A Pré-Existência e a Divindade de Cristo
Hugh B. Brown
Enquanto ainda desfrutamos do resplendor da Páscoa, a ênfase ao longo desta grande conferência tem sido sobre a divindade de Cristo. Desde o discurso profundo e erudito do Presidente J. Reuben Clark Jr., proferido na manhã de sábado, passando por todas as sessões da conferência, todos têm testificado que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo. Não posso ter a esperança de acrescentar algo ao que já foi dito, a não ser, talvez, dar ênfase pela repetição. ¶
Pouco se sabe dos detalhes da estada do Mestre na terra, exceto durante aqueles três anos transcendentes de seu ministério, os anos mais importantes da história. Se quisermos ter um conceito adequado do significado e do esplendor morais e espirituais de sua vida singular — de Belém a Betânia — devemos vê-la à luz da eternidade. Ele viveu sua vida nesta terra no cume do tempo, e no ponto mais alto desse cume vemos a luz da ressurreição, o farol mais glorioso do universo, lançando esperança e coragem a um mundo em trevas. A partir dessa eminência, olhemos para trás — para além do Éden, e ali encontraremos que Jesus, o Cristo, estava com Deus, o Pai, no princípio. ¶
E aquele princípio deve ter antecedido o princípio de que lemos em Gênesis, quando a terra foi criada, pela razão óbvia de que ele foi seu Criador. Sim, ele viveu antes de o tempo começar, tal como entendemos o tempo. Há ampla evidência escriturística para sustentar a crença de que Cristo teve uma existência pré-mortal. O tempo não permitirá citar ou ler muitas das passagens das escrituras, mas gostaria de referir-me a uma ou duas. ¶
João, em seu prefácio inspirado, disse: ¶
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. ¶
"Ele estava no princípio com Deus. ¶
"Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. . . . ¶
"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, (e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai,) cheio de graça e de verdade." ¶
(João 1:1-3, 14.) A este maravilhoso testemunho, Paulo acrescenta esta confirmação: "Porque por ele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam domínios, sejam principados, sejam poderes; todas as coisas foram criadas por ele e para ele: ¶
"E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele." (Colossenses 1:16-17.) E o escritor de Hebreus acrescenta: ¶
"Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, ¶
"A nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por quem fez também os mundos." (Hebreus 1:1-2.) O próprio Jesus se referiu à sua pré-existência muitas vezes; por exemplo, disse: ¶
"Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (João 6:38.) E então, naquela que é a maior de todas as orações, encontramos a comovente passagem: ¶
"E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse." ¶
(Ibid., 17:5.) Em outra ocasião, ele falou repreensivamente a seus seguidores que não compreendiam, e disse: ¶
". . . Isto vos escandaliza? ¶
"Que seria, pois, se vísseis o Filho do Homem subir para onde primeiro estava?" ¶
(Ibid., 6:61-62.) Estas provas da pré-existência de Cristo confirmam nossa fé na imortalidade da alma, pois, se o espírito teve existência antes de o corpo ser criado, então esse espírito é capaz de existência independente depois que o corpo morre. ¶
O fato de que ele saiu do sepulcro com o espírito e o corpo reunidos — e este é o fato central nos ensinamentos dos apóstolos — dá a certeza divina de que nós também, por meio de seu sacrifício expiatório, participaremos das bênçãos da ressurreição. Atendei à sua promessa: ¶
". . . Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; ¶
"E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. . . ." (Ibid., 11:25-26.) E leiamos juntos as palavras de João, escritas enquanto estava na ilha de Patmos, conforme registrado no Apocalipse: "Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o transpassaram: . . ." (Apocalipse 1:7.) "E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o primeiro e o último; ¶
"E o que vivo e fui morto; e eis que vivo para todo o sempre, . . ." (Idem, 17-18.) João continua: "E depois dessas coisas, ouvi como que uma grande voz de uma grande multidão no céu, que dizia: Aleluia! Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus: ... ¶
"E na veste e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS, E SENHOR DOS SENHORES." ¶
(Ibid., 19:1, 16.) Além disso: ¶
"E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. ¶
"E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, preparada como a esposa adornada para o seu marido. . . . ¶
"E disse-me: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim." (Ibid., 21:2, 6.) Zacarias disse que, quando o Mestre aparecer, estará em pé sobre o Monte das Oliveiras, e o monte se fenderá ao meio, e eles, vendo as feridas em suas mãos, perguntarão de onde vêm essas feridas, e ele responderá: ". . . São feridas com que fui ferido na casa dos meus amigos." (Zacarias 13:6.) "E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, num vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele, para o sul." (Ibid., 14:4.) Proclamamos a pré-existência e a natureza divina de Cristo, o propósito de sua vida, a realidade de sua ressurreição e a certeza de sua segunda vinda como verdades eternas e bem atestadas e promessas proféticas. Elas têm um significado iluminador e inspirador para nosso mundo conturbado. São a nossa herança do mundo judaico-cristão, esclarecida e ampliada pela revelação moderna. ¶
São relevantes para o nosso tempo e a nossa era, que, como Adlai Stevenson recentemente observou, "é um tempo de conflito de ideologias, um tempo de fermentação na tecnologia, um período de revolução na ciência, ... uma era em que, finalmente, os meios estão ao nosso alcance para libertar a humanidade das antigas cadeias da dor e da fome. ¶
É tudo isso, mas a verdadeira crise dos nossos tempos está num nível mais profundo. Toda essa liberdade e espaço de manobra apenas nos impõem, com mais força, a questão fundamental da fé que existe em nós." ¶
Como disse o falecido A. Powell Davies: ¶
"O mundo é perigoso demais para qualquer coisa que não seja a verdade, e pequeno demais para qualquer coisa que não seja a fraternidade." ¶
É necessária uma reafirmação das verdades a respeito da paternidade de Deus, da divindade de Cristo e da fraternidade do homem. Verdades pelas quais o Salvador deu a sua vida. A verdade e a fraternidade, o amor a Deus e ao próximo, libertarão os homens e estabelecerão a paz num mundo ameaçado por uma guerra devastadora e final. ¶
As tentativas truculentas e blasfemas das ideologias comunistas de apagar Cristo de sua literatura e de extirpar toda a memória dele do coração e da mente dos homens, a fim de degradá-los e escravizá-los, hão de fracassar, pois, assim como Deus fez o homem à sua própria imagem, essa imagem está indelevelmente gravada na alma dos homens, e instintivamente eles sabem que são filhos de Deus. ¶
O desafio do mal, com a confusão que inevitavelmente traz, tende a tornar mais evidente a relevância da vida e da mensagem de Cristo, e mais urgente a aplicação de seus ensinamentos divinos. ¶
Seria covardia, quase ao ponto da traição, diluir, aguar e tornar insípido o poder salvador dessas gloriosas verdades. De fato, como disse Paulo: ¶
"Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, . . . ¶
"E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai." (Filipenses 2:10-11.) Humilde, mas destemidamente, acrescentamos aos testemunhos dos profetas e apóstolos de antigamente o nosso próprio testemunho de que ele vive, de que é um ser pessoal, de que virá novamente com o seu corpo ressuscitado e glorificado, ainda trazendo as marcas da crucificação, e de que não há outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos, do que testifico em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶