Pulpit

Como Distinguir o Verdadeiro Sacerdócio das Falsificações de Satanás

Marion G. Romney

1960 October General Conference·General Priesthood Meeting·1960-10-08

Meus irmãos, esta é uma grande audiência.

Pode ser a Reunião Geral do Sacerdócio de maior comparecimento que já realizamos.

Tentei preparar-me para isto, minha primeira designação em uma reunião como esta, mas tenho certeza de que, se disser algo que valha a pena, será pela ajuda do Senhor.

Peço-vos, portanto, que me deis parte em vossa fé e em vossas orações.

Para meu texto, escolhi o versículo 43 da Seção 84 de Doutrina e Convênios. Ele diz: "E agora vos dou o mandamento de que vos acauteleis a respeito de vós mesmos, de que deis ouvidos diligentemente às palavras de vida eterna." Como base, lerei alguns versículos que, na revelação, precedem o texto.

Na parte inicial da revelação, o Senhor, falando do Sacerdócio de Melquisedeque, diz: "Sacerdócio esse que continua na igreja de Deus em todas as gerações e que não tem princípio de dias nem fim de anos."

"E o Senhor também confirmou um sacerdócio sobre Aarão e sua semente, através de todas as suas gerações, sacerdócio esse que também continua e permanece para sempre com o sacerdócio que é segundo a mais santa ordem de Deus." (D&C 84:17-18.) Tal é a natureza do Sacerdócio que portamos.

"E esse sacerdócio maior administra o evangelho e contém a chave dos mistérios do reino, sim, a chave do conhecimento de Deus."

"Portanto, em suas ordenanças manifesta-se o poder da divindade."

"E sem suas ordenanças e a autoridade do sacerdócio, o poder da divindade não se manifesta aos homens na carne." (D&C 84:19-21.) E agora vou pular alguns versículos e ler o convênio que pertence ao Sacerdócio.

"Pois aqueles que forem fiéis de modo a obter estes dois sacerdócios de que falei e a magnificar seu chamado serão santificados pelo Espírito para a renovação do corpo."

"Tornam-se os filhos de Moisés e de Aarão e a semente de Abraão; e a igreja e reino e os eleitos de Deus." (D&C 84:33-34.) O Profeta Joseph Smith costumava exortar repetidamente os irmãos a tornar segura a sua vocação e eleição. Não há outra forma de fazer isso senão recebendo o Sacerdócio e magnificando-o.

Mas, para continuar com a revelação:

"E também todos os que recebem esse sacerdócio a mim me recebem, diz o Senhor; e aquele que recebe os meus servos, a mim me recebe." (D&C 84:35-36.) Esta afirmação merece destaque.

"Aquele que recebe os meus servos, a mim me recebe." Quem são os seus servos?

São seus representantes nos ofícios do Sacerdócio — os oficiais Gerais, de Estaca, de Quórum do Sacerdócio e de Ala. Convém-nos ter isso em mente quando somos tentados a desconsiderar nossas autoridades presidentes, bispos, presidentes de quórum e de estaca, etc., quando, dentro da jurisdição de seus chamados, nos dão conselho e orientação. Lembrai-vos de que o Senhor Jesus disse:

"Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:40.) "Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta." (Mateus 10:41.) Mas, voltando ao convênio do Sacerdócio: "E aquele que me recebe a mim, recebe a meu Pai; e aquele que recebe a meu Pai, recebe o reino de meu Pai; portanto, tudo o que meu Pai possui ser-lhe-á dado."

"E isto está de acordo com o juramento e convênio que pertencem ao sacerdócio."

"Portanto, todos os que recebem o sacerdócio recebem esse juramento e convênio de meu Pai, que ele não pode quebrar nem pode ser removido." (D&C 84:37-40.) Sinto-me tentado a comentar longamente este convênio, mas, como não é o cerne de minha mensagem, direi apenas que, como o entendo, todos nós que recebemos o Sacerdócio de Melquisedeque entramos em um acordo com nosso Pai Celestial de magnificá-lo. Sob a condição de que o magnifiquemos, o Pai se compromete a nos tornar iguais a ele, no sentido de que "tudo o que meu Pai possui ser-lhe-á dado. . . . Mas aquele que quebrar esse convênio após tê-lo recebido e desviar-se dele totalmente não receberá perdão dos pecados neste mundo nem no mundo vindouro." (D&C 84:38, 41.) Quando comecei a pensar seriamente nessa declaração, indaguei-me se não teria sido melhor para mim nunca ter recebido o Sacerdócio, se o fato de não o magnificar significasse que eu jamais receberia perdão neste mundo nem no mundo vindouro. Então comecei a pensar no versículo seguinte, que diz: "E ai de todos os que recusam esse sacerdócio." (D&C 84:42.) Por fim, cheguei à conclusão de que me encontrava entre os cornos de um dilema, e que minha única esperança era receber e magnificar o Sacerdócio.

Tal é o pano de fundo de nosso texto:

"E agora vos dou (portadores do Sacerdócio) o mandamento de que vos acauteleis a respeito de vós mesmos, de que deis ouvidos diligentemente às palavras de vida eterna."

"Porque vivereis de toda palavra que sai da boca de Deus." (D&C 84:43-44.) Ora, por que devemos acautelar-nos a respeito de nós mesmos? Devemos acautelar-nos a respeito de nós mesmos porque tem sido, e sempre foi, objetivo de Satanás destruir o Sacerdócio de Deus. Já desde a guerra nos céus, ele procurou usurpar o poder do Sacerdócio. Como resultado do conflito que ali provocou, foi expulso do céu. Ele teve de ser expulso. Não poderia haver paz nos céus enquanto não fosse expulso.

O banimento do céu, contudo, não pôs fim a seu ataque ao Sacerdócio de Deus. No Jardim do Éden, procurou enganar Adão. E continuou seu propósito diabólico após a queda. Quando Adão e Eva receberam o Evangelho e o ensinaram a seus filhos, Satanás veio entre eles e disse:

"Não creiam . . . e eles amaram Satanás mais que a Deus. E os homens começaram, daquele tempo em diante, a ser carnais, sensuais e diabólicos." (Moisés 5:13.) Quando "a presença de Deus apartou-se de Moisés", após a grande revelação que Ele lhe deu de si mesmo, Moisés nos conta que "Satanás veio tentá-lo, dizendo: Moisés, filho de homem . . .

Eu sou o Unigênito; adora-me."

(Moisés 1:9, 12, 19.) Ele procurou enganar até o Salvador.

Todos vos lembrareis de como ele tentou Jesus no deserto, no pináculo do templo e no alto monte.

Satanás tem procurado, em todas as eras, enganar os filhos de Deus que receberam o Sacerdócio. E não tem sido totalmente malsucedido, pois em todas as dispensações passadas ele finalmente conseguiu enganá-los a ponto de expulsar o Sacerdócio da Terra.

Ora, sabemos que ele não expulsará o Sacerdócio da Terra nesta dispensação, porque o Senhor disse que ele permanecerá aqui até que o Salvador venha.

Mas não há garantia de que ele não engane muitos homens que portam o Sacerdócio. O Salvador, falando destes dias em que vivemos, disse: "Porque nesses dias surgirão também falsos Cristos, e falsos profetas; e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível, enganarão até os eleitos, que são os eleitos de acordo com o convênio" (o convênio do evangelho e do Sacerdócio).

(Joseph Smith 1:22.) No que diz respeito à guerra de Satanás contra o Sacerdócio, ele não está fazendo exceção alguma nesta última dispensação.

Seu objetivo continua sendo enganar a todos nós que puder, e expulsar o Sacerdócio da Terra. Satanás é muito real.

Seu poder é muito real. Sua influência é sentida em toda parte. Ele literalmente ronda a Terra. "Os poderes das trevas prevalecem na Terra . . . e eis que o inimigo está reunido." (D&C 38:11, 12.) Sem dúvida ouvistes o que o Presidente McKay disse em seu discurso de abertura ontem pela manhã sobre o poder do Maligno ao tentar enganar os homens e privá-los de seu arbítrio. O livre-arbítrio é o princípio contra o qual Satanás travou sua guerra nos céus. Ainda é a frente na qual ele desfere seus ataques mais furiosos, ardilosos e persistentes. Que assim seria foi prenunciado pelo Senhor quando disse a Moisés:

"Aquele Satanás a quem tu deste ordem em nome de meu Unigênito é o mesmo que existiu desde o princípio; e ele apresentou-se perante mim, dizendo: Eis-me aqui, envia-me; serei teu filho e redimirei a humanidade toda, de modo que nenhuma alma se perca; e sem dúvida eu o farei; portanto, dá-me a tua honra." Seu plano era salvar a todos nós privando-nos do livre-arbítrio e submetendo-nos à sua vontade.

"Mas eis", continuou o Senhor, "que meu Filho Amado, que foi meu Amado e meu Escolhido desde o princípio, disse-me: Pai, faça-se a tua vontade e seja tua a glória para sempre."

"Portanto, por ter Satanás se rebelado contra mim e procurado destruir o arbítrio do homem, o qual eu, o Senhor Deus, lhe dera; e também por querer que eu lhe desse meu próprio poder . . ." Sacerdócio é o poder de Deus.

É isso que Satanás busca — poder. Ele o quer na forma de ditadura.

"Portanto, por ter Satanás se rebelado contra mim e procurado destruir o arbítrio do homem, o qual eu, o Senhor Deus, lhe dera, e também por querer que eu lhe desse meu próprio poder, fiz com que ele fosse expulso pelo poder do meu Unigênito. E ele tornou-se Satanás, sim, o próprio diabo, o pai de todas as mentiras, para enganar e cegar os homens e levá-los cativos segundo a sua vontade, sim, todos os que não derem ouvidos à minha voz."

(Moisés 4:1-4.) Como vedes, no momento em que foi expulso do céu, seu objetivo era (e ainda é) "enganar e cegar os homens e levá-los cativos segundo a sua vontade." Isso ele faz eficazmente a todos os que não derem ouvidos à voz de Deus. Seu principal ataque continua sendo contra o livre-arbítrio.

Quando consegue levar os homens a renunciar a seu arbítrio, ele os tem bem encaminhados rumo ao cativeiro.

Nós que portamos o Sacerdócio devemos acautelar-nos a respeito de nós mesmos, para que não caiamos nas armadilhas que ele arma para nos roubar a liberdade. Devemos tomar cuidado para não sermos levados a aceitar ou apoiar, de qualquer forma, organização, causa ou medida alguma que, em seu efeito mais remoto, comprometa o livre-arbítrio, seja na política, no governo, na religião, no emprego, na educação ou em qualquer outro campo. Não basta sermos sinceros naquilo que apoiamos. Precisamos estar certos!

Quanto ao ataque direto de Satanás contra a Igreja restaurada e seu Sacerdócio, lembrar-vos-eis deste relato do Profeta sobre o que aconteceu no Bosque Sagrado quando ele se ajoelhou para orar:

"Apenas iniciara, imediatamente se apoderou de mim uma força que me dominou por completo, e tão assombrosa foi sua influência que se me travou a língua, de modo que eu não podia falar. Uma densa escuridão formou-se ao meu redor, e pareceu-me, por um momento, que eu estava condenado a uma destruição súbita.

"Mas usando todas as forças para clamar a Deus que me livrasse do poder desse inimigo que me subjugara, no momento exato em que estava prestes a sucumbir ao desespero e abandonar-me à destruição — não a uma ruína imaginária, mas ao poder de algum ser real do mundo invisível, que possuía uma força tão assombrosa como eu jamais sentira em qualquer ser —" (Joseph Smith 2:15, 16) Antes de a Igreja completar seis meses de organizada, o Diabo já lançava suas falsificações sobre seus membros. Em sua história de setembro de 1830, o Profeta diz:

"Para nossa grande tristeza, porém, logo descobrimos que Satanás estivera à espreita para enganar, buscando a quem pudesse devorar. O Irmão Hiram Page possuía certa pedra, por meio da qual obtivera certas 'revelações' a respeito da edificação de Sião, da ordem da Igreja, etc., todas elas inteiramente em desacordo com a ordem da casa de Deus, tal como estabelecida no Novo Testamento, bem como em nossas revelações recentes." (D.H.C. 1:109-110) O Profeta ficou muito preocupado com isso, porque Oliver Cowdery e os Whitmer eram simpáticos a Hiram Page e começaram a acreditar em sua revelação espúria. Em resposta à indagação do Profeta, o Senhor lhe deu a revelação registrada na Seção 28 de Doutrina e Convênios.

Essa revelação foi dirigida a Oliver Cowdery. Nela, o Senhor lhe disse:

"E também deverás procurar teu irmão Hiram Page, em particular, e dizer-lhe que as coisas que ele escreveu por meio daquela pedra não procedem de mim, e que Satanás o iludiu; pois eis que essas coisas não lhe foram designadas, e a ninguém desta igreja será designada qualquer coisa contrária aos convênios da igreja." (D. & C. 28:11-12) Essa revelação corrigiu Hiram Page, mas não pôs fim aos esforços de Satanás para enganar os irmãos. Lembrar-vos-eis de como eles (incluindo alguns dos líderes da Igreja) combateram o Profeta nos dias de Kirtland. Por ocasião de um ataque contra o Profeta, quando Brigham Young estava presente, ele se levantou e disse que Joseph era um Profeta e que ele o sabia, "e que aqueles que o difamam e caluniam . . . só poderiam destruir a própria autoridade e romper o fio que os ligava ao Profeta de Deus, afundando-se no inferno."

Referindo-se a essa ocasião, depois de chegar a Utah, ele disse: "Alguns dos principais homens em Kirtland eram muito contrários a que o Profeta se envolvesse nos assuntos temporais, achando que seu dever abrangia somente as coisas espirituais, e que o povo deveria cuidar de seus assuntos temporais sem qualquer interferência de profetas e apóstolos. Em uma reunião pública, eu disse:

"Ó élderes de Israel: ora, poderia algum de vós traçar a linha de demarcação entre o espiritual e o temporal dentro do Reino de Deus, de modo que eu pudesse entendê-la?" Nenhum deles conseguiu fazê-lo. Quando eu via um homem se colocando no caminho diante do Profeta, sentia vontade de afastá-lo dali e chamá-lo de tolo."

Brigham Young nunca foi enganado.

Houve, porém, aqueles que foram enganados até o fim da vida do Profeta. Entre eles, lembrar-vos-eis dos Law e dos Bennett. Até as Três Testemunhas foram enganadas. Sabeis, é claro, o que aconteceu depois que o Profeta partiu e o Irmão Brigham assumiu a liderança. Lyman Wight e muitos outros, homens fortes que haviam permanecido ao lado do Profeta, foram enganados e deixaram a Igreja.

E assim tem sido através dos anos. Hoje não é exceção. Temos agora pessoas que cedem às tentações e seguem as falsificações de Satanás. Sua triste situação nos lembra a declaração do Profeta Joseph que, depois de relatar algumas das operações de espíritos maus em seus dias, disse: "Um homem precisa ter o dom de discernimento de espíritos antes de poder trazer à luz esta influência infernal e revelá-la ao mundo em todas as suas cores destruidoras da alma, diabólicas e horrendas; pois nada é mais prejudicial aos filhos dos homens do que estar sob a influência de um espírito falso, pensando que se tem o Espírito de Deus. Milhares sentiram a influência de seu terrível poder e de seus efeitos nefastos. Longas peregrinações foram empreendidas, penitências suportadas, e dor, miséria e ruína as acompanharam; nações foram convulsionadas, reinos derrubados, províncias devastadas, e sangue, carnificina e desolação são as vestes de que se tem revestido." (D.H.C. 4:573) Uma consideração primordial para nós, portadores do Sacerdócio, hoje, é: "Como podemos combater esses ataques de Satanás? Como podemos distinguir entre suas falsificações e a verdade divina?" João, o Revelador, deu ao povo de seus dias este teste: "Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus." (I João 4:2) Tal teste era adequado então, pela boa razão de que aceitar Cristo naquela época era um crime capital. À luz de tal pena, obviamente nenhum descrente o confessaria. Isso, porém, não nos serve hoje, porque já não existe tal pena.

A situação hoje é que, embora grande número de pessoas confessem Cristo, a maioria delas, a julgar por suas crenças e práticas, o nega.

Gostaria agora de sugerir alguns testes que podem ser usados com segurança para distinguir o genuíno do falsificado. Já indiquei que muitas organizações, causas e medidas podem ser examinadas aplicando-se o teste do livre-arbítrio.

Tudo o que pretenda referir-se ao Evangelho de Jesus Cristo pode ser submetido aos quatro testes simples a seguir:

  1. Pretende ter origem na sabedoria dos homens, ou foi revelado do céu? Se teve origem na sabedoria dos homens, não é de Deus. Lembrai-vos do que o Salvador disse a Nicodemos: "Aquele que não nascer de novo não pode ver . . . (nem) entrar . . . (n)o reino de Deus." (João 3:3, 5) Ele também disse: "A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou." (João 7:16) Nem mesmo o próprio Jesus pretendeu ser a origem da doutrina do evangelho. Ninguém pode chegar à verdade apenas pela razão. Já ouvimos esse tema desenvolvido nesta Conferência. Não preciso enfatizá-lo mais.

No Livro de Mórmon, o Profeta Jacó disse: "Oh! Quão astuto é o plano do maligno! Oh! A vaidade e a fraqueza e a insensatez dos homens! Quando são instruídos pensam que são sábios e não dão ouvidos aos conselhos de Deus, pondo-os de lado, supondo que sabem por si mesmos; portanto, a sua sabedoria é insensatez e não lhes traz proveito. E eles perecerão."

Então acrescenta esta bela frase: "Mas é bom ser instruído, quando se dá ouvidos aos conselhos de Deus." (2 Néfi 9:28-29.) Todos conheceis a grande doutrina de Paulo de que as coisas de Deus são entendidas pelo poder de Deus, e que as coisas dos homens são entendidas pela sabedoria dos homens. "Mas o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porquanto se discernem espiritualmente." (1 Coríntios 2:14.) Nunca precisamos ser enganados pelo saber do mundo. Podemos sempre, com segurança, rejeitar as doutrinas que se fundamentam na sabedoria dos homens.

  1. O ensinamento traz o rótulo apropriado? Lembrar-vos-eis de que, quando seus discípulos nefitas indagaram a Jesus como deveriam chamar a igreja, ele "disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Por que é que o povo murmura e discute sobre este assunto?

"Não leram as escrituras, que dizem que deveis tomar sobre vós o nome de Cristo, que é o meu nome? Porque por esse nome sereis chamados no último dia; e todo aquele que tomar sobre si o meu nome e perseverar até o fim, será salvo no último dia.

"Portanto, tudo quanto fizerdes, vós o fareis em meu nome; por conseguinte chamareis a igreja pelo meu nome; e invocareis o Pai em meu nome, a fim de que ele abençoe a igreja por minha causa.

"E como será a minha igreja, se não tiver o meu nome? Porque se uma igreja for chamada pelo nome de Moisés, então será a igreja de Moisés; ou se for chamada pelo nome de um homem, então será a igreja de um homem; mas se for chamada pelo meu nome, então será a minha igreja, desde que estejam edificados sobre o meu evangelho." (3 Néfi 27:4-8.) Do exposto, é perfeitamente claro que, se algum ensinamento que pretenda vir de Cristo se apresenta sob outro rótulo que não o de Jesus Cristo, podemos saber que não é de Deus.

  1. A última frase da citação acima nos dá o terceiro teste. "Mas se for chamada pelo meu nome, então será a minha igreja, desde que estejam edificados sobre o meu evangelho." O ensinamento não deve apenas trazer o rótulo apropriado, mas também estar em conformidade com os demais ensinamentos do Evangelho de Jesus Cristo.

  2. Ora, o quarto e último teste que mencionarei é: Vem pelo canal apropriado da Igreja? Lemos na Seção 42 de Doutrina e Convênios: "E também vos digo que a ninguém será permitido sair a pregar meu evangelho ou estabelecer minha igreja, a não ser que tenha sido ordenado por alguém que tenha autoridade; e que a igreja saiba que tem autoridade e foi apropriadamente ordenado pelos dirigentes da igreja." (D. & C. 42:11.) À luz dessa ordem divinamente estabelecida, como pode alguém aceitar a doutrina da autoridade proveniente de alguma fonte secreta desconhecida da Igreja? O Senhor não poderia ter deixado mais claro que a autoridade de cada um deve vir pela ordem estabelecida da Igreja, e o Presidente da Igreja está à cabeça dessa ordem. O Senhor o colocou ali.

"E também o dever do presidente do sumo sacerdócio", diz Ele, "é presidir toda a igreja e ser semelhante a Moisés —" (D. & C.

107:91.) Ora, um dos maiores chamados de Moisés foi o de legislador, o de declarar a Palavra de Deus. Somente o Presidente pode declarar as doutrinas da Igreja.

A revelação continua: "O dever do presidente do sumo sacerdócio é presidir toda a igreja e ser semelhante a Moisés — eis que nisto há sabedoria; sim, em ser um vidente, um revelador, um tradutor e um profeta, possuindo todos os dons de Deus que ele confere ao cabeça da igreja." (D. & C. 107:91-92.) Na revelação que o Senhor deu ao Profeta em resposta à sua indagação sobre a pedra que Hiram Page possuía, ele disse, falando do presidente da Igreja: "Portanto, vós, ou seja, a igreja, dareis ouvidos a todas as palavras e mandamentos que ele vos transmitir à medida que ele os receber, andando em toda santidade diante de mim; pois suas palavras recebereis como de minha própria boca, com toda paciência e fé" (D. & C. 21:4-5) Tal é a obrigação deste Sacerdócio com respeito ao nosso atual Profeta, Vidente e Revelador, o Presidente David O.

McKay. "Porque, assim fazendo, as portas do inferno não prevalecerão contra vós; sim, e o Senhor Deus afastará de vós os poderes das trevas e fará tremerem os céus para o vosso bem e para a glória de seu nome." (D. & C.

21:6) Ora, irmãos, se tivermos estas coisas em mente, não seremos enganados por falsos ensinamentos. Lembro-me de que, anos atrás, quando eu era bispo, convidei o Presidente Grant para falar à nossa ala. Depois da reunião, levei-o de carro até sua casa. Naquela época, havia muitas críticas contra o Presidente da Igreja, por causa de um editorial de primeira página que alguns de vós talvez se lembrem. Conversamos sobre isso. Quando chegamos à sua casa, saí do carro e subi com ele até a varanda. Ao meu lado, ele pôs o braço sobre meu ombro e disse: "Meu rapaz, mantende sempre os olhos no Presidente da Igreja, e se ele algum dia vos disser para fazerdes algo, e isso for errado, e vós o fizerdes, o Senhor vos abençoará por isso." Então, com um brilho nos olhos, ele disse: "Mas não precisais vos preocupar.

O Senhor jamais permitirá que seu porta-voz desencaminhe o povo."

Tenho pensado muito nisso. Lembro-me de que conselheiros na Presidência foram enganados. Lembro-me de que membros do Quórum dos Doze foram enganados e deixaram a Igreja, e homens em todos os outros Conselhos da Igreja foram enganados. Mas nunca houve um Presidente da Igreja — e, segundo o Presidente Grant, e eu acredito nele — nunca haverá um Presidente desta Igreja que desencaminhe o povo.

Não precisamos ser desencaminhados, meus irmãos. A forma mais segura de evitar sermos desencaminhados é magnificar nosso Sacerdócio. Devemos ajoelhar-nos, cada um de nós, de manhã e à noite, e suplicar a Deus Todo-Poderoso que nos mantenha no caminho de magnificar nossos chamados neste grande Sacerdócio. Devemos viver retamente.

Devemos resistir a toda tentação da luxúria. Quando abrigamos pensamentos luxuriosos e participamos de práticas luxuriosas, não conseguimos ver claramente esses grandes princípios, e caímos nas trevas.

Se, além de vivermos retamente, estudarmos e aprendermos o que o Senhor disse e aplicarmos os testes que sugeri, jamais nos desencaminharemos. Que Deus nos ajude, rogo, a permanecermos verdadeiros e fiéis, e a ajudarmos todos os membros da Igreja a ver com clareza, colocando-se, assim, entre aqueles que tomam o Espírito Santo por seu guia e não são enganados, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoMarion G. Romney, “Como Distinguir o Verdadeiro Sacerdócio das Falsificações de Satanás”, 1960 October General Conference, General Priesthood Meeting (1960-10-08). Pulpit Vault, 1960-10-romney-my-brethren-this-is-a-great-audience. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).