If A Man Die Shall He Live...
Milton R. Hunter
"Morrendo o homem, porventura tornará a viver?" ¶
(Jó 14:14.) Desde o princípio da história humana, milhões e milhões de pessoas em todas as nações da terra têm-se defrontado com esta pergunta. No íntimo de todo ser humano existe o desejo de viver — não apenas de viver muito tempo aqui na mortalidade, mas também de erguer-se da sepultura. Ter a imortalidade, ou viver para sempre, é um desejo ou crença inato no coração de todos os mortais. ¶
As religiões que têm oferecido grande satisfação a seus adoradores são aquelas que têm tido fortes doutrinas sobre a imortalidade do homem. Especialmente em tempos de tristeza e de luto têm elas conseguido oferecer conforto aos aflitos. ¶
O cristianismo tem em seu centro uma Personagem real, histórica — um Deus-Salvador — em Jesus, o Cristo, o Filho Unigênito do Pai Eterno. Todos os rivais pagãos do cristianismo tinham deuses-salvadores mitológicos. Segundo seus mitos, alguns dos deuses pagãos não eram inteiramente morais. Assim, o cristianismo teve grande vantagem sobre todas as religiões contemporâneas. ¶
Ensinou Jesus: "Eu sou a luz e a vida do mundo." (3 Néfi 11:11; ver também João 8:12.) "Eu sou a ressurreição e a vida." (João 11:25.) "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens." (Ibid., 1:4.) Nele encontramos vida, e vida eterna; e foi para esse propósito que ele veio ao mundo. ¶
Esses ensinamentos maravilhosos podem ser ilustrados pelo exemplo da morte de Lázaro. Como vos recordais, ele era irmão de Marta e Maria, a quem Jesus amava grandemente. Em certa ocasião, Lázaro adoeceu gravemente. As irmãs mandaram avisar a Jesus para que viesse. Ele demorou a vir. Lázaro morreu e foi sepultado. Quatro dias depois, Jesus chegou. Marta soube que ele vinha e saiu ao seu encontro. ¶
Ela disse: ¶
"Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. ¶
"Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. ¶
"Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia." ¶
E então Jesus fez esta declaração memorável e maravilhosa: ¶
". . . Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; ¶
"E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu nisto?" (Ibid., 11:21, 23-26.) Marta respondeu: "Sim, Senhor. . . ." ¶
E, além disso, disse ela: "Mas também sei, mesmo agora, que tudo quanto pedires a Deus, Deus to dará." ¶
(Ibid., 11:27, 22.) Maria chegou por esse tempo, com ideias semelhantes às que Marta havia expressado. ¶
Jesus pediu que o levassem ao sepulcro onde Lázaro estava sepultado. Ao chegarem ao sepulcro, o Mestre disse aos presentes que tirassem a pedra da entrada da gruta em que o corpo de Lázaro havia sido colocado. O espírito de Jesus gemeu profundamente dentro dele, e então orou com sinceridade e humildade a seu Pai. Depois de orar, "clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora." ¶
(Ibid., 11:43.) Embora Lázaro estivesse morto havia quatro dias, ele saiu do sepulcro. Este acontecimento maravilhoso dá evidência definitiva de que, quando um homem morre, ele não está morto — tornará a viver. ¶
Em várias ocasiões, durante o ministério de Cristo, ele ressuscitou mortos, dando assim mais evidência de que o homem tornará a viver. ¶
Em uma bela manhã de domingo, por esta época do ano, segundo os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, ao romper do dia, Maria Madalena, Maria, a mãe do Senhor, e outras mulheres a quem Jesus amava, foram ao sepulcro onde o corpo do Mestre havia sido colocado, para ungir seu corpo com especiarias. Desejavam dar a seu corpo um sepultamento mais apropriado. Ao chegarem ao sepulcro, encontraram que a enorme pedra havia sido removida e a porta estava aberta. Entraram no sepulcro e viram um jovem — um anjo — ali sentado. Ele estava ". . . vestido de uma roupa comprida, branca . . . ¶
"Porém ele disse-lhes: Não vos assusteis; buscais Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui . . ." (Marcos 16:5-6.) Elas deixaram o sepulcro, apressaram-se de volta a Jerusalém, e relataram a ressurreição de Jesus a Pedro e João. Segundo o Evangelho de João, esses dois apóstolos correram para o sepulcro, e Maria Madalena os seguiu. Ao entrarem no sepulcro, Pedro e João o encontraram vazio. Encontraram também as vestes do sepultamento cuidadosamente dobradas. Então os apóstolos deixaram o sepulcro e voltaram a Jerusalém. ¶
Mas Maria Madalena demorou-se perto da porta do sepulcro, chorando amargamente. Sentiu a presença de alguém por perto, que pensou ser o encarregado do jardim. A Personagem próxima disse: "Mulher, por que choras? Quem buscas?" ¶
E ela disse: "Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei." (João 20:15.) E então, de sua maneira afetuosa e bela, Jesus disse: "Maria." Ela reconheceu a voz do Mestre. Enxugou as lágrimas e, correndo em sua direção, exclamou: "Raboni." ¶
Quando ela estava prestes a abraçá-lo, o Mestre disse: "Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai para meus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus." (Ibid., 20:17.) Assim Jesus Cristo havia vindo à mortalidade e cumprido o propósito para o qual fora predestinado. Havia derramado seu sangue pelos pecados do mundo, tanto em Getsêmani quanto na cruz. Agora havia rompido as cadeias da morte, tornando-se assim as primícias da ressurreição. Assim como ele se ergueu da sepultura, também todas as pessoas que vivem sobre esta terra se erguerão da sepultura. ¶
De fato, lemos em Mateus que, no momento em que Jesus se ergueu da sepultura, "E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados, "E saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos." (Mateus 27:52-53.) Talvez o Livro de Mórmon nos dê o mais belo relato do aparecimento de Cristo aos mortais após sua ressurreição. Uma tempestade terrível de três horas e uma escuridão intensa de três dias e três noites, que ocorreram enquanto o corpo de Cristo estava na cruz e no sepulcro, agora haviam terminado. Era um dia belo e ensolarado, apropriado ao símbolo de Jesus ser a luz e a vida do mundo. ¶
O povo na Terra de Abundância havia se reunido diante do templo. ¶
Estavam discutindo os vários acontecimentos maravilhosos que haviam ocorrido nos poucos dias anteriores, especialmente as coisas referentes a Jesus Cristo. ¶
De repente ouviram uma voz que parecia vir do céu. Não era uma voz áspera. Tampouco era uma voz forte. Ainda assim, penetrava-lhes até o âmago, "fazendo-lhes arder o coração." (3 Néfi 11:3.) A princípio não entenderam o que a voz dizia. ¶
Olharam para o céu e ouviram a voz uma segunda vez, e depois uma terceira. Desta vez entenderam a voz, e ela lhes disse: ¶
"Eis aqui meu Filho Amado, em quem me comprazo e em quem glorifiquei meu nome — ouvi-o. ¶
". . . ao entenderem, voltaram outra vez os olhos para o céu; e eis que viram um Homem descendo do céu; e ele estava vestido com uma túnica branca; . . ." (Ibid., 11:7-8.) Ele desceu dos céus, colocou-se no meio deles e disse: ¶
"Eis que eu sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi testificada pelos profetas. ¶
"E eis que eu sou a luz e a vida do mundo; e bebi da taça amarga que o Pai me deu e glorifiquei o Pai, tomando sobre mim os pecados do mundo, . . ." (Ibid., 11:10-11.) O povo caiu de joelhos e o adorou. E então Jesus lhes disse: ¶
"Levantai-vos e vinde a mim, para que possais colocar vossas mãos em meu lado, e também para que possais sentir os sinais dos pregos em minhas mãos e em meus pés, para que saibais que eu sou o Deus de Israel e o Deus de toda a terra, e que fui morto pelos pecados do mundo, . . ." (Ibid., 11:10-11.) Assim Jesus Cristo apresentou-se aos nefitas como o Messias ressuscitado e Salvador da família humana. ¶
O povo foi a Jesus e colocou suas mãos em seu lado e sentiu os sinais dos pregos em suas mãos e pés. Então clamaram: "Hosana! ¶
Bendito seja o nome do Deus Altíssimo!" (Ibid., 11:17.) E lançaram-se aos pés de Jesus e o adoraram. ¶
Depois disso, Jesus escolheu doze homens para serem seus apóstolos. Ensinou-lhes, a eles e aos demais nefitas, o evangelho. O Salvador ressuscitado realizou muitos milagres maravilhosos entre eles, ainda maiores do que os que havia realizado entre os judeus. Por vários dias ministrou aos habitantes da América antiga. ¶
Em uma dessas ocasiões, pediu a Néfi que lhe trouxesse os registros de seu povo. Depois de examinar os registros, disse: ¶
"Em verdade vos digo que ordenei a meu servo Samuel, o lamanita, que testificasse a este povo que no dia em que o Pai glorificasse seu nome em mim, muitos santos se levantariam dentre os mortos e apareceriam a muitos e ministrariam entre eles. E perguntou-lhes: Não foi assim? ¶
"E seus discípulos responderam-lhe, dizendo: Sim, Senhor, Samuel profetizou de acordo com tuas palavras e todas elas se cumpriram." (Ibid., 23:9-10.) Cristo admoestou os nefitas por terem negligenciado o registro dessas importantes predições e de seu cumprimento. Ordenou a Néfi que "isso fosse escrito; portanto, foi escrito." Talvez Jesus desejasse que esses importantes acontecimentos fossem registrados como testemunho para o povo dos últimos dias, para nos ajudar a saber que, quando um homem morre, tornará a viver. ¶
Um dos maiores acontecimentos, senão o mais importante que já ocorreu na América antiga, foi o aparecimento do Salvador ressuscitado aos habitantes desta terra. A história dos maravilhosos acontecimentos relacionados a isso é belamente narrada em Terceiro Néfi. ¶
Os nefitas apostataram da verdadeira religião que Cristo lhes ensinou e mais tarde, como nação, foram destruídos, e os lamanitas se tornaram um povo degenerado, pagão e apóstata. No entanto, de geração em geração, muitas das ideias principais relativas a Cristo e sua visita à América antiga persistiram. ¶
Após a descoberta da América, os europeus visitaram várias tribos de índios. Delas souberam que praticamente toda tribo tinha uma forte tradição a respeito do aparecimento, a seus antepassados, do Deus branco e barbado. Ele havia dado aos progenitores dos índios americanos sua cultura e sua religião. Tão profunda foi a impressão causada por Cristo na mente dos antigos americanos, que seus descendentes — as várias tribos indígenas — retiveram os detalhes principais da história e dos ensinamentos do Messias ressuscitado. ¶
Os padres católicos espanhóis descobriram que a religião dos índios americanos era tão semelhante ao cristianismo que se afirmou que "o diabo maligno havia chegado ao Novo Mundo antes dos padres católicos e havia colocado uma religião cristã falsificada no coração dos índios." Um estudo da religião dos índios americanos parece indicar que, em certos aspectos, seu cristianismo era quase tão verdadeiro quanto o dos conquistadores europeus. ¶
Meus caros irmãos e irmãs, ". . . eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus." (Jó 19:25-26.) Sei, como testificou Amulek, conforme registrado em Alma, que todo homem, mulher e criança, homem e mulher, escravo e livre, justo e ímpio, por meio da expiação de Jesus Cristo — por meio de sua graça — se erguerá da sepultura e receberá a imortalidade. Estou também convencido de que cada pessoa comparecerá perante a cadeira do juízo do Messias para ser julgada pela vida vivida aqui na mortalidade. Seremos responsabilizados por cada ação que cometermos, por cada palavra que falarmos e por cada pensamento que pensarmos. ¶
Além disso, testifico que Jesus Cristo, não somente por meio de sua expiação nos deu a imortalidade, mas também, por meio do plano de salvação do evangelho, proporcionou um meio pelo qual podemos alcançar a vida eterna. Se formos fiéis em guardar os mandamentos de Deus, sendo suficientemente obedientes em todas as coisas, nos ergueremos na ressurreição e voltaremos à presença do Pai e do Filho, e receberemos uma gloriosa exaltação, ou vida eterna. Que Deus nos abençoe para que assim o façamos, humildemente rogo, em nome de Jesus. Amém. ¶