O Dia do Pai
Sterling W. Sill
Todos os anos, no segundo domingo de maio, reservamos um dia muito especial, que chamamos de Dia das Mães. Este é um dia para honrarmos nossas mães, e é tradicionalmente um dia de união familiar e felicidade. Neste dia, vestimos nossas melhores roupas e praticamos nossos atos mais atenciosos para honrar e agradar nossas mães. ¶
Anteontem foi, para mim, uma espécie de Dia das Mães especial, pois era o aniversário de minha mãe, e, embora ela já tenha partido desta vida há muito tempo, sou muito grato pelo privilégio que tenho de recordá-la e honrá-la. ¶
Intimamente associado ao Dia das Mães, reservamos outro dia especial, no terceiro domingo de junho, que chamamos de Dia dos Pais. A importância desses dois grandes dias recebeu ênfase e aprovação divinas há cerca de 3.400 anos, quando Deus desceu em fogo sobre o Monte Sinai e, ao som de relâmpagos e trovões, disse — Honra teu pai e tua mãe. . . . ¶
(Êx. 20:12.) Pelo que entendo, a observância desse mandamento traz mais benefício aos filhos do que aos pais, pois, quando honramos um ideal, nossa vida é enobrecida por ele. Já se disse que "os pecados dos pais recaem sobre os filhos," mas isso também pode se aplicar às suas virtudes; pois, como disse o poeta— Quando o coração elevado engrandecemos E a visão segura celebramos E adoramos a grandeza que passa, Nós mesmos somos grandes. ¶
Em seu notável livro Gospel Ideals, o Presidente McKay disse: "Outra noite sonhei com minha mãe." E depois disse: "Gostaria de sonhar com minha mãe com mais frequência." Isto é, em seu sonho, sua mente retrocedeu e reviveu aquelas experiências importantes em que aprendeu de sua mãe as lições de vida que ajudaram a prepará-lo para o elevado lugar que hoje ocupa no mundo. ¶
Cada vez que revivemos alguma experiência sagrada, essa experiência se renova em vitalidade, e somos capazes de reabsorver o bem original. ¶
Foi ao tentar reviver a devoção de minha própria mãe, no dia de seu aniversário, que escolhi o título do que gostaria de dizer-vos nesta manhã. O título que penso que mais lhe agradaria é "Dia do Pai." E não me refiro ao Dia dos Pais que ocorre no terceiro domingo de junho. Refiro-me ao Dia do Pai que ocorre no primeiro dia de cada semana, quando procuramos honrar e agradar o nosso Pai Celestial. ¶
O Apóstolo Paulo nos lembrou que ... tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigir, e os reverenciamos; ¶
não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? (Heb. ¶
12:9.) A importância relativa deste grande dia que chamamos de sábado talvez nos seja indicada pela frequência com que se repete. Ou seja, temos um dia para honrar Washington, um dia para honrar Lincoln, um dia de Ação de Graças, um dia para o aniversário de nossa nação. E então o nosso Pai Celestial, em Sua sabedoria, reservou um sétimo de todos os dias para honrar a Deus. Este dia também é reservado principalmente para o nosso benefício. Quando alguém honra uma mãe maravilhosa, tende a fazer os padrões dela seus próprios; e quando alguém honra a Deus, tende a se tornar semelhante a Deus, e, com isso, ajuda a realizar a sua própria exaltação eterna. ¶
Estes cinquenta e dois Dias do Pai também nos vieram daquele dia imponente no Sinai, há trinta e quatro séculos, quando, do meio do fogo, Deus disse — Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. (Êx. 20:8.) De fato, já se pensou que a nossa civilização jamais poderia ter sobrevivido meio século, se não fosse por este um dia em sete que chamamos de domingo. Este é o dia em que procuramos alcançar um ápice em nossa vida, vivendo o melhor que podemos. Este é o dia em que damos atenção especial ao asseio do corpo. Este é o dia em que vestimos nossas melhores roupas, pensamos nossos melhores pensamentos e lemos nossos melhores livros. Este é o dia em que convivemos com as pessoas que mais amamos. ¶
Este é o dia que costumamos reservar para a melhor refeição da semana. Este é o dia em que deixamos de lado as preocupações que normalmente nos absorvem nos outros seis dias, enquanto vamos à casa de oração e deixamos nossa mente alcançar o alto, para tentar compreender as coisas de Deus e da eternidade. Este é o dia especial em que adoramos a Deus e O honramos em nossa vida. A observância adequada do sábado é o processo pelo qual colocamos nossa vida em harmonia com a Divindade. ¶
Porque o Presidente McKay amou sua mãe e procurou agradá-la, ela pôde ajudar a guiar e enriquecer sua vida. E porque o Presidente McKay honrou e amou o seu Pai Celestial, Deus pôde engrandecê-lo e torná-lo grande. ¶
Uma coisa que muito me perturba, ao viajar um pouco por aí, é a consciência do grande número de pessoas que estão perdendo suas oportunidades e suas bênçãos pelo mau uso do dia de sábado. Durante toda a nossa vida, ouvimos falar das grandes maravilhas que podem ser realizadas com apenas quinze minutos por dia dedicados a um estudo bem orientado e a um pensamento concentrado. Conhecemos muitos que se elevaram a grandes alturas de realização por esse meio simples. Mas pensai como podemos aprimorar maravilhosamente a nossa espiritualidade, fazendo uso eficaz d'"O Dia do Senhor," que Ele reservou especialmente para enriquecer nossa vida. ¶
Alexander Hamilton certa vez revelou o segredo de seu extraordinário sucesso, e podemos aplicar sua fórmula à observância do dia de sábado. O senhor Hamilton disse: "Os homens me atribuem algum mérito de gênio. Mas todo o gênio que tenho está nisto. Quando tenho um assunto em mente, estudo-o profundamente. De dia e de noite, ele está diante de mim. Exploro-o em todos os seus aspectos. Minha mente se torna impregnada dele. O resultado é o que alguns homens chamam de frutos do gênio, quando, na realidade, são os frutos do estudo e do trabalho." ¶
É uma ideia emocionante pensar na possibilidade de nos tornarmos um "gênio" nas coisas do espírito, um "gênio" na obra do Senhor. Isso pode de fato ser alcançado dedicando nossa mente e nosso coração às importantes considerações para as quais este um dia em sete foi reservado. ¶
Ainda é verdade que "Tal como pensa em seu coração, assim é o homem." Tudo começa a partir desse único princípio. ¶
A mente é o poder soberano Que molda e faz, E o homem é mente. ¶
E, para sempre, ele toma as ferramentas do pensamento E forja o que deseja, Trazendo à luz mil alegrias, mil males. ¶
Ele pensa em segredo, e assim se cumpre: O ambiente não é senão o seu espelho. ¶
James Lane Allen Morning and Evening Thoughts Alguém fez esta proposição desafiadora: "Gostaria de criar sua própria mente?" Mas não é exatamente isso que cada um de nós faz? William James disse: "A mente é formada por aquilo de que se alimenta." ¶
Essa ideia me foi ilustrada de modo marcante há algum tempo, numa conversa com um amigo que disse: "Mas eu simplesmente não sou religioso," e encolheu os ombros como que a dizer: "Não há nada que eu possa fazer a respeito." Na esperança de ajudá-lo, eu disse: "Bill, tenho certeza de que o que dizes é verdade, que não és religioso. Mas já pensaste nas circunstâncias que trouxeram essa situação? Como poderias esperar ser religioso? Não estudas religião; não lês as escrituras; não vais à igreja; não oras a Deus; não pensas nEle; não meditas sobre as coisas religiosas. Como poderias esperar ser religioso?" ¶
Certa vez, alguém perguntou a um menino: "Quem te deu esse olho roxo?" O menino respondeu: "Ninguém me deu esse olho roxo. Tive que lutar por ele." É isso que devemos fazer por tudo o que vale a pena em nossa vida. Devemos lutar por essas coisas. Certamente devemos merecer o direito de ser religiosos. ¶
Contei ao meu amigo sobre um pequeno palhaço de brinquedo que vi na época do Natal. Era uma pequena figura de plástico que tinha um peso de chumbo no alto da cabeça, o qual sempre o trazia de volta à posição de cabeça para baixo. ¶
Se o deitássemos de costas, ele imediatamente virava e ficava de cabeça para baixo. Se o colocássemos de pé, ele rapidamente invertia a posição e pousava sobre a cabeça. ¶
Mas não é exatamente esse o nosso próprio método de reação? Podemos confiar absolutamente neste fato: onde quer que coloquemos os pesos de nosso interesse, será nesse ponto que reagiremos, mais ou menos automaticamente; por exemplo, meu amigo tinha grande interesse em esportes; passava seus domingos e outros momentos livres lendo sobre diversos tipos de esporte e neles participando. Disse-me que conseguia citar as médias de rebatidas de todo jogador importante das grandes ligas de beisebol dos Estados Unidos, e, ao mesmo tempo, confessou que não conseguia citar um único versículo da palavra de Deus. ¶
Meu amigo compreendia perfeitamente a importância de tomar uma vitamina todos os dias, mas não tinha noção alguma da conveniência ou dos métodos para desenvolver a saúde e a vitalidade espirituais. ¶
Certa vez, alguém disse: "Nunca tirei a religião da mente. Eu era tão de mente aberta que ela caiu para fora." ¶
Nossa saúde espiritual deve ser sempre, antes de tudo, nossa própria responsabilidade. Um médico julga a saúde pelo apetite, e nossa espiritualidade pode ser julgada da mesma maneira. É fácil arruinar nosso apetite pelas coisas de Deus quando construímos bares em nossos lares em vez de altares. Pela profanação do dia de sábado, podemos nos tornar mais interessados numa corrida de cavalos do que no reino celestial. ¶
William James disse: "Aquilo que retém nossa atenção determina nossa ação." Essa regra aplica-se tanto a uma luta de boxe quanto ao reino celestial. Somos nós mesmos que escolhemos os interesses que moldarão o nosso destino. Mas nenhuma vida pode, em última análise, ser verdadeiramente bem-sucedida se estiver preocupada, principalmente, com seus próprios prazeres superficiais e interesses limitados, sem encontrar tempo para o autor de nossa vida e de nossas bênçãos. Alguém disse — Sem tempo para Deus, Que tolos somos Ao encher nossa vida De coisas sem valor E partir sem o Senhor da vida E a própria vida. ¶
Sem tempo para Deus? ¶
Melhor seria dizer Sem tempo para comer, para dormir, para viver, para morrer. ¶
Reservai tempo para Deus Ou sereis uma pobre criatura disforme Ao entrardes na eternidade E Lhe dizerdes Não tive tempo para Ti. ¶
Somente quando colocamos Deus e Sua palavra no centro de nossa vida é que podemos desenvolver esse maravilhoso talento religioso que nos conduzirá de volta à Sua presença. ¶
Em 1935, Clarence Day Jr. escreveu uma peça intitulada Life with Father [Vida com o Pai], e eu gostaria de tomar emprestado esse título nesta manhã para aplicá-lo à vossa vida eterna. ¶
Na Seção 76 de Doutrina e Convênios, o Senhor nomeia aqueles que se qualificarão para o reino celestial. Ele diz — Estes habitarão na presença de Deus e seu Cristo para todo o sempre. (D&C 76:62.) Portanto, como está escrito, eles são deuses, sim, os filhos de Deus. (D&C 76:58.) Estes são aqueles cujo corpo é celestial, cuja glória é a do sol, sim, a glória de Deus, a mais elevada de todas, sendo que o sol do firmamento é citado como o símbolo dessa glória. (D&C 76:70.) Então, por contraste, gostaria de apresentar à vossa consideração a perspectiva da "vida sem o pai." Suponde que viéssemos a fazer parte daquela inumerável companhia que passará a eternidade no reino telestial, a respeito da qual se diz: "E serão servos do Altíssimo; mas onde Deus e Cristo habitam não poderão vir para todo o sempre." (Ibid., 76:112.) Gostaria apenas de assinalar, de passagem, que esse é um tempo muito longo para ficarmos excluídos da companhia daqueles com quem mais gostaríamos de estar. ¶
Uma das mais devastadoras de todas as emoções humanas é a sensação de estar só, de não ser querido, de ser indigno. Suponde que, algum dia, descubramos que, por termos colocado nossos interesses nos lugares errados, nos tornamos indignos da presença de Deus e, por isso, perdemos nossa maior bênção. Algo peculiar acontece quando ficamos de cabeça para baixo, por assim dizer, pois então nos parece que o mundo inteiro está de pernas para o ar, e somos incapazes de avaliar corretamente os valores. ¶
A coisa mais valiosa na vida é a própria vida. O maior dom de Deus é a vida eterna, isto é, "a Vida com o Pai." Por isso, estes cinquenta e dois dias maravilhosos foram reservados especialmente para nos ajudar a preparar para essa magnífica experiência que se encontra logo além da nossa mortalidade. ¶
Um dos nossos hinos mais inspiradores diz — Sentimos que é um prazer servir-Te, E amamos obedecer ao Teu mandamento. ¶
William Fowler. E um dos mais importantes desses mandamentos diz respeito à nossa observância daquele grande dia em que procuramos agradar a Deus, o dia que gosto de considerar como o "Dia do Pai," o mandamento divino a respeito do qual não apenas nos chegou através dos séculos, desde os fogos do Sinai, mas que também foi dado de novo, por mandamento direto de Deus, em nossos próprios dias. Pois Deus nos disse novamente, em essência, para o nosso próprio bem: Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. (Êx. 20:8.) Que Deus nos ajude a assim fazer, oro em nome de Jesus. Amém. ¶