Pulpit

Um Programa de Cinco Pontos para o Serviço Missionário

Gordon B. Hinckley

1959 April General Conference·Third Day Afternoon Meeting·1959-04-06

Meus irmãos e minhas irmãs, busco o Espírito do Senhor para que o que eu disser esteja em harmonia com as coisas inspiradoras que ouvimos durante os últimos três dias. Ao olhar para os vossos rostos, vejo o cumprimento da profecia.

Em vossa presença, vejo a realização das palavras de Jeremias: ". . . e vos tomarei, um de uma cidade, e dois de uma família; e vos levarei a Sião.

"E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência."

(Jeremias 3:14-15.) Estais aqui, cada um de nós está aqui, desfrutando das bênçãos do Senhor porque os servos do Senhor foram ao mundo ensinar as boas novas do evangelho para a bênção dos filhos de nosso Pai. Mais de oitenta mil deles já foram. Deram mais de duzentos mil anos-homem de serviço dedicado. Tenho certeza de que poucos de nós apreciamos o custo, as tristezas, as dores, os sacrifícios e os resultados desse magnífico esforço.

Li outro dia uma história escrita por uma menina cujo pai estava em missão na Dinamarca quando ela e sua mãe moravam em Parowan. Ela escreve:

"Minha mãezinha teve de trabalhar como escrava para sustentar os filhos enquanto papai estava em missão. Lembro-me de como, toda noite, ela fiava, e como, durante o dia, eu rachava finas lascas da madeira resinosa, e à noite ficava sentada com ela, cuidando do bebê e segurando e acendendo aqueles gravetos resinosos para que ela pudesse ver para fiar, e de como eu chorava ao ir para a cama, pensando que minha querida mãezinha tinha de trabalhar tanto . . .

"Lembro-me do Natal de 1862.

"Todos nós, filhos, pendurávamos nossas meias. Levantávamo-nos cedo pela manhã para ver o que o Papai Noel tinha trazido, mas não havia nada nelas.

"Mamãe chorou amargamente. Foi à sua caixa, pegou uma pequena maçã, cortou-a em pedacinhos, e esse foi o nosso Natal, mas até hoje nunca me esqueci de como amei suas queridas mãozinhas enquanto cortava aquela maçã."

(Hannah Daphne Smith Dalton) Há alguns anos, fiz uma pesquisa sobre a descoberta de ouro na Califórnia, na qual homens do Batalhão Mórmon participaram. Descobri que, enquanto homens viajavam para o oeste, por terra e mar, em busca de ouro, missionários destes vales viajavam para o leste, por terra e mar, em busca de almas.

E os dias de sacrifício não terminaram. Como ouvistes esta manhã, entre as estatísticas que vos foram lidas, os pais e amigos de nossos missionários enviaram-lhes, no ano passado, entre cinco e seis milhões de dólares. Esse dinheiro foi gasto não somente em dólares, mas também em libras e xelins, em coroas e kroner, em francos e marcos, em ienes, em pesos e em cruzeiros.

Somai a isso o valor do tempo dos missionários. Calculando de maneira conservadora, mais cinco ou seis milhões de dólares, e tereis uma consagração de pelo menos dez milhões de dólares por ano, com o propósito de declarar a realidade e a personalidade de Deus, o profundo significado da Expiação e a restauração da Igreja do Senhor, guiada por apóstolos e profetas.

Penso que vos interessareis por estas notáveis palavras do Profeta Joseph Smith, escritas em 1842, dois anos antes de sua morte:

". . . nenhuma mão profana pode deter a obra de progredir; as perseguições podem enfurecer-se, as turbas podem aliar-se, os exércitos podem reunir-se, a calúnia pode difamar, mas a verdade de Deus seguirá adiante, corajosa, nobre e independente, até que tenha penetrado em todo continente, visitado todo clima, varrido todo país e soado em todo ouvido, até que os propósitos de Deus se cumpram e o Grande Jeová diga que a obra está feita." (History of the Church 1:540.) Essa é a magnitude de nossa missão, irmãos e irmãs, e ela não se cumprirá até que o Grande Jeová diga que a obra está feita.

Tenho certeza de que todos nós ficamos gratos pelas muitas coisas boas ditas a respeito da Igreja. Somos profundamente gratos pelas oportunidades do rádio e da televisão, e pela generosidade da imprensa, tudo o que ajuda a construir uma atmosfera favorável para ensinar o evangelho. Mas estou confiante de que jamais chegará o tempo em que não precisaremos de homens e mulheres vigorosos, de fé, para irem ao mundo como missionários por esta causa. Nunca encontramos, e penso que jamais encontraremos, um substituto adequado para a situação em que dois jovens sadios se encontram com uma família, raciocinam com ela, ensinam-na, testificam-lhe e oram com ela. Sempre precisaremos de missionários. Com esse pensamento em mente, gostaria de sugerir um programa de cinco pontos para os membros da Igreja, um programa que considero fácil de alcançar e que se mostraria proveitoso para esta grande causa.

  1. Que cultivemos em nossos lares uma atitude adequada em relação ao serviço missionário. Desfrutamos das bênçãos que tanto prezamos por causa daqueles que nos precederam. Por um senso de apreço, por simples gratidão, devemos esforçar-nos para estender essas mesmas bênçãos a outros. Nossos jovens têm a obrigação de preparar-se para o serviço missionário.

Devemos também cultivar a atitude de que não há nada de férias, nada de feriado neste grande serviço missionário. É um trabalho árduo e, por vezes, desanimador. No ano passado, nossos missionários dedicaram, em média, sessenta e sete horas por semana ao esforço efetivo de proselitismo. Que aqueles que cogitam ir em missão compreendam que trabalharão como nunca trabalharam antes, e que poderão esperar uma alegria como nunca conheceram.

  1. Que fomentemos o treinamento para o serviço missionário. Um dos grandes elogios feitos ao Salvador foi que ele ensinava como quem tem autoridade. O missionário que conhece as escrituras e sabe citá-las fala com voz de autoridade. Não é essencial memorizar quinhentas citações, nem mesmo trezentas. Cinquenta versículos bem escolhidos das escrituras se tornarão uma ferramenta notavelmente eficaz nas mãos de um missionário. Permiti-me sugerir que, em nossas reuniões familiares, façamos um projeto de memorizar uma citação de escritura por semana, pertinente a esta obra. Ao final de um ano, nossos filhos terão nos lábios um acervo de escrituras que permanecerá com eles por toda a vida.

  2. Que façamos a preparação financeira. A obra missionária, como tudo o mais, tornou-se mais dispendiosa. Fiquei animado com minha experiência ao entrevistar recentemente um jovem no Arizona. Perguntei-lhe se tinha o sincero desejo de servir uma missão. Ele respondeu: "Desejo ir desde os sete anos e, além disso, desde então tenho economizado para isso. Tenho $1.600 no banco para ter certeza de que terei os meios para ir." Um pouco de cada vez, poupado sistematicamente, assegurará a nossos filhos que os meios necessários estarão disponíveis quando chegar um chamado missionário.

  3. Que zelemos para que nossa conduta pública e privada apoie a causa missionária. Nenhum membro desta Igreja pode baixar seus padrões sem lançar um obstáculo no caminho daqueles que se esforçam para ensinar o evangelho no mundo. Da mesma forma, nenhum membro pode manter os padrões da Igreja na vida pública e privada sem refletir força para a causa.

  4. Por fim, que todos nós tenhamos o espírito missionário, que busquemos oportunidades para ensinar o evangelho, distribuir o Livro de Mórmon, deixar que as pessoas saibam no que cremos. Tenho mantido uma agradável correspondência com um homem na Inglaterra, com quem travei conversa em um avião ao atravessar o Atlântico. Ele já leu o Livro de Mórmon e parte de nossa outra literatura. Tenho o prazer de notar uma mudança significativa em sua atitude em relação à Igreja.

Uma das fontes mais frutíferas de contato para nossos missionários está nas indicações que lhes são enviadas. Um membro da Igreja sugere a um colega ou a um parente que convide os missionários para ir à sua casa.

O Presidente J. Leonard Love diz-me que, na Missão Norte da Califórnia, a experiência deles indica que quarenta por cento das indicações que recebem resultam em ingresso na Igreja. Pensai nisso! Quarenta por cento dos nomes que lhes são enviados resultam em batismos de conversos! Na Missão Britânica, verificou-se certa vez que sessenta e oito por cento dos que ingressaram na Igreja fizeram seu primeiro contato com as doutrinas por meio de membros da Igreja.

Meus irmãos e minhas irmãs, esta incumbência de ensinar o evangelho pertence a todos nós, não somente aos cinco mil e quinhentos homens e mulheres dedicados que atualmente servem no campo missionário. Pertence a cada um de nós, e não estaremos livres dela até que o Grande Jeová diga que a obra está feita.

Que Deus nos ajude a perceber e cumprir honradamente nossa missão, é o que rogo em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoGordon B. Hinckley, “Um Programa de Cinco Pontos para o Serviço Missionário”, 1959 April General Conference, Third Day Afternoon Meeting (1959-04-06). Pulpit Vault, 1959-04-hinckley-my-brethren-and-sisters-i-seek-the. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).