Meus Amados Irmãos e Irmãs, Humildemente...
Milton R. Hunter
Meus amados irmãos e irmãs, humildemente peço um interesse em vossa fé e orações para que o Espírito de Deus dirija o que eu possa dizer. ¶
Os profetas do Livro de Mórmon fizeram numerosas predições a respeito dos índios, ou os lamanitas, prometendo muitas grandes bênçãos que viriam a eles nos últimos dias. Algumas das profecias a respeito dos índios já se cumpriram; outras estão se cumprindo; e eventualmente todas as predições dos santos profetas se cumprirão. ¶
Gostaria, nesta tarde, de contar duas experiências maravilhosas vividas pelos índios na Guatemala, na América Central. ¶
Estas experiências me foram relatadas enquanto eu visitava aquele país. ¶
Percorri a Missão da América Central em janeiro de 1956, na companhia do Presidente e da Irmã Edgar Wagner. Estávamos num trem vindo da Cidade da Guatemala para Quiriguá, na Guatemala. ¶
Viajando no mesmo vagão conosco estava uma mulher indígena muito encantadora, uma quiché maia de Quezaltenango, na Guatemala. ¶
Ela estava acompanhada de seu marido. ¶
O Presidente Wagner os apresentou a mim, dizendo que a mulher indígena era a presidente da Sociedade de Socorro em Quezaltenango. Sentei-me no assento ao lado e conversei com eles. A mulher me contou a seguinte história: ¶
"Quando eu era menina," ela disse, "algo maravilhoso aconteceu em minha cidade natal. Certo dia, dois estranhos chegaram a Quezaltenango. Eram homens altos — muito mais altos do que os homens indígenas de nosso país — e sua pele era branca. Eram homens de bela aparência. Suas roupas diferiam muito das usadas pelos quichés maias. Ninguém tinha a menor ideia de quem eram ou de onde vinham. Simplesmente chegaram de repente no centro da cidade e começaram a pregar ao povo. Logo um grande grupo de índios se reuniu na rua para ouvir as instruções dadas por aqueles estranhos. Muitas das coisas que nos disseram eram predições do que ocorreria no futuro. ¶
"A coisa que mais me impressionou," ela disse, "foram as declarações que fizeram a respeito de nossos antepassados terem tido, no passado, o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo. ¶
Eles o haviam perdido pela iniquidade e pela apostasia, resultando na retirada do evangelho da terra. Disseram então que Deus havia feito com que o verdadeiro evangelho fosse restaurado novamente à terra, e que num futuro próximo aquele evangelho seria trazido a nosso povo. Aqueles dois mensageiros disseram que reconheceríamos o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo quando ele viesse, e que o sinal pelo qual o conheceríamos seria que jovens, viajando dois a dois, o trariam até nós." ¶
Passaram-se alguns anos, e ela havia se tornado mulher. Finalmente, missionários mórmons chegaram a Quezaltenango. Ao observá-los, e ao ouvi-los pregar, ela se lembrou das coisas que haviam sido preditas pelos dois mensageiros quando ela era menina. ¶
Lembrou-se de que os portadores do verdadeiro evangelho seriam jovens, viajando dois a dois, e aqueles missionários mórmons correspondiam exatamente às predições. ¶
Então ela os convidou para sua casa e recebeu o evangelho por meio deles. ¶
Esta mulher indígena me deu um testemunho muito forte e fervoroso de que sabia que aqueles missionários lhe haviam trazido o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo. Ela disse: ¶
"Sei que Deus enviou aqueles dois estranhos, seus mensageiros, a Quezaltenango para preparar os corações e as mentes dos quichés maias desta parte do país para receber o evangelho de Jesus Cristo. Eu e vários outros de nosso povo que vimos aqueles mensageiros e ouvimos suas predições somos agora mórmons." ¶
Pedi-lhe que me desse os nomes de outros lamanitas que estavam presentes quando os dois mensageiros visitaram Quezaltenango. Ela assim o fez. Pedi a um dos missionários, o élder supervisor, que os procurasse para verificar sua história. Estes outros índios também deram relatos semelhantes daqueles dois estranhos altos e brancos que visitaram Quezaltenango anos atrás. ¶
Neste último janeiro (1959), fui novamente designado para percorrer a Missão da América Central na companhia do Presidente e da Irmã Wagner. A Irmã Hunter me acompanhou nesta viagem. ¶
Pouco depois de chegarmos à Cidade da Guatemala, o Presidente Wagner nos contou sobre alguns acontecimentos muito importantes que haviam ocorrido na vida de certo homem cakchiquel maia chamado Daniel Mich. Este bom lamanita, ou índio, havia se filiado à Igreja pouco antes de nossa chegada à Guatemala. Depois de se tornar membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e pouco antes de chegarmos à Missão da América Central, o Irmão Mich veio à Cidade da Guatemala e compareceu a uma reunião sacramental. Prestou seu testemunho nesta reunião e contou a maravilhosa história de suas experiências, que hoje eu vos recontarei. Ao descrever o relato de Daniel Mich e o testemunho que prestou, o Presidente Wagner disse: ¶
"As lágrimas rolavam pelo rosto do Irmão Mich. Não havia um olho seco na sala. O Espírito de Deus estava ali em grande abundância." ¶
A seguir está a história de Daniel Mich. Ele vivia em Patzicía, na Guatemala, uma pequena cidade não muito distante do Lago Atitlán. ¶
Alguns anos atrás, uma rebelião indígena contra as autoridades do governo, que eram principalmente de sangue espanhol, ocorreu em Patzicía. As autoridades do governo decidiram matar todos os índios que haviam participado dessa rebelião, e especialmente aqueles que a instigaram. ¶
Daniel Mich não havia tomado parte na rebelião; no entanto, as autoridades do governo pensavam que ele era culpado. O Espírito de Deus lhe sussurrou e disse a ele e a seu irmão que fugissem para as montanhas e se escondessem em certo lugar. ¶
Se não o fizessem, seriam mortos. ¶
Eles fizeram como o Espírito instruiu. Ao chegarem ao esconderijo sugerido pelo Espírito, deitaram-se sobre uma saliência e olharam para o precipício abaixo. Lá embaixo podiam ver as autoridades do governo procurando por eles pela encosta da montanha. ¶
Vários índios foram capturados naquela ocasião e mortos. Daniel Mich e seu irmão permaneceram escondidos por dois anos, mas, por fim, também foram capturados. As condições haviam mudado durante aqueles dois anos, a ponto de os irmãos Mich não serem mortos, mas sim lançados na prisão. Por quatro longos anos permaneceram na prisão, vivendo nas mais terríveis condições. Suas roupas se desgastaram. Tinham pouquíssima roupa de cama. Fazia muito frio, e a prisão não era aquecida. Os guardas da prisão lhes davam muito pouco alimento; na verdade, praticamente morriam de fome. E, para piorar ainda mais as coisas, Daniel Mich recebeu notícias de sua esposa de que ela e os filhos estavam praticamente morrendo de fome. Durante os seis anos em que esteve escondido e preso, não haviam conseguido prover o sustento da família. ¶
Em desespero, e, é claro, em grande sofrimento, Daniel Mich ajoelhou-se e orou a Deus, suplicando que o Pai Eterno tivesse misericórdia dele e o deixasse morrer. Também orou para que o Senhor estendesse sua misericórdia a sua esposa e filhos, para que todos pudessem morrer em breve. Suplicou ao Senhor que o libertasse, a ele e a sua família, da miséria e do sofrimento que estavam suportando. ¶
Mas Deus não os deixou morrer. Em vez disso, Daniel Mich teve uma visão, ou um sonho, ou seja lá como se possa chamar. ¶
Ele estava subindo pela encosta de uma montanha íngreme, por uma trilha bem definida. ¶
Chegou a um lugar onde uma trilha secundária se desviava da trilha principal. Um homem estava parado na trilha secundária e disse: "Segui-me." ¶
Daniel Mich respondeu: "Não, não posso seguir-vos. Devo seguir esta trilha em frente." ¶
Ele foi um pouco mais adiante, e outro homem estava parado numa outra trilha secundária. Ele também disse: "Segui-me." ¶
E novamente Daniel Mich respondeu: "Não, não posso seguir-vos. Devo ir em frente." Esta experiência se repetiu três ou quatro vezes. ¶
Daniel Mich explicou: "Finalmente cheguei ao cume, e ali, de pé diante de mim, estava um homem alto, de bela aparência, com belos cabelos brancos. Ele tinha um sorriso muito bondoso e belo. ¶
Este homem me disse: 'Daniel, segui-me.' Eu respondi: 'Eu vos seguirei,' porque, ao dizer isso, o Espírito de Deus me sussurrou e disse: 'Aquele homem tem a verdade.'" ¶
Pouco depois de ter esse sonho ou visão, Daniel Mich e seu irmão foram libertados da prisão. Voltaram para sua cidade natal. Pouco tempo depois, e possivelmente cerca de um ano antes de eu visitar a Guatemala, missionários chegaram a Patzicía, a cidade natal do Irmão Mich. Não haviam trabalhado ali por muito tempo quando, certo dia, o prefeito os mandou chamar a seu escritório. Quando os missionários chegaram, viram uma grande multidão de índios, talvez 200 ou mais, reunida diante do escritório do prefeito. Ao se aproximarem os missionários, segundo a descrição que eles próprios deram, "A multidão de índios se abriu como o Mar Vermelho se abriu para os israelitas passarem. Caminhamos entre duas colunas de índios e adentramos o escritório do prefeito." ¶
Os élderes disseram ao prefeito: "O senhor mandou nos chamar?" ¶
"Sim, mandei," foi a resposta. ¶
"O que o senhor deseja?" perguntaram. ¶
O prefeito respondeu: "Tenho aqui diante de mim uma petição assinada por duzentos cidadãos de nossa comunidade, na qual exigem que vós, jovens, deixeis a cidade imediatamente e que vos abstenhais de ensinar vossa religião novamente em nossa comunidade. Ireis embora?" ¶
"Não, não iremos embora," responderam os missionários. "Não deixaremos esta cidade até que nosso presidente de missão nos diga para partir." ¶
Os élderes permaneceram sentados em silêncio no escritório do prefeito por vários minutos, e então um deles perguntou: "O que o senhor pretende fazer?" ¶
O prefeito respondeu: "Não sei." ¶
Então um dos missionários sugeriu que ele telefonasse ao governador, e talvez o governador pudesse instruí-lo. O prefeito imediatamente pegou o telefone, ligou para o governador e explicou a situação. ¶
O governador instruiu enfaticamente: "Deixem esses missionários mórmons em paz. ¶
Eles têm o direito de ensinar sua religião em sua cidade ou em qualquer outra cidade da Guatemala, porque temos liberdade religiosa em nosso país." ¶
Depois desta solução favorável do problema, os missionários saíram do escritório do prefeito. Mais uma vez descreveram a multidão, dizendo que ela se abriu como o Mar Vermelho se abriu para os israelitas. Os élderes passaram entre aquelas duas longas fileiras de índios. Ao chegarem à borda da multidão, dois homens se aproximaram deles e disseram: "Viríeis a nossas casas conversar conosco?" Um dos homens era Daniel Mich. ¶
Os missionários ficaram felizes em aceitar o convite. Foram à casa de Daniel Mich e lhe ensinaram o evangelho. Ele recebeu tudo o que lhe ensinaram com muita fé e sinceridade. Ensinaram-lhe apenas três ou quatro lições quando um acontecimento muito importante ocorreu. ¶
Certo dia, no meio de uma das lições, um dos missionários abriu seu livro, e Daniel Mich viu a fotografia de um homem alto, de bela aparência, com belos cabelos brancos. ¶
O Irmão Mich imediatamente e com grande emoção exclamou: "Este é o homem! É ele quem eu vi!" ¶
É claro que os missionários se perguntaram do que ele estava falando, e assim o questionaram. Em resposta, ele lhes contou a maravilhosa história que acabo de contar-vos hoje, minha boa gente. ¶
Então Daniel Mich perguntou: "Quem é este homem cuja fotografia tendes em vosso livro?" ¶
"Seu nome é David O. McKay," responderam os missionários. "Ele é o Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ele é o santo profeta, vidente e revelador de Deus sobre a terra no momento presente. Ele é o homem que detém as chaves do reino de Deus e está como representante de Cristo na verdadeira Igreja e como o líder na propagação do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo." ¶
Com profunda sinceridade, Daniel Mich respondeu: "Sei que todas as coisas que me dissestes são verdadeiras. Sei que vós, missionários, tendes o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo." Então perguntou: "Sabeis por que vos convidei a vir à minha casa naquele dia, quando saístes do escritório do prefeito?" ¶
"Claro que não sabemos, mas certamente gostaríamos de saber," responderam. ¶
Então Daniel Mich explicou: "No momento em que aquele homem alto, de bela aparência, com belos cabelos brancos — que me dissestes ser o Presidente David O. ¶
McKay — me disse: 'Daniel, segui-me,' o Espírito do Senhor me sussurrou e disse: 'Este homem tem a verdade.' O Espírito também disse: 'Dois jovens vos trarão a verdade'; e quando vós chegastes recentemente à nossa cidade e começastes a ensinar vossa religião, fiquei curioso. Eu vos vinha observando e tentando descobrir tudo o que podia a vosso respeito. Quando os cidadãos de Patzicía assinaram a petição para que fossem expulsos da cidade, e quando fostes chamados a ver o prefeito, juntei-me à multidão diante do escritório do prefeito para ver o que aconteceria. E agora," ¶
ele disse, "todas as coisas em que eu acreditava foram confirmadas. Sei que David O. McKay é um profeta de Deus. Também sei que tendes a verdadeira religião de Jesus Cristo." ¶
Estas duas importantes histórias demonstram o fato de que o Senhor está tocando os corações dos lamanitas, e eles estão recebendo o evangelho. Ele está abrindo o caminho para o cumprimento das promessas feitas aos lamanitas, ou índios, pelos profetas do Livro de Mórmon. ¶
A última reunião de nossa viagem missionária foi realizada em Chimaltenango, na Guatemala, na noite de 30 de janeiro de 1959. ¶
A obra missionária foi aberta neste distrito apenas dois anos antes. Há quatro cidades no distrito, com uma membresia da Igreja de 141 pessoas. ¶
Havia 425 pessoas presentes na conferência, praticamente todas índias. Com base na população da Igreja no distrito, tivemos 300 por cento de comparecimento. Praticamente todas as mães indígenas carregavam um bebê envolto num xale e amarrado ao corpo. A maioria das pessoas estava descalça; eram humildes, tementes a Deus, um povo fiel, pobre em bens materiais, mas rico em espiritualidade e em seu amor pelo Senhor. ¶
O Irmão Daniel Mich, de Patzicía, estava presente. Chamamos este humilde índio para falar. Quando ouvi seu testemunho por trinta a quarenta minutos e senti a influência espiritual de Deus que dele emanava, pude compreender por que o Senhor amava este humilde, inteligente e espiritual lamanita o bastante para lhe dar as maravilhosas experiências que vos contei. Sempre me lembrarei de nossa conferência em Chimaltenango e do belo testemunho dado pelo Irmão Daniel Mich, de Patzicía, uma das cidades do distrito de Chimaltenango. Estou convencido de que Deus ama o povo lamanita. ¶
Agora, irmãos e irmãs, quero prestar meu testemunho. Sei que Deus vive, assim como sei que estou vivo. Sei que Jesus é o Cristo, o Salvador do mundo. Sei que Joseph Smith é um dos maiores profetas que já existiram sobre a terra. Testifico que o verdadeiro evangelho de nosso Mestre foi restaurado sobre a terra por meio dele. ¶
Também testifico que cada um dos presidentes da Igreja, desde o tempo de Joseph até o presente, deteve as chaves do reino. Cada um deles, até e incluindo o Presidente David O. McKay, foi divinamente escolhido para ser o Presidente da Igreja, cada um sendo um profeta, um vidente e um revelador. ¶
Sinto como Daniel Mich explicou: estou disposto a seguir o Presidente David O. ¶
McKay em todos os momentos e a fazer tudo o que ele me pedir que faça. Oro a Deus que eu tenha a força, a fé e o entendimento para seguir todas as coisas que ele me disser para fazer, porque sei que ele não me dirá para fazer nada que seja em meu detrimento ou em detrimento das pessoas com quem trabalho. ¶
Também suplico humildemente a todos os Santos dos Últimos Dias que tenhamos o mesmo espírito e testemunho que este humilde índio teve. Que todos nós sigamos em todos os momentos a liderança do Presidente David O. McKay e façamos tudo o que ele nos pedir. Nós o aceitamos como o santo profeta de Deus. Se seguirmos sua liderança em todas as coisas, alcançaremos nossa exaltação eterna. Que esta seja nossa feliz condição, e que nosso Pai Eterno nos abençoe com fé e força de caráter suficientes para guardarmos sempre todos os seus mandamentos, humildemente oro, em nome de Jesus. Amém. ¶