O Motivo de Tudo
Richard L. Evans
Tenho em minha biblioteca, creio, os discursos de conferência até onde estão disponíveis desde o início, incluindo o Journal of Discourses, e creio que todos os panfletos ou discursos de conferência publicados desde então. Em cada um deles há uma declaração de conselho, de princípios eternos, de mandamentos, de conselhos práticos para o dia em que vivemos. ¶
Esta conferência, na qual já estivemos sentados por quase três dias, não é exceção a isso. Convosco, maravilhei-me com a amplitude e a profundidade do conselho aqui dado, a necessidade dele, e a maneira como toca as necessidades do dia em que vivemos. Fomos alimentados. Nossas vidas foram enriquecidas, firmadas e encorajadas em tudo o que diz respeito à vida, e sinto-me impelido a expressar a gratidão de meu coração por estas conferências recorrentes, quando nos reunimos para relembrar e renovar a fé, o testemunho e a instrução na verdade eterna. ¶
Há algum tempo, como tenho certeza de que muitos de vós fizestes, vi um filme documentário bastante incomum, produzido pelo sistema Bell Telephone, no qual um painel de cientistas e outros analisavam a grande amplitude da criação: este mundo, e os homens, e o espaço além. Foi desenvolvido como se fosse uma história de mistério, e chamava-se, se bem me lembro, "O Estranho Caso dos Raios Cósmicos", no qual cientistas relatavam o que havia sido descoberto e qual era o pensamento atual sobre o que fora descoberto. Haviam escolhido um painel de homens distintos, evocados da história, incluindo alguns nomes célebres. Creio que Charles Dickens estava entre eles, e Edgar Allan Poe, e Dostoiévski, o eminente escritor russo, homens que, em certa medida, estavam julgando o trabalho dos cientistas. ¶
Fiz algumas anotações naquela ocasião e, embora estejam frias e não tenham sido revisadas, elas têm passado por minha mente. Os homens da ciência pediram a esse painel que avaliasse suas descobertas, chamando primeiro a atenção para o fato de que o universo é um todo unificado, de que há evidências de planejamento, inteligência, ordem e lei em todo o universo. ¶
Então, uma das testemunhas, antes de se comprometer com uma opinião, fez uma pergunta muito significativa, a qual sempre nos inclinamos a fazer nas histórias de mistério: "Qual é o motivo de tudo isso? ¶
Falaram-nos sobre o espaço. Falaram-nos sobre a terra. Falaram-nos sobre os raios cósmicos, e a vida, e os átomos, e todos os fenômenos naturais. Qual é o motivo de tudo isso?" Então concluíram, se bem me lembro, que não sabiam o suficiente sobre o motivo de tudo, e sugeriram que o painel voltasse daqui a cinquenta anos para ver se estariam mais próximos de uma resposta — com os próprios cientistas reconhecendo que, por mais que tivessem descoberto, eram como Newton, que disse: "Não sei o que posso parecer ao mundo, mas, para mim mesmo, pareço ter sido apenas como um menino brincando à beira-mar, e me divertindo, de vez em quando, ao encontrar um seixo mais liso ou uma concha mais bonita do que o comum, enquanto o grande oceano da verdade permanecia todo por descobrir diante de mim." ¶
Penso que o motivo de tudo é uma pergunta sempre presente e sempre insistente: ¶
Qual tem sido o motivo desta conferência? Qual é o motivo do evangelho? Qual é o motivo de todo esse ensino, de toda essa viagem, de todo esse esforço missionário? De todo o trabalho, o esforço e a luta da vida, de todo o empenho, de todo o aprendizado, de todo o viver? ¶
Bem-aventuradamente, o Senhor Deus nos disse qual é o motivo de tudo, e não é um motivo pequeno, pertencente não apenas ao tempo, nem à vida na terra. É um motivo pertencente à eternidade, e a grande frase que resume esse motivo, é claro, já foi lembrada nesta conferência várias vezes. O próprio Senhor Deus declarou ser este o seu propósito e a sua glória: levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem. ¶
O motivo é a felicidade; é a paz; é o progresso; é a vida eterna, e não apenas alguns dias breves ou alguns anos breves. É um motivo de tal consequência e de tal infinitude que transcende tudo o mais. É por isso que fazemos tudo o que fazemos, é por isso que nos reunimos, é por isso que ensinamos, encorajamos e testificamos uns aos outros, é por isso que lembramos uns aos outros destas grandes e eternas coisas da vida. ¶
"E os fariseus, ouvindo que fizera emudecer os saduceus, reuniram-se todos. ¶
"Então um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: "Mestre, qual é o grande mandamento na lei? ¶
"E Jesus disse-lhe: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. ¶
"Este é o primeiro e grande mandamento. ¶
"E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. ¶
"Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus 22:34-40.) Vejo nisso algo, ou gostaria de ver nisso hoje, algo que nem sempre se vê: penso que isso implica não apenas que devemos amar nosso próximo, mas que, de maneira muito sincera, real e desinteressada, devemos também amar a nós mesmos. Penso que o Senhor Deus deve ter pretendido que tivéssemos elevada consideração e respeito por nós mesmos, assim como elevada consideração e respeito pelos outros homens. ¶
Penso numa frase de Ruskin, em que ele disse: "Não há riqueza senão a vida." A vida que cada um de nós tem é, afinal, a soma e a substância de tudo o que temos, no tempo e na eternidade. ¶
E penso que nenhum homem inteligente jamais faria deliberadamente algo que não o tornasse feliz. Não consigo conceber um homem inteligente fazendo aquilo que o tornaria infeliz. Penso que, quando erramos, erramos porque perdemos nosso senso de valores ou nosso senso de direção, ou não temos bem em mente o que nos fará felizes ou infelizes. Todo o motivo, todos os mandamentos, todo o conselho de Deus, todo esse grande esforço de viver e da vida, todo o empenho, o aprendizado e tudo o mais, deveriam nos tornar basicamente felizes. Nosso Pai não teve outro motivo para nós senão a nossa felicidade, a nossa paz, o progresso e a vida ilimitada com nossos entes queridos eternamente, sempre com realização, sempre com crescimento, sempre com oportunidade, sempre com as mais altas possibilidades que o Senhor Deus pudesse ajudar seus filhos a realizar na vida — este é o motivo, esta é a fonte da felicidade, do serviço, de tudo o que fazemos uns pelos outros, de tudo o que fazemos por nós mesmos. ¶
Agora, à medida que saímos daqui e nos perguntamos o que resulta de tudo isso, qual é o motivo de tudo, e o que é a vida, penso que temos o resumo nas palavras dadas e tantas vezes repetidas, "levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem", e nenhuma decisão de vistas curtas, e nenhum objetivo de vistas curtas, deveria jamais ser o fator determinante de nossas vidas. ¶
Fiquei impressionado, esta manhã, com o conselho do Irmão George Q. Morris, ao aconselhar-nos a irmos avante e vivermos nossas vidas com propósito firme, e a não nos preocuparmos demais com as incertezas e com as coisas que não sabemos. Deixaria este conselho com a nossa juventude: ¶
Todos nós vivemos em meio a incertezas, e sempre vivemos. Todas as gerações viveram, e, se estivéssemos tão preocupados com as incertezas a ponto de não fazermos preparações sólidas para o futuro e de não termos um bom desempenho, teríamos desperdiçado a vida. Com uma paz e um propósito calmos e serenos, com oração em nosso coração, com uma vida limpa e a guarda dos mandamentos, devemos avançar para o futuro e lançar uma base tão ampla, adquirir tanto conhecimento e nos preparar tão bem, e servir tão bem quanto pudermos ou algum dia pudéssemos, apesar de todas as ameaças sinistras e de tudo o mais que parece perturbar o cenário presente. ¶
De um relatório de um jovem missionário, dado há algumas noites, veio uma frase que era grandiosa em suas implicações. Falando sobre perseverar até o fim, ele disse: ¶
"Não devemos apenas perseverar, mas devemos prevalecer." ¶
Há um grande motivo; há um grande propósito. Como se tem perguntado através de todas as eras, "O que é o homem?" Lembro-me da resposta de um cientista a um grande grupo de homens, no verão passado, quando sugeriu alguns elementos da resposta sobre o que era o homem. Ele se empenhou em nos dizer quantos átomos cada homem tinha em sua anatomia física, e pensamos que éramos algo bastante considerável quando ele disse que cada um de nós tinha um octilhão de átomos em nós, em nossa estrutura física. ¶
Depois, tentou nos dizer o que é um octilhão. Disse que, se começasse a chover ervilhas, apenas ervilhas comuns de horta, e chovesse ervilhas com quatro pés de profundidade sobre toda a face da terra, incluindo a superfície de água e de terra, e depois chovesse ervilhas com quatro pés de profundidade sobre 250.000 planetas deste tamanho, isso seria um octilhão — para mais ou para menos, algumas a mais ou a menos. Começamos a nos sentir bastante inflados e importantes. Então ele disse que, se espremêssemos todo o espaço entre todos os átomos, entre os elétrons e todas as partes componentes desses átomos, ficaríamos do tamanho aproximado de um grão de poeira. Então voltamos a adquirir nossa humildade. ¶
Mas, além de todos os átomos, testificou-nos ele, como cientista, a memória é perpetuada; o homem é mais do que uma máquina; e há algo eterno que persiste sempre e eternamente. Isso, é claro, já sabíamos por meio de outras testemunhas. A vida é eterna, e conhecemos o motivo, e conhecemos os propósitos de nosso Pai. Conhecemos seus planos em medida suficiente para nos ajudar a realizá-los em sua plenitude e altura máximas, se assim o quisermos, e deixo-vos meu testemunho quanto à veracidade do conselho que foi dado nesta conferência, quanto à liderança profética que temos o privilégio de ter neste dia e nesta geração, e quanto ao grande motivo que suplanta todas as coisas transitórias da vida, para cuja realização rogo a Deus que possamos sair daqui e nos rededicar, e ensinar nossos filhos, e devotar todo o esforço e toda a seriedade que há em nós, em nome de Jesus. Amém. ¶