Nossos Santos Por Trás da Cortina de Ferro
Henry D. Moyle
Meus irmãos e irmãs, sou grato por esta oportunidade de prestar meu testemunho a vós hoje e de vos trazer uma mensagem daqueles que reivindicam a condição de membros da Igreja, que fazem parte desta grande sociedade de amigos no mundo, vivendo sob circunstâncias muito menos favoráveis do que aquelas sob as quais vivemos. ¶
Creio que uma das ocasiões mais inspiradoras de minha vida foi a oportunidade que tive neste verão, sob a orientação do Presidente McKay, de visitar nossos santos na Alemanha Oriental. Realizamos uma grande conferência na cidade de Leipzig. A essa cidade vieram ônibus lotados de membros da Igreja de toda a Saxônia, de Dresden, Freiburg, Chemnitz, Stuttgart, Plauen, e de lugares tão distantes quanto Mecklenburg. ¶
Jamais vi uma demonstração de maior unidade, de maior devoção uns para com os outros, nem jamais vi maior apreço no coração de meus irmãos e irmãs pelo evangelho restaurado de Jesus Cristo. Penso que seria preciso viver a experiência para apreciar o que estou tentando dizer-vos. ¶
Essas pessoas tiveram provações e tribulações, perdas a suportar. Conheço uma família em que todos os membros do sexo masculino, durante quatro gerações, simplesmente desapareceram na guerra. Mas aqueles que ficaram, as mães e as crianças, permaneceram fiéis à fé. Há pessoas ali hoje que são membros da Igreja há mais de cinquenta anos, homens e mulheres que conheci quando estive em minha missão em 1909 e 1910 naquele mesmo país, homens e mulheres que resistiram às perseguições que se abateram sobre eles, não somente de fora, mas de dentro, e que permaneceram fiéis à Igreja. ¶
Segundo entendo, há muitas pessoas que, quase todos os dias, deixam a Alemanha Oriental rumo à Alemanha Ocidental, e assim uma das perguntas que propus a muitos dos santos com quem tive a oportunidade de conversar foi a de saber se não desejavam sair da Alemanha Oriental e migrar para o Ocidente. Sem uma única exceção naquele grupo em Leipzig, todos disseram sentir que o seu lugar era em sua própria terra natal. ¶
Queriam permanecer ali. Queriam ajudar a edificar a Igreja. ¶
Queriam fazer trabalho missionário entre seus vizinhos e seus amigos. ¶
Temos um grande líder por trás da Cortina de Ferro, um jovem chamado Henry Burkardt. Conheci-o há cinco anos. Maravilhei-me então com sua fé, sua lealdade e sua devoção à Igreja. ¶
Naquela época, ele era solteiro. Agora é casado e tem família, e o Senhor o tem engrandecido em seu chamado como primeiro conselheiro do presidente da Missão Alemã do Norte, o Presidente Burtis Robbins. Ele tem servido nessa função sob vários presidentes de missão. Tive ali uma reunião que durou um sábado inteiro, com os missionários, os missionários locais, com os presidentes de ramo, com os presidentes de distrito, daqueles ramos e distritos, e todos eles davam testemunho da devoção do Irmão Burkardt e de seu amor e afeição por ele. Ele possui todos os atributos de um grande líder. E ali ele permanece, praticamente sozinho no que diz respeito à ajuda vinda de fora. ¶
Aquelas pessoas gostariam de saber o que estamos fazendo aqui hoje. Elas aguardam com expectativa nossas conferências gerais, sem nunca saber o que acontece aqui, sem nunca ter qualquer relatório de conferência, exceto em raras ocasiões, e tudo o que sabem é o que ouvem ocasionalmente, quando nosso presidente de missão consegue ir por trás da Cortina de Ferro e reunir-se com eles por um ou dois dias, não mais que duas vezes por ano. E, mesmo nessas reuniões, há tantos assuntos administrativos a tratar que ele tem pouca oportunidade de relatar o progresso da Igreja. ¶
Impressionou-me profundamente pensar que nenhuma Autoridade Geral entrara na vida daquelas pessoas em vinte e nove anos. Ora, elas simplesmente não conseguiam aproximar-se e apertar-vos a mão sem expressar sua gratidão, com lágrimas nos olhos. Todos queriam compartilhar conosco o pouco que tinham ali para comer. Digo-vos, faria bem ao coração de todos vós se estivésseis ali para vê-los. ¶
Percebi como nunca antes até que ponto nossos santos na Europa sustentam o Presidente McKay como um verdadeiro profeta de Deus. Aqueles que compareceram à dedicação do Templo de Londres e ouviram sua inspirada oração dedicatória não precisam que ninguém lhes diga que ele é um profeta de Deus. Souberam disso ao encontrá-lo e conviver com ele. Receberam o testemunho de que ele é guiado por inspiração e revelação na condução da Igreja. ¶
Por toda a Europa, a Igreja parece estar progredindo, crescendo, desenvolvendo-se e multiplicando-se. E assim meus pensamentos voltaram-se para as palavras que se encontram em Atos dos Apóstolos, quando os irmãos visitaram Cesareia. ¶
Isso foi depois da conversão de Paulo: ¶
"Assim, pois, as igrejas em toda a Judeia, e Galileia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo." ¶
(Atos 9:31.) Não sei como a situação na Europa poderia ser descrita melhor, porque é exatamente isso o que está acontecendo. ¶
Então voltei-me para as palavras de Paulo em sua declaração aos coríntios, que se aplicam tão precisamente às condições desses maravilhosos santos por trás da Cortina de Ferro: ¶
"Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desesperados; "Perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não perdidos." (II Cor. 4:8-9.) Esses irmãos e irmãs são parte integrante desta grande organização, desta sociedade de amigos, de santos, à qual todos pertencemos. Não hesito em afirmar que constituímos a maior sociedade de irmãos e irmãs que o mundo já conheceu, e, se isso não fosse verdade, tenho certeza de que em breve se tornará realidade, porque é isso que o Senhor deseja de nós, seu povo. Estou ainda mais convencido de que jamais houve, na história do mundo, uma época em que o Senhor tenha concedido a seus servos um poder maior do que o que se manifesta hoje na liderança da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Isso não se encontra apenas em nosso grande Profeta líder, mas também no campo missionário, na vida e nas obras dos missionários. Tenho certeza de que os missionários no mundo jamais foram abençoados em maior grau do que os missionários de hoje em todo o mundo, e estou também consciente de que o Adversário está atento a isso, e não permanece inativo em sua tentativa de frustrar os propósitos de nosso Pai Celestial. ¶
O poder do sacerdócio manifesto por meio de nossos élderes nos campos missionários, nossos filhos e nossas filhas, vencerá todos os obstáculos que o Adversário puder colocar em seu caminho, e a obra do Senhor prosseguirá, e seremos multiplicados, seremos edificados, e teremos a consolação do Espírito Santo em nossa obra. ¶
Digo-vos que a mensagem que levamos ao mundo, de que Deus vive e de que Jesus é o Cristo, está dando fruto em cada terra e em cada cidade. Cidades e países que, até então, faziam ouvidos moucos a nós, agora estão abrindo suas portas, e torna-se difícil encontrar locais de reunião suficientemente grandes para acomodar as multidões de investigadores. ¶
Preciso contar-vos um caso. Há apenas alguns meses, fomos à cidade de Innsbruck, nas montanhas da Áustria, cidade em que, segundo entendo, jamais havíamos feito trabalho missionário antes. Tive o privilégio de falar ali a um ramo de cerca de vinte santos e mais de trinta investigadores, obra que, tanto quanto me lembro, é de menos de seis meses. E esse é o relatório que recebemos de toda a Europa. ¶
Digo-vos que é um privilégio, meus irmãos e irmãs, poder dar testemunho ao mundo desse testemunho que veio a nosso coração. Alegria e satisfação incomensuráveis são colhidas por aqueles de nós que assim o podem fazer. ¶
Sei que Deus vive, que ele nos deu, a seus filhos, aquela luz e conhecimento pelos quais podemos compreender e apreciar a Deus e seus caminhos, e que, mediante a obediência a eles, sejamos trazidos de volta, eternamente, a seu reino, salvos e exaltados com seu povo. Oro ao Senhor para que todos vivamos de tal maneira que possamos seguir o exemplo de nossos líderes e ensinar seu evangelho eterno a nossos amigos e vizinhos, e assim nos tornemos salvadores no Monte Sião ao salvarmos as almas de nossos semelhantes, o que peço humildemente, em nome de Jesus. Amém. ¶