O Sacerdócio Aarônico Através das Eras
Carl W. Buehner
Recentemente, vi numa revista nacional uma charge que mostrava um mestre de cerimônias apresentando a próxima pessoa a participar do programa, e sob a charge estavam estas palavras: "Nosso próximo orador vai precisar de toda a apresentação que puder conseguir." Ora, irmãos e irmãs, eu preciso de toda a ajuda do alto que eu puder conseguir. ¶
Todos nós fomos tremendamente impressionados pelo espírito presente nestas sessões da conferência, e também pelos discursos inspiradores e edificantes dos Irmãos. ¶
Fiquei comovido ao saber que o Presidente McKay tem prestado cinquenta e quatro anos de valoroso serviço nos conselhos dirigentes da Igreja, e que o Presidente Joseph Fielding Smith tem prestado cinquenta anos de serviço como membro do Conselho dos Doze. Outros também dedicaram muitos anos à obra de nosso Pai Celestial. Gostaria de mencionar humildemente que este é o meu oitavo aniversário como membro do Bispado Presidente da Igreja. Esta tem sido uma experiência muito compensadora e uma grande bênção em minha vida. ¶
Nosso trabalho com o Sacerdócio Aarônico levou-me a dizer algo sobre a origem e a história deste sacerdócio através das eras. ¶
Viemos a conhecer o Sacerdócio Aarônico pela primeira vez na época em que Moisés conduzia os filhos de Israel para fora do cativeiro egípcio. O Senhor tinha a intenção de que Israel, como nação, desfrutasse das bênçãos do Sacerdócio de Melquisedeque. Ele fez a eles a seguinte promessa: ¶
"Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes o meu convênio, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha. ¶
"E vós me sereis um reino de sacerdotes e povo santo." (Êxodo 19:5-6.) Mas Israel, como nação, tornou-se ímpio e rebelde, e assim não foi digno de receber esta bênção. Enquanto Moisés estava no monte por quarenta dias, recebendo a lei do Senhor, Israel foi culpado de apostasia, voltando à adoração de ídolos. Quando Moisés voltou e os viu adorando o bezerro de ouro, em sua ira lançou ao chão as tábuas de pedra, quebrando-as em pedaços. O Senhor depois chamou Moisés a retornar ao monte, instruindo-o a lavrar outras tábuas de pedra, sobre as quais escreveria com o seu dedo, mas, segundo a versão inspirada da Bíblia, dada a nós pelo Profeta Joseph Smith, o Senhor indicou que haveria mudanças em relação ao que originalmente havia escrito, por causa de Israel ter esquecido o seu Deus. (Versão Inspirada. ¶
Êxodo 34:1-2.) Por essa época, o sacerdócio superior foi tirado de Israel como nação, e uma lei carnal, ou menor, foi dada como punição por sua desobediência. ¶
O Senhor então ordenou a Moisés que designasse e ordenasse Arão e seus filhos, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar, para receberem o sacerdócio menor. (Êxodo 28:1.) Arão e seus filhos foram separados para presidir o sacerdócio menor, e esta designação tornou-se um privilégio herdado por eles e por sua posteridade para sempre. (Idem, 28:43.) Nadabe e Abiú logo perderam esta herança por usurparem autoridade, e foram feridos de morte diante da congregação, junto ao altar. Como não tiveram filhos, não houve extensão deste privilégio a outra geração em suas famílias. ¶
Até a ordenação de Arão e seus filhos, o primogênito varão de cada família de cada tribo era considerado como pertencente a Deus, e assim era ordenado, mas agora o Senhor chamou todos os varões da tribo de Levi para auxiliar Arão e seus filhos neste ofício sacerdotal. (Números 8:13-19.) Cabia a Arão e a seus filhos presidir, mas os levitas estavam limitados, em seus deveres, a realizar a ordenança do batismo, a auxiliar na oferta de sacrifícios e outros deveres compreendidos sob a lei menor, ou carnal. ¶
Além disso, foram designados para cuidar do desmonte e da montagem do tabernáculo, à medida que se deslocavam pelo deserto, e para mantê-lo em ordem. ¶
Quando Moisés voltou do monte e encontrou Israel adorando o bezerro de ouro, é bastante significativo notar que ele se pôs à porta do acampamento e indicou que todos os que estivessem do lado do Senhor viessem a ele. ¶
". . . e se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi." (Êxodo 32:26.) O Sacerdócio Aarônico abrange o Sacerdócio Aarônico e o Levítico. Embora Arão e seus filhos fossem levitas, eles presidiam no Sacerdócio Aarônico, e os levitas que não eram filhos de Arão possuíam o Sacerdócio Levítico e serviam numa capacidade menor do que os filhos de Arão. O Sacerdócio Aarônico continuou a funcionar neste padrão até próximo à época do nascimento do Salvador. Os judeus, nessa época, haviam caído numa apostasia quase total. Já não se permitia aos descendentes lineares de Arão presidir no templo. O sumo sacerdote presidente era nomeado por Herodes, o rei, e às vezes pela autoridade romana, conforme o desejo pessoal, e eram destituídos da mesma maneira. Um bom exemplo de seu modo de operar vem de Zacarias, que era descendente de Arão, com direito a servir como sumo sacerdote presidente. Embora lhe fosse permitido oficiar no templo, não era em posição de presidência. João Batista, do mesmo modo, deveria ter sido o sacerdote presidente no templo, porque era descendente direto de Arão por meio de seu pai, Zacarias, e de sua mãe, Isabel, mas os judeus o rejeitaram. Deve-se compreender que os que eram chamados sumos sacerdotes pelos judeus apóstatas não eram sumos sacerdotes portadores do Sacerdócio de Melquisedeque. Deveriam ter sido designados sacerdotes presidentes, e não sumos sacerdotes. ¶
João Batista foi um dos mais eminentes servos de Deus. Que ele encontrou favor perante o Senhor é enfatizado no aparecimento do Anjo Gabriel no templo a seu pai, Zacarias, prometendo-lhe que ele e sua esposa teriam um filho que haveria de ". . . ser grande diante do Senhor." (Lucas 1:15.) O nascimento de poucos homens foi predito. Ele foi um deste grupo seleto cuja vinda foi anunciada séculos antes de seu nascimento. Isaías profetizou sobre sua missão aproximadamente setecentos anos antes de ele nascer. (Isaías 40:3.) Ele foi um Elias, no sentido de ter sido precursor de Jesus. Pregou vigorosamente o evangelho do arrependimento aos judeus. Coube-lhe um dos mais altos privilégios já concedidos a um homem — o de batizar o Salvador do mundo. Foi testemunha pessoal de uma das maiores manifestações já dadas. Ela veio no momento do batismo de Jesus. Ao sair Jesus da água, João viu o Espírito Santo descer sobre ele como uma pomba, e veio dos céus a voz do Pai, dando aprovação divina: ". . . este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." (Mateus 3:17.) Jesus atestou o fato de que João Batista foi um dos maiores de seus servos. Prestou-lhe um tributo brilhante quando disse: ¶
"Porque eu vos digo que, entre os nascidos de mulher, não há maior profeta do que João Batista: . . ." ¶
(Lucas 7:28.) O Senhor repetiu, nesta dispensação, a natureza divina da missão de João: ¶
"Pois foi batizado quando ainda na infância e, quando tinha oito dias de idade, foi ordenado por um anjo de Deus para esse poder, a fim de derrubar o reino dos judeus e endireitar as veredas do Senhor diante da face de seu povo, com o fim de prepará-lo para a vinda do Senhor, em cujas mãos é dado todo o poder." (D&C 84:28.) João preparou fielmente o caminho para a missão de Jesus. Foi instrumental na derrubada do reino dos judeus. Embora o declínio de Judá como nação tenha começado muito antes do nascimento de João, foi ainda mais enfraquecido durante seu ministério, e, dentro de três décadas após sua morte, deixou de existir. Ele está ao lado de Adão, Enoque, Noé, Abraão, Moisés e Joseph Smith como servo fiel e verdadeiro a quem o Senhor confiou uma dispensação do evangelho. Sofreu a morte como mártir e foi decapitado pela trapaça da perversa Herodíades. Como muitos dos servos de Deus, selou seu testemunho com o próprio sangue. ¶
Pouco se sabe sobre as funções do Sacerdócio Aarônico na igreja primitiva. Os ofícios de diácono, mestre e sacerdote são mencionados, mas seus deveres não são esclarecidos. (I Tim. 3:8; Ef. 4:11; Heb. 10:11.) O dia 15 de maio de 1829 foi um dia de suma importância para esta geração. ¶
Naquela bela ocasião, o Sacerdócio Aarônico foi restaurado à terra depois de uma ausência de muitos séculos. Foi o ressuscitado João Batista quem foi a figura central dessa restauração. Foi ele quem apareceu a Joseph Smith e Oliver Cowdery nas margens do rio Susquehanna, como mensageiro enviado por Deus em resposta às suas orações. ¶
Disse-lhes que vinha sob a direção de Pedro, Tiago e João, e conferiu-lhes o Sacerdócio Aarônico e as chaves deste sagrado poder. Sua vida e missão devem ser uma inspiração para todo portador do Sacerdócio Aarônico. ¶
É esperança do Bispado Presidente que não somente cada membro do Sacerdócio Aarônico, mas também cada membro da Igreja, venha a compreender a grandeza de Arão, seus filhos e sua posteridade, e de João Batista, como homens que deram grande contribuição ao reino em seus dias. ¶
O fato de o Sacerdócio Aarônico ter sido designado como o Sacerdócio Menor não diminui nem reduz sua sacralidade. Continua sendo o poder de Deus. Seu modo de operar foi completamente transformado em nossos dias. Desde a época de sua instituição, nos dias de Arão, e ao longo dos dias da igreja primitiva na Meridiana dos Tempos, e novamente durante o período inicial da Igreja nesta dispensação, somente homens eram chamados aos ofícios deste sacerdócio. Antes da virada do século passado, jovens foram gradualmente sendo introduzidos neste programa, e hoje é principalmente um plano de dar treinamento a nossos jovens de doze a vinte anos de idade. O treinamento que recebem hoje é uma bênção para o Sacerdócio de Melquisedeque. É um dos objetivos primários do Bispado Presidente assegurar que cada jovem receba este treinamento. Os membros do Sacerdócio Aarônico de hoje são os membros do Sacerdócio de Melquisedeque de amanhã, e, se participarem ativamente do Sacerdócio Aarônico, estabelecem um alicerce sólido sobre o qual edificar, uma vez que recebam o sacerdócio superior. As vantagens do atual programa do Sacerdócio Aarônico jamais foram igualadas. ¶
Entre o 19º e o 20º aniversário, há pelo menos três importantes bênçãos que chegam a um jovem que honrou seu sacerdócio. Primeiro, é recomendado para ser ordenado élder e possuir o sacerdócio superior. Segundo, muito provavelmente será convidado a servir uma missão para a Igreja. ¶
Esta é uma tremenda e importante oportunidade para todo jovem. Terceiro, por meio de sua fidelidade ao Sacerdócio Aarônico e sua ordenação ao sacerdócio superior, muito provavelmente terá a oportunidade de levar sua noiva à casa do Senhor e ser selado por tempo e eternidade. Estas são apenas três das importantes bênçãos que vêm por meio da fidelidade no Sacerdócio Aarônico. ¶
Confio que sempre me encontrarei auxiliando nossos jovens na Igreja, assim como fui auxiliado por irmãos fiéis que presidiram o Sacerdócio Aarônico quando eu era menino. Recordo-me vivamente de um maravilhoso bispo, de nome Elias S. Woodruff, que por duas vezes foi presidente de missão, foi membro do comitê geral de bem-estar da Igreja, mas que penso ter sido notável como bispo e líder de rapazes. Eu fui um de seus sacerdotes. Na época em que era bispo, presidia uma ala muito grande. Havia sessenta e três sacerdotes naquele quórum de sacerdotes. Recordo-me do Bispo Woodruff entrando na sala, tirando o paletó, pendurando-o no encosto de sua cadeira, e então ensinando o evangelho a este grande grupo de jovens. Todos nós aprendemos a amá-lo. Recordo-me de que mais de cinquenta desses rapazes foram servir missão, e tivemos trinta e dois missionários de nossa ala no campo missionário ao mesmo tempo. O Bispo Woodruff foi um exemplo notável da devoção de um bispo a seus quóruns do Sacerdócio Aarônico. Espero que todos os bispos possam aprender com um exemplo como este. ¶
Que nós, como pais e líderes de nossos rapazes, empreguemos todo esforço para trazer as plenas bênçãos do sacerdócio a cada um deles, a fim de que a culminação de suas atividades no Sacerdócio Aarônico se torne um degrau para um grande e maravilhoso futuro. ¶
Que as escolhidas bênçãos de nosso Pai Celestial estejam conosco em nossos esforços para servi-lo, oro e deixo meu testemunho, junto com os maravilhosos testemunhos já dados sobre a divindade desta grande obra dos últimos dias, em nome de Jesus Cristo. ¶
Amém. ¶