restaurados à condição anterior do homem. Se não era bom que o homem estivesse só antes de a morte entrar no mundo, também não será bom que o homem esteja só quando não houver mais morte.

Para nós, que compreendemos este princípio, não conseguimos entender por que o mundo não pode crer, quando ele é ensinado tão claramente. Eu poderia falar-vos de outros ministros que me admitiram acreditar que o casamento eterno é um princípio das escrituras, mas que não têm permissão de ensiná-lo em suas próprias igrejas.

Então este ministro disse, ao mencionar essas coisas: "Mas será essa fé má?" Será mau crer no progresso eterno? Será mau crer na revelação? Será mau crer na duração eterna do convênio do casamento?

Depois ele acrescenta: "A segunda coisa de que gosto neles é que têm um modo de vida. Sua religião penetra imediatamente em sua vida." Depois discute nossa atitude para com o trabalho, para com a aceitação de ajuda do governo, e nossos padrões de vida necessários para nos prepararmos a servir na Igreja, e então diz: "Não sei se é por causa desse modo de vida ao qual sua religião está tão intimamente ligada, ou não, mas eles são talvez o povo mais saudável do mundo. Durante a guerra, em Utah encontraram-se mais pessoas, ou homens, aptos para o serviço militar do que em qualquer outro estado dos Estados Unidos." Depois afirma: "Utah é o primeiro estado dos Estados Unidos em educação, e talvez o melhor do mundo."

Se temos o que afirmamos ter, uma obra maravilhosa e um assombro, não deveria isso inspirar-nos, como povo, a viver de acordo com seus padrões? Não é nada além do que Jesus disse, que devíamos deixar brilhar assim nossa luz diante dos homens, para que eles, vendo nossas boas obras, glorificassem nosso Pai, que está nos céus. (Ver Mateus 5:16.) Depois este homem diz: "A terceira coisa de que gosto na fé mórmon é que é uma religião centrada na família. Esta religião centrada na família começa com orações familiares de manhã, orações familiares à noite, e nenhum alimento é comido sem que seja abençoado. Toda a família vai à Igreja, conduzida pelo pai e pela mãe." Entrevistei um jovem para sua missão há pouco tempo, no sul de Utah, e ele havia acabado de voltar de dezoito meses num acampamento militar na Alemanha. Ele disse: "Nós, rapazes mórmons, fomos ao Capelão-Chefe para ver se poderíamos obter permissão de realizar nossas reuniões na capela do governo, e ele disse: 'Bem, gostaríamos de acomodar-vos, mas ela está em uso tão constante que não podemos fazer isso. Há uma sala de aula no porão; podeis usá-la,' " e então ele pediu um relatório de presença nas reuniões, e quando o primeiro relatório foi entregue, o capelão disse: "Nossa, deveis ter muitos rapazes mórmons nesta base." Foi-lhe dito que eram trinta e cinco. Ele balançou a cabeça e disse: "Não consigo acreditar. Como o conseguis?

Tendes mais rapazes frequentando vossas reuniões do que eu tenho frequentando as minhas, e eu tenho cinco mil rapazes protestantes sob minha supervisão." Ora, quando trinta e cinco rapazes mórmons, longe de seus lares, de seus entes queridos, de seus bispos e de suas namoradas, conseguem um índice de frequência à igreja melhor do que cinco mil rapazes protestantes, isso não vos diz algo sobre o poder espiritual que existe nesta Igreja, que os conduz à casa de adoração?

Contei esta história na Califórnia, e um dos irmãos ali disse: "Fui criado numa das maiores igrejas de São Francisco. Tínhamos um belo edifício. Tínhamos mais de dez mil membros, e nossa frequência média era inferior a cem." Segundo nossas estatísticas, teríamos, com esse número de membros, uma frequência média de três mil e seiscentas pessoas nas reuniões.

Depois este ministro fala sobre a noite familiar e sobre a confraternização na Igreja e o programa da juventude, sobre como eles convivem uns com os outros. Ouvi um ministro no rádio, na Califórnia, fazer esta declaração: "O que precisamos é de uma igreja para a juventude desta terra. Temos pregado aos idosos e deixado que os jovens vão para o diabo." Ele disse: "É por isso que nossas igrejas estão vazias hoje."

Um ministro, falando pelo rádio em Los Angeles, mantinha uma caixa de perguntas e respostas, e certa noite a primeira pergunta feita foi: "Que igreja está fazendo mais pelos seus jovens?"

E sua resposta foi: "A Igreja Mórmon," e então ele explicou nossos padrões de vida e o que a Igreja fazia por seus jovens, e temos recebido muitos comentários como esse. Depois ele falou sobre nossa preparação de nossos jovens para o casamento.

Não há tempo para discutir mais os comentários deste ministro sobre o que ele gosta nos mórmons. Discuti apenas três, e são sete, de modo que vou pular os demais. Mas chego agora ao sétimo, em que ele fala do serviço na Igreja. Ele tomou como ilustração um presidente de estaca, e sabia tudo a respeito dele. Vivia numa de nossas comunidades, e ele contou o número de reuniões que realizava, o número de quilômetros que percorria — e alguns deles percorrem grandes distâncias — e depois de discutir isso, e ele poderia igualmente ter discutido os bispos também, disse: "Eles cuidam de seus membros." E então acrescenta: "A menos que os leigos da igreja retomem sua responsabilidade, não creio que a igreja protestante tenha futuro."

Gostaria de ler algumas declarações, para encerrar, de conversos recentes à Igreja que recebi nos últimos dias. Só tenho tempo para ler uma, e é de um ministro aposentado — ele não estava aposentado quando o convertemos — creio que ele possa estar nesta audiência hoje de manhã. Copiei isto de uma carta com menos de trinta dias: "Meu testemunho cresce e cresce.

Onde antes éramos cegos, agora vemos."

Não seria maravilhoso se todo o mundo pudesse ver e sair das trevas, como disse Pedro, para a sua maravilhosa luz, e nós a temos para oferecer, e convidamos todos os homens, em toda parte, a ouvirem nossa mensagem, e sempre digo que não há homem honesto nem mulher honesta neste mundo que realmente ame o Senhor e que não se filiasse a esta Igreja, se soubesse o que ela é.

Depois este converso acrescenta: "Nunca conhecemos um amor como o que agora temos uns pelos outros e por todos os demais. Alguns de nossos antigos amigos dizem que nunca antes testemunharam uma mudança como a que se operou em nós."

Meu tempo terminou. Que Deus nos abençoe, irmãos e irmãs, e nos ajude a prosseguir na grande incumbência que é nossa, e a testificar da verdade, para que o mundo possa compartilhar conosco desta obra maravilhosa e assombrosa; assim oro, e deixo minha bênção convosco, boa gente, em nome do Senhor Jesus Cristo.

Amém.

Como citar este discursoLegrand Richards, “Estou Feliz em Vos Saudar, Santos dos Últimos Dias...”, 1962 April General Conference, Second Day Morning Meeting (1962-04-07). Pulpit Vault, 1962-04-richards-i-am-happy-to-greet-you-latterday. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).