Pulpit

Depois da Última Ceia, Jesus Estava...

Sterling W. Sill

1959 April General Conference·Second Day Morning Meeting·1959-04-05

Depois da Última Ceia, Jesus estava dando algumas instruções finais a seus discípulos. Ele estava tentando prepará-los para o pesado fardo de responsabilidade que em breve recairia sobre eles.

Ele falou muito com eles sobre sua própria missão, sua associação com seu Pai e o que deveria ser o relacionamento deles com Deus. Durante a discussão, Filipe disse a Jesus, ". . .

Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta." (João 14:8.) Esta pergunta aponta para o que é provavelmente a maior responsabilidade de nossas vidas — não somente conhecer a Deus, mas também compreender o plano do evangelho e viver em harmonia com ele. O relacionamento adequado entre os homens e Deus dá propósito à vida. Pouco importa se viajamos numa carroça de bois ou num míssil interplanetário, se nossa jornada carece de propósito.

Pensai como é importante compreendermos que Jesus é o Redentor do mundo, que ele expressou a vontade divina aos homens, que ele foi literalmente gerado pelo Pai. Jesus procurou ajudar seus discípulos a compreender o Pai por meio da compreensão do Filho, que era a expressa imagem da pessoa de seu Pai. (Heb. 1:3.) A Filipe ele disse: ". . . quem me vê a mim vê o Pai; . . ." (João 14:9.) Assim como foi com os discípulos, assim é conosco.

Nosso relacionamento com Deus envolve as maiores recompensas e as mais importantes responsabilidades que já vieram aos homens e mulheres na vida mortal, e é perfeitamente natural e adequado que nos unamos a Filipe em seu pedido de ". . . mostra-nos o Pai." (Idem, 8.) Isto é, a maior necessidade do homem é Deus. Deus nos criou. É o seu Espírito que ". . . dá luz a todo homem que vem ao mundo; . . ."

(D&C 84:46.) Todos os dias ele nos envia alimento, energia e vitalidade do sol.

Isto é, nosso mundo não é um mundo independente. Se os raios do sol fossem interrompidos por um curto período, nenhuma vida poderia sobreviver nesta terra. Deus não apenas nos dá literalmente o nosso pão de cada dia, mas também é responsável por nossa vitalidade mental e espiritual. (Ibid., 88.) É porque nossa maior necessidade é Deus que o primeiro e mais importante mandamento está centrado em mantermos um relacionamento adequado com ele. E os pecados mais graves são nossos abusos desse relacionamento, em que nos afastamos de Deus. Satanás pecou na presença de Deus, o que estabelece o ponto mais alto para o pecado.

De vez em quando devemos perguntar a nós mesmos quão eficazes somos — individual e coletivamente — nesse relacionamento de suma importância. Talvez possamos obter uma pista de algumas estatísticas interessantes transmitidas recentemente pelo rádio. Uma pesquisa indicou que noventa e cinco por cento de todas as pessoas na América afirmam crer em Deus. Oitenta por cento dos pesquisados disseram aceitar a Bíblia como a palavra autorizada de Deus. Todos os anos, na América, gastamos mais de cem milhões de dólares em Bíblias. Uma porcentagem maior de americanos atualmente reivindica associação com alguma igreja cristã do que em qualquer época anterior de nossa história. No entanto, paralelamente a esse grande aumento na religião, há um correspondente aumento no crime, na delinquência e no verdadeiro analfabetismo espiritual. Esta pesquisa indicou que apenas trinta e cinco por cento de todos os que foram questionados sequer sabiam os nomes dos quatro Evangelhos. E mais da metade disse que a religião não desempenhava papel significativo em seus negócios ou assuntos políticos.

No verão passado, no Madison Square Garden, Billy Graham apontou um de nossos problemas ao dizer: "Apesar de toda a nossa conversa sobre religião, há tragicamente pouco compromisso cristão pessoal e verdadeiro na América de hoje." É muito fácil ficarmos perturbados quando ouvimos falar dos russos fechando suas igrejas ou tentando banir Deus de seu país e da vida de seu povo. Mas o que a Rússia fez oficialmente, milhões de pessoas estão fazendo em particular e individualmente. Isto é, de que adianta nossas igrejas estarem abertas se não estamos nelas, ou mesmo que gastemos um bilhão de dólares em Bíblias que não lemos? Uma coisa é certa: nenhum de nós pode se dar ao luxo de deixar de observar devidamente o primeiro e mais importante mandamento.

Nossa vida eterna depende disso.

Deveria estimular-nos lembrar que, quando Jesus nasceu em Belém, não se encontrou lugar para ele na hospedaria. Mas há um estranho pressságio nesse pensamento. "Nenhum lugar" foi a experiência do Mestre ao longo de sua vida. Não houve "lugar" para suas doutrinas, "lugar" para o espírito de sua missão. Não devemos permitir que a história se repita porque não fazemos lugar em nosso país ou em nossas vidas para o Salvador do mundo. Tampouco cumprimos nossa obrigação para com Deus e nossas próprias almas dizendo displicentemente: "Cremos em Deus," e deixando o assunto por aí, sem compreender nem a Deus nem a natureza específica de nossa responsabilidade para com ele.

Os mestres de religião que "se autoproclamam" para o ministério e depois "ensinam suas próprias doutrinas" devem arcar com uma terrível parcela da responsabilidade por nossa infeliz situação mundial. Nem mesmo Jesus ensinou sua própria doutrina.

Ele disse: ". . . a minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou." (João 7:16.) Quanta confusão e verdadeiro dano seriam evitados se todo mestre religioso seguisse o exemplo do "grande Mestre."

Recentemente li um livro escrito por um ministro popular, no qual ele tentava analisar as grandes doutrinas cristãs ensinadas na Bíblia, e depois fazia comparações com algumas das doutrinas atualmente ensinadas.

Por exemplo, ele disse que o Deus da Bíblia é um Deus pessoal — não pode haver dúvida quanto a isso. Mas ele disse: "Não acreditamos mais nisso."

E então, para fundamentar sua afirmação, ele citou respostas a perguntas diretas sobre o que alguns ministros proeminentes haviam dito acerca de sua concepção de Deus.

Um ministro disse: "Ninguém pode de forma alguma conhecer a Deus. Ele é absolutamente incomensurável, indescobrível e indiscernível. Ele não está limitado a fronteiras, e podemos ter certeza de que ele não tem corpo nem forma." Outro ministro disse que "Deus é um princípio eterno." Outro disse que Deus é "um gigantesco cérebro eletrônico." Outro disse que Deus é "um éter cósmico móvel." Este ministro apontou o quanto esses conceitos eram completamente contrários aos das escrituras. Ele disse: "Imaginem Jesus orando a um éter cósmico móvel. Jesus orou — '. . . Pai nosso, que estás nos céus. . . .' (Mateus 6:9.) Ele disse a Maria: '. . . vai para meus irmãos, e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus.'" (João 20:17.) Essa declaração deve ser perfeitamente clara para todos. E, no entanto, este grande ministro disse: "Não acreditamos mais nisso."

Depois ele discutiu a ressurreição.

Ele disse que aqueles que escreveram a Bíblia criam numa ressurreição corporal literal.

Não podia haver dúvida quanto a isso. O corpo de Jesus saiu do túmulo e ministrou entre os homens por quarenta dias. Ele disse a Tomé: ". . . Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente." (Idem, 27.) Então ele leu o parágrafo em que Mateus disse: ". . . E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados, "E saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos." (Mateus

27:52-53.) Mas este grande ministro também descartou essa doutrina em particular dizendo: "Não acreditamos mais nisso."

Há aqueles que, por meio de seus ensinamentos, privariam Deus de seu corpo, negariam sua personalidade, tirariam seus sentidos, faculdades e sentimentos. Eles o deixariam sem sexo, sem pensamento e sem ajuda, sem fronteiras, forma, identidade ou localização. Alguns se entregam ao absurdo sem esperança de fundir três em um e, então, de alguma forma misteriosa e inacreditável, expandir o resultado para preencher a imensidão do espaço.

Essas falsas doutrinas têm contribuído grandemente para a indiferença e a incredulidade de nossos dias. Isto é, muito da atual descrença em Deus não é uma negação de Deus, mas uma negação das ideias falsas e inacreditáveis acerca de Deus. À luz dessa trágica situação, a importância do apelo de Filipe por compreender a Deus assume um significado urgente e imperioso. Que pedido mais importante poderia fazer nossa geração do que uma oração unida, sincera e de todo o coração, dizendo: "Mostra-nos o Pai."

A obra e a mensagem d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias estão centradas no cumprimento literal e físico, em nossos dias, do pedido de Filipe.

No início da primavera de 1820, em resposta a essa importante necessidade, Deus, o Pai, e seu Filho Jesus Cristo reapareceram nesta terra para restabelecer entre os homens uma crença no Deus de Gênesis, uma crença no Deus ensinado por Jesus, uma crença no Deus da Bíblia, uma crença no Pai dos espíritos, cuja vontade é que nenhum de seus filhos pereça. (Mateus 18:14.) A voz do Pai foi ouvida no batismo de Jesus; (ibid., 3:17) e novamente na transfiguração. (Ibid., 17:5.) Mas em nossos próprios dias ele tem se manifestado com uma literalidade completa que não pode ser confundida, mal-entendida ou desconsiderada. Ao falar sobre essa importante manifestação, o Profeta Joseph disse:

"... vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim.

". . . Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: 'Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!' " (Joseph Smith 2:16-17.) Em meio à perseguição que se seguiu, o Profeta disse:

"... eu realmente tinha visto uma luz e, no meio dessa luz, vi dois Personagens; e eles realmente falaram comigo; e embora eu fosse odiado e perseguido por dizer que tivera uma visão, isso era verdade; e enquanto me perseguiam, injuriando-me e afirmando falsamente toda espécie de maldades contra mim por dizê-lo, fui levado a pensar em meu coração: Por que perseguir-me por contar a verdade? Tive realmente uma visão; e quem sou eu para opor-me a Deus, ou por que pensa o mundo fazer-me negar o que realmente vi? Porque eu tivera uma visão; eu sabia-o e sabia que Deus o sabia e não podia negá-la; nem ousaria fazê-lo." (Idem, 2:25.) Que mensagem emocionante! Que testemunho tremendo! Com que ansiedade deveria ser recebido por cada filho de Deus como uma base sólida para sua fé! Durante a longa e escura noite trazida ao mundo pela apostasia, pode ter havido espaço para muitas dúvidas. Mas agora essas dúvidas podiam ser dissipadas. Havia agora alguém no mundo que realmente tinha visto a Deus e que sabia com certeza, não apenas que ele vive, mas o tipo de Personagem que ele é. Agora era possível saber que, acima dos ditadores, acima do acaso e acima das circunstâncias, existe Deus, nosso Pai Celestial, a quem toda a humanidade é responsável e de quem provêm todas as nossas bênçãos. Quão importante é que todos investiguem e aprendam a verdade! Se alguém errasse ao crer que o evangelho de Jesus Cristo é verdadeiro, ele de forma alguma poderia ser o perdedor por esse engano. Mas quão irreparável é a perda de quem errasse supondo o evangelho de Jesus Cristo falso.

Benjamin Disraeli certa vez disse: "O segredo do sucesso na vida é estar pronto para o sucesso quando ele chegar." Como é lamentável quando não estamos prontos, especialmente quando os assuntos envolvidos são de tamanha importância suprema. A pior tragédia dos últimos dois mil anos é que o testemunho de Jesus acerca do Pai e de si mesmo foi, em grande parte, ignorado. Essa tragédia está se repetindo em nossos dias, pois tantos ainda não estão prontos. Estamos tão absortos em nós mesmos que tendemos a expulsar Deus de nossas vidas.

A vida neste mundo não é centrada no homem — é centrada em Deus. Assim como tantos fazem em nossos dias, o filho pródigo dissipou sua herança porque seu mundo estava centrado em si mesmo, e não em Deus. A maior realização possível de nosso mundo é conhecer a Deus, crer em Deus e obedecer a Deus.

Filipe disse: ". . . mostra-nos o Pai, e isso nos basta." A importância avassaladora desse apelo foi enfatizada pelo próprio Mestre quando, naquela última noite fatídica, ao orar a seu Pai, ele disse: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (João 17:3.) Quão tremendamente importante é, portanto, que ambos esses grandes Personagens tenham reaparecido aos homens sobre a terra em nossos próprios dias, para que possamos saber por nós mesmos.

Gostaria de encerrar com uma citação de uma das mais importantes declarações já feitas no mundo. Depois que Joseph Smith e Sidney Rigdon receberam uma esclarecedora e gloriosa manifestação celestial em Hiram, Ohio, em 16 de fevereiro de 1832, cujo relato está registrado na septuagésima sexta seção de Doutrina e Convênios, eles escreveram estas emocionantes linhas:

"E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive!

"Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai — "Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus." (D&C 76:22-24.) A isso gostaria de acrescentar meu próprio testemunho pessoal, de que sei que Deus vive e que seu sacerdócio e sua Igreja, ensinando suas doutrinas, estão agora sobre a terra, para que possamos, em verdade, ser seus discípulos. Que Deus nos ajude a aproveitar esta tremenda oportunidade, oro em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoSterling W. Sill, “Depois da Última Ceia, Jesus Estava...”, 1959 April General Conference, Second Day Morning Meeting (1959-04-05). Pulpit Vault, 1959-04-sill-after-the-last-supper-jesus-was-giving. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).