Como Distinguir o Verdadeiro Sacerdócio das Falsificações de Satanás
Marion G. Romney
Meus irmãos, esta é uma grande audiência. ¶
Pode ser a Reunião Geral do Sacerdócio de maior comparecimento que já realizamos. ¶
Tentei preparar-me para isto, minha primeira designação em uma reunião como esta, mas tenho certeza de que, se disser algo que valha a pena, será pela ajuda do Senhor. ¶
Peço-vos, portanto, que me deis parte em vossa fé e em vossas orações. ¶
Para meu texto, escolhi o versículo 43 da Seção 84 de Doutrina e Convênios. Ele diz: "E agora vos dou o mandamento de que vos acauteleis a respeito de vós mesmos, de que deis ouvidos diligentemente às palavras de vida eterna." Como base, lerei alguns versículos que, na revelação, precedem o texto. ¶
Na parte inicial da revelação, o Senhor, falando do Sacerdócio de Melquisedeque, diz: "Sacerdócio esse que continua na igreja de Deus em todas as gerações e que não tem princípio de dias nem fim de anos." ¶
"E o Senhor também confirmou um sacerdócio sobre Aarão e sua semente, através de todas as suas gerações, sacerdócio esse que também continua e permanece para sempre com o sacerdócio que é segundo a mais santa ordem de Deus." (D&C 84:17-18.) Tal é a natureza do Sacerdócio que portamos. ¶
"E esse sacerdócio maior administra o evangelho e contém a chave dos mistérios do reino, sim, a chave do conhecimento de Deus." ¶
"Portanto, em suas ordenanças manifesta-se o poder da divindade." ¶
"E sem suas ordenanças e a autoridade do sacerdócio, o poder da divindade não se manifesta aos homens na carne." (D&C 84:19-21.) E agora vou pular alguns versículos e ler o convênio que pertence ao Sacerdócio. ¶
"Pois aqueles que forem fiéis de modo a obter estes dois sacerdócios de que falei e a magnificar seu chamado serão santificados pelo Espírito para a renovação do corpo." ¶
"Tornam-se os filhos de Moisés e de Aarão e a semente de Abraão; e a igreja e reino e os eleitos de Deus." (D&C 84:33-34.) O Profeta Joseph Smith costumava exortar repetidamente os irmãos a tornar segura a sua vocação e eleição. Não há outra forma de fazer isso senão recebendo o Sacerdócio e magnificando-o. ¶
Mas, para continuar com a revelação: ¶
"E também todos os que recebem esse sacerdócio a mim me recebem, diz o Senhor; e aquele que recebe os meus servos, a mim me recebe." (D&C 84:35-36.) Esta afirmação merece destaque. ¶
"Aquele que recebe os meus servos, a mim me recebe." Quem são os seus servos? ¶
São seus representantes nos ofícios do Sacerdócio — os oficiais Gerais, de Estaca, de Quórum do Sacerdócio e de Ala. Convém-nos ter isso em mente quando somos tentados a desconsiderar nossas autoridades presidentes, bispos, presidentes de quórum e de estaca, etc., quando, dentro da jurisdição de seus chamados, nos dão conselho e orientação. Lembrai-vos de que o Senhor Jesus disse: ¶
"Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:40.) "Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta." (Mateus 10:41.) Mas, voltando ao convênio do Sacerdócio: "E aquele que me recebe a mim, recebe a meu Pai; e aquele que recebe a meu Pai, recebe o reino de meu Pai; portanto, tudo o que meu Pai possui ser-lhe-á dado." ¶
"E isto está de acordo com o juramento e convênio que pertencem ao sacerdócio." ¶
"Portanto, todos os que recebem o sacerdócio recebem esse juramento e convênio de meu Pai, que ele não pode quebrar nem pode ser removido." (D&C 84:37-40.) Sinto-me tentado a comentar longamente este convênio, mas, como não é o cerne de minha mensagem, direi apenas que, como o entendo, todos nós que recebemos o Sacerdócio de Melquisedeque entramos em um acordo com nosso Pai Celestial de magnificá-lo. Sob a condição de que o magnifiquemos, o Pai se compromete a nos tornar iguais a ele, no sentido de que "tudo o que meu Pai possui ser-lhe-á dado. . . . Mas aquele que quebrar esse convênio após tê-lo recebido e desviar-se dele totalmente não receberá perdão dos pecados neste mundo nem no mundo vindouro." (D&C 84:38, 41.) Quando comecei a pensar seriamente nessa declaração, indaguei-me se não teria sido melhor para mim nunca ter recebido o Sacerdócio, se o fato de não o magnificar significasse que eu jamais receberia perdão neste mundo nem no mundo vindouro. Então comecei a pensar no versículo seguinte, que diz: "E ai de todos os que recusam esse sacerdócio." (D&C 84:42.) Por fim, cheguei à conclusão de que me encontrava entre os cornos de um dilema, e que minha única esperança era receber e magnificar o Sacerdócio. ¶
Tal é o pano de fundo de nosso texto: ¶
"E agora vos dou (portadores do Sacerdócio) o mandamento de que vos acauteleis a respeito de vós mesmos, de que deis ouvidos diligentemente às palavras de vida eterna." ¶
"Porque vivereis de toda palavra que sai da boca de Deus." (D&C 84:43-44.) Ora, por que devemos acautelar-nos a respeito de nós mesmos? Devemos acautelar-nos a respeito de nós mesmos porque tem sido, e sempre foi, objetivo de Satanás destruir o Sacerdócio de Deus. Já desde a guerra nos céus, ele procurou usurpar o poder do Sacerdócio. Como resultado do conflito que ali provocou, foi expulso do céu. Ele teve de ser expulso. Não poderia haver paz nos céus enquanto não fosse expulso. ¶
O banimento do céu, contudo, não pôs fim a seu ataque ao Sacerdócio de Deus. No Jardim do Éden, procurou enganar Adão. E continuou seu propósito diabólico após a queda. Quando Adão e Eva receberam o Evangelho e o ensinaram a seus filhos, Satanás veio entre eles e disse: ¶
"Não creiam . . . e eles amaram Satanás mais que a Deus. E os homens começaram, daquele tempo em diante, a ser carnais, sensuais e diabólicos." (Moisés 5:13.) Quando "a presença de Deus apartou-se de Moisés", após a grande revelação que Ele lhe deu de si mesmo, Moisés nos conta que "Satanás veio tentá-lo, dizendo: Moisés, filho de homem . . . ¶
Eu sou o Unigênito; adora-me." ¶
(Moisés 1:9, 12, 19.) Ele procurou enganar até o Salvador. ¶
Todos vos lembrareis de como ele tentou Jesus no deserto, no pináculo do templo e no alto monte. ¶
Satanás tem procurado, em todas as eras, enganar os filhos de Deus que receberam o Sacerdócio. E não tem sido totalmente malsucedido, pois em todas as dispensações passadas ele finalmente conseguiu enganá-los a ponto de expulsar o Sacerdócio da Terra. ¶
Ora, sabemos que ele não expulsará o Sacerdócio da Terra nesta dispensação, porque o Senhor disse que ele permanecerá aqui até que o Salvador venha. ¶
Mas não há garantia de que ele não engane muitos homens que portam o Sacerdócio. O Salvador, falando destes dias em que vivemos, disse: "Porque nesses dias surgirão também falsos Cristos, e falsos profetas; e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível, enganarão até os eleitos, que são os eleitos de acordo com o convênio" (o convênio do evangelho e do Sacerdócio). ¶
(Joseph Smith 1:22.) No que diz respeito à guerra de Satanás contra o Sacerdócio, ele não está fazendo exceção alguma nesta última dispensação. ¶
Seu objetivo continua sendo enganar a todos nós que puder, e expulsar o Sacerdócio da Terra. Satanás é muito real. ¶
Seu poder é muito real. Sua influência é sentida em toda parte. Ele literalmente ronda a Terra. "Os poderes das trevas prevalecem na Terra . . . e eis que o inimigo está reunido." (D&C 38:11, 12.) Sem dúvida ouvistes o que o Presidente McKay disse em seu discurso de abertura ontem pela manhã sobre o poder do Maligno ao tentar enganar os homens e privá-los de seu arbítrio. O livre-arbítrio é o princípio contra o qual Satanás travou sua guerra nos céus. Ainda é a frente na qual ele desfere seus ataques mais furiosos, ardilosos e persistentes. Que assim seria foi prenunciado pelo Senhor quando disse a Moisés: ¶
"Aquele Satanás a quem tu deste ordem em nome de meu Unigênito é o mesmo que existiu desde o princípio; e ele apresentou-se perante mim, dizendo: Eis-me aqui, envia-me; serei teu filho e redimirei a humanidade toda, de modo que nenhuma alma se perca; e sem dúvida eu o farei; portanto, dá-me a tua honra." Seu plano era salvar a todos nós privando-nos do livre-arbítrio e submetendo-nos à sua vontade. ¶
"Mas eis", continuou o Senhor, "que meu Filho Amado, que foi meu Amado e meu Escolhido desde o princípio, disse-me: Pai, faça-se a tua vontade e seja tua a glória para sempre." ¶
"Portanto, por ter Satanás se rebelado contra mim e procurado destruir o arbítrio do homem, o qual eu, o Senhor Deus, lhe dera; e também por querer que eu lhe desse meu próprio poder . . ." Sacerdócio é o poder de Deus. ¶
É isso que Satanás busca — poder. Ele o quer na forma de ditadura. ¶
"Portanto, por ter Satanás se rebelado contra mim e procurado destruir o arbítrio do homem, o qual eu, o Senhor Deus, lhe dera, e também por querer que eu lhe desse meu próprio poder, fiz com que ele fosse expulso pelo poder do meu Unigênito. E ele tornou-se Satanás, sim, o próprio diabo, o pai de todas as mentiras, para enganar e cegar os homens e levá-los cativos segundo a sua vontade, sim, todos os que não derem ouvidos à minha voz." ¶
(Moisés 4:1-4.) Como vedes, no momento em que foi expulso do céu, seu objetivo era (e ainda é) "enganar e cegar os homens e levá-los cativos segundo a sua vontade." Isso ele faz eficazmente a todos os que não derem ouvidos à voz de Deus. Seu principal ataque continua sendo contra o livre-arbítrio. ¶
Quando consegue levar os homens a renunciar a seu arbítrio, ele os tem bem encaminhados rumo ao cativeiro. ¶
Nós que portamos o Sacerdócio devemos acautelar-nos a respeito de nós mesmos, para que não caiamos nas armadilhas que ele arma para nos roubar a liberdade. Devemos tomar cuidado para não sermos levados a aceitar ou apoiar, de qualquer forma, organização, causa ou medida alguma que, em seu efeito mais remoto, comprometa o livre-arbítrio, seja na política, no governo, na religião, no emprego, na educação ou em qualquer outro campo. Não basta sermos sinceros naquilo que apoiamos. Precisamos estar certos! ¶
Quanto ao ataque direto de Satanás contra a Igreja restaurada e seu Sacerdócio, lembrar-vos-eis deste relato do Profeta sobre o que aconteceu no Bosque Sagrado quando ele se ajoelhou para orar: ¶
"Apenas iniciara, imediatamente se apoderou de mim uma força que me dominou por completo, e tão assombrosa foi sua influência que se me travou a língua, de modo que eu não podia falar. Uma densa escuridão formou-se ao meu redor, e pareceu-me, por um momento, que eu estava condenado a uma destruição súbita. ¶
"Mas usando todas as forças para clamar a Deus que me livrasse do poder desse inimigo que me subjugara, no momento exato em que estava prestes a sucumbir ao desespero e abandonar-me à destruição — não a uma ruína imaginária, mas ao poder de algum ser real do mundo invisível, que possuía uma força tão assombrosa como eu jamais sentira em qualquer ser —" (Joseph Smith 2:15, 16) Antes de a Igreja completar seis meses de organizada, o Diabo já lançava suas falsificações sobre seus membros. Em sua história de setembro de 1830, o Profeta diz: ¶
"Para nossa grande tristeza, porém, logo descobrimos que Satanás estivera à espreita para enganar, buscando a quem pudesse devorar. O Irmão Hiram Page possuía certa pedra, por meio da qual obtivera certas 'revelações' a respeito da edificação de Sião, da ordem da Igreja, etc., todas elas inteiramente em desacordo com a ordem da casa de Deus, tal como estabelecida no Novo Testamento, bem como em nossas revelações recentes." (D.H.C. 1:109-110) O Profeta ficou muito preocupado com isso, porque Oliver Cowdery e os Whitmer eram simpáticos a Hiram Page e começaram a acreditar em sua revelação espúria. Em resposta à indagação do Profeta, o Senhor lhe deu a revelação registrada na Seção 28 de Doutrina e Convênios. ¶
Essa revelação foi dirigida a Oliver Cowdery. Nela, o Senhor lhe disse: ¶
"E também deverás procurar teu irmão Hiram Page, em particular, e dizer-lhe que as coisas que ele escreveu por meio daquela pedra não procedem de mim, e que Satanás o iludiu; pois eis que essas coisas não lhe foram designadas, e a ninguém desta igreja será designada qualquer coisa contrária aos convênios da igreja." (D. & C. 28:11-12) Essa revelação corrigiu Hiram Page, mas não pôs fim aos esforços de Satanás para enganar os irmãos. Lembrar-vos-eis de como eles (incluindo alguns dos líderes da Igreja) combateram o Profeta nos dias de Kirtland. Por ocasião de um ataque contra o Profeta, quando Brigham Young estava presente, ele se levantou e disse que Joseph era um Profeta e que ele o sabia, "e que aqueles que o difamam e caluniam . . . só poderiam destruir a própria autoridade e romper o fio que os ligava ao Profeta de Deus, afundando-se no inferno." ¶
Referindo-se a essa ocasião, depois de chegar a Utah, ele disse: "Alguns dos principais homens em Kirtland eram muito contrários a que o Profeta se envolvesse nos assuntos temporais, achando que seu dever abrangia somente as coisas espirituais, e que o povo deveria cuidar de seus assuntos temporais sem qualquer interferência de profetas e apóstolos. Em uma reunião pública, eu disse: ¶
"Ó élderes de Israel: ora, poderia algum de vós traçar a linha de demarcação entre o espiritual e o temporal dentro do Reino de Deus, de modo que eu pudesse entendê-la?" Nenhum deles conseguiu fazê-lo. Quando eu via um homem se colocando no caminho diante do Profeta, sentia vontade de afastá-lo dali e chamá-lo de tolo." ¶
Brigham Young nunca foi enganado. ¶
Houve, porém, aqueles que foram enganados até o fim da vida do Profeta. Entre eles, lembrar-vos-eis dos Law e dos Bennett. Até as Três Testemunhas foram enganadas. Sabeis, é claro, o que aconteceu depois que o Profeta partiu e o Irmão Brigham assumiu a liderança. Lyman Wight e muitos outros, homens fortes que haviam permanecido ao lado do Profeta, foram enganados e deixaram a Igreja. ¶
E assim tem sido através dos anos. Hoje não é exceção. Temos agora pessoas que cedem às tentações e seguem as falsificações de Satanás. Sua triste situação nos lembra a declaração do Profeta Joseph que, depois de relatar algumas das operações de espíritos maus em seus dias, disse: "Um homem precisa ter o dom de discernimento de espíritos antes de poder trazer à luz esta influência infernal e revelá-la ao mundo em todas as suas cores destruidoras da alma, diabólicas e horrendas; pois nada é mais prejudicial aos filhos dos homens do que estar sob a influência de um espírito falso, pensando que se tem o Espírito de Deus. Milhares sentiram a influência de seu terrível poder e de seus efeitos nefastos. Longas peregrinações foram empreendidas, penitências suportadas, e dor, miséria e ruína as acompanharam; nações foram convulsionadas, reinos derrubados, províncias devastadas, e sangue, carnificina e desolação são as vestes de que se tem revestido." (D.H.C. 4:573) Uma consideração primordial para nós, portadores do Sacerdócio, hoje, é: "Como podemos combater esses ataques de Satanás? Como podemos distinguir entre suas falsificações e a verdade divina?" João, o Revelador, deu ao povo de seus dias este teste: "Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus." (I João 4:2) Tal teste era adequado então, pela boa razão de que aceitar Cristo naquela época era um crime capital. À luz de tal pena, obviamente nenhum descrente o confessaria. Isso, porém, não nos serve hoje, porque já não existe tal pena. ¶
A situação hoje é que, embora grande número de pessoas confessem Cristo, a maioria delas, a julgar por suas crenças e práticas, o nega. ¶
Gostaria agora de sugerir alguns testes que podem ser usados com segurança para distinguir o genuíno do falsificado. Já indiquei que muitas organizações, causas e medidas podem ser examinadas aplicando-se o teste do livre-arbítrio. ¶
Tudo o que pretenda referir-se ao Evangelho de Jesus Cristo pode ser submetido aos quatro testes simples a seguir: ¶
- Pretende ter origem na sabedoria dos homens, ou foi revelado do céu? Se teve origem na sabedoria dos homens, não é de Deus. Lembrai-vos do que o Salvador disse a Nicodemos: "Aquele que não nascer de novo não pode ver . . . (nem) entrar . . . (n)o reino de Deus." (João 3:3, 5) Ele também disse: "A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou." (João 7:16) Nem mesmo o próprio Jesus pretendeu ser a origem da doutrina do evangelho. Ninguém pode chegar à verdade apenas pela razão. Já ouvimos esse tema desenvolvido nesta Conferência. Não preciso enfatizá-lo mais.
No Livro de Mórmon, o Profeta Jacó disse: "Oh! Quão astuto é o plano do maligno! Oh! A vaidade e a fraqueza e a insensatez dos homens! Quando são instruídos pensam que são sábios e não dão ouvidos aos conselhos de Deus, pondo-os de lado, supondo que sabem por si mesmos; portanto, a sua sabedoria é insensatez e não lhes traz proveito. E eles perecerão." ¶
Então acrescenta esta bela frase: "Mas é bom ser instruído, quando se dá ouvidos aos conselhos de Deus." (2 Néfi 9:28-29.) Todos conheceis a grande doutrina de Paulo de que as coisas de Deus são entendidas pelo poder de Deus, e que as coisas dos homens são entendidas pela sabedoria dos homens. "Mas o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porquanto se discernem espiritualmente." (1 Coríntios 2:14.) Nunca precisamos ser enganados pelo saber do mundo. Podemos sempre, com segurança, rejeitar as doutrinas que se fundamentam na sabedoria dos homens. ¶
- O ensinamento traz o rótulo apropriado? Lembrar-vos-eis de que, quando seus discípulos nefitas indagaram a Jesus como deveriam chamar a igreja, ele "disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Por que é que o povo murmura e discute sobre este assunto?
"Não leram as escrituras, que dizem que deveis tomar sobre vós o nome de Cristo, que é o meu nome? Porque por esse nome sereis chamados no último dia; e todo aquele que tomar sobre si o meu nome e perseverar até o fim, será salvo no último dia. ¶
"Portanto, tudo quanto fizerdes, vós o fareis em meu nome; por conseguinte chamareis a igreja pelo meu nome; e invocareis o Pai em meu nome, a fim de que ele abençoe a igreja por minha causa. ¶
"E como será a minha igreja, se não tiver o meu nome? Porque se uma igreja for chamada pelo nome de Moisés, então será a igreja de Moisés; ou se for chamada pelo nome de um homem, então será a igreja de um homem; mas se for chamada pelo meu nome, então será a minha igreja, desde que estejam edificados sobre o meu evangelho." (3 Néfi 27:4-8.) Do exposto, é perfeitamente claro que, se algum ensinamento que pretenda vir de Cristo se apresenta sob outro rótulo que não o de Jesus Cristo, podemos saber que não é de Deus. ¶
A última frase da citação acima nos dá o terceiro teste. "Mas se for chamada pelo meu nome, então será a minha igreja, desde que estejam edificados sobre o meu evangelho." O ensinamento não deve apenas trazer o rótulo apropriado, mas também estar em conformidade com os demais ensinamentos do Evangelho de Jesus Cristo. ¶
Ora, o quarto e último teste que mencionarei é: Vem pelo canal apropriado da Igreja? Lemos na Seção 42 de Doutrina e Convênios: "E também vos digo que a ninguém será permitido sair a pregar meu evangelho ou estabelecer minha igreja, a não ser que tenha sido ordenado por alguém que tenha autoridade; e que a igreja saiba que tem autoridade e foi apropriadamente ordenado pelos dirigentes da igreja." (D. & C. 42:11.) À luz dessa ordem divinamente estabelecida, como pode alguém aceitar a doutrina da autoridade proveniente de alguma fonte secreta desconhecida da Igreja? O Senhor não poderia ter deixado mais claro que a autoridade de cada um deve vir pela ordem estabelecida da Igreja, e o Presidente da Igreja está à cabeça dessa ordem. O Senhor o colocou ali. ¶
"E também o dever do presidente do sumo sacerdócio", diz Ele, "é presidir toda a igreja e ser semelhante a Moisés —" (D. & C. ¶
107:91.) Ora, um dos maiores chamados de Moisés foi o de legislador, o de declarar a Palavra de Deus. Somente o Presidente pode declarar as doutrinas da Igreja. ¶
A revelação continua: "O dever do presidente do sumo sacerdócio é presidir toda a igreja e ser semelhante a Moisés — eis que nisto há sabedoria; sim, em ser um vidente, um revelador, um tradutor e um profeta, possuindo todos os dons de Deus que ele confere ao cabeça da igreja." (D. & C. 107:91-92.) Na revelação que o Senhor deu ao Profeta em resposta à sua indagação sobre a pedra que Hiram Page possuía, ele disse, falando do presidente da Igreja: "Portanto, vós, ou seja, a igreja, dareis ouvidos a todas as palavras e mandamentos que ele vos transmitir à medida que ele os receber, andando em toda santidade diante de mim; pois suas palavras recebereis como de minha própria boca, com toda paciência e fé" (D. & C. 21:4-5) Tal é a obrigação deste Sacerdócio com respeito ao nosso atual Profeta, Vidente e Revelador, o Presidente David O. ¶
McKay. "Porque, assim fazendo, as portas do inferno não prevalecerão contra vós; sim, e o Senhor Deus afastará de vós os poderes das trevas e fará tremerem os céus para o vosso bem e para a glória de seu nome." (D. & C. ¶
21:6) Ora, irmãos, se tivermos estas coisas em mente, não seremos enganados por falsos ensinamentos. Lembro-me de que, anos atrás, quando eu era bispo, convidei o Presidente Grant para falar à nossa ala. Depois da reunião, levei-o de carro até sua casa. Naquela época, havia muitas críticas contra o Presidente da Igreja, por causa de um editorial de primeira página que alguns de vós talvez se lembrem. Conversamos sobre isso. Quando chegamos à sua casa, saí do carro e subi com ele até a varanda. Ao meu lado, ele pôs o braço sobre meu ombro e disse: "Meu rapaz, mantende sempre os olhos no Presidente da Igreja, e se ele algum dia vos disser para fazerdes algo, e isso for errado, e vós o fizerdes, o Senhor vos abençoará por isso." Então, com um brilho nos olhos, ele disse: "Mas não precisais vos preocupar. ¶
O Senhor jamais permitirá que seu porta-voz desencaminhe o povo." ¶
Tenho pensado muito nisso. Lembro-me de que conselheiros na Presidência foram enganados. Lembro-me de que membros do Quórum dos Doze foram enganados e deixaram a Igreja, e homens em todos os outros Conselhos da Igreja foram enganados. Mas nunca houve um Presidente da Igreja — e, segundo o Presidente Grant, e eu acredito nele — nunca haverá um Presidente desta Igreja que desencaminhe o povo. ¶
Não precisamos ser desencaminhados, meus irmãos. A forma mais segura de evitar sermos desencaminhados é magnificar nosso Sacerdócio. Devemos ajoelhar-nos, cada um de nós, de manhã e à noite, e suplicar a Deus Todo-Poderoso que nos mantenha no caminho de magnificar nossos chamados neste grande Sacerdócio. Devemos viver retamente. ¶
Devemos resistir a toda tentação da luxúria. Quando abrigamos pensamentos luxuriosos e participamos de práticas luxuriosas, não conseguimos ver claramente esses grandes princípios, e caímos nas trevas. ¶
Se, além de vivermos retamente, estudarmos e aprendermos o que o Senhor disse e aplicarmos os testes que sugeri, jamais nos desencaminharemos. Que Deus nos ajude, rogo, a permanecermos verdadeiros e fiéis, e a ajudarmos todos os membros da Igreja a ver com clareza, colocando-se, assim, entre aqueles que tomam o Espírito Santo por seu guia e não são enganados, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶